quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Especially For You - THE SMITHEREENS



1 Strangers When We Meet   3:46
2 Listen To Me Girl   3:00
3 Groovy Tuesday   2:39
4 Cigarette   2:31
5 I Don't Want To Lose You   3:21
6 Time And Time Again   3:09
7 Behind The Wall Of Sleep   3:23
8 In A Lonely Place   4:10
9 Blood And Roses   3:35
10 Crazy Mixed-Up Kid   2:06
11 Hand Of Glory   2:45
12 Alone At Midnight   3:42
13 White Castle Blues (Bonús Track)   3:59

Perante a expansão maquinal dos instrumentos eletrónicos nos anos 80, havia bandas que permaneciam orgulhosamente fiéis à sonoridade clássica do rock em que as guitarras e as melodias se impunham como o principal foco das canções. Os norte-americanos Smithereens são um dos exemplos desse género de bandas e, apesar de funcionarem então como banda há cerca de cinco anos, apenas se estrearam oficialmente em disco em 1986, precisamente com este registo. Seguindo as "regras" do rock'n roll clássico, os Smithereens apresentavam um álbum de estreia preenchido com doze temas originais, curtos, alegres, melodiosos e eficazes, reforçados pela carga de energia dos anos 80. Logo nos primeiros segundos do registo somos confrontados com uma harmonia vocal ao estilo dos Beach Boys e o mote está dado. Os temas sucedem-se energicamente, passando pelo acústico "Cigarette" e pelo Jazzy "In A Lonely Place" que conta com a participação de Suzanne Vega nas vozes. "Strangers When We Meet", "Behind The Wall Of Sleep", "Blood And Roses" e "Crazy Mixed-Up Kid" são os temas dominantes. A edição em cd contêm uma faixa extra intitulada "White Castle Blues", um tema aguerrido que curiosamente se destaca por mostrar a banda numa vertente mais punk.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Explosions In The Glass Palace - RAIN PARADE



Side 1
1 You Are My Friend   3:03
2 Prisoners   3:47
3 Blue   2:47 
Side 2
1 Broken Horse   3:42
2 No Easy Way Down   6:58

Pequeno registo, ou EP, editado pelos californianos Rain Parade em 1984, entre o primeiro e o segundo álbum, composto por apenas cinco temas, originais, mas suficientemente bons para prender a atenção. Herdeiros do psicadelismo de finais da década de 60, o rock dos Rain Parade consegue ser simultaneamente hipnótico e cativante. O álbum manifesta-se sob a forma de um curto registo de rock que viaja por dentro do território que as bandas californianas exploravam 15 anos antes, sendo os Byrds de McGuinn um dos exemplos mais próximos. Exceção espacial para "Prisoners" e para a dualidade acústica-elétrica de "Broken Horse" enquanto "No Easy Way Down" vagueia por uma atmosfera intensa criada entre as guitarras e o orgão, olá Doors. "You Are My Friend" e "Blue" são as peças que apresentam uma textura rock mais regular.    

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Afrodisiaca - JOHN TCHICAI AND CADENTIA NOVA DANICA


Side 1
1 Afrodisiaca   21:45
Side 2
1 Heavenly Love On A Planet   4:30
2 Fodringsmontage   6:26
3 This Is Heaven (T.O'Farrell)   2:12
4 Lakshmi   6:38  

Liberal, destemido, radical e estonteante, são alguns dos adjetivos que podem definir este trabalho da orquestra europeia Cadentia Nova Danica liderada pelo saxofonista dinamarquês, de origens congolesas, John Tchicai. Totalmente integrado nos domínios do free jazz e da música de vanguarda, o registo é dominado pela longa peça Afrodisiaca, escrita e dirigida pelo trompetista Hugh Steinmetz, uma manifesta celebração musical que evoca África em todo o seu esplendor. Serena como um despertar crepuscular, a peça vai progressivamente revelando a naturalidade da essência silvestre até terminar de forma tribal numa apoteose orgiástica, gritante e selvagem. O registo prossegue ousado com a peça "Heavenly Love On A Planet" em que o holandês Willem Breuker explora o clarinete baixo e Tchicai conclui ardentemente no sax alto. "Fodringsmontage" começa com Tchicai a solo no sax soprano e depois junta-se-lhe um singular quarteto com flauta, trombone, guitarra elétrica e oficleide. O oficleide é o instrumento antecessor da atual tuba e é aqui executado por Willy Jagert. "This Is Heaven" é a versão free da orquestra, em jeito de procissão, para um tema antigo de Talbot O'Farrell e o álbum encerra com a peça "Lakshmi", um tema misterioso pleno de exotismo oriental ou uma espécie de tributo à divindade indiana Lakshmi. A força deste álbum, editado originalmente em 1969, reside na excelência e capacidade deste coletivo em tocar e explorar livremente a forma de criar música motivado pela força improvisadora de John Tchicai. 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Trilogue - Live! - ALBERT MANGELSDORFF, JACO PASTORIUS, ALPHONSE MOUZON


1 Trilogue   6:13
2 Zores Mores   8:42
3 Foreign Fun   7:56
4 Accidental Meeting   9:39
5 Ant Steps On An Elephant's Toe   10:44   

Trilogue-Live! testemunha a única aparição ao vivo deste trio de luxo que apenas se reuniu nesta ocasião para a prestação de um concerto realizado em Berlin durante a edição do festival Berlin Jazz Days em 1976. A difícil tarefa de conseguir juntar estes três nomes enormes do jazz moderno apenas foi conseguida a poucas semanas do evento e o trio teve quatro dias para ensaiar um repertório preenchido apenas com composições originais do trombonista alemão Albert Mangelsdorff. O brio deste registo assenta na prestação invulgar desta formação que interage através de diálogos improvisados sob a liderança do anfitrião Albert Mangelsdorff. O baterista Alphonse Mouzon e o baixista Jaco Pastorius, que então se começava a afirmar como músico extraordinário e como elemento fundamental dos históricos Weather Report de Joe Zawinul e Wayne Shorter, representam a fação rítmica do trio e a combinação perfeita dos três músicos, bastante firmes e criativos, revela as excecionais capacidades técnicas de cada um; mesmo em prestação individual, a riqueza sonora de cada um deles enche o espaço conseguindo soar como uma banda maior. Nas prestações, o tema "Trilogue" começa por funcionar como uma espécie de introdução, "Accidental Meeting" resume a sessão através de diálogos curtos e diretos entre músicos que muito tem a dizer e a partilhar entre si, alguma dose de humor em "Ant Steps On An Elephant's Toe" enquanto "Zores Mores" e "Foreign Fun" se apresentam como os temas mais consistentes.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Pretty In Pink - ORIGINAL SOUNDTRACK


Side 1
1 If You Leave - Orchestral Manouvers In The Dark   4:24
2 Left Of Center - Suzanne Vega ft. Joe Jackson   3:32
3 Get To Know Ya - Jesse Johnson   3:33
4 Do Wot You Do - INXS   3:17
5 Pretty In Pink - Psychedelic Furs   4:40
Side 2
1 Shell-Schock - New Order   6:04
2 Round, Round - Belouis Some   4:06
3 Wouldn't It Be Good - Danny Hutton Hitters   3:43
4 Bring On The Dancing Horses - Echo & The Bunnymen   3:58
5 Please, Please, Please Let Me Get What I Want - The Smiths   1:50

Em 1986, assumindo as funções de argumentista e produtor executivo, John Hughes convenceu o realizador Howard Deutch de que a banda sonora do filme "Pretty In Pink" deveria ser composta por temas e artistas atuais ao invés de uma banda sonora criada tematicamente. Desta forma nasceu uma banda sonora impecável que se enquadra na estrutura temporal do filme e que acaba por funcionar como uma bela coletânea da época. À notável presença de nomes como Orchestral Manouvers In The Dark, Psychedelic Furs, New Order, Echo & The Bunnymen e Smiths,  juntam-se nomes então recentes como Suzanne Vega e INXS e outsiders como Jesse Johnson, Beluis Some e Danny Hutton Hitters. A peça central da banda sonora é naturalmente "Pretty In Pink" que os Psychedelic Furs já tinham gravado em 1981 e que aqui acaba por ser alvo de uma renovação que torna o tema mais dinâmico. "Left Of Center" de Suzanne Vega, com Joe Jackson ao piano, recebeu então algum êxito como single, os New Order colaboraram com o intenso "Shell-Shock" e os Smiths com a delicadeza de "Please, Please, Please Let Me Get What I Want" mas a inclusão do single dos Echo And The Bunnymen "Bring On The Dancing Horses", editado no ano anterior, é realmente o ponto alto deste álbum. Os INXS procuravam ainda alguma exposição nos mercados europeu e norte-americano, que não iria tardar, e a presença de Jesse Johnson, escapando da sombra de Prince, é uma agradável surpresa. A versão de "Wouldn't It Be Good", original de Nik Kershaw, é interessante e "Round, Round" de Belouis Some acaba por ser o ponto mais fraco do registo.    

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Waiting For The Redbird - EASTERHOUSE


Side 1
1 Waiting For The Redbird   5:34
2 You're Gonna Miss It (When It's Gone)   4:23
3 Stay With Me (Death On The Dole)   4:42
4 Come Out Fighting   4:24 
Side 2
1 America   5:53
2 Hope And Glory   4:44   
3 Say Yes   4:32
4 This Country   6:18   
5 Sweatshop   3:53  

Os britânicos Easterhouse tiveram uma existência curta, registada em apenas dois álbuns. Editado em 1989, o segundo álbum "Waiting For The Redbird" representa o capítulo final da banda num registo discreto em que apenas participa um dos elementos originais, o vocalista/letrista Andy Perry. É um trabalho que revela alguma ambição mas que apesar de bem estruturado, preenchido com composições maduras e consistentes, não passa no geral de um registo morno e modesto que até tem os seus momentos, mas falta por aqui algum vigor, afirmação e originalidade. Não deixa de ser curioso o facto de uma banda geralmente conetada como de esquerda e anti-americana se apresentar com uma sonoridade rock de inspiração manifestamente norte-americana. Tal facto poderá revelar uma tentativa mainstream de entrar no sempre apetecível mercado norte-americano, outro factor contrário ao idealismo original, mas na realidade a coisa não passou daqui. Temas bastante interessantes como "Stay With Me", "America", "Hope And Glory" e "This Country" não foram suficientemente fortes para que Waiting For The Redbird passa-se além de um trabalho discreto.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

14.000 Dias Entre Terra e Marte - mARCIANO


1 Kosmus (Intro)   1:33 
2 TTI   3:35
3 M+M=0   6:34
4 Sulidão   5:01
5 Avariações Em Dó Maior   4:51
6 Dádiva De Orfeu   4:42
7 A Praça   4:13
8 Cães   6:29
9 Choro Cinza   5:11
10 Valeu A Pena (M.Pereira)   2:46
11 M78   4:32
12 U Medo   5:32
13 Cepalovi   7:15
14 Nekonata Estonteco (Outro)   8:57

Após uma bem sucedida campanha de crowdfunding, mARCIANO conseguiu reunir as condições necessárias para poder gravar finalmente as músicas que vinha criando há já algum tempo. "14.000 Dias Entre Terra E Marte" foi gravado e editado em 2017, como edição de autor, e contou com a colaboração dos músicos Miguel Cervini e Duarte Cabaça, elementos habituais do projeto Balla de Armando Teixeira. Sem grandes artifícios, começamos por ser interpelados pela sinceridade cósmica de mARCIANO. Traz boa disposição, uma simpatia encantadora, e uma louca vontade de cantar e encantar. Em consequência de uma longa viagem espacial/temporal, soa antigo e consecutivamente moderno, claro reflexo das influências que assimilou e logo misturou à sua maneira numa interpretação sincera coroada de tradição e ousadamente adornada pelo colorido da pop eletrónica. Expressa-se em bom português e aqui torna-se inevitável falar de mARCIANO e deste registo sem mencionar António Variações. A Portugalidade, o trabalho de composição, o canto e as influências, bebem de fontes similares mas enquanto Variações soava mais tradicional mARCIANO soa mais ligeiro e mais pop, cada um na sua época. O registo vive de um sólido trabalho de interpretação e de composição marcado pela forte emotividade de temas como "Sulidão", "Choro Cinza" e "Cepalovi", pela refrescante natureza pop de "TTI", "Avariações Em Dó Maior", "Dádiva De Orfeu" e "M78", pela energia irreverente de "Cães" e "U Medo", pelo tradicionalismo de "A Praça" e "Valeu A Pena" e pelo maravilhoso neo-romantismo de "M+M=0".   

Registo disponível em cd e nas seguintes plataformas:  

https://open.spotify.com/album/1EjobVRTnUfvMgRsJ2VBi7
https://marcianodemarte.bandcamp.com/releases