terça-feira, 22 de maio de 2018

Forever Changes - LOVE


1 Alone Again Or   3:15
2 A House Is Not A Motel   3:25
3 Andmoreagain   3:15
4 The Daily Planet   3:25
5 Old Man   2:57
6 The Red Telephone   4:45 
7 Maybe The People Would Be The Times Or Between Clark And Hilldale   3:30
8 Live And Let Live   5:24
9 The Good Humour Man He Sees Everything Like This   3:00
10 Bummer In The Summer   2:20
11 You Set The Scene   6:49   

Em 1967, na plenitude do Verão do Amor, os californianos Love surgiam algo deslocados do movimento peace and love que influenciava os meios artísticos e sociais da época e ao terceiro álbum demonstravam que nem tudo era realmente flores. Do alto das colinas de L.A. o líder Arthur Lee escrevia canções essenciais enquanto observava a cidade, isto numa altura em que a banda se encontrava um pouco desorientada tendo o 
produtor Bruce Botnik chegado ao ponto de contratar músicos de estúdio para gravar convencido de que os Love não o iriam conseguir fazer. Ultrapassada esta fase, a banda organizou-se e o resultado foi um trabalho ponderado, dominado por uma vertente mais acústica enriquecida com arranjos de orquestra. Num registo encabeçado por "Alone Again Or", a música mais conhecida da edição, as exceções residem em "A House Is Not A Motel", "Live And Let Live" e "Bummer In The Summer" cuja sonoridade roça realmente os domínios do rock enquanto "The Red Telephone" proporciona o momento mais meditativo de Arthur Lee, que várias vezes afirmou ter escrito as músicas para este álbum sob uma aura de morte pois achava que iria morrer em breve. Outros momentos bem interessantes encontram-se em "Andmoreagain" e "Maybe The People Would Be The Times...". Pela sua magia e divergência, ao longo do tempo Forever Changes foi ganhando cada vez mais importância como registo fundamental.

sábado, 12 de maio de 2018

Live - ALBERT KING


1 Watermelon Man (Hancock/Hendricks/Brooks)   3:48
2 Don't Burn Down The Bridge (Jones/Wells)   4:00
3 Blues At Sunrise   10:40
4 That's What The Blues Is All About (Patterson/Strickland)   6:25
5 Stormy Monday (Walker)   7:12
6 Kansas City (Leiber/Stoller)   6:59
7 I'm Gonna Call You As Soon As The Sun Goes Down   8:22
8 As The Years Go Passing By (Malone)   8:48
9 Overall Junction   4:25
10 I'll Play The Blues For You   6:40 

Edição de clube, em formato cd, publicada como parte integrante da coleção Mestres Do Blues da editora espanhola Altaya, também distribuída em Portugal. Esta edição, não integral, reedita o duplo vinil gravado na Suíça em 1977 durante uma atuação de Albert King no famigerado festival de Montreux e serve como um ótimo registo de uma grande sessão de blues que contou com a participação, em parte do concerto, do guitarrista irlandês Rory Gallagher. O irlandês faz a entrada e o primeiro solo em "As The Years Go Passing By". O registo revela um concerto distinto em que a mestria e a classe de Albert King se evidenciam pela sua forte expressão como guitarrista e como frontman ativo contando ainda com o apoio de uma banda igualmente notável que inclui um irrequieto naipe de metais. Um bluesman de excelência, Albert King apresenta aqui tudo aquilo que os blues são através de uma atuação eficiente preenchida por uma sonoridade bastante sólida e intensa.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

The Crown - GARY BYRD AND THE G.B.EXPERIENCE


Side A
1 The Crown (Vocal)   10:40
Side B
1 The Crown (Instrumental)   10:40    

Editado em 1983, The Crown é um single em formato de 12" a 33rpm que resulta de um projeto pensado pelo DJ de radio Gary Byrd. A meio da década de 70, com o rap ainda na sua fase primordial, este DJ dirigia um programa radiofónico denominado G.B.E.(Gary Byrd Experience) durante o qual declamava pequenos textos por cima da música que passava. Stevie Wonder era um seguidor habitual e em 1976 convidou Gary Byrd a participar na escrita de alguns temas para o seu álbum Songs In The Key Of Life. Em 1981 Gary Byrd teve a ideia de criar uma música cujo conteúdo lírico, em formato rap, se baseava numa lição de história social da cultura negra, matéria que as escolas norte-americanas não abordavam nas suas aulas. Stevie Wonder gostou da ideia e associou-se logo ao projeto. Estamos assim perante um registo histórico em várias frentes; edição Motown, raramente associada ao mercado rap, Stevie Wonder a colaborar num álbum rap e até a capa é motivo de novidade por ser então raro ver um disco rap com foto na capa. Devido a ser um trabalho paralelo, o projeto demorou cerca de três anos a ficar concluído e nele Stevie Wonder assume o trabalho de produção e canta mesmo numa pequena parte da música para além de estar creditado com os seus teclados e bateria. Musicalmente, o registo soa funky/soul/disco com Gary Byrd em rap, intercalado por refrões cantados por um coro e pela já referida parte vocal de Stevie Wonder. A edição single em formato de 12" deve-se ao facto da música ser longa, tendo pouco mais de dez minutos, contendo a versão vocal do lado principal e a versão instrumental do lado "secundário".

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Blackout - SCORPIONS


Side A
1 Blackout   3:47
2 Can't Live Without You   3:44   
3 No One Like You   3:54
4 You Give Me All I Need   3:37
5 Now!   2:31
Side B
1 Dynamite   4:10
2 Arizona   3:51   
3 China White   6:54
4 When The Smoke Is Going Down   3:48

Utilizando a língua inglesa como meio de expressão, os alemães Scorpions foram evoluindo até atingirem definitivamente o reconhecimento internacional e o patamar dos grandes palcos mundiais. Dez anos depois da edição do primeiro àlbum a banda conseguia em 1982 um sucesso mundial, EUA incluídos, com a edição de Blackout, o seu décimo registo oficial. O hard rock da banda germânica singrava pela sua coesão e harmonia refletida em canções intensas e melódicas que roçam a fronteira do metal mais vigoroso. As três músicas que abrem o registo criam uma sequência consistente e dinâmica que culmina no êxito do single "No One Like You", seguidas da balada "You Give Me All I Need" e da energia de "Now!". O segundo lado do álbum explode com "Dynamite", passeia-se pela harmonia pop de "Arizona", transmite um groove compassado em "China White" e finaliza com a clássica balada "When The Smoke Is Going Down". A referir que o vocalista Klaus Meine enfrentou duas operações às cordas vocais antes da gravação deste registo e que regressou em grande forma.   

terça-feira, 24 de abril de 2018

If You Leave Me Now - CHICAGO


Side A
1 If You Leave Me Now   3:53
2 Saturday In The Park   3:56
3 Feelin' Stronger Every Day   4:15
4 (I've Been) Searchin' So Long   4:30
5 25 Or 6 To 4   4:52
Side B
1 Baby What A Big Surprise   3:04
2 Wishing You Were Here   4:36
3 No Tell Lover   3:51
4 Another Rainy Day In New York City   2:58
5 Does Anybody Really Know What Time It Is?   2:53
6 Song For You   3:39      

Editada em 1982 após mudança de editora, esta é a quarta coletânea oficial do coletivo norte-americano Chicago a revisitar uma carreira cheia de sucessos. Cotados ainda hoje como uma das bandas mais bem sucedidas no mercado musical norte americano, os Chicago criaram êxito atrás de êxito desde que começaram a editar em 1969. A formação dos Chicago foi sempre preenchida por músicos exímios, tecnicamente perfeitos, que começaram por adoptar uma sonoridade colorida em que a escola de jazz se fundia com a estrutura do rock criando peças melódicas e plenas de harmonia. Aos poucos a banda foi perdendo algum do fulgor inicial e acabou por adotar uma sonoridade mais comercial onde as baladas de Peter Cetera, a vertente mais pop dos Chicago, começaram a brilhar. "If You Leave Me Now", um dos maiores sucessos dos Chicago, é um dos maiores testemunhos da fase Cetera. Os temas "Baby What A Big Surprise", "Wishing You Were Here" e "Song For You", na altura o tema mais atual desta retrospetiva, são outras das peças de Peter Cetera que por aqui singram. O álbum abrange temas primordiais como "Does Anybody Really Know What Time It Is?", "25 Or 6 To 4", "Saturday In The Park", "(I've Been) Searchin' So Long" e "Feelin' Stronger Every Day" mas perante a grande produtividade da banda o registo acaba por funcionar como um singelo resumo do seu extenso repertório.

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Q: Are We Not Men? A: We Are Devo! - DEVO


Side A
1 Uncontrollable Urge   3:09
2 Satisfaction (I Can't Get No) (Jagger/Richards)   2:38
3 Praying Hands   2:48
4 Space Junk   2:14
5 Mongoloid   3:42
6 Jocko Homo   3:39
Side B
1 Too Much Paranoias   1:55
2 Gut Feeling   4:54
3 (Slap Your Mammy)   0:51
4 Come Back Jonee   2:53
5 Sloppy (I Saw My Baby Gettin')   2:36
6 Shrivel Up   3:04 

Os norte americanos Devo editavam o seu registo de estreia em 1978 com o título "Q: Are We Not Men? A: We Are Devo!" e assim se iniciava oficialmente o apregoado ciclo de de-evolução. Com Brian Eno a assumir o trabalho de produção, os Devo revelavam-se como uma das bandas mais originais do movimento New Wave praticando uma sonoridade rock/pop plena de humor e sátira, adornada por uma estética plástica sob um misto de loucura e irreverência. Utilizando uma estrutura musical imprevisível, disforme e irrequieta, os Devo manifestavam ser uma eficaz máquina de de-construção rock'n roll capaz de remodelar tudo à sua maneira, a famosa versão de "Satisfaction" é o exemplo perfeito do efeito de-evolutivo da banda. Os riffs de guitarra sugerem alguma herança rock'n roll mas a introdução de pontuais sintetizadores insinua o caminho para o futuro da pop. "Uncontrollable Urge", "Praying Hands", "Mongoloid", "Gut Feeling" e "Shrivel Up" são temas incontornáveis enquanto "Jocko Homo" é o verdadeiro manifesto da de-evolução.

sábado, 7 de abril de 2018

If You Want To Defeat Your Enemy Sing His Song - THE ICICLE WORKS


Side A
1 Hope Springs Eternal   4:02
2 Travelling Chest   4:38
3 Sweet Thursday   4:14
4 Up Here In The North Of England   5:10   
5 Who Do You Want For Your Love?   3:50    
Side B
1 When You Were Mine   4:34
2 Evangeline   4:03   
3 Truck Driver's Lament   5:17
4 Understanding Jane   3:18
5 Walking With A Mountain   4:41     

Terceiro álbum de originais para os britânicos The Icicle Works, editado em 1987. Um registo de melodiosas canções pop/rock com o selo alternativo da Beggars Banquet. Um arranque morno revela um registo indiferente mas à medida que progride, apesar da interpretação algo fechada do líder Ian McNabb, presa numa seriedade que não compromete mas denota alguma falta de vigor, acabam por se evidenciar alguns momentos interessantes. A energia do registo encontra-se totalmente concentrada nos temas "Evangeline" e "Understanding Jane" mas é no tema "Truck Driver's Lament" que se encontra a estrutura musical mais relevante. Em "Who Do You Want For Your Love?" descobre-se o tema mais orelhudo enquanto em "When You Were Mine" se encontram reminiscências Bowie e em "Up Here In The North Of England" se fazem revelações políticas.