domingo, 30 de setembro de 2007

Songs From the Night Before - DAVID SANBORN


1 Relativity (Peterson, Sanborn) 4:56
2 D.S.P. (Peterson, Peterson, Sanborn) 5:00
3 Rikke 5:03
4 Listen Here (Harris) 3:29
5 Spooky (Buie, Cobb, Middlebrooks, Shapiro) 3:58
6 Missing You (Peterson, Sanborn) 4:53
7 Rumpelstiltskin (Peterson, Sanborn) 4:16
8 Infant Eyes (Shorter) 3:30
9 Southern Exposure (Peterson, Peterson, Sanborn) 4:36

CD de 1996 para David Sanborn, detentor de um muito caracteristico som no sax-alto, facilmente identificável. Este album foi produzido por Ricky Peterson, que tambem assume os teclados, baixo e programações. Conta ainda com Paul Peterson em programações e guitarra, Dean Brown como principal guitarrista e Don Alias nas percussões, para além do naipe de sopros constituido por John Purcell em clarinete baixo e flauta, George Young em sax-soprano, clarinete e flauta, Dave Tofani no sax-tenor e flauta e Randy Brecker em trompete. É uma banda de bom calibre em que qualquer um destes elementos poderia facilmente destacar-se em alguns temas mas tal não acontece, David Sanborn agarra o album inteiro desde o primeiro tema até ao último sem dar grandes espaços a solos dos músicos, não deixam, obviamente, de ser uma excelente banda de suporte ao saxofonista. Falta referir ainda a presença de músicos como Will Lee, baixista no tema "Missing You", Pino Paladino em baixo fretless no tema "Rikke", Philip Upchurch guitarrista em "Southern Exposure", este tema será porventura a melhor referência para este album, e tambem há Steve Jordan como baterista adicional.
É um album morno e tal como o titulo sugere parece ser uma ressaca da tal noite anterior, não deixa contudo de ser interessante de ouvir, quanto mais não seja pela formação e pelo próprio Sanborn.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Fresh Fruit For Rotting Vegetables - DEAD KENNEDYS


1 Kill The Poor 3:07
2 Forward to Death 1:23
3 When Ya Get Drafted 1:23
4 Let's Lynch the Landlord 2:13
5 Drug Me 1:56
6 Your Emotions 1:20
7 Chemical Warfare 2:58
8 California Uber Alles 3:03
9 I Kill Children 2:04
10 Stealing People's Mail 1:34
11 Funland at the Beach 1:49
12 Ill in the Head 2:46
13 Holiday in Cambodia 4:37
14 Viva Las Vegas (Biafra, Pomus, Shuman) 2:42
15 Holiday in Cambodia (Single Version) 3:46
16 Police Truck 2:24
17 Kill the Poor (Single Remix) 3:07
18 In-Sight 1:40
19 Too Drunk to Fuck 2:41
20 The Prey 3:50
Punk made in Califórnia, e muito bom. Este é o primeiro de album de originais dos Dead Kennedys, lançado em 1980, liderados pelo carismático Jello Biafra homem que diz tudo o que lhe passa na cabeça, doa a quem doer. Biafra é um homem com um grande impacto politico e chegou mesmo a concorrer para o cargo de Mayor de San Francisco, por uma aposta, ficando em quarto na votação final.
A edição em CD que apresento aqui é a que contêm faixas bonus, que nos prolongam a delicia de ouvir este som forte, critico, duro e crú. "Holiday in Cambodia" fez sempre parte das minhas predileções, seja lá o que isso for, e aqui aparece, tambem, na forma em que foi tratada para single, tal como "Kill the Poor. "California Uber Alles" é outra grande referência da banda. Destaque ainda para "Let's Lynch the Landlord", "Chemical Warfare", "Stealing People's Mail" ou "Funland at the Beach" e "Ill in the Head".
Curiosamente uma grande parte das bandas que se consideram Punk, não tem nem de perto a energia, o conteúdo, ou a raiva que os Dead Kennedys tinham, além destes apontamentos eles detinham tambem um bom som e soavam como uma banda, conseguindo dar algo mais à música para alem dos famosos três acordes. Os Sex Pistols nunca conseguiriam fazer um tema com "Holiday in Cambodia", e se os Sex Pistols foram uma fraude os Dead Kennedys podem muito bem ter sido a maior banda Punk do mundo.

domingo, 23 de setembro de 2007

Black Tie White Noise - DAVID BOWIE


1 The Wedding 5:04
2 You've Been Around (Bowie, Gabrels) 4:45
3 I Feel Free (Brown, Bruce) 4:52
4 Black Tie White Noise 4:52
5 Jump They Say 4:22
6 Nite Flights (Walker) 4:30
7 Pallas Athena 4:40
8 Miracle Goodnight 4:14
9 Don't Let Me Down & Down (Tarha,Valmont) 4:14
10 Looking for Lester 5:36
11 I Know It's Gonna Happen Someday (Morrissey,Nevin) 4:14
12 The Wedding Song 4:29

David Bowie encetou aqui a sua entrada nos anos 90, uma década em que o Pop/Rock conheceu uma fase mais conturbada, mais negra e mais industrial. Já referi anteriormente esta questão, precisamente em relação a David Bowie e à sua entrega ao som, e imagem, "sujo" desta década. Neste CD de 1993 Bowie ainda não se entregou à face mais obscura do Rock, antes pelo contrário encontramos um Bowie mais adulto e sério, suportado por uma banda segura e com uma marcação rítmica muito forte. Soa Funky, Soul, Jazzy, mas com um som "pesado", e mais Techno.
Neste album não temos só um Bowie mas sim dois, o nosso David Bowie e o trompetista de Jazz Lester Bowie, entretanto falecido em 1999. Lester Bowie era membro do famoso colectivo de Jazz "Art Ensemble of Chicago", uma autêntica instituição cultural da história do Jazz. A Lester Bowie foram entregues pequenos solos em alguns temas, que ele usa de forma rápida e extrovertida, e um tema em particular, "Looking For Lester", que lhe é practicamente oferecido para desbundar em que nos faz lembrar o que Miles Davis fez em "Doo-Bop". David Bowie por sua vez toca muito em Saxofone neste trabalho, o que não era muito vulgar em trabalhos anteriores, limitava-se normalmente a usá-lo em um ou dois temas, aqui utiliza-o na maioria no disco. O som de David Bowie no sax é um som muito próprio, sem grande técnica mas muito pessoal. Outra questão invulgar em albuns de David Bowie é a inclusão de três temas instrumentais, todos de sua própria autoria, "The Wedding" que abre o album como peça instrumental e encerra-o como uma canção, "Pallas Athena" com ambiente de cordas, sintetizadas, muito dançável a fazer lembrar os ambientes dos britânicos "KLF", e o já referido "Looking For Lester".
Importante referir a versão de "I Feel Free" dos Cream, aqui numa roupagem completamente nova, gostei. "You've Been Around" escrito em parceria com o guitarrista Reeves Gabrels dava já na altura o mote para os albuns, "Outside" e "Earthling" que viriam a surgir um pouco mais à frente, os tais do som "sujo".
É um grande regresso do "Camaleão" depois de uns discretos anos 80, em que se salientou apenas o album "Let's Dance", em 1983, curiosamente produzido por David Bowie e Nile Rodgers, tal como este album.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Hold Out - JACKSON BROWNE


1 Disco Apocalypse 5:08
2 Hold Out (Browne, Lindley) 5:37
3 That Girl Could Sing 4:34
4 Boulevard 3:15
5 Of Missing Persons 6:31
6 Call It a Loan (Browne, Lindley) 4:35
7 Hold On Hold Out (Browne, Doerge) 8:08

Jackson Browne nasceu na Alemanha Ocidental em 1948, mas cedo, em 1951, foi para os Estados Unidos da America, nomeadamente para Los Angeles, California.Pode assim ser considerado um grande autor americano, tanto em vendas como em influências. Desde cedo Browne escreveu muita música e algumas figuras bem conhecidas, Linda Ronstadt e os Byrds por exemplo, logo pegaram nesse reportório. Durante os anos 70 encetou uma sólida carreira a solo e este album, "Hold Out" de 1980, acaba por ser o seu único trabalho a alcançar o numero 1 em vendas. Todos os outros estiveram em Top Ten mas sem alcançar o primeiro lugar de vendas. Este "Hold Out" acaba por conseguir o feito por ter sido trabalhado e editado no pico da popularidade de Jackson Browne. Actualmente não é visto como um dos grandes albuns de Browne.
Desconheço os trabalhos anteriores, considerados as suas grandes obras, no entanto gostei deste "Hold Out". É um album sentimentalista que vem muito de dentro do autor, acaba por isso por ser um pouco "lamecha" em algumas situações, no entanto tem bons momentos e uma boa banda por trás. Acima de tudo tem um Sr. chamado Bill Payne, em orgão, que é um autêntico Midas do instrumento, onde ele aparece enche o tema de tal forma que preenche qualquer vazio que estivesse eminente. Os dois primeiros temas "Disco Apocalypse" e "Hold Out" são bem evidentes disso, mais até no segundo tema. Bill Payne aparece ainda em "Missing Persons, "Call It a Loan" e no longo "Hold On Hold Out". A secção ritmica é uma parelha habitual em discos de outros autores, como Linda Ronstadt, são eles Russ Kunkel em bateria e Bob Glaub no baixo. Temos ainda Craig Doerge nos pianos e sintetizadores e David Lindley nas guitarras.
"Disco Apocalypse" soou-me como uma canção bem construida, diria mesmo a mais acessível de todo o album. "Boulevard", com Rick Marotta na bateria, é Rock, e "That Girl Could Sing" anda lá por perto, tem um bom riff. "Call It A Loan" é uma boa canção, tipicamente americana. "Hold Out", "Of Missing Persons" e "Hold On Hold Out" são calminhas e introspectivas.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

“Joe Zawinul nasceu a 7 de Julho de 1932 no tempo terrestre e no dia 11 de Setembro de 2007 no tempo eterno. Ele continua vivo”

Little Village - LITTLE VILLAGE


1 Solar Sex Panel 3:47
2 The Action 3:25
3 Inside Job 4:17
4 Big Love 6:26
5 Take Another Look 3:40
6 Do You Want My Job 5:36
7 Don't Go Away Mad 3:39
8 Fool Who Knows 3:46
9 She Runs Hot 3:19
10 Don't Think About Her When You're Trying To Drive 4:33
11 Don't Bug Me While I'm Working 3:56
Quatro nomes de referência, cada um com a sua devida importância. Dois autores importantes da música norte-americana, Ry Cooder e John Hiatt, um britânico, Nick Lowe, e um lendário baterista, também norte-americano, Jim Keltner, criaram esta "Little Village", em 1991. Já se tinham encontrado 4 anos antes como os músicos da sessão de "Bring The Family" de John Hiatt, em 1987, agora a ideia era os quatro criarem uma nova obra em conjunto. Ry Cooder, guitarra e voz; John Hiatt, guitarra e voz; Nick Lowe no baixo e voz, e Jim Keltner na bateria e percussões. Qualquer um deles têm uma carreira reconhecida e inserem-se todos no mesmo estilo, um Rock mais tradicional, com cheirinho rústico. São exímios contadores de histórias, com um estilo muito próprio e a influência da grande paisagem em que habitam, mais uma vez o grande efeito da viagem norte-americana já uma vez aqui referida.
O tipo de som deste CD de 1991, é o mesmo que se pode encontar nos albuns dos respectivos participantes. John Hiatt é a voz principal da maior parte das músicas, e a guitarra de Cooder, inconfundível, anda sempre lá por trás. Ry Cooder só canta um tema, "The Action", neste trabalho.
Chamo atenção para "Big Love", uma das faixas que mais gostei. É um tema pausado em que conseguimos imaginar a poeira do deserto a atravessar as notas da guitarra de Ry Cooder, e a envolver o resto da banda. "Don't Think About Her When You're Trying To Drive" é uma bonita balada de viagem, com arranjo de cordas, e com uma guitarra havaiana a entoar a dor. O drama rural de "Do You Want My Job", é o mais acústico de todos os temas do album, e ainda há ainda um muito dancável "Don't Go Away Mad".
"Little Village" ficou por aqui, não voltou a haver reunião. Foi, talvez, o gozo de uma parte da aventura destes homens.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Tomorrow Is The Question! - ORNETTE COLEMAN


1 Tomorrow Is the Question! 3:09
2 Tears Inside 5:00
3 Mind and Time 3:08
4 Compassion 4:37
5 Giggin' 3:19
6 Rejoicing 4:01
7 Lorraine 5:55
8 Turnabout 7:55
9 Endless 5:18
Não me está a ser nada fácil escrever sobre este album. Tambem não é muito fácil ouvir Ornette Coleman. Penso mesmo ser essa a razão de tanto gostar de o ouvir. O som de Ornette é só dele, o seu fraseado, a sua métrica, a sua arma. É a sua forma de expressão, ou, a melhor forma que Ornette Coleman encontrou de se exprimir.
Este trabalho é o 2º da sua carreira, editado originalmente em 1959. É simplesmente um quarteto, mas não é um quarteto vulgar. Don Cherry é um excelente parceiro, em trompete, tambem com um som muito próprio. Shelly Manne, na bateria, é para mim uma surpresa aqui, não o via como músico à altura de uma sessão destas, mas enganei-me gosto bastante da sua participação. Don Cherry diz nas notas do CD, acerca do pequeno solo de Shelly Mane em "Lorraine", "is as musical as a drum solo can be." O contrabaixo divide-se por dois nomes, por não ter havido uma só sessão, Percy Heath que toca os primeiros 6 temas e Red Mitchell que toca os 3 ultimos. Esta ordem não corresponde à realidade uma vez que os três ultimos temas foram na realidade os primeiros a serem gravados, e foram precisamente estes 3 os que gostei mais deste CD.
Este album contêm o tema "Turnaround", alvo de diversas versões, e "Rejoicing" tambem uma peça fundamental de Ornette e que tambem já foi alvo de versões.
É de ouvir e tentar perceber o que Ornette nos quer transmitir. Acerca do tema "Compassion" Ornette escreveu "was written for a piano player who wanted to play, but he had the wrong idea. He seemed to think human emotion and mind were just a matter of environment. He's wrong, and I had compassion for him."