terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Dusk - THE THE


1 True Happiness This Way Lies 3:10
2 Love Is Stronger Than Death 4:38
3 Dogs Of Lust 3:09
4 This Is The Night 3:50
5 Slow Emotion Replay 3:55
6 Helpline Operator 4:48
7 Sodium Light Baby 3:45
8 Lung Shadows 4:34
9 Bluer Than Midnight 3:43
10 Lonely Planet 5:27

Mantendo o espaço temporal de três anos entre lançamentos de albuns, Matt Johnson com este trabalho mantêm pela primeira vez, e única até hoje, tambem a banda. Johnny Marr, David Palmer e James Eller voltam assim a ser os músicos do núcleo central dos The The, depois de Mind Bomb.
Se em Mind Bomb o som do projecto The The já evidenciava novo rumo aqui esse rumo mantêm-se, obviamente, mas curiosamente adivinha-se um novo regresso ao estilo mais pessoal de Matt Johnson. E é precisamente a solo que este album arranca com "True Happiness This Way Lies", uma performance tão típica de Matt Johnson enfrentando com eloquência uma simulada audiência munido apenas de uma guitarra acústica. De seguida "Love Is Stronger Than Death" inicia um percurso de canções Pop, com a banda a funcionar num todo, até ao tema "Sodium Light Baby". Pelo meio uma menção especial para um muito cool "This Is The Night" onde as presenças de D.C.Collard, em Piano Honky Tonk e Orgão Hammond, e Danny Thompson, em Contrabaixo, sobressaiem para nos dar um tema com muito feeling. Há tambem "Slow Emotion Replay", uma peça bastante rodada que cai sempre bem em qualquer Playlist, e "Sodium Light Baby" em que Johnny Marr soa mais Rock a debitar décibeis e Wha-Wha.
Os três últimos temas do album evidenciam um regresso à sonoridade mais pessoal de Matt Johnson, "Lung Shadows" revela uma peça quase instrumental, envolta num ambiente espacial preenchido com efeitos e a presença minimal de alguns metais, "Bluer Than Midnight" é o tema mais triste deste trabalho, um tema de redenção com a participação, curta, de Vinnie Colaiuta, na Bateria, que tambem aparece em "Dogs Of Lust", e a fechar está "Lonely Planet" que poderia ter feito parte do alinhamento de "Soul Mining", o album de 1983.
O som Pop/Rock de Matt Johnson dirigido, como sempre, à alma deste Lonely Planet.

sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Mind Bomb - THE THE


1 Good Morning Beautiful 7:31
2 Armageddon Days Are Here (Again) 5:40
3 The Violence Of Truth 5:41
4 Kingdom Of Rain 5:53
5 The Beat(en) Generation 3:06
6 August & September 5:47
7 Gravitate To Me 8:10
8 Beyond Love 4:20

Matt Johnson, o homem que criou e sempre sustentou os The The, reune-se aqui pela primeira vez com uma formação que se viria a revelar como uma verdadeira banda. A presença de um nome tão sonante, na altura, como Johhny Marr, o Guitarrista, ex-Smiths, a juntar ao Baterista David Palmer, que passou pelos ABC, e ao Baixista James Eller, veio a revelar uma banda que se mostrou coesa e pronta a transmitir as composições de Matt Johnson, que continua a ser o principal compositor, numa sonoridade equilibrada da qual o tema "Beat(en) Generation" se veio a revelar como o single de apresentação para uma nova roupagem do som dos The The. Mantêm-se o desfile de convidados por todo o album destacando-se as presenças de Sinéad O'Connor, dueto com Matt Johnson no vigoroso "Kingdom Of Rain", a Harmónica electrizante de Mark Feltham, ou o som de Piano e Orgão Hammond de Paul "Wix" Wickens.
Os temas são longos e elaborados, ao estilo de Johnson, mas agora dentro de uma estética mais Pop/Rock. "Good Morning Beautiful" insere-nos calmamente no album, subindo de tom à medida que nos vai avisando profeticamente, em "Armageddon Days Are Here", que entramos em anos conturbados, "Violence Of Truth". Mais à frente vem "August & September", em tom mais Jazzy, e "Gravitate to Me" revela uma parceria de composição Johnson/Marr com um tema inseguro em que a guitarra de Marr é bastante evidente. "Beyond Love" encerra de forma serena um album começa de uma forma politicamente agressiva.
A realçar os tons de branco que envolvem toda a edição do disco e sugerem uma certa pacificidade mas quando chegamos à contra-capa somos confrontados com a forte imagem de uma pomba branca cravada, sangrando, na ponta de uma baioneta. Matt Johnson passa assim a imagem, que se veio a revelar, de uns anos 90 conturbados e de ascensão da cultura Islâmica, tal como revelado no tema "Armageddon Days Are Here".

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

In A Bar, Under The Sea - dEUS


1 I Don't Mind What Ever Happens 0:46
2 Fell off the Floor, Man 5:13
3 Opening Night 1:38
4 Theme from Turnpike 5:46
5 Little Arithmetics 4:30
6 Gimme the Heat 7:38
7 Serpentine 3:17
8 A Shocking Lack Thereof 5:52
9 Supermarketsong 1:56
10 Memory of a Festival 1:52
11 Guilty Pleasures 4:23
12 Nine Threads 3:34
13 Disappointed in the Sun 6:03
14 For the Roses 4:57
15 Wake Me Up Before I Sleep 2:53

Este album dos dEUS, o terceiro da banda, editado em 1997, espelha bem o que eram os anos 90, criativos, indefinidos e muito confusos. Isto resulta em muitas ideias baralhadas mas que no final acabam por funcionar muito bem. A banda Belga apresenta assim 15 temas originais que celebram vários estilos musicais fundidos num só trabalho.
Iniciando o Cd com um pequeno tema produzido para soar como um velhinho Blues a banda ataca de seguida com "Fell Off The Floor, Man", tema que arranca com um ritmo Funky e que se vem a revelar com uma peça diferente e original. Um pouco depois surge "Theme From Turnpike" que se sustenta num sampler do tema "Far Wells, Mill Valley" de Charles Mingus e que adquire contornos de banda sonora, com qualquer coisa de Portishead. "Little Arithmetics" é Pop limpinha, e "Gimme The Heat" um dos primeiros grandes momentos. "A Schocking Lack Thereof" sugere Tom Waits e "Supermarketsong" revela-se como uma pequena grande canção com a participação de Dana Colley dos Morphine no Saxofone. "Disappointed In The Sun" é um grande momento que nasce melancólico mas que cresce de intensidade e acaba em esperança, grandioso. "For The Roses" pode muito bem ter sido o elo que levou os Arcade Fire a fazerem música.
As primeiras audições deste Cd são particularmente difíceis, de tal forma que me senti incentivado a ouvir mais e mais para tentar conhecer a alma deste trabalho, e depois de a conhecer bem torna-se uma boa companhia.

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Pocket Revolution - dEUS


1 Bad Timing 7:07
2 7 Days, 7 Weeks 3:53
3 Stop-Start Nature 4:28
4 If You Don't Get What You Want 3:49
5 What We Talk About (When We Talk About Love) 4:48
6 Include Me Out 5:02
7 Pocket Revolution 6:01
8 Nightshopping 4:03
9 Cold Sun of Circumstance 5:44
10 The Real Sugar 3:58
11 Sun Ra 6:43
12 Nothing Really Ends 5:35

De raízes bem Europeias, tendo a Bélgica como origem, os dEUS surpreendem por serem tão eficazes e seguros naquilo que que nos oferecem, uma Pop sincera e cautelosa que soa muito bem e satisfaz plenamente. Num País sem grandes referências no universo Pop tal não deixa de ser surpreendente. Começando singelos vão crescendo pausadamente em pequenas, mas decididas, passadas para entrarem em momentos mais esfuziantes e plenos de poder. A banda percorre assim paisagens lineares tanto rurais como urbanas.
É pois assim que em 2006 os dEUS nos oferecem este CD, com uma distância de aproximadamente sete anos em relação ao trabalho anterior, e em que encontramos momentos como, "Bad Timing" que parece resumir tudo o que se disse no parágrafo inicial, o tema vai crescendo de intensidade à medida que vai evoluindo para se concluir num belo tema Pop mas explosivo. "If You Don't Get What You Want" é tambem de referir, como um tema mais Rockeiro, e de seguida vem dois temas de muito bom gosto, "What We Talk About", com o seu baixo corrido que segura o tema de princípio ao fim, à semelhança dos temas antigos dos U2, e "Include Me Out" que é de uma serenidade espantosa e faz lembrar Paul Simon na forma calma e melodiosa de cantar, muito giro. "Cold Sun Of Circumstance" é arrojado, com bom arranjo de guitarras e de vozes, "The Real Sugar" é uma espécie de Bossa, e "Sun Ra" é electrizante. Este tema tem como referência o estratosférico músico de Jazz, Sun Ra, mas não é Jazz é Rock e bastante eléctrico. A fechar o Cd vem a pérola deste trabalho, "Nothing Really Ends" é um bonito tema que tão bem ficaria na voz de Leonard Cohen, uma autêntica preciosidade de harmonia.
São bastas as influências mas de boas castas.

terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Whatever People Say I Am, That's What I'm Not - ARTIC MONKEYS


1 The View From The Afternoon 3:38
2 I Bet You Look Good On The Dancefloor 2:53
3 Fake Tales Of San Francisco 2:57
4 Dancing Shoes 2:21
5 You Probably Couldn't See For The Lights You Were Staring... 2:10
6 Still Take You Home 2:53
7 Riot Van 2:14
8 Red Light Indicates Doors Are Secured 2:23
9 Mardy Bum 2:55
10 Perhaps Vampires Is A Bit Strong But... 4:28
11 When The Sun Goes Down 3:20
12 From The Ritz To The Rubble 3:13
13 A Certain Romance 5:31

Confesso que substimei a banda quando começaram a ser falados e apregoados nos Media. É impressionante a quantidade de novas bandas a aflorar semanalmente e todas são a "next big thing", como tal há que jogar à cautela.
Os Ingleses Artic Monkeys conseguiram reconhecimento e divulgação pela Internet. Através da circulação involutária das suas maquetes entre alguns fans o som da banda tornou-se conhecido e os fans foram crescendo um pouco por todo o lado, de tal forma que quando o disco saiu oficialmente, no ano de 2006, bateu os recordes de vendas em Inglaterra.
A jovem banda criou assim um trabalho que se revela bastante interessante através da sua sonoridade Rock, por vezes bastante dançável, apoiada em temas curtos, e energéticos, com duas guitarras que combinam muito bem entre si trocando acordes e solos simples mas eficazes. Podem fazer lembrar Franz Ferdinand, ou os Strokes, mas isso só revela que estão atentos ao que se passa à sua volta e que tem bom gosto.
"Fake Tales Of San Francisco", "Dancing Shoes", "Mardy Bum" e "When The Sun Goes Down" encontram-se entre os melhores momentos mas a última faixa, "A Certain Romance", encerra este trabalho de uma forma maravilhosa e fecha com a construção de um acorde que fica mesmo no ponto.
Digam lá o que disserem gostei mesmo desta rapaziada.

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

The Golden Age Of Grotesque - MARILYN MANSON


1 Thaeter 1:14
2 This Is The New Shit 4:19
3 mOBSCENE 3:25
4 Doll-Dagga Buzz-Buzz Ziggety-Zag 4:10
5 Use Your Fist And Not Your Mouth 3:34
6 The Golden Age Of Grotesque 4:05
7 (s)AINT 3:42
8 Ka-Boom Ka-Boom 4:02
9 Slutgarden 4:06
10 "Spade" 4:34
11 Para-Noir 6:01
12 The Bright Young Things 4:19
13 Better Of Two Evils 3:48
14 Vodevil 4:39
15 Obsequey ( The Death Of Art) 1:35
16 Tainted Love (Cobb) 3:25

Grotesco, chocante e brutal, Marilyn Manson continua a ser o anjo do Mal, ou será do Bem, que nos apregoa a plenos pulmões que a civilização está em decadência e que o Mundo se encontra desinteressante, estupidificado e caótico. Nada de novo nos é apresentado portanto, pois estas questões não são novidade e como tal tambem este trabalho não acrescenta nada de novo à obra de Manson. Ao quinto album de estúdio mantêm-se o estilo agressivo, gritante, cercado por muralhas distorcidas de guitarras sustentadas em potentes Riffs que John Five debita em catadupa. Manson continua a ser o intérprete raivoso, prenho de ira e cólera, pronto a devastar os rebanhos, assim como a penitenciar-se, de forma dissimulada.
"This Is The New Shit" inicia a obra, após um pequeno interlúdio, como uma palavra de ordem, e de apresentação do trabalho, seguido de "mOBSCENE" que no coro feminino sugere, o tambem coro feminino de, "Be Agressive" dos Faith No More em Angel Dust de 1992. "The Golden Age Of Grotesque" tem ambiente de vaudeville ou "sejam bem vindos à peça que vos apresentamos, por aqui pode-se encontrar de tudo um pouco" e (s)AINT é imponente e um dos melhores momentos do album.
Ao décimo tema do alinhamento chamei "Spade", pois no grafismo do Cd só aparece o simbolo da Dama de Espadas. Este tema é um pouco mais calmo que o restante trabalho e é tambem uma boa canção de Rock. Já perto do fim é "Vodevil" que volta a despertar a atenção e a fechar está uma desinspirada versão de "Tainted Love" a que practicamente só se acrescentou a força das guitarras Mansonianas.
"Tainted Love" não faz parte do alinhamento original aparecendo como bónus em algumas edições, e esta é uma delas.
Apesar de tudo continuo a gostar, e apreciar, Marilyn Manson.

quarta-feira, 30 de Setembro de 2009

The Legend Of Jesse James - VARIOUS ARTISTS


Side A
1 Ride Of The Redlegs (R.Crowell, J.Payne, L.Helm, R.Cash) 3:30
2 Quantrill's Guerrillas (L.Helm) 0:56
3 Six Gun Shooting (J.Cash) 3:46
4 Have You Heard The News (A.Lee) 1:42
5 Heaven Ain't Ready For You Yet (E.Harris) 3:58
6 Help Him, Jesus (J.Cash) 3:39
7 The Old Clay County (C.Daniels, L.Helm) 3:35
8 Riding With Jesse James (C.Daniels) 3:02
Side B
1 Hunt Them Down (A.Lee) 3:33
2 Wish We Were Back In Missouri (E.Harris) 4:06
3 Northfield: The Plan (L.Helm) 4:04
4 Northfield: The Disaster (C.Daniels) 3:04
5 High Walls (L.Helm) 3:16
6 The Death Of Me (J.Cash, L.Helm) 3:07
7 The Plot (P.Kennerly) 0:53
8 One More Shot (L.Helm, E.Harris) 5:11

Paul Kennerly é um autor, intérprete e produtor Inglês que, encantado pelo Country, e pelo som de Waylon Jennings em particular, se dedicou a este género e que em 1983 o levou mesmo a mudar de armas e bagagens para Nashville, Tenesse. Paul Kennerly é o autor desta obra conceptual que conta a história do Lendário Jesse James através das vozes de Levon Helm, Johnny Cash, Emmylou Harris e Charlie Daniels, só para mencionar os principais intérpretes, e há tambem a Guitarra de Albert Lee.
Editado originalmente em 1980 este Lp prende a atenção pelos nomes que participam no trabalho e tal reflecte-se no resultado final. É um bom trabalho de música Country em que a participação de Albert Lee na Guitarra Eléctrica dá um toque mais Rock à coisa, assim como a presença de Levon Helm, Voz e Bateria, que fazia parte dessa banda mítica que foram os The Band. O album é composto por vários tipos de canções, sugeridas consoante as situações da história vão sendo retratadas. A Emmylou Harris coube o papel da esposa, e prima, de Jesse James, e os temas em que participa são as duas baladas, "Heaven Ain't Ready For You Yet" e "Wish We Were Back In Missouri". Levon Helm tem o "papel principal" que é o do próprio Jesse James, desde a adolescência até ao fim dos seus dias, e os seus temas identificam-se plenamente pela sua interpretação. A Johhny Cash coube a tarefa de interpretar o irmão mais velho de Jesse James, uma espécie de conselheiro, e aparece por aqui tambem no seu registo habitual. Por fim Charlie Daniels, que canta e toca Violino, tem o papel de Cole Younger, o amigo mais chegado de Jesse, e que acaba por ser dos quatro intérpretes o que mais próximo se encontra do verdadeiro estilo Country. Por último há que referir a grande presença de Albert Lee nas Guitarras, Eléctrica e Acústica. A sua presença é grande e ajuda bastante na criação de uma sonoridade atraente e preenchida, mesmo um ouvinte que não aprecie o género dificilmente conseguirá ignorar o som deste mestre da Guitarra.
Não é uma banda sonora, mas se calhar pode-se considerar uma Ópera-Country.