sábado, 27 de dezembro de 2008

(Lança Perfume) - RITA LEE


Side A
1 Lança Perfume 5:15
2 Bem-Me-Quer 4:19
3 Baila Comigo 5:30
4 Shangrilá 2:53
Side B
1 Caso Sério 5:31
2 Nem Luxo Nem Lixo 5:05
3 João Ninguém 3:38
4 Ôrra Meu! 3:56

Para começar não gosto da qualidade sonora deste vynil, no entanto aprecio o trabalho mais cuidado que parece ter havido em torno deste album de 1980. A parceria com o companheiro Roberto de Carvalho era aqui exposta pela segunda vez e a dupla iam-se revelando frutífera, a troca das guitarras eléctricas pelos teclados evidencia desde logo novas ideias. Os temas deste album denotam maturidade, provavelmente relacionada com o nascimento do primeiro filho.
O album é bastante equilibrado, sustentado por temas bem arranjados e mantendo uma linha coerente em que a música ganha estabilidade. Tanto os êxitos, "Lança Perfume" e " Baila Comigo", como "Bem-Me-Quer", "Caso Sério" ou "Nem Luxo Nem Lixo" formam um núcleo em que se enquadram perfeitamente numa sonoridade Pop mas mais adulta.
"Shangrilá" é um tema em versão acústica que Rita Lee recupera do seu passado, "João Ninguém" é a habitual passagem pelo Reggae e no final do album Rita extravasa toda a sua contenção com a desbunda Rockeira de "Órra Meu!".
Nos créditos finais Rita refere-se ao louco Inverno de 1980 em que as gravações decorreram, no entanto estamos perante um trabalho bastante sóbrio e de qualidade.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mania de Você - RITA LEE


Side A
1 Chega Mais 3:50
2 Papai, Me Empresta O Carro 3:08
3 Doce Vampiro 4:24
4 Corre-Corre 4:40
Side B
1 Mania de Você 4:51
2 Elvira Pagã 3:17
3 Maria Mole 5:17
4 Arrombou a Festa II 3:33

Menina rebelde, muito dona do seu nariz, e Rainha do Rock no Brasil, Rita Lee iniciava em 1979, com este album, a colaboração musical com o seu companheiro Roberto de Carvalho, Compositor e Guitarrista. O album está repleto de temas que facilmente singram como singles, e o tema "Mania de Você" é mesmo o maior sucesso que a cantora já conheceu.
Se bem que o Pop/Rock predomina há mais géneros que facilmente se identificam por aqui, "Chega Mais" e "Corre-Corre" convidam à dança, em toada mais Disco, "Maria Mole" é um Reggae lento, e duas baladas de perder a respiração, "Doce Vampiro" e a já referida "Mania de Você". O resto é Rock'n Roll.
Um album bem talhado dentro dos bons níveis a que a música popular Brasileira já nos habituou.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Out Of The Cool - GIL EVANS


1 La Nevada 15:37
2 Where Flamingos Fly (Brooks, Courlander, Thea) 5:14
3 Bilbao Song (Brecht, Weill) 4:13
4 Stratusphunk (Russell) 8:04
5 Sunken Treasure 4:16
6 Sister Sadie (Silver) 6:57

Esta é a primeira edição em Cd, completa, deste trabalho original de 1960. Completa porque integra a faixa, "Sister Sadie", escrita por Horace Silver, que só apareceu na edição em vynil de 1978 e pertence à mesma sessão de trabalho.
A Gil Evans Orchestra presenteia-nos com um som agradável, inteligentemente elaborado por esse grande músico que era Gil Evans. De forma discreta e simples, sem grandes virtuosismos ou grandes nomes, aqui toca-se pelo prazer de tocar e o ouvinte sente a música fluir naturalmente à sua volta. A longa faixa "La Nevada" será o maior exemplo dessa sensação na medida em que a música nos é introduzida docemente e vai subindo de tom à medida que os músicos vão entrando e os solos vão fluindo, Tony Studd, em Trombone-Baixo, é bastante cativante.
Este album foi gravado 10 meses depois da conclusão das gravações de Sketches Of Spain com Miles Davis e talvez por isso se note a originalidade da obra. Não soa a Big Band, nem se limita a interpretar Standards, ao invés Evans criou uma sonoridade própria que se evidencia por renunciar ao som mais natural que uma orquestra de Jazz poderia simplesmente apresentar. O tema que mais facilmente se enquadraria numa orquestra de Jazz típica seria o tema original de Horace Silver.
Muito interessante a faixa "Stratusphunk", escrita por George Russell, e que muito bem se enquadra na forma de escrever música de Gil Evans. É um tema que soa moderno e que tendo o Jazz como referência consegue ser mais qualquer coisa fora do âmbito. "Where Flamingos Fly" e "Bilbao Song" são tambem temas a merecer destaque pela forma sóbria como são executados.
Ray Crawford na Guitarra Eléctrica merece uma menção pelo seu fraseado tão limpo e definido e de boa execução, e um novato Ron Carter, no Contra-Baixo, começa já por aqui a dar nas vistas.
Fora do "Cool" mas já no futuro.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Mesa (Edição Especial - Cd Extra) - MESA


1 Luz Vaga (Participação especial de Rui Reininho) 3:45
2 Esquecimento 3:57
3 Celofane 3:28
4 Mímica Sísmica 3:42
5 Luz Vaga 3:25

O Cd extra que acompanha a 3ªedição deste trabalho apresenta como bónus a versão de "Luz Vaga" cantada a duas vozes por Mónica Ferraz e Rui Reininho e quatro temas que João Pedro Coimbra regravou para as sessões "3 Pistas" do programa de rádio "Portugália" apresentado por Henrique Amaro na Antena 3. Nestas sessões as bandas são convidadas a despir os temas originais e a vesti-los com uma nova roupagem em que o limite é, apenas, só se poder utilizar 3 instrumentos. Os Mesa aceitaram o desafio e aqui está o resultado obtido.
"Esquecimento" acabou por se tornar practicamente numa versão "unplugged" do original, limitado à Voz, ao Piano e a uma Guitarra Acústica. Demasiado banal.
"Celofane" tornou-se bastante interessante. Já não achava o original um tema de fácil adaptação mas esta nova roupagem tornou o tema ainda mais misterioso e envolvente. Muito bem conseguido, de forma simples com um Juno 106 e uma Guitarra Acústica.
Quando ouvi o tratamento dado a "Esquecimento" receei por "Mímica Sísmica", felizmente foi respeitado o ambiente Electro/Pop do tema e mesmo assim ainda o conseguiram tornar mais Electro do que já era. Bom resultado.
A acabar, mais uma vez "Luz Vaga". Igual ao que já era mas com um Contrabaixo a dar-lhe um toque mais Jazzy, mas é só mesmo o toque.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Mesa (Edição Especial) - MESA


1 Tinta Invisível 4.15
2 Mímica Sísmica 3.53
3 Esquecimento 4.17
4 Divagadora 3.29
5 Celofane 3.19
6 Luz Vaga 3.42
7 Sequela 3.18
8 Fumo da Frase 3.48
9 Polegar: o movimento 4.40
10 Intenso 3.09
11 Dona do Mal 4.13
12 Filamento 5.26
13 Intermitente? 1.23
14 Restless Minds (faixa extra) 4.47

Continua a vir do Norte, nomeadamente da cidade do Porto, algum do melhor som que por cá se tem feito nos últimos anos e os Mesa não são excepção, a comprová-lo está este album da banda que na realidade é composta por dois elementos apenas, João Pedro Coimbra, o criador e mentor do projecto, e a vocalista Mónica Ferraz. O som dos Mesa é composto por uma sonoridade Pop/Electrónica, cantada, de forma perfeita, em Português. É recorrente a utilização de Samplers e é muito bem conseguida a sua utilização na faixa "Restless Minds", que aqui aparece como faixa extra, em que a voz de Scott Walker foi samplada do tema original "30th Century Man" e foi colada num novo tema criado por João Pedro Coimbra.
Como já referi, a Pop/Electrónica domina o album que tambem nos oferece algum Trip Hop, e um interessante arranjo de Piano e Cordas em "Sequela". "Mímica Sísmica", "Esquecimento" e "Luz Vaga" foram os temas que mais rodaram e que facilmente se enquadram na lista de músicas obrigatórias da música Portuguesa. Não posso deixar passar despercebidos os temas "Divagadora", algo glamorouso, e "Dona do Mal", que faz lembrar os Clã mas a revelar-se uma faixa possante, com muita firmeza a puxar para o lado mais Rock.
Obrigatório conhecer.

sábado, 29 de novembro de 2008

A Change Of Heart - DAVID SANBORN


1 Chicago Song (Miller) 6:26
2 Imogene (Miller) 5:26
3 High Roller (Colina, Sanborn) 4:39
4 Tintin (Saisse) 4:05
5 Breaking Point (Colina, Sanborn) 4:26
6 A Change of Heart (Colina, Sanborn) 5:07
7 Summer (Foster) 5:45
8 The Dream (Sembello) 4:58

Dono de um dos sons mais característicos do "music business" David Sanborn, em Sax-Alto, é sempre um nome a respeitar, ele que já partilhou o seu som em inumeras sessões do meio musical. Apesar deste trabalho não ficar registado na história como um album fundamental não deixa de ser um registo interessante a pesquisar.
Editado em 1987 este trabalho carrega com ele o som tão característico da época através das sequenciações programadas nos sintetizadores da altura e uma alta dose de R'n'B. Totalmente instrumental atente-se no pormenor do trabalho de produção ser dividido por quatro músicos como Marcus Miller, Michael Colina, Philippe Saisse e Ronnie Foster. Cada músico contribui com alguns temas para este trabalho e consecutivamente cada um produz o seu próprio, excepção para o último tema escrito por Michael Sembello e produzido por Michael Colina.
Nos músicos destaca-se as presenças de Hiram Bullock como o Guitarrista principal, Michael Brecker que aparece em "A Change Of Heart" com o seu Steinerphone EWI, e Steve Gadd, na Bateria, e Don Grolnick, em Piano, juntam-se à banda na balada "Imogene".
"A Change Of Heart" revela-se um trabalho quase de rotina em que nada de novo nos é apresentado mas a sua execução e produção são motivos suficientes para acompanhar a obra qualitativa deste Saxofonista tão requisitado.

sábado, 22 de novembro de 2008

Dreamer - ELIANE ELIAS


1 Call Me (Hatch) 4:11
2 Baubles, Bangles and Beads (Borodin, Forrest, Wright) 5:00
3 Photograph (Fotografia) (Gilbert, Tobim) 3:47
4 Movin' Me On 4:10
5 So Nice (Samba de Verão) (Gimbel, Valle, Valle) 5:14
6 That's All (Brandt, Haymes) 5:41
7 Tangerine (Mercer, Schertzinger) 6:43
8 Dreamer (Vivo Sonhando) (Jobim, Lees) 3:34
9 Time Alone 6:42
10 Doralice (Almeida, Caymmi) 2:59
11 A House Is Not a Home (Bacharach, David) 5:22

Natural do Brasil, mas a viver nos Estados Unidos da América, em Nova Iorque, já à bastos anos, Eliane Elias é uma Pianista de formação clássica mas que encontra no Jazz a sua forma de expressão, fez parte da formação inicial dos Steps Ahead com Mike Manieri, Michael Brecker, Peter Erskine e Eddie Gomez.
Neste album de 2004 Eliane interpreta Bossa Nova e alguns Standards, para além de dois temas originais escritos pela própria, suportada pela secção rítmica com Marc Johnson no Baixo e Paulo Braga na Bateria. Presença tambem do Guitarrista Oscar Castro-Neves, e de Guilherme Monteiro, tambem em Guitarra, somente em duas faixas. O convidado mais importante por aqui é Michael Brecker que marca presença em "Call Me" e em "Movin' Me On". "Movin' Me On", um dos originais, escrito por Eliane e Marc Johnson, revela-se como a peça mais interessante deste album, para além de fugir ao conceito geral de interpretação é uma música com um ritmo mais Blues e executada por uma formação mais completa.
É um trabalho bastante Cool com uma interpretação segura e convincente sem exceder expectativas, Eliane não sai da linha escrita limitando-se a improvisações curtas mas bem enquadradas. A sua forma de cantar calma, segura e grave, maioritariamente em Inglês, usando o Português nos temas de Jobim e em "Doralice", chega a sugerir uma Diana Krall mais madura.
Arrisca-se a ser um album meloso mas sabe bem ouvir este trabalho e disfrutar da sua ambiência calma e suave, de preferência com um cocktail a acompanhar.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Back On The Block - QUINCY JONES


1 Prologue (20's Rap) (Quincy's Rap) 1:04
2 Back on the Block 6:34
3 I Don't Go for That 5:11
4 I'll Be Good to You (Johnson, Johnson, Sam) 4:54
5 The Verb to Be (Introduction to Wee B. Dooinit) 0:29
6 Wee B. Dooinit (Acapella Party by the Human Bean Band) [Acappella Party] 3:34
7 The Places You Find Love 6:25
8 Jazz Corner of the World (Introduction to Birdland) 2:54
9 Birdland (Zawinul) 5:33
10 Setembro (Brazilian Wedding Song) (Lins, Peranzzetta) 5:05
11 One Man Woman 3:44
12 Tomorrow (A Better You, Better Me) 4:46
13 Prelude to the Garden 0:54
14 The Secret Garden (Sweet Seduction Suite) 6:41

Roça a perfeição, e tal não passa de um conceito no entanto a comparação é muito boa, Quincy Jones foi sempre um homem exigente e raramente os seus trabalhos desiludem. Em 1989 preparou e gravou este magnífico Cd recheado de nomes incontornáveis que contribuem para que este trabalho seja bastante bom. Solistas como, Herbie Hancock e George Duke, nos Teclados, Gerald Albright, em Saxofone Alto, George Benson, na Guitarra Eléctrica, as vozes de Bobby McFerrin, Ray Charles, Chaka Khan, e os Take 6, entre muitos outros, deixam antever um trabalho de bom nível.
Por aqui há Hip-Hop, R'n'B, Soul, Funky, Bossa Nova, e muito Groove, e acima de tudo há um excelente ambiente musical, muito boa disposição, e muito bom gosto. A introdução a "Birdland", dos Weather Report, é de realçar como um momento único de Rap em que a colagem de frases de Dizzy Gillespie e Charlie Parker criam um diálogo interessante, de seguida os Rappers vão introduzindo elementos importantes da história do Jazz incluindo curtos solos de James Moody, Miles Davis, George Benson, Sarah Vaughan, Dizzy Gillespie, Ella Fitzgerald e Joe Zawinul até entrar no tema em grande estilo. Outro grande momento deste trabalho é a Acappela Party by The Human Bean Band em que o tema "Wee B.DooinIt" é interpretado unicamente por vozes e sons corporais, grande balanço. Outra grande interpretação é a do belíssimo tema de Ivan Lins, "Setembro", com um excelente arranjo de vozes, celestial. Ainda a referir a voz de um muito jovem, com 12 anos à data, Tevin Campbell a recordar a voz do tambem menino Michael Jackson.
É um grandioso album de música negra, no sentido positivo, claro.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Surprise - PAUL SIMON



1 How Can You Live in the Northeast? 3:42
2 Everything About It Is a Love Song 3:57
3 Outrageous (Eno, Simon) 3:24
4 Sure Don't Feel Like Love 3:57
5 Wartime Prayers 4:49
6 Beautiful 3:07
7 I Don't Believe 4:09
8 Another Galaxy (Eno, Simon) 5:22
9 Once Upon a Time There Was an Ocean (Eno, Simon) 3:55
10 That's Me 4:43
11 Father and Daughter 4:11

Paul Simon voltou a criar, em 2006, um bom álbum de canções como ele tão bem sabe fazer. Actualizou-se chamando Brian Eno para o produzir e a "surpresa" aqui é mesmo a associação Paul Simon / Brian Eno, sem ser descabida era no mínimo inesperada. São onze bons temas que preenchem este trabalho em que Paul Simon continua a ser igual a ele próprio, Brian Eno veio ajudar a criar novas paisagens sonoras actualizando o som de Paul Simon ao século XXI e o resultado é óptimo. Em suma temos Paul Simon como sempre o conhecemos mas rejuvenescido por uma nova sonoridade que lhe acenta tão bem neste ínicio de século.

domingo, 9 de novembro de 2008

Playlist DJ set Mano a Mano no Alcopázio Bar em Alcobaça, 2008.11.08

Decorreu ontem à noite no Alcopázio Bar em Alcobaça o DJ set Mano a Mano, entre mim e o meu mano (http://www.nasfaldasdaserra.blogspot.com/) , onde valeu tudo menos tirar olhos, em termos musicais, tal como estava apregoado. Futuras dispustas fraternas deverão surgir oportunamente e lá estaremos para mais uma prazerosa noite de divulgação musical dentro de todos os géneros musicais.
Como testemunho desta primeira sessão aqui divulgo a minha playlist. Como nota de explicação há que perceber que o conceito utilizado foi de blocos de 3 músicas, sem qualquer limite de tempo, por cada mano.
BLOCO I
-ONE AND ONE - MILES DAVIS - ON THE CORNER (1972)
-MOLASSES RUN - WEATHER REPORT - PROCESSION (1983)
-STREET BLUES - ORNETTE COLEMAN & PRIME TIME - TONE DIALING (1995)
BLOCO II
-STROLLIN' - PRINCE & THE NEW POWER GENERATION - DIAMONDS AND PEARLS (1991)
-BLACK TIE WHITE NOISE - DAVID BOWIE - BLACK TIE WHITE NOISE (1993)
-MAMA TOLD ME NOT TO COME - TOM JONES W/ STEREOPHONICS - RELOAD (1999)
BLOCO III
-WALKING IN YOUR FOOTSTEPS - THE POLICE - SYNCHRONICITY (1983)
-THIS MUST BE THE PLACE (NAIVE MELODY) - TALKING HEADS - ONCE IN A LIFETIME: THE BEST OF (1992)
-HEROES - THE WALLFLOWERS - GODZILLA THE ALBUM: ORIGINAL SOUNDTRACK (1998)
BLOCO IV
-SUNNY AFTERNOON - TOM JONES W/ SPACE - RELOAD (1999)
-SOUL BOSSA NOVA (DIM'S SPACE-A-NOVA) - QUINCY JONES AND HIS ORCHESTRA - AUSTIN POWERS THE SPY WHO SHAGGED ME: ORIGINAL SOUNTRACK (1999)
-NATIONAL EXPRESS - THE DIVINE COMEDY - FIN DE SIÈCLE - (1998)
BLOCO V
-THE FLINTSTONES MEETS THE PRESIDENT (MEETS THE DIRTY DOZEN) - THE DIRTY DOZEN BRASS BAND - LIVE: MARDI GRAS IN MONTREUX (1986)
-BORN IN THE U.S.A. - THE STANLEY CLARKE BAND - FIND OUT! (1985)
-AMERICAN PIE - MADONNA - MUSIC (2000)
BLOCO VI
-SHE'S A LADY - PULP - HIS'N'HERS (1994)
-EVEN BETTER THAN THE REAL THING (THE PERFECT MIX) - U2 - THE BEST OF 1990-2000 & B-SIDES (2002)
-COMFORTABLY NUMB - SCISSOR SISTERS - SCISSOR SISTERS (2004)
BLOCO VII
-NEW DOO REVIEW - PARLIAMENT - TROMBIPULATION (1980)
-I WANT TO TAKE YOU HIGHER - SLY AND THE FAMILY STONE - STAND! (1969)
-WHO SAYS A FUNK BAND CAN'T PLAY ROCK? - FUNKADELIC - ONE NATION UNDER A GROOVE: COLECÇÃO SOUL MUSIC (1993)
BLOCO VIII
-WATERMELON MAN - HERBIE HANCOCK - HEAD HUNTERS (1973)
-BLACK SATIN - MILES DAVIS - ON THE CORNER (1972)

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

On The Corner - MILES DAVIS



1 On the Corner/New York Girl/Thinkin' of One Thing and Doin' Another/Vote For Miles 19:59
2 Black Satin 5:20
3 One and One 6:09
4 Helen Butte/Mr. Freedom X 23:18

Edição em Cd deste album de 1972. Após "In The Silent Way" em 1969 e "Bitches Brew" em 1970, o mesmo conceito estende-se a este "On The Corner com a diferença da abordagem neste registo conter mais Groove, Miles quis soar mais Funky. Uma vez mais Miles quis estar em sintonia com a corrente e abraçou os novos ritmos criando discórdia entre os mais puristas apreciadores de Jazz e aqueles que simplesmente gostam de ouvir novas abordagens e experimentar novos conceitos. James Brown e Sly Stone eram por esta altura os nomes que mais soavam na cabeça de Miles Davis e foi com estas sonoridades em mente que entrou em estúdio para registo de mais um trabalho extraordinário. A utilização de loops e a manipulação de fitas magnéticas, influência de Stockhausen a notar-se, são tambem técnicas exploradas nesta sessão.
A partir de uma base rítmica repetitiva, quase minimalista, a banda vai descarregando a sua energia reagindo ao ambiente e entregando-se a uma cerimónia quase tribal. Os músicos contribuem com curtos solos e todos os temas vibram de vida, tal como uma selva. Miles utiliza sempre o seu Trompete ligado a um pedal Wha-Wha, aqui a influência de Jimi Hendrix, e vai aparecendo e desaparecendo num ambiente que ele controla totalmente.
Importante referir a presença de músicos como John McLaughlin, Guitarra Eléctrica no primeiro tema, David Liebman, Sax-Soprano no primeiro tema, Herbie Hancock e Chick Corea, nos Teclados ao longo de todo o album, Bennie Maupin, Clarinete-Baixo no segundo tema, e os incansáveis bateristas, Jack de Johnette, Billy Art e Al Foster.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Lather - FRANK ZAPPA - CD03


1 Filthy Habits 7:12
2 Titties 'N Beer 5:23
3 The Ocean Is the Ultimate Solution 8:32
4 The Adventures of Greggery Peccary 20:59
5 Regyptian Strut (1993) 4:42
6 Leather Goods 6:01
7 Revenge of the Knick Knack People 2:25
8 Time Is Money 3:06

E com este terceiro Cd se conclui a saga de Leather, com a particularidade de incluir como bónus quatro temas que não faziam parte do alinhamento original. Este material foi descoberto aquando da busca do material de Leather e encontrou-se assim uma remistura feita por Zappa, e Spence, em 1993 para "Regyptian Strut", uma fita intitulada por Zappa como "Leather Goods" que contêm um solo de guitarra, de arrepiar, com reminiscências de Jimmy Page, apareceu assim tambem "Revenge of The Knick Knack People", que pertencia aos outtakes de "Baby Snake" e revela-se uma peça extravagante e experimental, e o quarto bónus é a versão instrumental de "Time Is Money".
"Titties 'n Beer" encerra aqui o capítulo de "Zappa in New York" e temos tambem um final com Zappa ao seu melhor nível na guitarra em "Filthy Habits" e "The Ocean Is The Ultimate Solution".
Aparece neste último Cd a grande fábula musical intitulada "The Adventures of Greggery Peccary". Corresponde exactamente ao que seria o lado 8 da edição em Vynil, uma faixa com 21:16 e que relata as aventuras, e desventuras, de um porco. É uma grande peça orquestrada e bastante detalhada, para ouvir e divertir.
Volto então a referir o bom tratamento que o catálogo Rykodisc deu à grandiosa obra de Frank Zappa sendo este album um bom exemplo ao personificar a recuperação de um trabalho que nunca foi permitido ao compositor, na altura devida, de ter o tratamento para o qual foi pensado inicialmente. A Rykodisc faz assim justiça, para gáudio de todos os que gostam, ao bom nome de Frank Zappa.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Lather - FRANK ZAPPA - CD02


1 Honey, Don't You Want a Man Like Me? 4:57
2 The Black Page, #1 1:57
3 Big Leg Emma 2:11
4 Punky's Whips 11:06
5 Flambé 2:05
6 The Purple Lagoon 16:21
7 Pedro's Dowry 7:45
8 Läther 3:50
9 Spider of Destiny 2:40
10 Duke of Orchestral Prunes 4:22

Uma vez recusada a edição de Lather como uma caixa de 4 Vynis, Zappa dirigiu-se a uma estação de rádio local e pediu para passarem a obra na sua integralidade, a respectiva rádio acedeu ao pedido e assim o fez. Entretanto Zappa avisou os ouvintes para prepararem os gravadores de Cassetes e aproveitassem a ocasião para gravar o registo da obra tal como foi idealizada, uma oportunidade única, e assim distribuiu o trabalho livremente por quem pode aproveitar.
Este segundo Cd incide maioritariamente na facção que se viria a tornar no famoso duplo album ao vivo, "Zappa In New York", tendo como principais pilares os temas "Punky's Whips" e "The Purple Lagoon". "Punky's Whips" adquire contornos bastate humorísticos, quase Óperaticos, em que o Baterista Terry Bozzio interpreta um confuso jovem que se apaixona pela imagem de um poster de um outro jovem, guitarrista, que lhe baralha as tendências sexuais. Por outro lado "The Purple Lagoon" é um daqueles temas em que os músicos se entregam de corpo e alma à improvisação, e neste caso em particular falamos de Michael Brecker, primoroso solo em Sax-Tenor, Patrick O'Hearn, solo de Baixo, e Randy Brecker, solo de Trompete. Neste Cd encontramos tambem a peça orquestral "Pedro's Dowry", um desafio a enfrentar em termos de audição, não é uma peça fácil de acompanhar.
As peças instrumentais dominam a totalidade deste valioso trabalho de Zappa, excepção feita aos momentos vocais que são quase todos registados ao vivo. A composição de Zappa era única, com um toque muito pessoal, e são uma delícia de apreciar. Mesmo as composições mais complexas conseguem agarrar o ouvinte e transportá-lo por um emaranhado de pormenores bem idealizados, e enquadrados, na estrutura musical.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Lather - FRANK ZAPPA - CD01


1 Re-Gyptian Strut 4:37
2 Naval Aviation in Art? 1:32
3 A Little Green Rosetta 2:48
4 Duck Duck Goose 3:01
5 Down in de Dew 2:57
6 For the Young Sophisticate 3:14
7 Tryin' to Grow a Chin 3:26
8 Broken Hearts Are for Assholes 4:40
9 The Legend of the Illinois Enema Bandit 12:43
10 Lemme Take You to the Beach 2:47
11 Revised Music for Guitar and Low-Budget Orchestra 7:36
12 RDNZL 8:16

Inicialmente concebido como uma box de 4 discos em vynil, com peças gravadas entre os anos de 1973 e 1977, este trabalho nunca foi aceite como tal pela editora que recusou a concepção desta obra mas lembrando Zappa que lhes devia quatro albuns contratuais. Uma vez que a editora não abria mão de Zappa o próprio reformolou a obra, separou os 4 vynis desta box e entregou-os como quatro trabalhos em separado dando assim origem aos albuns "Zappa in New York", "Studio Tan", "Orchestral Favourites" e "Sleep Dirt". Em 1996, e dando continuidade ao seu excelente tratamento da obra de Frank Zappa, a RYKODISC conseguiu recuperar para esta edição tripla em CD a obra tal como foi inicialmente concebida, e ainda com o acréscimo de quatro bónus tracks que aparecem no terceiro disco.
Há assim a possibilidade, principalmente para fundamentalistas da obra de Zappa, de se poder desfrutar, finalmente, da obra tal como Zappa a queria editar originalmente. O alinhamento segue prioritariamente a ordem pela qual foi elaborado, no livrete que acompanha os CDS está uma cópia dos acetatos mostrando a distribuição dos temas pelos respectivos vynis.
Os temas do alinhamento deste primeiro CD compreenderiam o lado A, "Re-gyptian Strut", que abre muito bem a obra, destaque para Bruce Fowler em Trombone, até "For The Young Sofisticated", e o lado B do primeiro vynil, que consiste nos temas ao vivo, "Tryin' To Grow A Chin" até ao grandioso momento musical, humoristico e Blues, de "The Legend Of The Illinois Enema Bandit". Os últimos três temas do CD, "Lemme Take You To The Beach", uma paródia à música Surf, "Revised Music For Guitar & Low Budget Orchestra", uma peça plena de execução muito contemporânea, e "RDNZL" oportunidade para se ouvir mais um bom solo de guitarra de Zappa, seriam o Lado A do segundo Vynil, nunca editado.
Faça-se assim justiça à vontade deste grande compositor.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Lounge Lizards - THE LOUNGE LIZARDS


1 Incident on South Street 3:25
2 Harlem Nocturne (Hagen) 2:07
3 Do the Wrong Thing 2:42
4 Au Contrarie Arto 3:26
5 Well, You Needn't (Monk) 1:58
6 Ballad 3:25
7 Wangling 3:01
8 Conquest of Rar 3:17
9 Demented 2:06
10 I Remember Coney Island 3:30
11 Fatty Walks 2:56
12 Epistrophy (Clarke, Monk) 4:17
13 You Haunt Me 3:40

Corria o ano de 1981 quando este album, o primeiro do colectivo, aqui em Cd, viu a luz do dia, no entanto é um album de, e para, gente da noite. Estamos perante um autêntico trabalho underground nova-iorquino envolto numa estética muito vanguardista onde o Jazz se mistura com outras linhagens, nomeadamente a sua forma mais Free, passando pelo Rock e algum do ambiente mais Noir do cinema policial das décadas mais remotas, em suma, explosivo.
John Lurie, no Saxofone, assume-se desde logo como o líder deste quinteto que executa música de uma forma extrovertida. As nuances dos Lounge Lizards são sóbrias mas tambem atrevidas e por vezes roçam a experimentação, mas o resultado é um trabalho pleno de criatividade que nos desperta os sentidos. O baterista Anton Fier revela-se como o segundo elemento mais notado pois estamos perante uma autêntica máquina rítmica de execução, rica em dinâmicas, que quase não respira de tanta actividade.
Arto Linsday credita-se como o Guitarrista de serviço mas as suas execuções estão longe de serem convencionais, desiluda-se quem espera ouvir fraseados melódicos ou escalas debitadas, Lindsay desenvolve uma técnica de execução baseada na utilização das cordas e dos pickups do instrumento de facto, mas de outras variadas formas, apetitoso nomeadamente para quem gosta de coisas diferentes.
Evan Lurie, irmão de John Lurie, apresenta-se nos teclados e revela-se tambem um excelente criador de ambientes, Steve Piccolo no Baixo corresponde perfeitamente ao que a banda exige dele, muito seguro.
De notar a presença de dois temas de Thelonius Monk, "Well You Needn't" e "Epistrophy", e um tema de Earle Hagen, "Harlem Nocturne", os restantes são originais da banda.
Sem destacar nenhuma faixa em particular, todas são perfeitas, seja lá o que isso for, destaco o album como um todo, composto por treze temas loucos, todos curtos, que nos convidam a fazer o que quer que seja ao seu ritmo. Experimentem deixar o corpo submeter-se ao que se sente ao ouvir este trabalho.

domingo, 5 de outubro de 2008

You're Under Arrest - MILES DAVIS


1 One Phone Call/Street Scenes 4:34
2 Human Nature (Bettis, Porcaro) 4:30
3 Intro: MD 1/Something's on Your Mind/MD 2 (Davis, Eaves, Williams) 7:17
4 Ms. Morrisine (Davis, Irving, Morrisine) 4:57
5 Katia Prelude (Davis, Irving) :40
6 Katia (Davis, Irving) 7:37
7 Time After Time (Hyman, Lauper) 3:37
8 You're Under Arrest (Scofield) 6:14
9 Medley: Jean Pierre/You're Under Arrest/Then There Were None (Davis, Irving, Scofield) 3:23

Miles Davis fez sempre por estar enquadrado com a época em que vivia, desde a década de 40 até à data da sua morte em inícios da década de 90, foi sempre um homem atento ao que o rodeava e acompanhou as tendências, desde as roupas aos carros até, obviamente, ao principal que era a música. Não é assim de estranhar que Miles apareça em plenos anos 80, e após uma grande ausência do meio musical durante praticamente a segunda metade da década de 70, rodeado de novos músicos e de novas sonoridades. A música evoluiu, novos instrumentos surgiram, os penteados mudaram e as roupas tambem, e Miles mais uma vez não quis ficar para trás.
Surge assim em 1985 "You're Under Arrest" que começa logo por chamar a atenção pelo facto de conter dois temas Pop bastante simbólicos dessa mesma altura, "Human Nature", belíssimo tema que Michael Jackson gravou para esse grande album que é "Thriller", e "Time After Time", uma bonita balada de Cindy Lauper.
Miles abre o album com um tema delirante em que interpreta uma rusga a ele próprio, criando os diálogos dos policias, que ele tão bem conhece, por cima de uma banda sonora que sustenta toda a acção. A interpretação culmina com a voz de Sting a dar a ordem de detenção em Francês.
Num album em que existe uma grande predominância dos Sintetizadores, ao cargo de Robert Irving III, Miles consegue manter um certo brilho de improviso ao ter ao lado do seu Trompete dois prestigiados guitarristas como o são, John McLaughlin, em "Ms.Morrisine" e "Katia", e John Scofield nos restantes temas. Ambos os guitarristas empregam solos bastante determinados, a roçar uma sonoridade mais Rock, no entanto John Scofield acaba por ter um papel mais determinante ao suportar os temas e criar fraseados inovadores dentro de uma tradição mais Jazzística. Scofield contribui tambem com o tema "You're Under Arrest", uma peça rápida e obrigatória. Bob Berg marca uma presença discreta em Sax-Soprano no primeiro tema do Cd e em "You're Under Arrest" é fundamental no Sax-Tenor acompanhando John Scofield no Riff principal desta faixa.
A faixa "Something's On Your Mind" será aqui uma referência por antever o album seguinte de Miles que é "Tutu".
Este trabalho encerra um pouco da mesma forma que começou, o Medley apresentado acaba por soar tambem a banda sonora, com uma série de efeitos, e o Riff do Piano é perfeito e hipnotizante, não nos sai da cabeça.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Strange Days - THE DOORS


Side A
1 Strange Days 3:09
2 You're Lost Little Girl 3:03
3 Love Me Two Times 3:16
4 Unhappy Girl 2:00
5 Horse Latitudes 1:35
6 Moonlight Drive 3:03
Side B
1 People Are Strange 2:12
2 My Eyes Have Seen You 2:29
3 I Can't See Your Face in My Mind 3:26
4 When the Music's Over 10:59

Após o sucesso inicial do primeiro album os Doors gravaram, e editaram, nesse mesmo ano de 1967, este "Strange Days" que surge como digno sucessor do promissor album de estreia. Este segundo trabalho da banda começa por se evidenciar em alguma experimentação, em relação ao album anterior, derivado do facto do estúdio de gravação ter dobrado o número de pistas, de 4 para 8, como tal houve que tirar o máximo proveito dessa nova possibilidade.
O tema "Strange Days" começa por abrir as hostes com uma das primeiras utilizações de um Moog no Rock. "You're Lost Little Girl" é uma balada cantada por um Jim Morrison em tom de Crooner. "Love Me Two Times" é o tema que mais semelhanças adquire com o trabalho anterior da banda. "Horse Latitudes" é o momento mais experimental deste trabalho com Morrison a declamar o poema sobre diversos efeitos sonoros criados em estúdio. "Moonlight Drive", que no início sugere um Tango, sempre foi uma das minhas músicas, e letra, preferidas. "People Are Strange" é único. "I Can´t See Your Face In My Mind" sugere ambiente nipónico, oportunidade subtil para ouvir Ray Manzarek deixar o Orgão e tocar Marimba, delicioso. A fechar vem a orgia dinâmica de "When The Music's Over", tema obrigatório nas actuações ao vivo da banda.
Em ano de Flower Power os Doors trocavam as flores por ácidos tenebrosos e reclamavam o Mundo.
"We want the world and we want it. NOW!"

sábado, 27 de setembro de 2008

18 - MOBY


1 We Are All Made of Stars 4:32
2 In This World 4:02
3 In My Heart 4:36
4 Great Escape 2:08
5 Signs of Love 4:26
6 One of These Mornings 3:12
7 Another Woman 3:56
8 Fireworks 2:13
9 Extreme Ways 3:57
10 Jam for the Ladies 3:22
11 Sunday (The Day Before My Birthday) 5:09
12 18 4:28
13 Sleep Alone 4:45
14 At Least We Tried 4:08
15 Harbour 6:27
16 Look Back In 2:20
17 Rafters 3:22
18 I'm Not Worried at All 4:11

Moby escolheu estes 18 temas de entre perto de 150 músicas que vinha preparando desde a digressão de "Play". Algumas foram pensadas e elaboradas durante essa digressão mas a maior parte delas foram escritas e trabalhadas em casa, no estudio particular, logo após o terminar dessa mesma digressão. Daí, talvez, a similariedade que se sente no ambiente de todo este Cd com o anterior, e bastante bom, "Play", mas neste caso torna-se fastidioso e cansativo bater numa formula que venceu, e convenceu, mas que agora já pedia outros caminhos, ou pelo menos uma maior criatividade. Não fosse o facto de todos estes temas terem sido elaborados pós-"Play" e seria capaz de jurar que este album teria sido feito com os restos de "Play", uma espécie de B-Sides & Rarities. Mas nem tudo é mau neste album, apenas carrega o fardo de ser o sucessor de um bom trabalho e a fasquia ter ficado alta, não cumpre ao nível, ou pelo menos esperava-se mais.
Depois de ter caído no erro da comparação resta-me dizer que há por aqui muitos bons momentos e muitos convidados. O single "We Are All Made Of Stars" abre as hostes com um bom momento Pop, "The Great Escape" teria ficado bem na voz de Elizabeth Fraser mas aqui são as Azure Ray quem encanta. "Another Woman" contêm uma asfixiante linha de baixo, "Fireworks" é um terno instrumental. "Extreme Ways", um tema Pop convincente, e "Jam For The Ladies", um piscar o olho às pistas de dança sob a potente voz de MC Lyte e a melodia de Angie Stone, são as minhas faixas favoritas. "At Least We Tried" é um triste tema cantado com muito feeling por Freedom Bremner, e Sinead O'Connor surpreende ao interpretar a bonita balada minimalista "Harbour".
Foi assim que em 2002, num Mundo ligeiramente diferente daquele em que gravou "Play", que Moby seguiu o seu caminho voltando a mostrar, mesmo assim, um som característico com que facilmente o indentificamos.

Knebworth: The Album - LP02


Side A
1 Sunshine of Your Love - Eric Clapton 11:47
2 Think I Love You Too Much - Dire Straits 6:05
3 Money For Nothing - Dire Straits 6:42
4 Sad Songs (Say So Much) - Elton John 5:30
Side B
1 Saturday Night's Alright for Fighting - Elton John 4:56
2 Coming Up - Paul McCartney 4:55
3 Hey Jude - Paul McCartney 7:05
4 Comfortably Numb - Pink Floyd 8:57
5 Run Like Hell - Pink Floyd 7:00

O segundo Vynil desta edição arranca com Eric Clapton e uma longa interpretação do velho tema dos Cream, "Sunshine Of Your Love", com direito a solo de Bateria, Steve Ferrone, e de Percussão, Ray Cooper. A mesma banda acaba por se manter em palco para partilhar o palco com Mark Knopfler, os Dire Straits, e permanecem para complementar a actuação de Elton John. Nesta actuação dos Dire Straits saliente-se a oportunidade para ouvir Mark Knopfler interpretar "Think I Love You To Much", um tema de sua autoria que nunca gravou. O tema viria a ser gravado por Jeff Healey no album "Hell To Pay" editado no mesmo ano deste concerto. Tambem a ter em conta a dupla Knopfler/Clapton a partilhar os solos de guitarra.
O lado B centra-se nos dois momentos que encerram o concerto, Paul McCartney e os Pink Floyd, era-Gilmour. O clássico "Hey Jude" de McCartney dá voz ao recinto cheio e o sempre hipnótico "Comfortably Numb" dos Pink Floyd enche as medidas para depois encerrar com os delays de "Run Like Hell".
O documento, editado tambem em DVD, vale acima de tudo pela conjugação memorável de estrelas num concerto de solidariedade com uma instituição, Nordoff-Robbins, que desenvolve desde os anos 50 um processo terapêutico que acenta na crença de que qualquer mente, independentemente do estado em que se encontra, reage à música.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Knebworth: The Album - LP01


Side A
1 Everybody Wants to Rule the World - Tears For Fears 4:49
2 Dirty Water - Status Quo 4:17
3 Whatever You Want - Status Quo 4:15
4 Rockin' All over the World - Status Quo 4:06
5 On the Beach - Cliff Richard & The Shadows 2:28
6 Do You Wanna Dance - Cliff Richard & The Shadows 2:47
7 Hurting Kind - Robert Plant 5:05
Side B
1 Liars Dance - Robert Plant 3:52
2 Tall Cool One - Robert Plant 5:19
3 Wearing and Tearing - Robert Plant, Jimmy Page 6:16
4 Mama - Genesis 7:20
5 Sussudio - Phil Collins 7:19

Album duplo, em vynil, do concerto realizado em Knebworth, Reino Unido, em 1990, com os diversos vencedores do Silver Clef Award. O Silver Clef Award é um prêmio atribuido todos os anos, desde 1976, por uma instituição intitulada Nordoff-Robbins Music Therapy que premeia assim os artistas em prol das suas prestações "musicais" ao serviço da industria musical Britânica. Em 1988 a instituição necessitava de novas estruturas e para tal era necessária uma boa maquia de dinheiro que eles não possuiam, eis que a partir desta necessidade surge a ideia de criar um espectáculo grandioso com todos os nomes que receberam o prêmio da instituição ao longo dos anos, de forma a angariar valores. A data para o concerto foi marcada e todos os artistas, vencedores do dito prêmio, que estavam disponíveis à data aceitaram participar no evento.
Uma vez que estamos na presença de um album duplo começo pelo primeiro disco que curiosamente começa com os Tears For Fears, que não constam da lista de vencedores do prêmio da instituição. A banda à data gozava de boa reputação e ajudava assim a preencher o dote de bons nomes que por aqui se apresenta. Seguem-se os Status Quo, vencedores do prêmio em 1981, que apresentam o seu Rock honesto, tal como Cliff Richard & The Shadows, vencedores no ano de 1978, que complementam os momentos mais clássicos deste concerto.
Robert Plant apresenta-se em grande forma, ele foi o vencedor no corrente ano do concerto, 1990, e talvez por isso se apresente em grande estilo, e pose, finalizando a prestação com a presença de Jimmy Page.
Os Genesis, vencedores em 1977, e Phil Collins, vencedor em 1986, encerram este primeiro vynil com dois emblemáticos temas, "Mama" e "Sussudio".

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Tonight I'm Yours - ROD STEWART


Side A
1 Tonight I'm Yours (Don't Hurt Me) 4:11
2 How Long (Carrack) 4:14
3 Tora, Tora, Tora (Out with the Boys) 4:32
4 Tear It Up (Burnette, Burnette) 2:28
5 Only a Boy 4:10
Side B
1 Just Like a Woman (Dylan) 3:57
2 Jealous 4:33
3 Sonny 4:04
4 Young Turks 5:03
5 Never Give up on a Dream 4:22

Rod Stewart sempre foi, quer se queira quer não se queira, um excelente intérprete. A voz rouca é uma característica, a imagem é única. A sua figura, o cabelo oxigenado, é uma das silhuetas mais conhecidas do mundo da música. De jovem rebelde do Rock'n Roll a ícone sexual foi um pequeno salto.
Em 1981 Stewart entrava bem nos anos oitenta com este Vynil, "Tonight I'm Yours", impregnado de bons temas de Rock'n Roll e de algum Pop/Rock. É um trabalho muito bem conseguido, feito de temas fortes, consistentes, que nos preenchem a alma incitando-nos a dançar ou simplesmente a saborear. Os singles "Tonight I'm Yours" e "Young Turks" são pequenas pérolas retiradas deste trabalho, no entanto há outros grandes momentos como "Jealous" a soar ainda a Disco e com um incansável Jim Zavala na Harmónica, tal como um Riff. A balada "Sonny" tem a construção característica das baladas tão famosas que Stewart tinha criado anteriormente durante a década de Setenta.
Há que contar com três boas versões, "How Long", de Paul Carrack, "Just Like A Woman", do mestre Bob Dylan e que soa bem na voz de Stewart, e um excelente momento de puro Rock'n Roll partilhado por "Tear It Up", um clássico e "Tora, Tora, Tora" escrito por Rod Stewart.
O trabalho culmina com uma dedicação de Rod Stewart a um jovem Canadiano, Terry Fox, a quem um cancro roubou a vida demasiado cedo. A força, a determinação e coragem deste jovem em empreender uma árdua corrida ao longo do seu País, já com uma perna perdida por um cancro, como forma de angariar fundos para a investigação do combate a esta doença maléfica, foi um feito impressionante e dramático que Terry não chegou a concluir, faleceu de outro cancro em Abril de 1980 com apenas 22 anos. Apesar de não ter conseguido concluir aquilo a que se prouposera transmitiu uma imagem de força e coragem exemplar. O tema intitula-se "Never Give Up On A Dream".

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sirius - CLANNAD


Side A
1 In Search of a Heart 3:53
2 Second Nature 3:20
3 Turning Tide 4:39
4 Skelling 4:46
5 Stepping Stone 3:53
Side B
6 White Fool 4:38
7 Something to Believe In 4:46
8 Live and Learn 3:32
9 Many Roads 3:25
10 Sirius 5:33

Na Irlanda, terra das lendas e da fantasia, a aura da cultura Celta espalha-se como uma paixão sob as suas gentes. Aliando a paisagem e o clima sobra um modo de vida modesto e aguerrido, lutador dos seus princípios, mas tambem há muita esperança e sonhos por cumprir. Os Clannad são oriundos desta ilha Norte Atlântica e como tal são bastante influenciados pela cultura Celta, o seu som é Pop mas sempre acompanhado da magia do som natural da sua terra natal.
Neste album de 1987, edição Vynil, a banda soa bastante mais Pop/Rock que em albuns anteriores, não retirando isso algum prestígio ao trabalho mas perde um pouco da magia habitual, no entanto estamos perante um trabalho de qualidade que se ouve muito bem.
É notada a presença de muitos músicos convidados, destaco a presença de Bruce Hornsby, Acordeão e Voz em "Second Nature" e Voz e Piano em "Something To Believe In", Russ Kunkel, bateria e produção do album, Robbie Blunt, guitarra eléctrica salientando a sua participação no tema "Live and Learn", e Mel Collins, nos saxofones.
É um trabalho bem sustentado por canções adultas, e bastante equilibradas, onde o tema "White Fool" é aquele que melhor funde o som das origens da banda com o som mais Pop, mais actual. De referir tambem a voz de Márie Brennan, irmã da cantora Enya, como um dos elementos essenciais na sonoridade da banda.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

No.10, Upping St. - BIG AUDIO DYNAMITE


Side A
1 C'mon Every Beatbox 5:26
2 Beyond the Pale (Jones, Strummer) 4:41
3 Limbo the Law (Donovan, Jones, Strummer) 4:44
4 Sambadrome 4:48
Side B
5 V. Thirteen (Jones, Strummer) 4:54
6 Ticket (Jones, Letts, Roberts, Strummer) 3:28
7 Hollywood Boulevard 4:29
8 Dial a Hitman 5:04
9 Sightsee M.C.! (Jones, Strummer) 4:55

Após sair dos Clash em 1983 Mick Jones formou, em 1984, os Big Audio Dynamite. Este Lp que exponho agora é de 1986, o segundo trabalho da formação. Mick Jones foi um dos fundadores dos Clash, juntamente com Joe Strummer, e foi tambem a sua voz durante bastante tempo, isto para justificar o facto deste trabalho, apesar de elaborado num ambiente diferente e com instrumentos pouco usados pelos Clash, conseguir ter ainda algum do som da antiga banda. Notório é tambem o facto de Mick Jones ter tido aqui como parceiro de produção o ex-colega Joe Strummer, ou seja, a alma dos Clash está toda aqui, e Strummer até participou na escrita de alguns dos temas. Quase que posso afirmar que este podia ter sido o futuro do som dos Clash, mas isso seria outra história.
Por aqui há Rock, há batida de dança, Funky, alguma electrónica, nomeadamente o uso de Samplers e de caixas de ritmo, e muitas influências Sul-Americanas. A combinação de diversos estilos, ou géneros, enriqueceu musicalmente os temas tornando-os bastante consistentes.
"Limbo The Law" e "Sightsee M.C.!" são estrondosos, a vertente mais Rock aqui expressa. "C'mon Every Beatbox" e "V.Thirteen" foram os hits, "Sambadrome" e "Ticket" apresentam-se como os mais latinos. Os restantes são igualmente bons e tambem dignos de registo, cada um dentro das suas características que são mais que muitas.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Chico Buarque (1978) - CHICO BUARQUE


Side A
1 Feijoada Completa 2:49
2 Cálice (Buarque, Gil) 4:00
3 Trocando Em Miúdos (Buarque, Hime) 2:49
4 O Meu Amor 4:00
5 Homenagem Ao Malandro 2:59
Side B
1 Até O Fim 2:23
2 Pedaço de Mim 3:14
3 Pivete (Buarque, Hime) 2:27
4 Pequeña Serenata Diurna (Rodriguez) 2:21
5 Tanto Mar 1:53
6 Apesar de Vocé 3:53

Lp intitulado simplesmente "Chico Buarque", editado em 1978, numa altura em que os autores Brasileiros começavam a poder respirar sem sentirem em cima o bafo da censura. Chico Buarque nunca se considerou um autor de protesto mas foi vitíma da censura por diversas vezes, o belo tema "Cálice", co-escrito com Gilberto Gil, e o Samba "Apesar de Você" tinham sido censurados uns anos antes desta edição.
Album com a sonoridade caracteristica da Musica Popular Brasileira desta década abre com um Samba em jeito de receita. "Feijoada Completa" é um trecho escrito para o filme "Se Segura Malandro" em que ao ritmo do Samba se vai dando as dicas para a confecção do dito prato. Saboroso início. O famosissímo "Cálice" vem logo a seguir cantado a meias com Milton Nascimento, um lindo tema com tão pouca inocência. "Trocando em Míudos", co-escrito com Francis Hime, é uma bonita balada acompanhada por Piano e Flauta e com um texto maravilhoso. Seguem-se dois temas escritos para a famosa peça "Ópera do Malandro", no primeiro tema Marieta Severo e Elba Ramalho cantam as duas, maravilhosamente, sobre "O Meu Amor", e o segundo tema da peça é "Homenagem Ao Malandro" em jeito de Samba.
O lado B abre com um divertido "Até ao Fim", seguido de mais um tema da peça "Ópera do Malandro", desta feita uma faixa com toada triste cantada por Chico Buarque e Zizi Possi. "Pivete", é mais uma co-escrita com Francis Hime, e "Pequeña Serenata Diurna", de Silvio Rodriguez, é uma herança da viagem a Cuba que Chico Buarque fez neste ano. "Tanto Mar" já tinha aparecido no album de Chico Buarque com Maria Bethânia "Ao Vivo", aqui é alvo de uma 2ªedição, revista, tal como ele faz questão de dizer.
A fechar o Lp está o famoso Samba "Apesar de Você" que na primeira edição em single passou incólume à censura, vendeu cerca de 100 mil cópias em 1970, mas consequentemente tornou-se numa espécie de hino da resistência à ditadura que singrava no Brasil na altura. Apesar de Chico Buarque numa entrevista referir que o "você" da canção é uma mulher muito autoritária, o público em geral interpretou-o como sendo o General Emilio Garrastazu Médici, o Presidente Brasileiro em funções à data. A canção acabou por ser censurada e foram retiradas todas as cópias do mercado, assim como fechada a fábrica da gravadora.
Em 1978 o ambiente já era outro e já se podia disfrutar melhor da Música Popular Brasileira, tal como hoje, passados 30 anos.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Appetite For Destruction - GUNS N' ROSES


Side G
1 Welcome to the Jungle 4:32
2 It's So Easy 3:21
3 Nightrain 4:26
4 Out Ta Get Me 4:20
5 Mr. Brownstone 3:46
6 Paradise City 6:45
Side R
1 My Michelle 3:38
2 Think About You 3:49
3 Sweet Child O' Mine 5:54
4 You're Crazy 3:16
5 Anything Goes 3:25
6 Rocket Queen 6:14

Excelente estreia para os Guns N' Roses, em 1987, com este vynil recheado de bom Hard Rock. A banda começava por demonstrar uma forte imagem de rebeldia, a qual por sua vez se reflecte nas composições agressivas que preenchem este primeiro registo em longa-duração.
Se o Vocalista Axl Rose e o Guitarrista Slash foram desde logo a imagem, suja e desbocada, da banda, Duff "Rose" McKagan o Baixista representava a vertente mais Punk, e os calmos Izzy Stradlin, o segundo Guitarrista, e Steven Adler, o Baterista, representavam a parte mais discreta mas tambem mais musical. Se bem que o album resulta como um colectivo da banda destaco o Baterista Adler que é aqui uma peça bastante marcante e acentuada, e este foi o único album em que participou. Izzy Stradlin apesar de estar por tras de Slash é tambem um excelente apoio. Axl Rose tornou-se dono de um timbre de voz inconfundível, e tambem uma personagem polémica que necessitava alimentar o ego. Slash tornou-se em... Slash.
Aparte tudo isto, somos recebidos com uma saudação de boas vindas que nos desperta o instinto de sobrevivência, a selva personifica o ambiente social que espera por nós ao longo de todo o album, as noites violentas, as drogas, as armadilhas da vida, a injustiça. Tudo isto é-nos servido sob altas doses de Riffs, e solos, de guitarra através dos 12 temas, bastante bem enquadrados, que constituem este trabalho, e onde a voz de Axl Rose se faz ouvir.
"Welcome To The Jungle", "Nightrain", Paradise City" e "Sweet Child O'Mine" tornaram-se hinos obrigatórios da banda, para alem de clássicos do Hard Rock. "It's So Easy", "Mr.Brownstone", e "Out Ta Get Me", para mim, são igualmente grandiosos.
Pena os Guns não voltarem a ser assim.
Como curiosidade refiro a questão da capa original. A capa que exponho em cima é a original. A violência da imagem, apesar de se tratar de uma animação, de uma violação explícita levou a que a mesma fosse alvo de censura. A banda viu-se obrigada a alterá-la para a capa que exponho aqui no fim, e que prevalece actualmente.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Live Scenes From New York - DREAM THEATER - CD03


1 A Mind Beside Itself: Erotomania 7:22
2 A Mind Beside Itself: Voices 9:45
3 A Mind Beside Itself: The Silent Man 5:09
4 Learning to Live 14:02
5 A Change of Seasons 24:35

Chego completamente rendido ao fim da audição do terceiro Cd deste excelente registo. Os Dream Theater comprovam aqui a capacidade estrutural de construir semelhante projecto e conseguirem mesmo sustentá-lo numa longa actuação ao vivo como esta em casa, em Nova Iorque. Há tambem que referir a coragem de finalizarem o concerto com "Change Of Seasons" ao longo de mais 24 minutos.
É um Cd para juntar ao leque dos albuns clássicos gravados ao vivo, em concerto. Está cá o carisma, a performance, o profissionalismo, e o trabalho perfeito, e de difícil e pormenorizada execução, de uma banda que exige bastante dela própria. Os temas estão cheios de pequenas acentuações, marcações e mudanças de ritmo, e muitos deles são bastante longos, no entanto conseguem prender a atenção da audiência e do ouvinte caseiro.
Para terminar vou só expôr a capa original que a banda respeitosamente, tambem como cidadãos Nova-Iorquinos, decidiu substituir após a fatídica data.

sábado, 16 de agosto de 2008

Live Scenes From New York - DREAM THEATER - CD02


1 One Last Time 4:11
2 The Spirit Carries On 7:40
3 Finally Free 10:59
4 Metropolis, Pt. 1 10:36
5 The Mirror 8:15
6 Just Let Me Breathe 4:02
7 Acid Rain 2:34
8 Caught in a New Millennium 6:21
9 Another Day 5:13
10 Jordan Rudess Keyboard Solo 6:40

Neste segundo Cd pouco há a acrescentar em relação ao que se disse do primeiro, acima de tudo há só que referir que se conclui aqui, com o tema "Finally Free", a longa suite, integral, do album conceptual "Scenes From A Memory", com a qual se iniciou o primeiro Cd. Daí para a frente a banda re-inicia o concerto com temas rebuscados a varios albuns.
"Acid Rain" é um instrumental arrojado que alguns dos membros já tinham gravado anteriormente com o projecto Liquid Tension Experiment, e "Metropolis Pt.1" é uma longa peça ao habitual estilo Prog-Metal. "The Mirror" e "Just Let Me Breath" são duas faixas impulsionadas por um forte ritmo Heavy. "Caught In A New Millenium" é um tema dividido entre um Riff melodioso e uma sequência mais pesada. "Another Day" é o reviver de um velho Hit e conta com a presença de Jay Beckenstein, fundador e líder dos Spyro Gyra, em Sax-Soprano. Do solo de Jordan Rudess esperava-se mais, um músico deste calibre e limita-se a mostrar alguns pormenores de estudo clássico, pouco inventivo.
O nível de trabalho da banda mantêm-se bastante alto neste segundo Cd, muita concentração, e bastante profissionalismo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Live Scenes From New York - DREAM THEATER - CD01


1 Regression 2:46
2 Overture 1928 3:32
3 Strange Déjà Vu 5:02
4 Through My Words 1:42
5 Fatal Tragedy 6:21
6 Beyond This Life 11:16
7 John and Theresa Solo Spot 3:17
8 Through Her Eyes 6:17
9 Home 13:21
10 The Dance of Eternity 6:24

O fatídico dia 11 de Setembro de 2001 fica para sempre ligado às vidas de quem o viveu, de perto ou pela televisão, e dos Dream Theater. Foi precisamente neste dia que este Cd triplo, gravado ao vivo em Nova Iorque, viu a luz do dia e ainda por cima com uma capa que evocava precisamente uma Nova Iorque em chamas, grande coincidência. A capa que aqui exponho é a capa que sucedeu à original.
Ao vivo a banda oferece uma performance bem ensaiada, com muitos pormenores que não podem falhar, muita segurança, força e dinâmica. O alinhamento divide-se por três Cds totalizando 180 minutos de concerto em que por vezes a banda executa temas bastante longos, que ao vivo se podem tornar aborrecidos, mas que resultam bem perante fãs tão fieis.
Neste primeiro Cd destaco o possante instrumental "The Dance Of Eternity" que se revela em variados níveis de instrumentação. De ter em atenção tambem "Fatal Tragedy", um tema com alguma harmonia, fácil de ouvir, e que tambem se revela por diversas dinâmicas até fazer a transição para "Beyond This Life", um tema mais longo, pleno de diversos andamentos. "Home" tem uma introdução de vozes com ambiente de Médio Oriente, e até com uma cítara eléctrica. É a faixa mais longa deste primeiro Cd e tambem é plena em diversos andamentos.
Há ainda espaço para um pequeno, mas belo, solo/duo entre a voz de Theresa e a guitarra de John Petrucci. Este solo introduz a balada "Through Her Eyes" na qual se destaca veemente John Petrucci e um grande som de guitarra eléctrica.

domingo, 3 de agosto de 2008

The Sun Don't Lie - MARCUS MILLER


1 Panther 6:02
2 Steveland 7:22
3 Rampage 5:48
4 The Sun Don't Lie 6:25
5 Scoop 5:58
6 Mr. Pastorius 1:25
7 Funny (All She Needs Is Love) (Miller, Scaggs)5:25
8 Moons 4:52
9 Teen Town (Pastorius) 4:55
10 Juju 6:02
11 King Is Gone (For Miles) 6:05

Em 1993 Marcus Miller presenteia-nos com o terceiro trabalho da sua carreira a solo através de um Cd bastante cool, recheado de convidados de nomeada, em que mesmo assim é ele próprio quem assume uma grande parte das execuções. Tanto no Baixo eléctrico, como na Guitarra Eléctrica ou no Clarinete Baixo, ou ainda nos Teclados, Miller é um músico perfeitamente à vontade e seguro do que está a fazer. Exceptuando "Teen Town" de Jaco Pastorius e uma parceria com Boz Scaggs na escrita de "Funny", o restante album é totalmente de sua autoria.
Uma particularidade neste trabalho é a evocação de dois grandes músicos já falecidos à data da edição, Jaco Pastorius e Miles Davis. Miller, ele próprio uma referência do baixo eléctrico, recupera parcialmente o tema "Mr.Pastorius", originalmente gravado com Miles Davis no album Amandla em 1989, que aqui consta de um pequeno solo, vigoroso e bem elaborado. Atreve-se ainda a executar uma versão de "Teen Town", um dos temas mais conhecidos de Pastorius, gravado tambem pelos Weather Report. Em relação a Miles Davis, Miller privou de perto com ele nos anos 80 e é sempre prestigiante trabalhar com uma "personagem" histórica como Miles. "The King Is Gone", a faixa mais clássica que este Cd apresenta, acaba por ser o adeus de um pupilo ao seu mestre, Wayne Shorter, em Sax-Tenor e Soprano, e Tony Williams na Bateria partilham esse adeus.
"Rampage" conta com a colaboração Rock de dois membros dos Living Colour, Vernon Reid em Guitarra Elécrica e o Baterista William Calhoun, numa faixa em que ainda há a destacar a presença, tambem, de Miles Davis.
Todo o trabalho acaba por acentar nas composições de Marcus Miller tendo sempre o Baixo Eléctrico como principal protagonista, os convidados fazem o resto emprestando os seus dotes e dando mais cor aos bons trabalhos aqui expostos. Além dos músicos já referidos há que destacar ainda Joe Sample, Piano em "The Sun Don't Lie", David Sanborn, Sax-Alto em "Steveland", Jonathan Butler, Guitarra Clássica em "Steveland", Andy Narell em Steel Drums, o Baterista Poogie Bell que dá sempre um toque Hip-Hop onde aparece, e o guitarrista de serviço acaba por ser Dean Brown que é sempre uma referência, no entanto não posso deixar de referir Hiram Bullock como o Guitarra Solo em "Teen Town".
Vou referir por fim o tema "Juju" e os dois saxofonistas, Everette Harp em Sax-Alto e Kirk Whalum em Sax-Tenor, que nele intervêm a plenos pulmões. Estes dois homens agarram o tema com toda a garra e levam-no em desbunda até ao final bem suportados por uma forte secção rítmica.
É Jazz eléctrico, um pouco cool, feito com peso e medida, e bom gosto. Miller é um virtuoso do Baixo Eléctrico mas sem cair em exageros criou um album equilibrado com espaço para todos.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Octavarium - DREAM THEATER


1 The Root of All Evil 8:25
2 The Answer Lies Within 5:33
3 These Walls 7:36
4 I Walk Beside You 4:29
5 Panic Attack 8:13
6 Never Enough 6:46
7 Sacrificed Sons 10:42
8 Octavarium 24:00

Numa relação algo tempestuosa que venho a ter com os Dream Theater já à algum tempo, pareço ter encontrado finalmente algo que me agrada ao certo. Apesar de não conhecer a totalidade da obra da banda este foi até agora o trabalho que mais gostei, e mais facilmente me adaptei. Neste album de 2005 encontrei uma banda mais descontraída e acima de tudo encontrei um James La Brie mais interessante.
Um som sintetizado muito semelhante ao que os Pink Floyd usaram em "Welcome To The Machine" introduz-nos na obra, e tambem nos acompanha à saída. Logo aqui é evidente a importância que a banda britânica teve na formação destes talentosos músicos. A longa faixa que encerra o album têm uma introdução de 3:48 que nos remete imediatamente para a sonoridade de "Shine On You Crazy Diamond" e de "Signs Of Life" tambem dos Pink Floyd. Mais evidente não podia ser.
Bastante surpreendido fiquei com o tema "I Walk Beside You", típica canção feita para single que podia perfeitamente ser interpretada pelos U2. Apesar de não ser tão complexa como o que os Dream Theater normalmente compõem é uma canção simples mas bem estruturada com refrão forte e boa interpretação de La Brie.
"Never Enough" fez-me pensar que a banda neste album tentou colocar-se ao nível de bandas mais populares para tentar, provavelmente, conquistar novos fans. Este tema sou-me bastante a Muse. Estranho não é? Mas é isso que soa e tão perfeito.
"Panic Attack" é um tema ao nível da banda em que técnica, velocidade, e dinâmica se evidenciam, óptimo para emoções fortes e à altura de "Phantom Of The Opera" dos Iron Maiden, mais uma referência óbvia.
De referir ainda a balada "The Answer Lies Within" e um bastante interessante "These Walls", que nos consegue remeter a Marillion e Genesis.
As influências são óbvias, nunca foram negadas, e são muito bem utilizadas pela banda. São grandes referências e a banda bebeu desta água desde muito cedo. A diferença aqui está no facto de não ser um album cheio de Metal Progressivo, onde por vezes a guitarra de Petrucci cansa de tanta nota debitada em cascatas de notas. A banda parece ter-se focado, à semelhança do concerto íntimo registado em "Change Of Seasons", nas suas maiores influências e ao contrário do referido concerto, em que interpretam covers, usaram essas influências para criarem novos temas, e que bem que estes saíram.

domingo, 27 de julho de 2008

Are You Okay? - WAS (NOT WAS)


1 Are You Okay? 4:30
2 Papa Was a Rolling Stone (Strong, Whitfield) 6:42
3 I Feel Better Than James Brown 4:45
4 How the Heart Behaves 5:45
5 Maria Navarro 3:28
6 I Blew Up The United States 3:51
7 In K Mart Wardrobe 4:15
8 Elvis' Rolls Royce 3:30
9 Dressed To Be Killed 4:14
10 Just Another Couple Broken Hearts 5:00
11 You! You! You! 3:30
12 Look What's Back (Out Come The Freaks) 0:43

Em 1990 Don Was e David Was punham mais um trabalho dos Was (Not Was) no mercado, "Are You Okay?" apresentava-se então como um CD de R'n B bastante dançável e com boas doses de satirismo. Don Was era já por esta altura um credenciado produtor e autor.
O Cd é bastante equilibrado com 11 temas originais e uma boa versão de "Papa Was A Rollin' Stone", dos Temptations, bem trabalhada e actualizada com um rap de G Love E. "I Feel Better Than James Brown" é o tema com o contexto mais divertido que agarra tanto pelo ritmo como pelo texto .
Em "Elvis' Rolls Royce" está um dos grandes momentos do album, não só pela presença perfeita de Leonard Cohen mas tambem pelo tema em si, um bom arranjo e uma curiosa presença de Iggy Pop no coro do refrão. Um muito cool "Just Another Couple Broken Hearts" é outro bom momento deste trabalho.
É um trabalho fácil de agradar, sem ser um objecto comercial. Os temas tem estruturas sólidas que conseguem suster o ritmo e há diversidade suficiente para não nos fartar facilmente. O grupo é autênticamente um colectivo e Don Was consegue variar os instrumentos mantendo a batida e o ritmo. Se não estiver Okay não vale a pena ouvir.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Office Of Strategic Influence - O.S.I.


1 The New Math (What He Said) 3:36
2 OSI 3:48
3 When You're Ready 3:09
4 Horseshoes and B-52's 4:18
5 Head 5:19
6 Hello, Helicopter! 3:44
7 Shutdown 10:24
8 Dirt from a Holy Place 5:10
9 Memory Daydreams Lapses 5:56
10 Standby (Looks Like Rain) 2:10

Mais um projecto a que os Dream Theater acabam por estar associados. Mike Portnoy, o baterista, e Kevin Moore, o teclista e um dos membros originais, e actualmente ex-membro, dos Dream Theater, são os elos de ligação à dita banda.
Admirando os Dream Theater, mas longe de ser um apreciador, dou mais valor ao conceito deste projecto O.S.I. e tambem aos Transatlantic, outro dos projectos a que o nome de Mike Portnoy está associado. Enquanto que os Dream Theater são mais tecnicistas, e mais perfecionistas, nestes projectos há mais naturalidade e mais musicalidade, provavelmente por não haver a responsabilidade de segurar um nome. Este tipo de projectos acabam por servir como um desanuvio de trabalho, e por vezes originam surpresas.
As composições inserem-se na area Progressiva, sem serem tão Metal como os Dream Theater, são igualmente complexas e pormenorizadas mas são mais naturais, feitas com mais gosto. Para mim um dos pontos fracos dos Dream Theater é a voz de La Brie e nos O.S.I. a voz funciona muito bem, mas vou deixar de comparações.
Este CD editado em 2003 foi uma admirável surpresa, não esperava mesmo este tipo de sonoridade mais próxima dos Perfect Circle do que dos Dream Theater. Sinal muito positivo.
O album é bastante versátil e se por acaso arranca em alta velocidade, quase Metal, logo acalma para ambientes igualmente pesados mas mais controlados e etéreos. A harmonia reina perante o desenrolar dos temas numa doutrina sábia, calma e tambem explosiva.
O instrumental "Dirt From a Holy Place" é absolutamente delicioso com algumas variações de ambiente, em toada crescente entre teclados e guitarras. "Shutdown" é o tema mais longo que numa primeira parte remete-nos a uns Pink Floyd setentónicos e na segunda parte explode em força. "When You're Ready", "Hello, Hellicopter!" e "Standby (Looks Like Rain)" são mais acústicos, mas igualmente grandiosos.
Vale a pena arriscar a audição deste album, fruto de uma banda que não se espera vir a ter muitos trabalhos editados, dadas as suas origens, e temendo que não voltem a igualar este som.

domingo, 20 de julho de 2008

Dr.Byrds & Mr.Hyde - THE BYRDS


1 This Wheel's on Fire (Danko, Dylan) 4:44
2 Old Blue 3:21
3 Your Gentle Way of Loving Me (Guilbeau, Paxton) 2:35
4 Child of the Universe (Grusin, McGuinn) 3:15
5 Nashville West 2:28
6 Drug Store Truck Drivin' Man 3:53
7 King Apathy III 3:00
8 Candy 3:38
9 Bad Night at the Whiskey 3:23
10 Medley: My Back Pages/B.J. Blues/Baby What You Want Me to Do (Dylan, McGuinn, Parsons, Reed, White, York) 4:08
11 Stanley's Song [bonus track] 3:12
12 Lay Lady Lay [bonus track] (Dylan) 3:18
13 This Wheel's on Fire [alternate track] (Danko, Dylan) 3:53
14 My Back Pages/B.J. Blues/Baby What You Want Me to Do [alternate take] (Dylan, McGuinn, Parsons, Reed, White, York) 4:18
15 Nashville West [alternate take] 2:04

Roger McGuinn é por esta altura, em 1969, o único sobrevivente da formação original dos The Byrds. Assumindo-se como líder incontestável tenta manter a sobrevivência de uma banda que já tinha ultrapassado o auge, não sabendo parar a tempo de manter nesse mesmo estado uma banda notável e influente nos anos 60. Não quer isto dizer que se tenham feito maus trabalhos daqui para a frente, mas a qualidade decaiu em relação ao que já se tinha feito anteriormente, a fasquia tinha ficado demasiado alta. Os The Byrds acabaram a viver à sombra do estatuto que tinham adquirido anteriormente.
Dr.Byrds & Mr.Hyde é um album preenchido com temas Country-Rock e uma devoção já antiga a Bob Dylan, com versões de "Wheel's On Fire", "My Back Pages", incluido no Medley, e "Lay Lady Lay" que aparece como bónus nesta edição.
"Candy" foi co-escrito por McGuinn e pelo baixista York para ser a banda sonora do filme do mesmo nome, mas o tema acabou por ser recusado pela produção, ao que parece pretendia-se que McGuinn trabalha-se antes com Dave Grusin e é assim que surge "Child Of The Universe", acabando por ser este o tema a ser usado na banda sonora do dito filme. Ambas as faixas fazem parte do alinhamento deste album.
Bons momentos em "Old Blue" que foi single, "Drug Store Truck Drivin' Man" um country venenoso com um recado para um DJ que abusou da banda na rádio, e "King Apathy III" vive de um Riff que denuncia uma certa apetência pelos Blues. O instrumental "Nashville West" é tambem bastante interessante com direito a alternate take nos bónus do Cd.
Tal como o título do album indicia, a banda vive nesta altura uma fase dúbia em que não larga o seu legado mas por outro lado atreve-se a tomar outros caminhos de forma a poder explorar outras areas. Temos assim um album que soa a The Byrds mas com mais retoques de Rock e Blues.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Unkown Pleasures - JOY DIVISION


1 Disorder 3:36
2 Day of the Lords 4:43
3 Candidate 3:00
4 Insight 4:00
5 New Dawn Fades 4:47
6 She's Lost Control 3:40
7 Shadowplay 3:50
8 Wilderness 2:35
9 Interzone 2:10
10 I Remember Nothing 6:00

Unkown Pleasures, em 1979, é o primeiro de dois albuns de estúdio que testemunham a curta, mas frutífera, discografia dos Joy Division. O suicídio de Ian Curtis em 1980 não deixou perceber até onde a banda podia ter evoluído, os New Order acabaram por ser o legado, mas sem Curtis. Teria Curtis enveredado tambem por esta via? Nunca o saberemos.
É muito importante frisar a presença de Martin Hannett como produtor dos Joy Division, e nomeadamente a sua influência e orientação neste primeiro trabalho da banda de Manchester. Os Joy Division são filhos do Punk e Hannett não só soube trabalhar o som cinzento e áspero da banda mas tambem soube criar a atmosfera pesada, e envolvente, que caracteriza o som dos Joy Division. Os ambientes foram criados de uma forma practicamente experimental e sintetizadores foram acrescentados de forma a preencher os espaços. Lindo.
A figura frágil, e decadente, de Ian Curtis e a sua morte prematura ajudaram a criar o mito. A sua voz, a forma de cantar, e de estar em palco, são hipnotizantes e deixam-nos a contemplar a figura esguia que se exprime timidamente, mas tão real. O som da banda tornou-se uma influência para gerações que cresceram a ouvi-los ou que os vão ainda descobrindo a pouco e pouco.
Unkown Pleasures é um documento rigoroso em que o som da banda vigora e flui de forma destemida, segura e controlada. Ambiente pesado sem ser asfixiante, mas sim cativante. O som que clamava pela revolta de uma Manchester enclausurada, tão cinzenta e urbana, como suja e petrificada, em finais dos anos setenta.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Beck-Ola (w/ bonus tracks) - THE JEFF BECK GROUP


1 All Shook Up (Blackwell, Presley) 4:55
2 Spanish Boots 3:38
3 Girl from Mill Valley (Hopkins) 3:53
4 Jailhouse Rock (Leiber, Lieber, Stoller) 3:16
5 Plynth (Water Down the Drain) 3:09
6 The Hangman's Knee 4:52
7 Rice Pudding 7:28
BONUS TRACKS
8 Sweet Little Angel (King) 8:00
9 Throw Down a Line (Marvin) 2:57
10 All Shook Up (Blackwell, Presley) [early version] 3:20
11 Jailhouse Rock (Leiber, Lieber, Stoller) [early version] 3:09

Em 1969 o The Jeff Beck Group podia-se considerar uma super-banda. Rod Stewart era o vocalista, Ron Wood, que viria a ser alguns anos depois o segundo guitarrista dos Rolling Stones, era o baixista, Nicky Hopkins, que tambem trabalhou algumas vezes com os Stones, era o pianista, e claro que Jeff Beck era a estrela maior. Havia ainda o baterista Tony Newman que se revela como um baterista imponente e cheio de musicalidade tal a forma, e os pormenores, com que se empenha na sessão. Beck-Ola acaba por ser o segundo e último trabalho da formação.
Estamos perante uma peça de trabalho que se quer, e se apresenta, como alternativa, à época. A edição, mesmo a original em vynil, tem uma nota de Jeff Beck em que ele chama a atenção para o facto de na altura ser practicamente impossível aparecer com algo totalmente original, dada a enorme concorrência no mercado musical, sendo assim eles não o fizeram. Ao invés a banda tentou acompanhar a corrente mais Heavy que por esta altura começava a despontar com bandas como os Led Zeppelin, por exemplo. É assim desta forma que dois hits históricos na voz de E.Presley, "All Shook Up" e "Jailhouse Rock", são aqui interpretados por Jeff Beck num registo mais sujo e mais crú. "Spanish Boots", "Plynth" e "The Hangman's Knee" são bons originais, em Blues-Rock, com garra, segurança e boa interpretação de Rod Stewart, um desconhecido à data. Ron Wood tambem estava ainda longe da fama que tem actualmente como guitarrista dos Rolling Stones mas curiosamente revela-se como um interessante baixista, muito presente e irrequieto, chegando a evidenciar-se em algumas situações para além de simples acompanhante, como era hábito.
Dois instrumentais completam a sessão. "Girl From Mill Valley" é um original de Nicky Hopkins e a interpretação é toda dele, a banda limita-se a criar espaço para o tema respirar. "Rice Pudding" é a outra peça instrumental e aqui a conversa é outra. Arranque potente, suportado por um Riff mais Heavy, com alternância em momentos mais dinâmicos e um interregno bastante psicadélico para no fim voltar ao Riff inicial. Faixa obrigatória.
A concluir esta edição vêm quatro bónus tracks. Os dois temas de E.Presley em versões alternativas, uma versão de "Sweet Angel" de B.B.King e outra de "Throw Down A Line", um original de Hank Marvin dos Shadows que foi tambem interpretado por Cliff Richard.
Sem ser um album obrigatório é um trabalho a ter como referência, nem que seja pela curiosidade da formação. É um trabalho bastante bom para quem gosta de uns Blues mais agressivos e puros. Sem corantes nem conservantes.

sábado, 28 de junho de 2008

RYKODISC - THE ANTHOLOGY - CD02


1 Chain - THE FIRE THEFT 3:43
2 Joe's Garage - FRANK ZAPPA 4:09
3 Tear Stained Letter - RICHARD THOMPSON 4:42
4 Come Back (Light Therapy) - JOSH ROUSE 4:37
5 Walking On Thin Ice - YOKO ONO 5:58
6 Bubblehouse - MEDESKI, MARTIN & WOOD 4:28
7 Ain't No End - THE JAYHAWKS 3:42
8 Academy Fight Song - MISSION OF BURMA 3:08
9 Fire - JIMI HENDRIX 3:28
10 Crooked Frame - ALEJANDRO ESCOVEDO 4:00
11 Awkward Age - JOE JACKSON BAND 3:20
12 Descarga De Hoy - CUBANISMO 6:18
13 Pacing The Cage - BRUCE COCKBURN 4:38
14 Paris 1919 - JOHN CALE 3:30
15 Cougar Run - MICKEY HART 3:39
16 Confession Time (Cops) - BILL HICKS 4:26

A fornada do segundo CD desta compilação é composta por mais dezasseis temas, de outros tantos artistas, dos quais a RYKODISC se orgulha de possuir no seu rico património. No total dos dois CDs são apresentados trinta e seis trabalhos ficando de fora muitos outros de renome como Elvis Costello ou David Bowie, só para nomear alguns. Apesar deste último pormenor, qualidade não falta por aqui.
Frank Zappa será porventura o maior orgulho do catálogo RYKODISC. Zappa foi o primeiro a possuir um gravador digital nos Estados Unidos, e sempre foi manifesta a sua vontade de ver toda a sua obra (re)editada neste formato. Joe's Garage, do album do mesmo nome, é assim o tema que aqui representa este magnífico músico e a sua vasta obra que ainda hoje, e após a sua morte em 1993, ainda dá frutos. Curiosamente foi precisamente este album, e nomeadamente este tema, que me iniciaram já há alguns anos atrás no universo Zappiano.
Jimi Hendrix tambem foi um artista cuja obra sempre mereceu melhor tratamento e por aqui aparece ele numa gravação ao vivo.
Yoko Ono marca presença com um tema muito interessante e muito intenso. Richard Thompson, membro fundador dos Fairport Convention, apresenta um Rock com cheirinho Country/Folclore tambem muito interessante e divertido. Bons pormenores de guitarra.
Josh Rouse é outra boa presença com um tema Pop muito bem elaborado, sustentado por uma boa linha de baixo. Pop de qualidade.
Os Mission Of Burma irão ter sempre a sina de ter sido por causa deles que Peter Buck, guitarrista dos R.E.M., comprou um leitor de CDs. Bom Rock. Tambem ficam na história como os primeiros a preencher um CD na totalidade dos oitenta minutos.
Medeski, Martin & Wood são hoje uma referência obrigatória do Jazz mais moderno e é obrigatório prestar atenção e curtir o seu som.
Bruce Cockburn é outro dos nomes de que a RYKODISC se orgulha, aqui em presença acústica.
De salientar ainda uma passagem por ambientes mais latinos com o projecto Cubanismo, momento Salsa/Jazz, e um curioso Mickey Hart que nos delicia com as suas percussões, tanta musicalidade.
A fechar a colectânea vêm um momento de stand-up comedy com Billy Hicks a entreter as suas hostes.
Esta edição vêm acompanhada de um livreto com declarações dos três sócios, Don Rose, Arthur Mann e Robert Simmonds, e alguns apontamentos de pequenos pormenores interessantes, curiosos, e históricos, pelos quais a editora passou ao longo destes 20 anos. É pena não haver mais editoras a criar amostras deste género.

terça-feira, 24 de junho de 2008

RYKODISC - THE ANTHOLOGY - CD01


1 Changes - SUGAR 4:00
2 This Magic Moment - MISFITS 2:37
3 Honey White - MORPHINE 3:08
4 Looking Forward To Seeing You - GOLDEN SMOG 2:47
5 Happiness Is Drumming - DIGA RHYTHM BAND 3:20
6 Satisfaction - DEVO 3:01
7 Put Your Hand Inside The Puppet Head - THEY MIGHT BE GIANTS 2:10
8 Take Me Down - KELLY WILLIS 3:47
9 I Will Dare - THE REPLACEMENTS 3:19
10 Wicked World - OSAKA POPSTAR 3:06
11 Tied To The Tracks - SOUL ASYLUM 2:44
12 Valentine - NILS LOFGREN 6:14
13 Pink Moon - NICK DRAKE 2:05
14 Lullaby For Hamza - ROBERT WYATT 4:29
15 Ai Du - ALI FARKA TOURE / RY COODER 7:08
16 Not So Far To Go - KELLY JOE PHELPS 5:20
17 24/7 Man - ROBERT CRAY 3:25
18 Day After Day - BADFINGER 3:07
19 Thank You Friends - BIG STAR 3:07
20 Even The Clouds Get High - JAMES KOCHALKA SUPERSTAR 2:08

Ao comemorar 20 anos de existência, em 2004, a editora RYKODISC criou esta compilação, em CD duplo, na qual é apresentada uma parte do seu rico catalogo. Estamos assim perante uma colectânea bastante interessante sem qualquer interesse comercial, o CD costuma aparecer nas prateleiras de grandes superficíes a preços muito baixos, mas com interesse comemorativo e obviamente de divulgação.
A RYKODISC foi criada em 1984 com o propósito de licenciar os direitos, para Cd, de artistas que já tivessem contratos discográficos, com trabalhos já editados em vinyl e cassete, e que estivessem desejosos de relançar os seus trabalhos mas desta vez em formato digital, o qual começava por estas alturas a desflorar. Uma vez que nos primórdios da edição digital se dava pioridade às edições de música clássica, os criadores da RYKODISC viram aqui a sua oportunidade de agarrar um novo mercado, em vias de expansão, editando trabalhos de outras areas.
Neste primeiro CD encontramos desde os Morphine, criadores de um som muito próprio nos anos 90, aos Devo, que serão sempre recordados como uma das bandas mais inovadoras da New Wave. Temos o Rock vibrante dos Replacements, o ambiente acústico e intimista de Nick Drake, ou Kelly Joe Phelps a soar como a versão masculina de Norah Jones. Robert Wyatt dá-nos mais do seu som experimental e único, os They Might Be Giants soltam a sua Pop Electrónica, e Robert Cray continua a fazer bom Funky/Rhythm'n Blues. De salientar a presença de Nils Lofgren com uma balada, bem americana, que é "Valentine" e Ali Farka Touré/Ry Cooder partilham um bom momento de Blues que enche qualquer alma.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Vitalogy - PEARL JAM


1 Last Exit 2:54
2 Spin the Black Circle 2:48
3 Not for You 5:52
4 Tremor Christ 4:12
5 Nothingman 4:35
6 Whipping 2:35
7 Pry, To 1:03
8 Corduroy 4:37
9 Bugs 2:45
10 Satan's Bed 3:31
11 Better Man 4:28
12 Aye Davanita 2:58
13 Immortality 5:28
14 Hey Foxymophandlemama, That's Me 7:44

Em 1994 os Pearl Jam lançavam o terceiro album e enveredavam por caminhos mais obscuros. Este facto é evidenciado, acima de tudo, pelo conteúdo da embalagem do Cd, em formato de livro, que é preenchida com textos que expõem algumas situações bizarras e ignorantes que só mesmo os mais ingénuos, ou menos informados, poderiam aceitar como tal. Musicalmente este foi o album menos homogéneo da banda, até à data, reflectindo-se a temática do livro em alguns temas mais ousados e fora do capítulo Rock'n Roll da banda Norte-Americana.
Vitalogy começa logo por ser dividido em duas partes, Division One / Division Two. A Division One é mais equilibrada e consiste nos primeiros seis temas do alinhamento, que são provenientes da melhor casta de produção dos Pearl Jam, "Last Exit", "Not For You", "Tremor Christ" e "Nothingman" são boas peças a ter como referência no repertório da banda. A Division Two comporta os restantes temas e é mais "Kafkiana", por aqui se sente a tal obscuridade referida logo de início. "Pry, To" é uma passagem, o momento, em que se muda a ambiência. "Corduroy" e "Satan´s Bed" são dois grandes temas de Rock, possantes. "Bugs" é doentio. Neste tema minimalista Eddie Vedder toca acordeão, repetindo sempre a mesma frase, e vê insectos por todo o lado. Durante todo o tema divaga acerca da situação. "Better Man" e "Immortality" são os melhores momentos do album. "Aye Davanita" é um instrumental em jeito de aquecimento e a encerrar está "Hey Foxymophandlemama, That's Me" que é uma peça de sete minutos de montagem experimental em que um díalogo se confude com o crescendo progressivo da banda, peça a peça, até se concluir o puzzle.
Misterioso, cativante, e emocionante são os adjectivos que posso usar para caracterizar este grande trabalho dos Pearl Jam.

terça-feira, 10 de junho de 2008

The Odyssey (Limited Edition) - SYMPHONY X


1 Inferno (Unleash the Fire) 5:32
2 Wicked 5:32
3 Incantations of the Apprentice 4:22
4 Accolade II 7:53
5 King of Terrors 6:19
6 The Turning 4:44
7 Awakenings 8:21
8 The Odyssey: 24:09
Part I Odysseus’ Theme / Overture,
Part II Journey To Ithaca,
Part III The Eye,
Part IV Circe (Daughter Of The Sun),
Part V Sirens,
Part VI Scylla And Charybdis,
Part VII The Fate Of The Suitors / Champion Of Ithaca
9 Masquerade [Bonus Track] 5:59

Sob influências óbvias do Heavy Metal praticado nos anos 80 por músicos como Yngwie Malmsteen, King Diamond ou os Iron Maiden, os Symphony X tentam elevar o género a uma corrente épica, dimensionalmente monstruosa.
The Odyssey é o sexto trabalho de originais desta banda Norte-Americana, editado em 2002 e, tal como o próprio nome indica, é uma jornada épica de Metal Progressivo. Tenta-se produzir Heavy Metal com a magia da música clássica mas acaba por resultar num trabalho maçador e repetitivo, no entanto não deixa de ser interessante e curioso.
Os primeiros temas, "Inferno" e "Wicked", abrem as instâncias com um som mais actual, daqui para a frente entra-se na toada de um Metal mais harmonioso e de vocalizações mais melódicas, em tom quase operático. O ponto forte do CD acaba por ser o tema principal, "The Odyssey", com os seus longos 24 minutos, divididos por sete suites, em que os potentes riffs de guitarra se vão entendendo com diversos arranjos de orquestra trabalhados por Michael Romeo o líder da banda.
Nesta edição limitada aparece como bónus track "Masquerade" que é uma nova apresentação de um tema que a banda já tinha gravado anteriormente para o album Prelude to The Millennium em 1998. Juntamente com "The Odyssey" é o tema que mais se enquadra, neste album, ao conceito sinfónico da banda. A edição limitada vale a aposta só por esta inclusão.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Veni Vidi Vicious - THE HIVES


1 The Hives-Declare Guerre Nucleaire 1:35
2 Die, All Right! 2:46
3 A Get Together to Tear It Apart 1:52
4 Main Offender 2:33
5 Outsmarted 2:22
6 Hate to Say I Told You So 3:22
7 The Hives-Introduce the Metric System in Time 2:06
8 Find Another Girl (Butler, Mayfield) 3:12
9 Statecontrol 1:54
10 Inspection Wise 1999 1:37
11 Knock Knock 2:10
12 Supply and Demand 2:26

Rock´n Roll do bom, com desvarios Punk, vindo do frio do Norte da Europa, mais propriamente da Suécia. Estamos perante uma banda cheia de vitalidade que despeja energia a toda a sua volta contaminando o ar mais puro que encontrar.
Este CD, editado no virar do século, é o segundo registo de originais da banda e apesar de ser um CD pequeno, num total de 28minutos, é muito intenso e obrigatório. Contêm doze pequenos temas, entre eles uma versão, "Find Another Girl" de Jerry Butler e Curtis Mayfield, muito interessante com a forte presença de um Moog e com as guitarras mais definidas, em jeito latino. Os restantes onze temas são totalmente explosivos, em doses cruas de guitarras, sempre em ritmo acelerado, acompanhadas pela omnipresença de um sintetizador escondido. Predominância dos Riffs de guitarra simples, directos ao que interessa, sem grandes malabarismos, tudo em estética de preto e branco.
O melhor Rock sempre foi assim, simples, sincero, mexido e curto. Deleite absoluto.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Chaos and Disorder - PRINCE


1 Chaos and Disorder 4:19
2 I Like It There 3:15
3 Dinner with Delores 2:46
4 The Same December 3:24
5 Right the Wrong 4:39
6 Zannalee 2:43
7 I Rock, Therefore I Am 6:15
8 Into the Light 2:46
9 I Will 3:37
10 Dig U Better Dead 3:59
11 Had U 1:26

Em 1996 Prince, ou o artista formalmente conhecido como "Symbol", cumpria ainda contrato com a Warner Bros. e como tal este CD vem fechar esse capítulo. Este pormenor reflecte-se no sentido de nos apercebermos estar perante um trabalho não muito elaborado, sentimos estar mais perante uma sessão de grupo do que perante um trabalho notável feito com peso e medida, apesar de tudo tem a marca inequívoca de Prince e da New Power Generation, mas numa sessão mais virada para o Rock. É tambem a prova de que este pequeno génio se movimenta bem em qualquer que seja a area, e o seu toque de Midas faz o resto. Sem ser um album de referência na carreira de Prince não é de o considerar como um album menor perante o resto da discografia, apenas um pouco diferente.
É evidente desde o início do CD a presença da guitarra eléctrica e ritmos mais rockeiros, "Chaos and Disorder" e "I Like It There" dão o mote. "Diner With Delores" em jeito de balada mais Pop atenua e "The Same December" volta a entrar no campo do Rock. "Right The Wrong" é um dos grandes temas deste trabalho, aqui já se sente o Prince dos bons momentos, com bons arranjos. "Zannalee" começa de forma "Hendrixiana", o legado nunca foi negado, e aqui os Blues ressaltam em grande estilo. "I Rock, Therefore I Am" e "Dig u Better Dead" juntam-se ao atrás referido "Right The Wrong" e completam o trio dos melhores temas do CD ao melhor estilo de Prince. "Into The Light" e "I Will", como um só tema, complementam mais uma bonita balada e a fechar "Had u" acaba por ser practicamente um pequeno apontamento de encerramento.
Nas notas do CD Prince refere que a intenção deste material era inicialmente para consumo privado mas acabou por servir como o último material original criado por Prince para a Warner Bros. demonstrando assim a falta de interesse em criar um album novo só para cumprir contrato e acabando por servir apenas "restos" à editora.
E mesmo os restos são tão bons.