segunda-feira, 24 de abril de 2017

We Want Miles - MILES DAVIS


1 Jean-Pierre   10:39
2 Back Seat Betty   8:12
3 Fast Track   15:13
4 Jean-Pierre   3:56
5 My Man's Gone Now (Heyward /G. Gershwin)   20:05
6 Kix   18:35  

Após um hiato de cinco anos marcado pela doença e pelas drogas, Miles Davis regressa aos palcos em 1981 mais eletrizante do que nunca. É um Miles renascido que surge numa nova época, com uma nova banda e com um novo estilo. Durante toda a sua carreira, Miles Davis fez sempre questão de se mostrar inserido no contexto da época e aqui mostra estar novamente atualizado tendo a clara noção de que era preciso adaptar-se novamente a um novo período e deixar o seu estilo mais clássico para trás, a história encarregar-se-ia de lhe fazer a devida justiça. Rodeado por jovens músicos, que procuravam o seu lugar no indefinido panorama musical do Jazz do início da década de 80, Miles foi estimulado por este sangue novo que praticava um Jazz elétrico influenciado pelas correntes Funk e Rock. Apenas o baterista Al Foster mantêm aqui alguma ligação entre o passado musical mais recente e o Miles renovado. O álbum regista seis temas captados nesta primeira digressão, após o regresso de Miles, e evoca seis distintas prestações deste novo e vigoroso sexteto. Dos seis temas do álbum apenas dois não são inéditos; "Back Seat Betty" faz parte do alinhamento do álbum "The Man With The Horn" e "My Man's Gone Now" é um original de George Gershwin que Miles gravou em 1958 com a orquestra de Gil Evans. O restante material apenas foi utilizado no decorrer desta digressão.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Manifold - STEVE LEHMAN QUARTET


1 Interface D   5:37
2 Is This Rhythm?   2:35
3 Dusk (A.Hill)   11:20
4 Interace F   5:51
5 Interface C   5:01
6 Cloak & Dagger   5:41
7 Interface A   4:45
8 Berceuse (J.Finlayson)   6:08
9 For Evan Parker   3:51   

"Manifold" funciona como o registo que testemunha alguns dos momentos da passagem do Quarteto de Steve Lehman no Jazz Ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, em 2007. O cd foca-se em momentos captados durante as três noites em que o quarteto se apresentou no salão Brazil. 
É uma atuação plena onde a sonoridade contemporânea do quarteto é sustentada por modernas texturas de jazz em que os músicos se movimentam livremente mas de forma organizada. A estrutura musical aproxima-se bastante da estética avant-garde,  não dispensando a velha estrutura clássica do Jazz o que garante uma certa estabilidade. Os quatro músicos interagem de uma forma espontânea, refletindo uma forte e expressiva musicalidade inerente ao elevado nível de execução e improviso onde os diálogos entre o saxofone de Steve Lehman e o trompete de Jonathan Finlayson se sucedem numa espiral de criação e da procura espiritual dos elementos. Donos de uma destreza e domínio individual,  Nasheet Waits na bateria e John Hebert no contrabaixo formam a potente linha rítmica que tanto acompanha como espevita a outra metade do quarteto. "Manifold" é um registo aguerrido e deveras entusiasmante.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Les Uns Et Les Autres - BANDE ORIGINALE DU FILM - LP02


Side A
1 Body And Soul Incorporated (M.Legrand/B.Bergman)   1:15
2 Serenade For Sarah (Chant) (M.Legrand/A.Bergman/M.Bergman)   4:42
3 Un Parfum De Fin Du Monde (Instrumental) (M.Legrand)   2:40
 Serenade For Sarah (Instrumental) (M.Legrand)   2:25
5 Ballade Pour Ma Mémoire (F.Lai/B.Bergman)   3:14
Side B
1 Bolero de Ravel (Voix)   16:20
2 Pot-Pourri (F.Lai/M.Legrand)   4:25         

O segundo disco, da dupla edição em vinil, começa por se focar nas composições de Michel Legrand, daí o lado A transpirar jazz. O tema "Serenade For Sarah" é revisto em duas variações, uma cantada e uma outra em versão Swing, bastante acelerada e dançável, sendo também apresentada uma segunda versão, instrumental, para "Un Parfum De Fin Du Monde". O tema "Body And Soul Incorporated" é uma breve peça original em que um poema é declamado sob um louco ritmo de bateria, um momento de protesto e reflexão bastante experimental. Neste disco, Francis Lai apenas contribui com a bonita balada "Ballade Pour Ma Mémoire". 
Com o Bolero de Ravel chega o ponto forte do filme, assim como do disco. O tema serve de motivo ao encantador bailado final, em Paris, e funciona como momento catalisador de todo o filme. No ecrã a cena é extraordinariamente vivida pelo encontro das várias personagens que, tal como já foi referido no primeiro Lp, não têm conhecimento umas das outras. Sem que elas saibam, a música é realmente o único elo que as une. Na cena final todas as famílias, ou o que delas resta, estão presentes e há um elemento de cada uma delas a ter um papel preponderante na produção artística do bailado. O Bolero de Ravel funciona como elemento de unificação entre todos os que viveram a época retratada no filme e como símbolo de paz numa Europa decadente que aos poucos se procurava reencontrar como civilização unida, ordenada e culta. O registo conclui com um "Pot-Pourri", um medley, que funciona como um resumo de toda a banda sonora.

domingo, 26 de março de 2017

Les Uns Et Les Autres - BANDE ORIGINALE DU FILM - LP01


Side A
1 Folies Bergères (F.Lai)   4:08
2 Serenade For Sarah (Instrumental) (M.Legrand)   2:30
3 Les Violons De La Mort (F.Lai)   3:27
4 Les Allemands À Paris (F.Lai)   3:37
5 Les Uns Et Les Autres (F.Lai/P.Barouh)   3:05
Side B
1 Un Parfum De Fin Du Monde (M.Legrand/B.Bergman)   4:14
2 Boris Et Tatiana (F.Lai)   2:45 
3 Paris Des Autres (F.Lai)   2:14
4 Dad And Co. (M.Legrand/B.Bergman)   4:56
5 Ballet Apocalypse (F.Lai)   3:38     

Dupla edição, em vinil, da belíssima banda sonora que serve de suporte à grandiosa produção francesa "Les Uns Et Les Autres", um filme/serie realizado por Claude Lelouch em 1981. A partitura da banda sonora foi escrita por Francis Lai e Michel Legrand e percorre várias épocas e estilos, acompanhando dessa forma o evoluir da ação do filme, e da própria música, desde 1936 até 1980. Para melhor se compreender o contexto, o filme acompanha quatro famílias, três europeias e uma norte-americana. Esta famílias, que não tem qualquer ligação, ou conhecimento, entre elas, vão atravessar o século XX desde dias mais felizes até ao eclodir da Segunda Grande Guerra, vão enfrentar os seus horrores, e depois vão tentar refazer o que restou das suas vidas numa Europa que se tenta também ela reconstruir. A música é o único factor comum a todas estas famílias, todas elas tem uma ligação com música. A banda sonora começa com um número Folies Bergéres, popular sala/cabaret Parisiense de início do século XX, seguido de um número à La Glenn Miller, que acompanha a família norte-americana. Os temas "Les Violons De La Mort", "Les Allemands À Paris" e "Paris Des Autres", evocam o drama da Segunda Grande Guerra e da ocupação de Paris pela Alemanha nazi,  enquanto "Boris Et Tatiana" evoca, de forma perfeita, a destreza da grande música Russa. "Les Uns Et Les Autres" é o tema central de toda a banda sonora, sendo também o mais atual, à data do filme, e serve de base a muitos dos restantes temas, como o moderno bailado "Ballet Apocalypse". Grande diversidade musical desde números de cabaret, algum classicismo, bailados, marcha militar, big band, até à fusão final de um Pop/Rock bem temperado com orquestrações, tudo muito bem aproveitado pelos dois compositores. Enquanto Francis Lai trabalha sobre o repertório mais vasto, Michel Legrand está apenas ligado ao Swing da família norte-Americana.     



quarta-feira, 22 de março de 2017

Help! - THE BEATLES


Side A (Songs From The Film "Help!")
1 Help!   2:16
2 The Night Before   2:31   
3 You've Got To Hide Your Love Away   2:06
4 I Need You   2:27
5 Another Girl   2:03
6 You're Going To Lose That Girl   2:15
7 Ticket To Ride   3:06   
Side B
1 Act Naturally (V.Morrison/J.Russell)   2:27
2 It's Only Love   1:54   
3 You Like Me Too Much   2:33
4 Tell Me What You See   2:35   
5 I've Just Seen A Face   2:02
6 Yesterday   2:03   
7 Dizzy Miss Lizzy (L.Williams)   2:52      

Gravado e editado na primeira metade de 1965, o quinto registo oficial dos Beatles reparte-se entre a banda sonora original do filme "Help!", que preenche todo o lado A, enquanto o restante alinhamento, que não pertence ao filme, preenche todo o lado B da edição Europeia em vinil. Alguns temas de "Help!", o filme, foram gravados logo em inícios de 1965 tendo a banda apenas gravado o restante material perto do final do primeiro semestre, após a conclusão das filmagens que os levou a percorrer alguns países. Longe de o saberem na altura, o álbum testemunha a fase intermédia dos Beatles marcada ainda por alguma confusão de géneros e ideias. Percebe-se que a fase mais "inocente" da banda ainda não se tinha perdido totalmente e que ao mesmo tempo há algo de novo a querer despontar. Temas como "Help!", "You've Got To Hide Your Love Away", "Ticket To Ride", "I've Just Seen A Face" e "Yesterday" evidenciam novas estruturas e influências no estilo da banda Britânica que entretanto já tinha iniciado a conquista da América do Norte. Duas versões são ainda incluídas nesta edição, hábito que os Beatles perderam daqui para a frente; Ringo Starr interpreta o country/western "Act Naturally", tema escrito por Voni Morrison e Johnny Russell, e para o final ficou guardado o momento Rock'n Roll com John Lennon a dar voz a "Dizzy Miss Lizzy", escrita por Larry Williams.

terça-feira, 14 de março de 2017

The Information - BECK


1 Elevator Music   3:37
2 Think I'm In Love   3:18
3 Cellphone's Dead   4:44
4 Strange Apparition   3:46
5 Soldier Jane   3:58
6 Nausea   2:53
7 New Round   3:24
8 Dark Star   3:44
9 We Dance Alone   3:55
10 No Complaints   2:59
11 1000 BPM   2:28
12 Motorcade   4:14
13 The Information   3:44
14 Movie Theme   3:52
15 The Horrible Fanfare/Landslide/Exoskeleton   10:33
16 Inside Out   3:43         

Editado originalmente em 2006, esta é uma dupla edição de "The Information" que para além do Cd inclui um Dvd com todos os vídeos do alinhamento do registo. Como habitualmente, a arte de Beck revolver um imenso caldeirão onde confeciona os mais variados ingredientes volta a resultar num trabalho abundante em que os géneros se fundem noutros géneros, utilizando os mais variados instrumentos, para criar novas sonoridades. A criatividade de Beck não conhece limites sendo impressionante a forma como ele mantêm uma corrente inventiva e atualizada em que os registos conseguem não ser monótonos nem aborrecidos, para isso Beck trabalha sobre temas curtos, rápidos e eficazes, exceção apenas, neste registo, para o espacial "The Horrible Fanfare/Landslide/Exoskeleton". A evidência das referências retro, que Beck utiliza com alguma regularidade, são outra fonte valiosa de informação que aqui se volta a atualizar através de misturas cirúrgicas tornando-se novamente numa receita funcional e útil; entre outras, "Cellphone's Dead" remete-nos a "Chameleon" dos Head Hunters de Herbie Hancock, "Strange Apparition" remete-nos aos Rolling Stones de "Sympathy For The Devil" e "Motorcade" leva-nos muito próximo dos terrenos experimentalistas de Dick Hyman em "The Age Of Eletronicus". 
A edição é complementada com uma coleção de autocolantes para que cada um possa criar/personalizar a capa do álbum como bem entender.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Apontamento - MARGARIDA PINTO


1 Apontamento   3:24
2 Translúcido   4:48
3 História nº1   0:22
4 Hey! (Sempre Feliz)   3:29
5 Lembra-me De Nós   4:41
6 Na Véspera De Não Partir Nunca...   4:19
7 Eu Queria Ser Músico...   3:28
8 Aviso-te   3:47
9 Não Digas Nada   2:51
10 Hesitação (Em Ti)   4:43
11 Frio O Tempo   4:06
12 Estranhos À Mesa   3:53
13 Um Dia, Aqui   4:03
14 Ficar (Canção De Embalar)   4:00               

Editado em 2005, "Apontamento" é o registo que marca a estreia a solo de Margarida Pinto e merece ser bem mais do que um mero apontamento no panorama geral da música Portuguesa. A mestria das composições, a excelência da interpretação, alguma poesia de Fernando Pessoa e uma boa dose de boas influências musicais, justificam este registo como uma obra digna de coleção. É um trabalho inteligente e gostoso em que Margarida Pinto se exprime em bom Português através de um timbre cristalino e presente e em que por vezes se apresenta também ao piano. Margarida conta com o apoio total de Miguel Cardona, a outra metade dos Coldfinger, que aqui aparece tanto na produção como na execução de variados instrumentos. O registo viaja por diversas fases/estilos e a presença de Margarida Pinto funciona bem em todos eles. Percebe-se haver alguma ambição jazzística num registo que nunca chega a sê-lo mas há pop, trip-hop, hip-hop e até uma espécie de MPB. No seu conjunto, contêm uma exemplar riqueza de géneros que fazem deste registo um trabalho atual e entusiasmante fortemente marcado pela requintada prestação de Margarida Pinto.