quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Smack Up - ART PEPPER QUINTET


1 Smack Up (H.Land)   4:18
2 Las Cuevas De Mario   7:11
3 A Bit Of Bassie (B.Collette)   7:26
4 How Can You Lose (B.Carter)   6:57
5 Maybe Next (D.Tatro)   4:24
6 Tears Inside (O.Coleman)   7:47
7 Solid Citizens [Take 33] (J.Montrose)   6:33
Solid Citizens [Take 37] (J.Montrose)   6:29     

Gravado em Outubro de 1960, durante um dos conturbados períodos do relacionamento de Art Pepper com as drogas, que o levaria, pouco tempo após esta gravação, a nova detenção, Smack Up consegue ser um registo de interesse pelo nível de qualidade atingido nesta sessão. Sustentado em formato de quinteto, Art Pepper rodeia-se do trompetista Jack Sheldon e do criativo pianista Pete Jolly, contando com o apoio da eficaz secção rítmica composta por Jimmy Bond e Frank Butler, baixo e bateria respetivamente. Trabalhando apenas em temas escritos por saxofonistas, o registo arranca em estrutura be-bop com o tema "Smack Up", uma peça rápida e enérgica, mas cedo se percebe que a disposição geral do álbum se reflete sob variadas dinâmicas. Em "Las Cuevas De Mario", a única peça original de Art Pepper presente neste disco, encontra-se um momento singular conduzido pelo riff de piano de Pete Jolly. Novo andamento para a reminiscência swing de "A Bit Of Bassie" e para a nobre melodia de "How Can You Lose". A balada "Maybe Next" mantêm o equilíbrio do registo através da límpida prestação de Art Pepper sobre este agradável tema de Duane Tatro, um saxofonista pouco conhecido do público em geral, com quem Pepper já tinha tocado. "Tears Inside", de Ornette Coleman, era então um tema bastante recente demonstrando que Pepper se mostrava atento ao que se passava à sua volta em termos de novidade. Adicionado à edição em cd como bónus, o tema "Solid Citizens" é apresentado em dois takes. É uma peça cativante, escrita por Jack Montrose, um saxofonista pouco reconhecido com quem Pepper também privou anteriormente, que funciona sob o balanço de um riff de piano que se apanha facilmente e encerra um registo totalmente made in West Coast

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

The Raw & The Cooked - FINE YOUNG CANNIBALS


Side 1
1 She Drives Me Crazy   3:35
2 Good Thing   3:19 
3 I'm Not The Man I Used To Be   4:18
4 I'm Not Satisfied   3:46
5 Tell Me What   2:46
Side 2
1 Don't Look Back   3:37
2 It's Ok (It's Alright)   3:28   
3 Don't Let It Get You Down   3:20
4 As Hard As It Is   3:10
5 Ever Fallen In Love   3:52         

Os Fine Young Cannibals apareceram e desapareceram em plena década de 80 através de um percurso curto e rápido, mas notado, pelo universo da Pop/Soul britânica. Em 1988 editaram "The Raw & The Cooked", o segundo e último trabalho da banda, onde pontuam os singles "She Drives Me Crazy" e "Good Thing". Ambos atingiram o primeiro lugar das tabelas inglesas e americanas no entanto daí para a frente não se passou mais nada. A classe e eficácia do trio reflete-se nos dez temas que preenchem "The Raw & The Cooked", tendo na voz de Roland Gift uma encantadora reminiscência soul que se destaca sobre batidas e arranjos pop típicos da época e ainda mais se salienta na pureza soul de "Tell Me What" e "As Hard As It Is". Interessante a irreverente ousadia synth-pop/soul em "Don't Let It Get You Down" e destaque para a firmeza de temas como "I'm Not Satisfied", "Don't Look Back", "Ever Fallen In Love" enquanto " It's Ok (It's Alright)" poderia ter funcionado bem como terceiro single.  

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Beauty And The Beat - GO-GO'S


Side 1
1 Our Lips Are Sealed   2:45
2 How Much More   3:03
3 Tonite   3:33
4 Lust To Love   4:00
5 This Town   3:15  
Side 2
1 We Got The Beat   2:36
2 Fading Fast   3:32
3 Automatic   2:34
4 You Can't Walk In Your Sleep (If You Can't Sleep)   3:00
5 Skidmarks On My Heart   3:13
6 Can't Stop The World   3:22
   
As californianas Go-Go's surgem em finais da década de 70, quando o movimento Punk queimava os últimos cartuchos, e apenas se revelam em disco nos inícios da década de 80, no eclodir do movimento New Wave. Belas, aguerridas e independentes, as Go-Go's conquistaram as atenções não só por serem uma banda de miúdas enérgicas, que não tinham ninguém a dizer-lhes o que fazer e o que seguir, mas por praticarem um rock vigoroso e cativante, pleno de fervilhantes harmonias pop, sob clara influência dos movimentos mais alternativos da época e reminiscências Rock'n Roll. As Go-Go's usavam a sua graciosidade feminina mas não escondiam o seu lado mais rebelde, as suas origens são mesmo Punk, e desta combinação resultou "Beauty And The Beat", o seu registo de estreia, editado em 1981, que logo se revelou como um trabalho empolgante preenchido com um set de músicas eficazes. 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

101 - DEPECHE MODE - CD02


1 Black Celebration   4:55
2 Shake The Disease   5:10
3 Nothing   4:36
4 Pleasure Little Treasure   4:38
5 People Are People   5:00
6 A Question Of Time   4:12
7 Never Let Me Down Again   6:40
8 A Question Of Lust   4:06
9 Master And Servant   4:29
10 Just Can't Get Enough   4:02
11 Everything Counts   6:28               


O segundo cd desta dupla edição confirma o fecho perfeito da primeira década dos britânicos Depeche Mode. O início da década de 80 marcou os primeiros passos da banda e com este registo, em formato de disco duplo e documentário em video, assiste-se ao culminar de um percurso evolutivo que chega ao fim dessa mesma década em alto nível. Não deixa de ser igualmente marcante o facto de se estar perante a edição de um duplo álbum ao vivo de uma banda de pop sintetizada enquanto a tradição dos históricos duplos álbuns ao vivo sempre esteve relacionada com grandes bandas rock em que as guitarras dominavam o palco. Um ato de coragem evidenciado pela demonstração de que uma banda apenas com sintetizadores também enche estádios...ainda para mais nos EUA, a terra do Rock'n Roll e das guitarras Fender e Gibson, um terreno difícil para a estética techno-pop pintada a tons escuros dos Depeche Mode. Em jeito de celebração, o segundo cd continua a desfilar temas icónicos do percurso da banda num ambiente quente e excitante até ao êxtase final em que a audiência fica sozinha a cantar o refrão de "Everything Counts". Os temas originais de Music For The Masses, o registo que dá origem a esta digressão, voltam a mostrar-se fundamentais através do industrializado "Nothing" e do distinto "Never Let Me Down Again" que viria a tornar-se indispensável em futuros alinhamentos. "A Question Of Lust", novamente com Martin Gore a dar voz a um tema, é aqui a única música a quebrar um pouco o balanço da corrente com o alinhamento a arrancar de seguida para um final com três peças obrigatórias que a audiência bem conhece. Pelo meio ficam as notáveis interpretações de "People Are People" e "A Question Of Time".  

terça-feira, 17 de outubro de 2017

101 - DEPECHE MODE - CD01


1 Pimpf   0:58
2 Behind The Wheel   5:49
3 Strangelove   4:54
4 Sacred   5:09
5 Something To Do   3:53
6 Blasphemous Rumours   5:09
7 Stripped   6:44
8 Somebody   4:37
9 Things You Said   4:17         

101 é o registo do último concerto dos britânicos Depeche Mode aquando da digressão Music For The Masses que decorreu entre a Europa e a América do Norte, com uma curta passagem pelo Japão, durante os anos de 1987 e 1988. Captado integralmente em Pasadena, California, este duplo registo testemunha a banda em final de tournée 
perante um Rose Bowl lotado e completamente rendido à pop eletrónica, com alguns laivos industriais, dos Depeche Mode. A dinâmica e entusiasmante prestação do quarteto britânico demonstra a entrega e confiança com que encerraram a última data da tour que para além de se focar em Music For The Masses, o álbum que originou a digressão, serve igualmente como uma excelente retrospetiva de época uma vez que aqui se encontra uma boa parte dos grandes êxitos da banda. Três temas incontornáveis de "Music For The Masses" abrem o registo que de seguida revisita o passado em "Something To Do" e "Blasphemous Rumours", antes da maquinal interpretação de "Stripped". O primeiro cd encerra com duas bonitas baladas cantadas por Martin Gore.

domingo, 8 de outubro de 2017

Christiane F. (Wir Kinder Vom Bahnhof Zoo) - ORIGINAL SOUNDTRACK


1 V-2 Schneider   3:10
2 TVC 15   3:32
3 Heroes/Helden   6:05
4 Boys Keep Swinging   3:16
5 Sense Of Doubt   3:58
6 Station To Station   8:46
7 Look Back In Anger   3:05
8 Stay   3:21
9 Warszawa   6:15         

Editado originalmente em 1981 como banda sonora da produção cinematográfica alemã "Christiane F.", este registo acaba por ser mais útil como um precioso cartão de visita de uma das fases mais interessantes da carreira de David Bowie. A ação do filme situa-se na época em que Bowie se mudou para Berlin cujo resultado foi, a fantástica trilogia "Low", "Heroes" e "Lodger". A figura de Bowie é várias vezes referenciada ao longo da película e há inclusive uma cena de concerto que supostamente pertence a um espetáculo de Bowie mas, aparentemente, parece que as cenas dessa audiência terão sido na realidade captadas durante um concerto dos....AC/DC. Nenhuma das músicas desta banda sonora foi pensada ou escrita para o filme. São temas retirados da referida trilogia e ainda mais três de "Station To Station", o álbum que antecede o período de Berlin. A maior particularidade deste registo incide na versão bilingue de "Heroes", com Bowie a iniciar o tema em inglês e a passar para uma emotiva interpretação em alemão a partir do meio da música. Reza a história que a primeira gravação do tema terá mesmo sido feita em alemão. A estonteante versão ao vivo de "Station To Station", utilizada na sequência do dito concerto no filme, pertence ao álbum "Stage" que documenta a tournée de Bowie em 1978. As peças "V-2 Schneider", "Sense Of Doubt" e "Warszawa" são três instrumentais que ajudam a criar alguma ambiência de filme mas, como já foi referido, não foram de alguma forma pensadas como tal.  

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Just One Night - ERIC CLAPTON - CD02


1 Double Trouble (O.Rush)   8:12
2 Setting Me Up (M.Knopfler)   4:38
3 Blues Power   7:19
4 Rambling On My Mind (R.Johnson)   8:49
5 Cocaine (J.J.Cale)   7:39
6 Further On Up The Road (J.Veasey/D.Robey)   7:21       

A dinâmica do segundo cd da dupla edição de "Just One Night" encontra-se totalmente imersa no poder dos Blues. A emotiva execução em "Double Trouble" e "Rambling On My Mind" é exemplar e digna de respeito por uma escola que legou todo um estilo e sensibilidade musical preponderante na evolução do rock. Como muitos outros, Clapton evoluiu dos Blues e nunca deixou de os sentir, utilizando regularmente a sua estrutura. Interessante a interpretação, na voz de Albert Lee, de "Setting Me Up", um tema "recente" escrito por Mark Knopfler para o primeiro álbum dos Dire Straits em 1978. A recuperação do peculiar tema "Blues Power" destaca-se pela sua força e exuberância, ou não tivesse sido escrito em parceria com Leon Russell, assim como a prestação de "Cocaine" é, para além de obrigatório, um momento de classe e determinação. Em jeito de encore, cabe a "Further On Up The Road" o encerrar da prestação. "Just One Night" funciona como um belo registo ao vivo que capta a qualidade de Clapton em palco, numa boa fase, apoiado por uma banda segura e eficaz.