terça-feira, 17 de outubro de 2017

101 - DEPECHE MODE - CD01


1 Pimpf   0:58
2 Behind The Wheel   5:49
3 Strangelove   4:54
4 Sacred   5:09
5 Something To Do   3:53
6 Blasphemous Rumours   5:09
7 Stripped   6:44
8 Somebody   4:37
9 Things You Said   4:17         

101 é o registo do último concerto dos britânicos Depeche Mode aquando da digressão Music For The Masses que decorreu entre a Europa e a América do Norte, com uma curta passagem pelo Japão, durante os anos de 1987 e 1988. Captado integralmente em Pasadena, California, este duplo registo testemunha a banda em final de tournée 
perante um Rose Bowl lotado e completamente rendido à pop eletrónica, com alguns laivos industriais, dos Depeche Mode. A dinâmica e entusiasmante prestação do quarteto britânico demonstra a entrega e confiança com que encerraram a última data da tour que para além de se focar em Music For The Masses, o álbum que originou a digressão, serve igualmente como uma excelente retrospetiva de época uma vez que aqui se encontra uma boa parte dos grandes êxitos da banda. Três temas incontornáveis de "Music For The Masses" abrem o registo que de seguida revisita o passado em "Something To Do" e "Blasphemous Rumours", antes da maquinal interpretação de "Stripped". O primeiro cd encerra com duas bonitas baladas cantadas por Martin Gore.

domingo, 8 de outubro de 2017

Christiane F. (Wir Kinder Vom Bahnhof Zoo) - ORIGINAL SOUNDTRACK


1 V-2 Schneider   3:10
2 TVC 15   3:32
3 Heroes/Helden   6:05
4 Boys Keep Swinging   3:16
5 Sense Of Doubt   3:58
6 Station To Station   8:46
7 Look Back In Anger   3:05
8 Stay   3:21
9 Warszawa   6:15         

Editado originalmente em 1981 como banda sonora da produção cinematográfica alemã "Christiane F.", este registo acaba por ser mais útil como um precioso cartão de visita de uma das fases mais interessantes da carreira de David Bowie. A ação do filme situa-se na época em que Bowie se mudou para Berlin cujo resultado foi, a fantástica trilogia "Low", "Heroes" e "Lodger". A figura de Bowie é várias vezes referenciada ao longo da película e há inclusive uma cena de concerto que supostamente pertence a um espetáculo de Bowie mas, aparentemente, parece que as cenas dessa audiência terão sido na realidade captadas durante um concerto dos....AC/DC. Nenhuma das músicas desta banda sonora foi pensada ou escrita para o filme. São temas retirados da referida trilogia e ainda mais três de "Station To Station", o álbum que antecede o período de Berlin. A maior particularidade deste registo incide na versão bilingue de "Heroes", com Bowie a iniciar o tema em inglês e a passar para uma emotiva interpretação em alemão a partir do meio da música. Reza a história que a primeira gravação do tema terá mesmo sido feita em alemão. A estonteante versão ao vivo de "Station To Station", utilizada na sequência do dito concerto no filme, pertence ao álbum "Stage" que documenta a tournée de Bowie em 1978. As peças "V-2 Schneider", "Sense Of Doubt" e "Warszawa" são três instrumentais que ajudam a criar alguma ambiência de filme mas, como já foi referido, não foram de alguma forma pensadas como tal.  

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Just One Night - ERIC CLAPTON - CD02


1 Double Trouble (O.Rush)   8:12
2 Setting Me Up (M.Knopfler)   4:38
3 Blues Power   7:19
4 Rambling On My Mind (R.Johnson)   8:49
5 Cocaine (J.J.Cale)   7:39
6 Further On Up The Road (J.Veasey/D.Robey)   7:21       

A dinâmica do segundo cd da dupla edição de "Just One Night" encontra-se totalmente imersa no poder dos Blues. A emotiva execução em "Double Trouble" e "Rambling On My Mind" é exemplar e digna de respeito por uma escola que legou todo um estilo e sensibilidade musical preponderante na evolução do rock. Como muitos outros, Clapton evoluiu dos Blues e nunca deixou de os sentir, utilizando regularmente a sua estrutura. Interessante a interpretação, na voz de Albert Lee, de "Setting Me Up", um tema "recente" escrito por Mark Knopfler para o primeiro álbum dos Dire Straits em 1978. A recuperação do peculiar tema "Blues Power" destaca-se pela sua força e exuberância, ou não tivesse sido escrito em parceria com Leon Russell, assim como a prestação de "Cocaine" é, para além de obrigatório, um momento de classe e determinação. Em jeito de encore, cabe a "Further On Up The Road" o encerrar da prestação. "Just One Night" funciona como um belo registo ao vivo que capta a qualidade de Clapton em palco, numa boa fase, apoiado por uma banda segura e eficaz.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Just One Night - ERIC CLAPTON - CD01


1 Tulsa Time (D.Flowers)   4:02
2 Early In The Morning (Traditional)   7:11
3 Lay Down Sally   5:35
4 Wonderful Tonight   4:41
5 If I Don't Be There By Morning (B.Dylan/H.Springs)   4:26
6 Worried Life Blues (M.Merriweather)   8:28
7 All Our Past Times 5:00
8 After Midnight (J.J.Cale)   5:37  

Duplo registo gravado ao vivo em dezembro de 1979 no Budokan Theatre, Tokyo, durante a digressão de Backless, "Just One Night" é um testemunho magistral da essência e arte de Eric Clapton em palco numa altura em que o guitarrista britânico se encontrava em grande nível, proporcionando um brilhante registo Blues/Rock onde se sucedem alguns dos seus grandes êxitos. O registo ganha ainda mais importância quando se percebe que Clapton é aqui apoiado por uma banda de excelência onde pontua, entre outros, o exímio guitarrista Albert Lee. No primeiro cd, salientam-se os momentos blues, "Early In The Morning" e "Worried Life Blues", em que também brilha o teclista Chris Stainton, e uma vigorosa interpretação de "After Midnight". "Tulsa Time", "If I Don't Be There By Morning" e "All Our Past Times" são rock clássico e os hits "Lay Down Sally" e "Wonderful Tonight" eram passagens obrigatórias.

sábado, 23 de setembro de 2017

Dummy - PORTISHEAD


1 Mysterons   5:03
2 Sour Times   4:11
3 Strangers   3:55
4 It Could Be Sweet   4:16
5 Wandering Star   4:52
6 It's A Fire   3:44
7 Numb   3:53
8 Roads   5:02
9 Pedestal   3:39
10 Biscuit   5:01
11 Glory Box   5:04                

Em 1994 os ingleses Portishead surpreendiam com a edição de Dummy. O seu primeiro registo original revela a sensualidade da voz de Beth Gibbons associada ao estilo trip hop, eis o núcleo de um registo ambíguo. Dummy sugere um processo original de reconstrução musical, algo minimalista, evidenciado pela utilização de samplers de músicas esquecidas, ou mesmo desconhecidas, que aqui servem de base a novas músicas e a um "novo" estilo. Um sólido trabalho de estúdio por parte de Geoff Barrow, cujas programações sustentam todo um registo em que poucos são os instrumentos utilizados (destaque para os clássicos; piano Rhodes e orgão Hammond), leva a que as músicas balancem sob uma sólida componente rítmica downtempo em que Beth Gibbons surge como veludo, cantando de forma dramática e emocionada sob um cool groove. Soando vintage mas perfeitamente atuais, os Portishead diferenciavam-se então do panorama geral mostrando que também podiam ser jazz ou soul. A atmosfera enigmática de "Mysterons", reforçada pela utilização de um theremin, abre o registo de forma misteriosa indicando o caminho para um desfile de pérolas que se vão revelando peça a peça. "Roads" contêm a estrutura mais complexa do álbum em que "Sour Times", "Strangers", "Numb" e "Glory Box" se destacam pela excelência. A utilização de samplers de temas de Lalo Schifrin, Weather Report, Eric Burdon and War, Johnnie Ray e Isaac Hayes funcionam como uma visita ao passado que pode ajudar a alicerçar os caminhos do futuro.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

...And Justice For All - METALLICA


1 Blackened   6:40
2 ...And Justice For All   9:44
3 Eye Of The Beholder   6:25
4 One   7:24
5 The Shortest Straw   6:35
6 Harvester Of Sorrow   5:42
7 The Frayed Ends Of Sanity   7:40
8 To Live Is To Die   9:48
9 Dyers Eve   5:12 

Dois anos após o infortúnio que assolou os Metallica em 1986, que custou a vida do baixista Cliff Burton, era editado "...And Justice For All", o quarto registo longa duração, original, da banda. É um álbum poderoso, pleno de dor, raiva e sentimentos de injustiça, em que a banda norte americana extravasa demónios de forma agressiva mas calculada. Os longos temas que compõem o registo são bastante detalhados, ricos em arranjos progressivos, soando como uma orquestração de guitarras bem organizada. A contrastar, temos a questão da notória omissão do baixo de Jason Newsted, praticamente ausente das misturas finais, nunca tendo ficado esclarecido se por opção da banda ou por má gestão técnica. É um trabalho dinâmico, complexo e exigente, em que os temas passam por diversos andamentos sugerindo uma ação progressiva que resulta num registo inteligente, simultaneamente brutal e irrequieto. Autênticas pérolas como "Blackened", "...And Justice For All ", "Eye Of The Beholder", "Harvester Of Sorrow", ou " The Frayed Ends Of Sanityvivem de riffs potentes mas muito bem estruturados. "One" é a peça mais conhecida deste trabalho, uma "balada" que acaba por se transfigurar em revolta, "To Live Is To Die " é uma peça instrumental pensada para Cliff Burton na qual é declamado um pequeno texto da autoria do falecido baixista. "Dyers Eve" fecha o registo à antiga, um tema trash rápido e eficaz.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

AM-FM - THE GIFT - CDFM


FM
1 Driving You Slow   4:20
2 11:33   3:56
3 Cube   4:57
4 Music   4:33
5 An Answer   4:59
6 Pure   4:10
7 You Know   3:31
8 Red Light   8:51                      

Enquanto a estética de AM se define sob um conceito de sensibilidade e apreciação, FM é mais físico, radical e até experimental, funcionando como um registo provocador que motiva o ouvinte a reagir. A banda Alcobacense deixa-se envolver por uma aura criativa mais abrangente enquanto despe os preconceitos e se mostra mais à vontade, sendo praticamente impossível não sentir o vigor estimulante do seu pulsar. Não foi por mero acaso que os três singles desta dupla edição saíram de FM. "Driving You Slow", "11:33" e "Music" são dignos representantes deste exímio trabalho mas sente-se em "Cube" uma pérola oculta por esta trindade. Depois, há tempo ainda para uma rara alusão rock à la Strokes em "You Know" e um admirável final com as texturas experimentais de "Red Light". Pelo meio fica a vivacidade de "An Answer" e uma piscadela de olho a Bjork em "Pure". São percetíveis neste registo as influências evidentes e a vontade de testar variadas texturas sónicas e rítmicas. Com AM-FM, a plasticidade pop dos The Gift adquire mais detalhe, uma clara evidência do processo evolutivo da banda, e mais confiança. É um trabalho audaz, corajoso e inovador, disposto então a enfrentar, novamente, o panorama musical português.