quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Days Of Open Hand - SUZANNE VEGA


1 Tired Of Sleeping   4:22
2 Men In A War   4:47
3 Rusted Pipe   4:16
4 Book Of Dreams   3:22
5 Institution Green   6:15
6 Those Whole Girls (Run In Grace)   3:09
7 Room Off The Street   3:00
8 Big Space   3:48
9 Predictions   4:59
10 Fifty-Fifty Chance   2:36
11 Pilgrimage   5:10

Editado em 1990, "Days Of The Open Hand" é o terceiro registo original de Suzanne Vega. É um trabalho cuidado e inteligente, seguindo a mesma linha dos registos anteriores, com arranjos cuidados e temas hábeis e eficazes. Suzanne Vega mantêm uma postura sóbria e serena não evidenciando pressas em mostrar um novo trabalho mas antes uma entrega atenta à composição e elaboração de novos temas que funcionam de forma perfeita sob a forma de canções pop/folk com história. Utilizando praticamente a mesma formação de "Solitude Standing", o álbum anterior, nota-se a semelhança nas composições mas assiste-se ainda a algum aprumo de estilo bem patente nos temas "Rusted Pipe", "Institution Green", "Room Of The Street", "Predictions" e "Pilgrimage". O simpático e cativante single "Book Of Dreams" identifica da melhor forma o caraterístico estilo de Suzanne Vega e "Fifty-Fifty Chance" arrisca um quarteto de cordas com arranjo de Philip Glass.
Uma aura curiosa insinua os Police em "Rusted Pipe" e "Institution Green"...e "Instituton Green" podia ter perfeitamente saído do álbum Sinchronicity...

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Wild And Peaceful - KOOL & THE GANG


1 Funky Stuff   3:00
2 More Funky Stuff   2:50
3 Jungle Boogie   3:03
4 Heaven At Once   5:01
5 Hollywood Swinging   4:36
6 This Is You, This Is Me   5:23
7 Life Is What You Make It   3:53
8 Wild And Peaceful   9:26 

Editado originalmente em 1973 como o sexto registo oficial dos norte-americanos Kool And The Gang, "Wild And Peaceful" é um álbum invejável pelas belas nuances Soul/Jazz que apresenta mas acima de tudo é um trabalho impregnado de material Funk que testemunha um dos pontos mais altos do historial da banda de New Jersey. Detentor de uma estrutura ritmicamente poderosa, onde os metais brilham, o registo apresenta oito temas que balançam sob um manto de misticidade e exotismo. O single "Funky Stuff", seguido de um reprise instrumental, abre o álbum ao melhor estilo Funky sucedendo-lhe "Jungle Boogie", um tema que mais tarde voltou a ganhar alguma dimensão por ter sido recuperado por Quentin Tarantino para integrar a banda sonora do filme Pulp Fiction. Esta tríade, inspirada no sucesso de "Soul Makossa" de Manu Dibango, marca a fase mais "selvagem" do registo enquanto o moralista "Heaven At Once" faz a transição para a fase mais tranquila e inspirada do álbum. "Hollywood Swinging" proporcionou outro single, "This Is You, This Is Me" apresenta o retorno a uma forte linha rítmica e "Life Is What You Make It" exibe o charme e a graciosidade de um funk algo irregular. O registo encerra em ambiente de jazz espiritual com uma majestosa peça instrumental que dá nome ao álbum e reflete as origens musicais dos Kool And The Gang. 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

New York Album - ART PEPPER


1 A Night In Tunisia (D.Gillespie)   9:43
2 Lover Man (Oh, Where Can You Be) (R.Ramirez)   5:39
3 Straight No Chaser (Alternate Take) (T.Monk)   5:56
4 Duo Blues   7:50
5 My Friend John   9:42   

Gravado em Nova Iorque em fevereiro de 1979, este "New York Album" capta um Art Pepper já afastado das drogas e em grande forma. A atribulada relação com as drogas e os diversos encarceramentos que passou não afetavam a sua prestação musical e a década de 70 foi uma época de libertação e de afirmação para o saxofonista californiano que devido a tantas atribulações nunca chegou a ser uma referência. Este registo testemunha uma sessão de elementos em perfeita sintonia, alinhados em formato de quarteto, que de forma magnânima interpretam dois standards como "A Night In Tunisia" e "Straight No Chaser" e duas peças originais de Art Pepper, "Duo Blues" e "My Friend John". Tal como o próprio título indica, "Duo Blues" é um harmonioso diálogo a dois, de puro deleite, interpretado por Pepper e Ron Carter. Apesar de estar no alinhamento deste registo, o clássico "Lover Man" foi gravado numa sessão mais tardia na California, no mesmo ano, em que Pepper assume a peça sozinho entregando-se de corpo e alma a uma sentida interpretação. É um registo revelador da fase final da carreira de Art Pepper, que viria a falecer em 1981. 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Smack Up - ART PEPPER QUINTET


1 Smack Up (H.Land)   4:18
2 Las Cuevas De Mario   7:11
3 A Bit Of Bassie (B.Collette)   7:26
4 How Can You Lose (B.Carter)   6:57
5 Maybe Next (D.Tatro)   4:24
6 Tears Inside (O.Coleman)   7:47
7 Solid Citizens [Take 33] (J.Montrose)   6:33
Solid Citizens [Take 37] (J.Montrose)   6:29     

Gravado em Outubro de 1960, durante um dos conturbados períodos do relacionamento de Art Pepper com as drogas, que o levaria, pouco tempo após esta gravação, a nova detenção, Smack Up consegue ser um registo de interesse pelo nível de qualidade atingido nesta sessão. Sustentado em formato de quinteto, Art Pepper rodeia-se do trompetista Jack Sheldon e do criativo pianista Pete Jolly, contando com o apoio da eficaz secção rítmica composta por Jimmy Bond e Frank Butler, baixo e bateria respetivamente. Trabalhando apenas em temas escritos por saxofonistas, o registo arranca em estrutura be-bop com o tema "Smack Up", uma peça rápida e enérgica, mas cedo se percebe que a disposição geral do álbum se reflete sob variadas dinâmicas. Em "Las Cuevas De Mario", a única peça original de Art Pepper presente neste disco, encontra-se um momento singular conduzido pelo riff de piano de Pete Jolly. Novo andamento para a reminiscência swing de "A Bit Of Bassie" e para a nobre melodia de "How Can You Lose". A balada "Maybe Next" mantêm o equilíbrio do registo através da límpida prestação de Art Pepper sobre este agradável tema de Duane Tatro, um saxofonista pouco conhecido do público em geral, com quem Pepper já tinha tocado. "Tears Inside", de Ornette Coleman, era então um tema bastante recente demonstrando que Pepper se mostrava atento ao que se passava à sua volta em termos de novidade. Adicionado à edição em cd como bónus, o tema "Solid Citizens" é apresentado em dois takes. É uma peça cativante, escrita por Jack Montrose, um saxofonista pouco reconhecido com quem Pepper também privou anteriormente, que funciona sob o balanço de um riff de piano que se apanha facilmente e encerra um registo totalmente made in West Coast

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

The Raw & The Cooked - FINE YOUNG CANNIBALS


Side 1
1 She Drives Me Crazy   3:35
2 Good Thing   3:19 
3 I'm Not The Man I Used To Be   4:18
4 I'm Not Satisfied   3:46
5 Tell Me What   2:46
Side 2
1 Don't Look Back   3:37
2 It's Ok (It's Alright)   3:28   
3 Don't Let It Get You Down   3:20
4 As Hard As It Is   3:10
5 Ever Fallen In Love   3:52         

Os Fine Young Cannibals apareceram e desapareceram em plena década de 80 através de um percurso curto e rápido, mas notado, pelo universo da Pop/Soul britânica. Em 1988 editaram "The Raw & The Cooked", o segundo e último trabalho da banda, onde pontuam os singles "She Drives Me Crazy" e "Good Thing". Ambos atingiram o primeiro lugar das tabelas inglesas e americanas no entanto daí para a frente não se passou mais nada. A classe e eficácia do trio reflete-se nos dez temas que preenchem "The Raw & The Cooked", tendo na voz de Roland Gift uma encantadora reminiscência soul que se destaca sobre batidas e arranjos pop típicos da época e ainda mais se salienta na pureza soul de "Tell Me What" e "As Hard As It Is". Interessante a irreverente ousadia synth-pop/soul em "Don't Let It Get You Down" e destaque para a firmeza de temas como "I'm Not Satisfied", "Don't Look Back", "Ever Fallen In Love" enquanto " It's Ok (It's Alright)" poderia ter funcionado bem como terceiro single.  

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Beauty And The Beat - GO-GO'S


Side 1
1 Our Lips Are Sealed   2:45
2 How Much More   3:03
3 Tonite   3:33
4 Lust To Love   4:00
5 This Town   3:15  
Side 2
1 We Got The Beat   2:36
2 Fading Fast   3:32
3 Automatic   2:34
4 You Can't Walk In Your Sleep (If You Can't Sleep)   3:00
5 Skidmarks On My Heart   3:13
6 Can't Stop The World   3:22
   
As californianas Go-Go's surgem em finais da década de 70, quando o movimento Punk queimava os últimos cartuchos, e apenas se revelam em disco nos inícios da década de 80, no eclodir do movimento New Wave. Belas, aguerridas e independentes, as Go-Go's conquistaram as atenções não só por serem uma banda de miúdas enérgicas, que não tinham ninguém a dizer-lhes o que fazer e o que seguir, mas por praticarem um rock vigoroso e cativante, pleno de fervilhantes harmonias pop, sob clara influência dos movimentos mais alternativos da época e reminiscências Rock'n Roll. As Go-Go's usavam a sua graciosidade feminina mas não escondiam o seu lado mais rebelde, as suas origens são mesmo Punk, e desta combinação resultou "Beauty And The Beat", o seu registo de estreia, editado em 1981, que logo se revelou como um trabalho empolgante preenchido com um set de músicas eficazes. 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

101 - DEPECHE MODE - CD02


1 Black Celebration   4:55
2 Shake The Disease   5:10
3 Nothing   4:36
4 Pleasure Little Treasure   4:38
5 People Are People   5:00
6 A Question Of Time   4:12
7 Never Let Me Down Again   6:40
8 A Question Of Lust   4:06
9 Master And Servant   4:29
10 Just Can't Get Enough   4:02
11 Everything Counts   6:28               


O segundo cd desta dupla edição confirma o fecho perfeito da primeira década dos britânicos Depeche Mode. O início da década de 80 marcou os primeiros passos da banda e com este registo, em formato de disco duplo e documentário em video, assiste-se ao culminar de um percurso evolutivo que chega ao fim dessa mesma década em alto nível. Não deixa de ser igualmente marcante o facto de se estar perante a edição de um duplo álbum ao vivo de uma banda de pop sintetizada enquanto a tradição dos históricos duplos álbuns ao vivo sempre esteve relacionada com grandes bandas rock em que as guitarras dominavam o palco. Um ato de coragem evidenciado pela demonstração de que uma banda apenas com sintetizadores também enche estádios...ainda para mais nos EUA, a terra do Rock'n Roll e das guitarras Fender e Gibson, um terreno difícil para a estética techno-pop pintada a tons escuros dos Depeche Mode. Em jeito de celebração, o segundo cd continua a desfilar temas icónicos do percurso da banda num ambiente quente e excitante até ao êxtase final em que a audiência fica sozinha a cantar o refrão de "Everything Counts". Os temas originais de Music For The Masses, o registo que dá origem a esta digressão, voltam a mostrar-se fundamentais através do industrializado "Nothing" e do distinto "Never Let Me Down Again" que viria a tornar-se indispensável em futuros alinhamentos. "A Question Of Lust", novamente com Martin Gore a dar voz a um tema, é aqui a única música a quebrar um pouco o balanço da corrente com o alinhamento a arrancar de seguida para um final com três peças obrigatórias que a audiência bem conhece. Pelo meio ficam as notáveis interpretações de "People Are People" e "A Question Of Time".