terça-feira, 23 de maio de 2017

Reading, Writing and Arithmetic - THE SUNDAYS


1 Skin & Bones   4:16
2 Here's Where The Story Ends   3:54
3 Can't Be Sure   3:22
4 I Won   4:23
5 Hideous Towns   3:46
6 You're Not The Only One I Know   3:50
7 A Certain Someone   4:25
8 I Kicked A Boy   2:16
9 My Finest Hour   3:59
10 Joy   4:10

Editado originalmente em 1990, o álbum de estreia dos britânicos The Sundays é um simpático cartão de visita, embalado pelo caraterístico timbre da vocalista Harriet Wheeler e pelo carisma do single "Here's Where The Story Ends". A banda foi formada em 1987 tendo apenas apresentado o seu primeiro single, "Can't Be Sure", no ano anterior ao deste registo e que aqui aparece incluído no alinhamento. No início de uma nova década, os The Sundays apresentavam-se ainda como herdeiros da sonoridade pop indie mais inteligente que caraterizou o rico movimento musical britâncio da década de 80. É um trabalho sóbrio, dominado por etéreas canções pop, funcionais e inteligentes, onde as guitarras de David Gavurin tem um presença fulcral na estrutura final do registo. Contas feitas, é legítimo afirmar-se que aqui os The Sundays soam como uma fusão dos The Smiths com os Cocteau Twins.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Hot Trip To Heaven - LOVE AND ROCKETS


1 Body And Soul   14:14
2 Ugly   7:25
3 Trip And Glide   5:19
4 This Heaven   7:08
5 No Worries   7:13
6 Hot Trip To Heaven   7:34
7 Eclipse   2:18
8 Voodoo Baby   3:25
9 Be The Revolution   6:43
10 Set Me Free   2:44       

"Hot Trip To Heaven", o quinto registo oficial dos Love And Rockets, foi editado originalmente em 1994. O álbum reflete-se numa calorosa viagem, debaixo de um semblante carregado, em que a banda britânica aponta destemidamente a um novo estilo sob uma estrutura "pesada",  bastante minimal  e mais eletrónica do que o habitual. São reflexos evidentes da nova década, a banda não editava desde 1989. É um trabalho algo indefinido, com menos harmonias e bastante focado no movimento de dança britânico cujo groove dominou fortemente uma boa parte das bandas inglesas no arranque dessa mesma década. O registo é dominado por longos temas hipnóticos em downtempo que embalam o corpo e convidam a uma irresistível dança lenta e sensual. Depois, há o cool ambiente jazzy de "Voodoo Baby" que sugere alguma influência de Angelo Badalamenti...olá Twin Peaks...olá Audrey Horne...e a aragem oriental transmitida pela presença bem destacada de Natacha Atlas na percussão e em algumas vocalizações, um grande reforço no ambiente místico deste registo. Destaque para a pura magia de "Trip And Glide", para o magnetismo de "This Heaven" e para o distinto "Be The Revolution".  

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Earth . Sun . Moon - LOVE AND ROCKETS


1 Mirror People   4:05
The Light   4:13
3 Welcome Tomorrow   3:34
4 No New Tale To Tell   3:26
5 Here On Earth   3:05
6 Lazy   3:11
7 Waiting For The Flood   3:35
8 Rainbird   3:16
9 The Telephone Is Empty   3:56
10 Everybody Wants To Go To Heaven   5:10
11 Earth, Sun, Moon   3:30
12 Youth   4:37
13 Mirror People (Slow Version)   4:26      

Ao terceiro álbum de originais, editado em 1987, os Love And Rockets conseguem realmente atingir o céu. A descompressão acústica de "Earth, Sun, Moon" reflete a conjunção perfeita dos elementos naturais e a banda consegue aqui um registo celestial rico em distintas harmonias. A simplicidade das músicas é talhada na estética alva, quase angelical, com que a banda se apresenta. O registo inicia-se bem terreno com o arranque elétrico de "Mirror People" e a ascensão celestial começa a desenhar-se logo em "The Light", com "Welcome Tomorrow" e um notável "No New Tale To Tell" a darem igualmente um ar da sua graça no firmamento. "Here On Earth" e "Lazy" retornam discretamente à eletricidade terrestre mas daqui para a frente os temas sucedem-se numa espiral acústica com "Waiting For The Flood" e "Everybody Wants To Go To Heaven" a destacarem-se pela sua forte capacidade emocional. Uma nova mistura para "Mirror People" em slow version, ausente na edição original em vinil, fecha o registo em Cd.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Seventh Dream Of Teenage Heaven - LOVE AND ROCKETS


1 If There's A Heaven Above (Canada Mix)   4:27
2 A Private Future   5:04
3 The Dog-End Of Day Gone By   7:38
4 The Game   5:05
5 Ball Of Confusion (USA Mix) (N.Whitfield/B.Strong)   6:16
6 Seventh Dream Of Teenage Heaven   6:35
7 Haunted When The Minutes Drag   7:57
8 Saudade   4:55
9 God And Mr. Smith (Mars Mix)   4:48    

É inevitável falar dos Love And Rockets sem mencionar os Bauhaus. Após o final da mítica banda em 1983 e de uma tentativa de reunificação, recusada por Peter Murphy, os restantes elementos dos Bauhaus formam os Love And Rockets e em 1985 lançam "Seventh Dream Of Teenage Heaven", o primeiro registo oficial da nova banda. Logo à primeira audição percebe-se que o caminho dos Love And Rockets é outro. Para trás ficaram tempos mais nebulosos e sombrios que agora foram substituídos por um groove mais colorido e aberto onde a harmonia e o psicadelismo são a base de uma interessante Pop alternativa com laivo indie. Se os Bauhaus eram arte os Love And Rockets são rock'n roll. As vozes doces e melodiosas de Daniel Ash e David J. aliadas a uma poderosa secção rítmica que vive da criativa interação entre a bateria de Kevin Haskins e o baixo de David J. enquanto as guitarras de Daniel Ash conseguem manter algum do caráter habitual, e o som dos Love And Rockets está feito para encantar. Neste registo, a banda conta ainda com o apoio de John A. Rivers na produção e nos teclados. A edição em Cd contêm a excitante versão, editada originalmente em Maxi-Single, de "Ball Of Confusion", tema original dos Temptations, e uma nova mistura para "If There's A Heaven Above", agora descrita como "God And Mr.Smith" sob a forma de um instrumental com samplers. 
É caso para se dizer que os Bauhaus sem Peter Murphy soam a ... Love And Rockets.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

We Want Miles - MILES DAVIS


1 Jean-Pierre   10:39
2 Back Seat Betty   8:12
3 Fast Track   15:13
4 Jean-Pierre   3:56
5 My Man's Gone Now (Heyward /G. Gershwin)   20:05
6 Kix   18:35  

Após um hiato de cinco anos marcado pela doença e pelas drogas, Miles Davis regressa aos palcos em 1981 mais eletrizante do que nunca. É um Miles renascido que surge numa nova época, com uma nova banda e com um novo estilo. Durante toda a sua carreira, Miles Davis fez sempre questão de se mostrar inserido no contexto da época e aqui mostra estar novamente atualizado tendo a clara noção de que era preciso adaptar-se novamente a um novo período e deixar o seu estilo mais clássico para trás, a história encarregar-se-ia de lhe fazer a devida justiça. Rodeado por jovens músicos, que procuravam o seu lugar no indefinido panorama musical do Jazz do início da década de 80, Miles foi estimulado por este sangue novo que praticava um Jazz elétrico influenciado pelas correntes Funk e Rock. Apenas o baterista Al Foster mantêm aqui alguma ligação entre o passado musical mais recente e o Miles renovado. O álbum regista seis temas captados nesta primeira digressão, após o regresso de Miles, e evoca seis distintas prestações deste novo e vigoroso sexteto. Dos seis temas do álbum apenas dois não são inéditos; "Back Seat Betty" faz parte do alinhamento do álbum "The Man With The Horn" e "My Man's Gone Now" é um original de George Gershwin que Miles gravou em 1958 com a orquestra de Gil Evans. O restante material apenas foi utilizado no decorrer desta digressão.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Manifold - STEVE LEHMAN QUARTET


1 Interface D   5:37
2 Is This Rhythm?   2:35
3 Dusk (A.Hill)   11:20
4 Interace F   5:51
5 Interface C   5:01
6 Cloak & Dagger   5:41
7 Interface A   4:45
8 Berceuse (J.Finlayson)   6:08
9 For Evan Parker   3:51   

"Manifold" funciona como o registo que testemunha alguns dos momentos da passagem do Quarteto de Steve Lehman no Jazz Ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, em 2007. O cd foca-se em momentos captados durante as três noites em que o quarteto se apresentou no salão Brazil. 
É uma atuação plena onde a sonoridade contemporânea do quarteto é sustentada por modernas texturas de jazz em que os músicos se movimentam livremente mas de forma organizada. A estrutura musical aproxima-se bastante da estética avant-garde,  não dispensando a velha estrutura clássica do Jazz o que garante uma certa estabilidade. Os quatro músicos interagem de uma forma espontânea, refletindo uma forte e expressiva musicalidade inerente ao elevado nível de execução e improviso onde os diálogos entre o saxofone de Steve Lehman e o trompete de Jonathan Finlayson se sucedem numa espiral de criação e da procura espiritual dos elementos. Donos de uma destreza e domínio individual,  Nasheet Waits na bateria e John Hebert no contrabaixo formam a potente linha rítmica que tanto acompanha como espevita a outra metade do quarteto. "Manifold" é um registo aguerrido e deveras entusiasmante.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Les Uns Et Les Autres - BANDE ORIGINALE DU FILM - LP02


Side A
1 Body And Soul Incorporated (M.Legrand/B.Bergman)   1:15
2 Serenade For Sarah (Chant) (M.Legrand/A.Bergman/M.Bergman)   4:42
3 Un Parfum De Fin Du Monde (Instrumental) (M.Legrand)   2:40
 Serenade For Sarah (Instrumental) (M.Legrand)   2:25
5 Ballade Pour Ma Mémoire (F.Lai/B.Bergman)   3:14
Side B
1 Bolero de Ravel (Voix)   16:20
2 Pot-Pourri (F.Lai/M.Legrand)   4:25         

O segundo disco, da dupla edição em vinil, começa por se focar nas composições de Michel Legrand, daí o lado A transpirar jazz. O tema "Serenade For Sarah" é revisto em duas variações, uma cantada e uma outra em versão Swing, bastante acelerada e dançável, sendo também apresentada uma segunda versão, instrumental, para "Un Parfum De Fin Du Monde". O tema "Body And Soul Incorporated" é uma breve peça original em que um poema é declamado sob um louco ritmo de bateria, um momento de protesto e reflexão bastante experimental. Neste disco, Francis Lai apenas contribui com a bonita balada "Ballade Pour Ma Mémoire". 
Com o Bolero de Ravel chega o ponto forte do filme, assim como do disco. O tema serve de motivo ao encantador bailado final, em Paris, e funciona como momento catalisador de todo o filme. No ecrã a cena é extraordinariamente vivida pelo encontro das várias personagens que, tal como já foi referido no primeiro Lp, não têm conhecimento umas das outras. Sem que elas saibam, a música é realmente o único elo que as une. Na cena final todas as famílias, ou o que delas resta, estão presentes e há um elemento de cada uma delas a ter um papel preponderante na produção artística do bailado. O Bolero de Ravel funciona como elemento de unificação entre todos os que viveram a época retratada no filme e como símbolo de paz numa Europa decadente que aos poucos se procurava reencontrar como civilização unida, ordenada e culta. O registo conclui com um "Pot-Pourri", um medley, que funciona como um resumo de toda a banda sonora.