terça-feira, 17 de outubro de 2017

101 - DEPECHE MODE - CD01


1 Pimpf   0:58
2 Behind The Wheel   5:49
3 Strangelove   4:54
4 Sacred   5:09
5 Something To Do   3:53
6 Blasphemous Rumours   5:09
7 Stripped   6:44
8 Somebody   4:37
9 Things You Said   4:17         

101 é o registo do último concerto dos britânicos Depeche Mode aquando da digressão Music For The Masses que decorreu entre a Europa e a América do Norte, com uma curta passagem pelo Japão, durante os anos de 1987 e 1988. Captado integralmente em Pasadena, California, este duplo registo testemunha a banda em final de tournée 
perante um Rose Bowl lotado e completamente rendido à pop eletrónica, com alguns laivos industriais, dos Depeche Mode. A dinâmica e entusiasmante prestação do quarteto britânico demonstra a entrega e confiança com que encerraram a última data da tour que para além de se focar em Music For The Masses, o álbum que originou a digressão, serve igualmente como uma excelente retrospetiva de época uma vez que aqui se encontra uma boa parte dos grandes êxitos da banda. Três temas incontornáveis de "Music For The Masses" abrem o registo que de seguida revisita o passado em "Something To Do" e "Blasphemous Rumours", antes da maquinal interpretação de "Stripped". O primeiro cd encerra com duas bonitas baladas cantadas por Martin Gore.

domingo, 8 de outubro de 2017

Christiane F. (Wir Kinder Vom Bahnhof Zoo) - ORIGINAL SOUNDTRACK


1 V-2 Schneider   3:10
2 TVC 15   3:32
3 Heroes/Helden   6:05
4 Boys Keep Swinging   3:16
5 Sense Of Doubt   3:58
6 Station To Station   8:46
7 Look Back In Anger   3:05
8 Stay   3:21
9 Warszawa   6:15         

Editado originalmente em 1981 como banda sonora da produção cinematográfica alemã "Christiane F.", este registo acaba por ser mais útil como um precioso cartão de visita de uma das fases mais interessantes da carreira de David Bowie. A ação do filme situa-se na época em que Bowie se mudou para Berlin cujo resultado foi, a fantástica trilogia "Low", "Heroes" e "Lodger". A figura de Bowie é várias vezes referenciada ao longo da película e há inclusive uma cena de concerto que supostamente pertence a um espetáculo de Bowie mas, aparentemente, parece que as cenas dessa audiência terão sido na realidade captadas durante um concerto dos....AC/DC. Nenhuma das músicas desta banda sonora foi pensada ou escrita para o filme. São temas retirados da referida trilogia e ainda mais três de "Station To Station", o álbum que antecede o período de Berlin. A maior particularidade deste registo incide na versão bilingue de "Heroes", com Bowie a iniciar o tema em inglês e a passar para uma emotiva interpretação em alemão a partir do meio da música. Reza a história que a primeira gravação do tema terá mesmo sido feita em alemão. A estonteante versão ao vivo de "Station To Station", utilizada na sequência do dito concerto no filme, pertence ao álbum "Stage" que documenta a tournée de Bowie em 1978. As peças "V-2 Schneider", "Sense Of Doubt" e "Warszawa" são três instrumentais que ajudam a criar alguma ambiência de filme mas, como já foi referido, não foram de alguma forma pensadas como tal.  

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Just One Night - ERIC CLAPTON - CD02


1 Double Trouble (O.Rush)   8:12
2 Setting Me Up (M.Knopfler)   4:38
3 Blues Power   7:19
4 Rambling On My Mind (R.Johnson)   8:49
5 Cocaine (J.J.Cale)   7:39
6 Further On Up The Road (J.Veasey/D.Robey)   7:21       

A dinâmica do segundo cd da dupla edição de "Just One Night" encontra-se totalmente imersa no poder dos Blues. A emotiva execução em "Double Trouble" e "Rambling On My Mind" é exemplar e digna de respeito por uma escola que legou todo um estilo e sensibilidade musical preponderante na evolução do rock. Como muitos outros, Clapton evoluiu dos Blues e nunca deixou de os sentir, utilizando regularmente a sua estrutura. Interessante a interpretação, na voz de Albert Lee, de "Setting Me Up", um tema "recente" escrito por Mark Knopfler para o primeiro álbum dos Dire Straits em 1978. A recuperação do peculiar tema "Blues Power" destaca-se pela sua força e exuberância, ou não tivesse sido escrito em parceria com Leon Russell, assim como a prestação de "Cocaine" é, para além de obrigatório, um momento de classe e determinação. Em jeito de encore, cabe a "Further On Up The Road" o encerrar da prestação. "Just One Night" funciona como um belo registo ao vivo que capta a qualidade de Clapton em palco, numa boa fase, apoiado por uma banda segura e eficaz.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Just One Night - ERIC CLAPTON - CD01


1 Tulsa Time (D.Flowers)   4:02
2 Early In The Morning (Traditional)   7:11
3 Lay Down Sally   5:35
4 Wonderful Tonight   4:41
5 If I Don't Be There By Morning (B.Dylan/H.Springs)   4:26
6 Worried Life Blues (M.Merriweather)   8:28
7 All Our Past Times 5:00
8 After Midnight (J.J.Cale)   5:37  

Duplo registo gravado ao vivo em dezembro de 1979 no Budokan Theatre, Tokyo, durante a digressão de Backless, "Just One Night" é um testemunho magistral da essência e arte de Eric Clapton em palco numa altura em que o guitarrista britânico se encontrava em grande nível, proporcionando um brilhante registo Blues/Rock onde se sucedem alguns dos seus grandes êxitos. O registo ganha ainda mais importância quando se percebe que Clapton é aqui apoiado por uma banda de excelência onde pontua, entre outros, o exímio guitarrista Albert Lee. No primeiro cd, salientam-se os momentos blues, "Early In The Morning" e "Worried Life Blues", em que também brilha o teclista Chris Stainton, e uma vigorosa interpretação de "After Midnight". "Tulsa Time", "If I Don't Be There By Morning" e "All Our Past Times" são rock clássico e os hits "Lay Down Sally" e "Wonderful Tonight" eram passagens obrigatórias.

sábado, 23 de setembro de 2017

Dummy - PORTISHEAD


1 Mysterons   5:03
2 Sour Times   4:11
3 Strangers   3:55
4 It Could Be Sweet   4:16
5 Wandering Star   4:52
6 It's A Fire   3:44
7 Numb   3:53
8 Roads   5:02
9 Pedestal   3:39
10 Biscuit   5:01
11 Glory Box   5:04                

Em 1994 os ingleses Portishead surpreendiam com a edição de Dummy. O seu primeiro registo original revela a sensualidade da voz de Beth Gibbons associada ao estilo trip hop, eis o núcleo de um registo ambíguo. Dummy sugere um processo original de reconstrução musical, algo minimalista, evidenciado pela utilização de samplers de músicas esquecidas, ou mesmo desconhecidas, que aqui servem de base a novas músicas e a um "novo" estilo. Um sólido trabalho de estúdio por parte de Geoff Barrow, cujas programações sustentam todo um registo em que poucos são os instrumentos utilizados (destaque para os clássicos; piano Rhodes e orgão Hammond), leva a que as músicas balancem sob uma sólida componente rítmica downtempo em que Beth Gibbons surge como veludo, cantando de forma dramática e emocionada sob um cool groove. Soando vintage mas perfeitamente atuais, os Portishead diferenciavam-se então do panorama geral mostrando que também podiam ser jazz ou soul. A atmosfera enigmática de "Mysterons", reforçada pela utilização de um theremin, abre o registo de forma misteriosa indicando o caminho para um desfile de pérolas que se vão revelando peça a peça. "Roads" contêm a estrutura mais complexa do álbum em que "Sour Times", "Strangers", "Numb" e "Glory Box" se destacam pela excelência. A utilização de samplers de temas de Lalo Schifrin, Weather Report, Eric Burdon and War, Johnnie Ray e Isaac Hayes funcionam como uma visita ao passado que pode ajudar a alicerçar os caminhos do futuro.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

...And Justice For All - METALLICA


1 Blackened   6:40
2 ...And Justice For All   9:44
3 Eye Of The Beholder   6:25
4 One   7:24
5 The Shortest Straw   6:35
6 Harvester Of Sorrow   5:42
7 The Frayed Ends Of Sanity   7:40
8 To Live Is To Die   9:48
9 Dyers Eve   5:12 

Dois anos após o infortúnio que assolou os Metallica em 1986, que custou a vida do baixista Cliff Burton, era editado "...And Justice For All", o quarto registo longa duração, original, da banda. É um álbum poderoso, pleno de dor, raiva e sentimentos de injustiça, em que a banda norte americana extravasa demónios de forma agressiva mas calculada. Os longos temas que compõem o registo são bastante detalhados, ricos em arranjos progressivos, soando como uma orquestração de guitarras bem organizada. A contrastar, temos a questão da notória omissão do baixo de Jason Newsted, praticamente ausente das misturas finais, nunca tendo ficado esclarecido se por opção da banda ou por má gestão técnica. É um trabalho dinâmico, complexo e exigente, em que os temas passam por diversos andamentos sugerindo uma ação progressiva que resulta num registo inteligente, simultaneamente brutal e irrequieto. Autênticas pérolas como "Blackened", "...And Justice For All ", "Eye Of The Beholder", "Harvester Of Sorrow", ou " The Frayed Ends Of Sanityvivem de riffs potentes mas muito bem estruturados. "One" é a peça mais conhecida deste trabalho, uma "balada" que acaba por se transfigurar em revolta, "To Live Is To Die " é uma peça instrumental pensada para Cliff Burton na qual é declamado um pequeno texto da autoria do falecido baixista. "Dyers Eve" fecha o registo à antiga, um tema trash rápido e eficaz.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

AM-FM - THE GIFT - CDFM


FM
1 Driving You Slow   4:20
2 11:33   3:56
3 Cube   4:57
4 Music   4:33
5 An Answer   4:59
6 Pure   4:10
7 You Know   3:31
8 Red Light   8:51                      

Enquanto a estética de AM se define sob um conceito de sensibilidade e apreciação, FM é mais físico, radical e até experimental, funcionando como um registo provocador que motiva o ouvinte a reagir. A banda Alcobacense deixa-se envolver por uma aura criativa mais abrangente enquanto despe os preconceitos e se mostra mais à vontade, sendo praticamente impossível não sentir o vigor estimulante do seu pulsar. Não foi por mero acaso que os três singles desta dupla edição saíram de FM. "Driving You Slow", "11:33" e "Music" são dignos representantes deste exímio trabalho mas sente-se em "Cube" uma pérola oculta por esta trindade. Depois, há tempo ainda para uma rara alusão rock à la Strokes em "You Know" e um admirável final com as texturas experimentais de "Red Light". Pelo meio fica a vivacidade de "An Answer" e uma piscadela de olho a Bjork em "Pure". São percetíveis neste registo as influências evidentes e a vontade de testar variadas texturas sónicas e rítmicas. Com AM-FM, a plasticidade pop dos The Gift adquire mais detalhe, uma clara evidência do processo evolutivo da banda, e mais confiança. É um trabalho audaz, corajoso e inovador, disposto então a enfrentar, novamente, o panorama musical português. 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

AM-FM - THE GIFT - CDAM


AM
1 I Am AM   3:01
2 Are You Near?   5:01
3 Wallpaper   5:24
4 Wake Up   5:45
5 1977   4:41
6 Elisa   2:56
7 Bonita   4:55
8 Guess Why   7:23

Foi desde bastante cedo que os portugueses The Gift fizeram questão de mostrar que não eram apenas mais uma banda a percorrer o brando circuito da música portuguesa. Sempre demonstraram ambição e sempre lutaram por conseguir o que queriam e com quem queriam. Nesse sentido, AM-FM começa por ser mais um grande passo. Editado em formato duplo, no ano de 2004, AM-FM funciona em dicotomia numa alusão ao mundo radiofónico com a vertente AM a ser mais clássica, consciente e íntima enquanto a vertente FM se mostra mais espontânea, aguerrida e dançável. A estrutura geral de AM revela-se muito pormenorizada em pequenos detalhes. É impressionante a paleta de sons utilizados ao longo de todo o registo, inteligentemente integrados de forma a enriquecerem toda a partitura. A peculiar pop eletrónica dos The Gift começa aqui a ganhar, de facto, outra dimensão. O álbum arranca com um manifesto pessoal intitulado "I Am Am". É uma peça instrumental em que Nuno Gonçalves assume toda a componente de composição e execução evocando simultaneamente a sua posição AM. O ambiente club de "Are You Near?" consegue ser excitante e misterioso e conduz à beleza sideral de "Wallpaper" para se concluir no sussurrado "Wake Up". "1977" é a composição que mais se destaca, uma canção pop impecável e autobiográfica. "Elisa" é uma bonita canção de amor "moderno", também de caráter autobiográfico. "Bonita" vive de uma estrutura tímbrica muito rica e "Guess Why" encerra este capítulo da melhor forma. Uma combinação entre o clássico e a pop sustentada por um simples arranjo de metais e a sensibilidade de um harmonioso coro de vozes.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Around The_Sun - R.E.M.


1 Leaving New York   4:47
2 Electron Blue   4:11
3 The Outsiders (Feat. Q-Tip)   4:12
4 Make It All Okay   3:41
5 Final Straw   4:05
6 I Wanted To Be Wrong   4:33
7 Wanderlust   3:03
8 Boy In The Well   5:20
9 Aftermath   3:51
10 High Speed Train   5:01
11 The Worst Joke Ever   3:36
12 The Ascent Of Man   4:05
13 Around The Sun   4:28 

Vinte e um anos após a edição do primeiro álbum de originais, os norte americanos R.E.M. são uma banda patenteada que continua a criar canções hábeis e funcionais sem tendência para complicar. Around The Sun, editado em 2004, é o seu décimo terceiro registo original e expôe a experiência e maturidade da banda através de um trabalho acessível e equilibrado. São aqui evidentes as marcas de um crescente percurso em direção a uma fase mais moderada em que a banda já nada receia, eles fazem um novo disco apenas porque lhes pode apetecer fazer mais um...ou até nem fazem mais um porque não lhes apetece mesmo. Around The Sun manifesta-se como um registo limpo e harmonioso em que é possível encontrar vários momentos emblemáticos; o lindíssimo "Make It All Okay" roça a perfeição harmoniosa, "Leaving New York" presta-se como uma entrada de luxo no disco, "Boy In The Well", "Aftermath", "Ascent Of Man" ou o tema título "Aroud The Sun" funcionam como canções práticas para reter na memóriaSem perderem a identidade, os R.E.M. ainda se mantêm em conformidade com a atmosfera da época através de temas como "Electron Blue", "The Outsiders" que conta com a participação do rapper Q-Tip, ou a piscadela de olho aos Radiohead em "High Speed Train", mostrando que não se encontram alheados da realidade musical. Um belo testemunho de que em 2004 os R.E.M. continuavam a ser eficazes naquilo que melhor sabem fazer, canções.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Live Bursting Out - JETHRO TULL - LP02


Side A
1 Hunting Girl   5:44
2 Too Old To Rock 'n' Roll: Too Young To Die   4:23
3 Conundrum   6:55
4 Minstrel In The Gallery   5:55   
Side B
1 Cross-Eyed Mary   3:52
2 Quatrain   1:43
3 Aqualung   7:48
4 Locomotive Breath   5:58   
5 The Dambusters March (E.Coates)   3:40       

O segundo vinil da dupla edição de Bursting Out demonstra como os Jethro Tull se movem na direção do hard rock à medida em que a dinâmica do espetáculo evolui. A vertente progressiva encontra-se também bastante presente não deixando de haver cruzamentos com salientes momentos acústicos. Para além da continuidade de desfile de temas chave como "Hunting Girl", "Too Old To Rock 'n' Roll" ou "Minstrel In The Gallery", é possível ouvir neste disco as peças "Conundrum" e "Quatrain" que funcionam como interlúdios instrumentais, não constam de alguma edição original, em que os músicos, nomeadamente o guitarrista Martin Barre e o baterista Barriemore Barlow, exibem os seus dotes em aguerridos solos. O disco encerra em grande estilo com a admirável tríade, pertença do marcante álbum Aqualung, "Cross-Eyed Mary", "Aqualung" e "Locomotive Breath". No fundo, Bursting Out é um claro testemunho do imenso poderio dos Jethro Tull em palco numa das suas melhores épocas. 

domingo, 13 de agosto de 2017

Live Bursting Out - JETHRO TULL - LP01


Side A
1 No Lullaby   5:50
2 Sweet Dream   4:36
3 Skating Away On The Thin Ice Of The New Day   4:53
4 Jack In The Green   3:35      
5 One Brown Mouse   4:13
Side B
1 A New Day Yesterday   3:16
2 Flute Solo Improvisation/God Rest Ye Merry Gentlemen/Bourée (Trad.)   5:27
3 Songs From The Wood   2:31
4 Thick As A Brick   12:40           

Dez anos de carreira, várias mudanças de formação e onze álbuns depois, o excêntrico, louco e poderoso frontman Ian Anderson conduzia os Jethro Tull em mais uma digressão que ficou registada em duplo vinil, editado em 1978.  Gravado um pouco por todo o lado, algures pela europa, "Bursting Out" testemunha a intensidade dos britânicos Jethro Tull em palco servindo ao mesmo tempo como uma retrospetiva de carreira. Após um arranque mais enérgico com "No Lullaby" e "Sweet Dream" a banda entra num período acústico voltando a recuperar o entusiasmante dinamismo inicial com "A New Day Yesterday". Um concerto dos Jethro Tull nunca será completo se não incluir o peculiar solo de flauta de Ian Anderson, um improviso que passa por temas tradicionais aliado a uma curiosa técnica vocal que Ian Anderson tão bem domina. Uma breve passagem por "Songs From The Wood" e o primeiro disco desta edição fecha com uma versão mais curta, mas decisiva,  da emblemática suite "Thick As Brick".

terça-feira, 8 de agosto de 2017

After The Gold Rush - NEIL YOUNG


Side A
1 Tell Me Why   2:45
2 After The Gold Rush   3:45
3 Only Love Can Break Your Heart   3:05
4 Southern Man   5:41
5 Till The Morning Comes   1:17
Side B
1 Oh, Lonesome Me (D.Gibson)   3:47
2 Don't Let It Bring You Down   2:56
3 Birds   2:34
4 When You Dance I Can Really Love   3:44
5 I Believe In You   2:24
6 Crippled Creek Ferry   1:34     

Após ter participado na composição e gravação do mágico registo "Déjà Vu" como parte do coletivo Crosby, Stills, Nash & Young em 1970, Neil Young ainda gravou e editou, nesse mesmo ano, "After The Gold Rush", o seu terceiro trabalho original a solo. O registo foi parcialmente inspirado no guião "After The Gold Rush", escrito por Dean Stockwell e Herb Berman, pensado para um filme que nunca chegaria a ver a luz do dia. É um álbum bastante particular, centrado na vertente country-folk, que conta com a participação de poucos músicos. Quase que se pode dizer que é uma sessão para amigos. Por entre a dispersa presença dos Crazy Horse, apenas sentida em "Southern Man" e "When You Dance I Can Really Love", a curiosa participação de um muito jovem Nils Lofgren no piano e os "emprestados" Greg Reeves no baixo e Stephen Stills na voz, Neil Young revela-se como um autor autónomo que sabe qual o caminho a percorrer.

domingo, 30 de julho de 2017

We Got By - AL JARREAU


Side A
1 Spirit   4:06
2 We Got By   4:59
3 Susan's Song   5:51
4 You Don't See Me   4:52
Side B
1 Lock All The Gates   5:30
2 Raggedy Ann   3:00
3 Letter Perfect   4:15
4 Sweet Potato Pie   3:10
5 Aladdin's Lamp   4:55

Na década de 60, Al Jarreau encontrava-se dividido entre a atividade profissional como assistente social e a música. De noite cantava em bares e até chegou a gravar um disco, em 1965, que acabou por passar despercebido. Apenas em 1975, já com 35 anos de idade, Al Jarreau consegue um contrato com a Warner Bros e decide-se então a abraçar definitivamente o que se viria a tornar numa respeitável carreira musical. "We Got By" é o primeiro fruto de um tardio início de carreira e as suas consequências não ficaram por aqui. É um registo surpreendente que revela um artista já amadurecido e dono de um peculiar jogo vocal dentro dos domínios do Jazz. Al Jarreau manifesta possuir um bom controle sobre a sua virtuosa capacidade vocal sabendo expressar-se em diversas dinâmicas scat ou como um segundo instrumento. Todos os temas aqui apresentados são originais de Al Jarreau e denotam igualmente uma extrema sensibilidade musical difícil de catalogar...entre a soul e o jazz.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Gentlemen Take Polaroids - JAPAN


1 Gentlemen Take Polaroids   7:06
2 Swing   6:25
3 Burning Bridges   5:20
4 My New Career   3:54
5 Methods Of Dance   6:53
6 Ain't That Peculiar (W. Robinson/W. Moore/M. Tarplan/R. Rodgers)   4:40
7 Nightporter   6:57
8 Taking Islands In Africa (R. Sakamoto/D. Sylvian)   5:15  

Editado em 1980, o quarto registo oficial dos Japan evoca a singularidade da banda britânica expondo a sua classe, excelência e futurismo. Gentlemen Take Polaroids é um registo nobre e distinto que sugere a vindoura pop sintetizada dentro de uma vertente mais honrada. Detentores de uma estética particular, dentro do género Pop/Rock, os Japan encontram na emotiva expressividade de David Sylvian a sobriedade artística perfeita para transmitir um requinte delicado através de um estilo frágil e simultaneamente poderoso. Ao longo do registo, é notória uma determinada sensibilidade artística virada para o oriente, era bem conhecida a influência da cultura oriental nos Japan, com a particularidade de que este mesmo registo contêm a primeira colaboração entre David Sylvian e o pianista japonês Ryuchi Sakamoto, registada como "Taking Islands In Africa" o tema que fecha o álbum. O álbum é composto por sete temas originais e uma versão para "Ain't That Peculiar", um clássico da Soul. É também o último trabalho da banda em que participa o guitarrista Rob Dean.  

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Mirror Moves - PSYCHEDELIC FURS


1 The Ghost In You   4:17
2 Here Come Cowboys   3:57
3 Heaven   3:27
4 Heartbeat   5:17
5 My Time   4:27
6 Like A Stranger   4:00
7 Alice's House   3:53
8 Only A Game   4:13
9 Highwire Days   4:01  

Com a banda, ou o que dela restava, já radicada nos EUA, em 1984 os britânicos Psychedelic Furs editavam Mirror Moves, o quarto registo oficial da banda, gravado em Los Angeles. É um registo mais arejado e bastante mais acessível relativamente aos trabalhos anteriores. Os sintetizadores aparecem bem salientes e a sonoridade dos Psychedelic Furs aproxima-se da vertente pop, conseguindo, ainda assim, manter algum do esplendor punk da fase inicial. Facilmente se conclui que Mirror Moves percorre caminhos que vão da corrente new romantic até ao movimento post-punk. A reforçar estas mudanças, há o inconfundível timbre vocal de Richard Butler a destacar-se por uma presença mais melodiosa. Os três primeiros temas proporcionam um esplêndido arranque sendo fulcral o seu posicionamento no alinhamento final deste registo. "Ghost In You" e "Heaven" foram singles de enorme êxito e "Here Come Cowboys" um sucesso menor mas igualmente importante. "Alice's House" distingue-se como a peça mais atrevida de um registo polido e simultaneamente marcante da fase de maior sucesso na carreira dos Psychedelic Furs.

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Communiqué - DIRE STRAITS


1 Once Upon A Time In The West   5:14
2 News   4:11
3 Where Do You Think You're Going?   3:43
4 Communiqué   5:42
5 Lady Writer   3:38
6 Angel Of Mercy   4:29
7 Portobello Belle   4:21
8 Single Handed Sailor   4:42
9 Follow Me Home   5:42     

A deliciosa tranquilidade de Communiqué, o segundo registo oficial dos Dire Straits, editado em 1979, evidencia a jovem maturidade de uma banda de Rock'n Roll que então começava a despontar e vivia ainda o impacto do sucesso do álbum de estreia, editado no ano anterior. Sob alguma "pressão" para apresentar rapidamente um segundo álbum de forma a aproveitar o recente sucesso do trabalho anterior, os Dire Straits partiram inteligentemente para um álbum calculado e elegante sem se deixarem arrebatar em exagerados espasmos Rock. É um trabalho dominado por um groove calmo e bastante presente que assenta na quente secção rítmica enquanto os irmãos Knopfler gravavam juntos pela última vez. Acrescente-se que este álbum foi misturado no mítico estúdio Muscle Shoals Sound, Sheffield, Alabama, e produzido pelos históricos Jerry Wexler e Barry Beckett, com Beckett a constar nos créditos finais também como teclista sob o pseudónimo B.Bear.

domingo, 25 de junho de 2017

Éramos Assim - BOITEZULEIKA



1 Cão Muito Mau (Intro)   1:18
2 Cão Muito Mau   2:42
3 Cidade De Marionetas   3:07
4 Espero-te Na Estação (Comboio)   4:10
5 Marcha Sambada   5:08
6 Éramos Assim   3:50
7 Circo Do Amadeu   4:28
8 Quiseram Roubar-me Esta Noite   3:59
9 Tóxico Prostituta   3:52
10 É O Ego   4:07
11 Bolero Do Coronel Sensível Que Fez Amor Em Monsanto (Vitorino/António L. Antunes)   4:09
12 Morte Em Tempo Real   3:42
13 Adoro O Perigo   3:58
14 Bola De Sabão   5:40   

Ironicamente, "Éramos Assim" é o admirável e único registo, à data, dos Boitezuleika. Em 2004 foram a banda revelação do concurso Quinta dos Portugueses da estação de rádio Antena 3, o que valeu a gravação de um álbum a este entusiasmante coletivo originário da cidade do Porto. Ficou assim documentada a sua arte de fazer música. O álbum foi editado originalmente em 2005 e nele se pode encontrar um naipe de canções bem estruturadas dominadas por variados géneros como a bossa nova, o jazz, a música tradicional portuguesa, a música latina e o rock, claro. A tudo isto há que juntar ainda a arte de bem cantar em português. O registo é composto por treze temas bem medidos dos quais se destaca "Cão Muito Mau", o único single retirado deste trabalho. Mas há muito mais para descobrir e saborear nos 54 minutos do cd. Desde a elegância de "Cidade De Marionetas", o tropicalismo de "Marcha Sambada", a infância perdida de "Éramos Assim", um hipotético segundo single em "Tóxico Prostitutae uma belíssima recuperação do tema "Bolero Do Coronel Sensível Que Fez Amor Em Monsanto", originalmente composto por Vitorino com letra de António Lobo Antunes, há muitas histórias por contar.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Cacus - JOSÉ PEIXOTO e CARLOS ZÍNGARO


1 um1   4:09
2 dois2   2:41
3 três3   3:50
4 quatro4   4:07
5 cinco5   1:24
6 seis6   3:09
7 sete7   1:30
8 oito8   9:20
9 nove9   1:29
10 dez10   3:28
11 onze11   3:51
12 doze12   5:13
13 treze13   2:58         

Mais não fosse pelos dois nomes que assinam este registo, Cacus é um belo trabalho de improvisação em que a ordenação dos sons apenas obedece à criatividade artística de dois nomes credenciados da nova música Portuguesa improvisada. Editado originalmente em 2005, a beleza artística de Cacus começa por se manifestar na partilha musical entre José Peixoto, em guitarra clássica, e Carlos Zíngaro, no violino. Experiente guitarrista em variados campos musicais, José Peixoto começou por compor e gravar em casa todas as peças deste registo convidando, posteriormente, Carlos Zíngaro a colaborar nos temas já gravados enviando-lhe o trabalho e cedendo espaço para que o violinista execute livre improvisação sobre os treze temas apenas trabalhados originalmente em guitarra. No geral, manifesta-se como um registo contemporâneo de tendência experimental dominado por cordas.

terça-feira, 6 de junho de 2017

The Best Of - MARILLION


1 Garden Party (Edited Version)   4:31
2 Assassing (7" Version)   3:36
3 Kayleigh (Single Edit)   3:34
4 Lavender   3:40
5 Heart Of Lothian   3:34
6 Incommunicado   3:55
7 Sugar Mice (Radio Edit)   4:59
8 Warm Wet Circles (7" Remix)   4:21
9 Hooks In You (7" Version)   2:54
10 Easter (7" Edit)   4:28
11 Cover My Eyes (Pain & Heaven)   3:52
12 No One Can (Album Version)   4:40
13 Dry Land (7" Edit)   4:01
14 Sympathy   3:24
15 Alone Again In The Lap Of Luxury (Radio Edit)   4:26
16 Beautiful (Radio Edit)   4:22
17 Man Of A Thousand Faces   3:34
18 Between You And Me (Mark Kelly Mix)   4:12      

Edição em cd da retrospetiva que em setenta e dois minutos comprime as duas fases distintas da carreira dos britânicos Marillion. Apontando a dezoito dos muitos singles que a banda editou entre 1982 e 2001, o interesse deste registo manifesta-se nas prestações dos dois vocalistas que marcaram duas épocas claramente distintas no admirável percurso da banda. A primeira fase da banda, entre 1982 e 1988, tem na enorme presença do vocalista Fish uma figura marcante que liderou os Marillion na sua vertente mais artística. Foi a época em que a banda apostou numa sonoridade mais progressiva o que lhes valeu algumas comparações com os Genesis de Peter Gabriel. Os oito primeiros temas desta compilação dizem respeito a esta fase venerável. A difícil substituição de Fish recaiu em Steve Hogarth que liderou a banda na sua segunda existência entre 1989 e 2001, data de edição do último tema desta compilação. Hogarth encaminhou os Marillion para um novo rumo em que o rock mainstream ganhou alguma consistência e valeu à banda mais uma boa dose de êxitos, assim como um claro piscar de olho à abertura do tão desejado mercado norte-americano. Os temas incluídos nesta retrospetiva correspondem, na sua maioria, a misturas para singles e radio em vez das versões completas dos álbuns e no geral constituem uma boa mostra da versatilidade, e capacidade de adaptação, dos Marillion.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Evolution - JOURNEY


1 Majestic   1:16
2 Too Late   2:57
3 Lovin', Touchin', Squeezin'   3:52
4 City Of The Angels   3:08
5 When You're Alone (It Ain't Easy)   3:10
6 Sweet And Simple   4:12
7 Lovin' You Is Easy   3:37
8 Just The Same Way   3:18
9 Do You Recall?   3:17
10 Daydream   4:41
11 Lady Luck   3:34 

Evolution é o quinto álbum de originais dos norte-americanos Journey, oficialmente editado em 1979. A banda é formada por músicos tecnicamente dotados e o seu som define-se como um Rock elegante, pensado e calculado para funcionar perante as massas. Utilizando uma fórmula vencedora, os Journey soam melosos quanto baste e empregam grandes doses de romantismo a um rock harmoniosamente perfeito que aqui começava a garantir êxitos aos registos da banda originária de San Francisco e Evolution firmou-se então como mais um grande passo em direção ao estatuto de super estrelas. Vários elementos passaram pelas fileiras da banda e em Evolution gravam pela segunda vez com o vocalista Steve Perry e pela primeira vez com o baterista Steve Smith, dois elementos preponderantes na sonoridade aqui obtida. Deste registo saiu o tema "Lovin', Touchin', Squeezin'", o primeiro single da banda a ocupar um lugar no Top20 americano, e outros sucessos, embora menores, como "Just The Same Way", "Too Late" e "Lovin' You Is Easy". 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Reading, Writing and Arithmetic - THE SUNDAYS


1 Skin & Bones   4:16
2 Here's Where The Story Ends   3:54
3 Can't Be Sure   3:22
4 I Won   4:23
5 Hideous Towns   3:46
6 You're Not The Only One I Know   3:50
7 A Certain Someone   4:25
8 I Kicked A Boy   2:16
9 My Finest Hour   3:59
10 Joy   4:10

Editado originalmente em 1990, o álbum de estreia dos britânicos The Sundays é um simpático cartão de visita, embalado pelo caraterístico timbre da vocalista Harriet Wheeler e pelo carisma do single "Here's Where The Story Ends". A banda foi formada em 1987 tendo apenas apresentado o seu primeiro single, "Can't Be Sure", no ano anterior ao deste registo e que aqui aparece incluído no alinhamento. No início de uma nova década, os The Sundays apresentavam-se ainda como herdeiros da sonoridade pop indie mais inteligente que caraterizou o rico movimento musical britâncio da década de 80. É um trabalho sóbrio, dominado por etéreas canções pop, funcionais e inteligentes, onde as guitarras de David Gavurin tem um presença fulcral na estrutura final do registo. Contas feitas, é legítimo afirmar-se que aqui os The Sundays soam como uma fusão dos The Smiths com os Cocteau Twins.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Hot Trip To Heaven - LOVE AND ROCKETS


1 Body And Soul   14:14
2 Ugly   7:25
3 Trip And Glide   5:19
4 This Heaven   7:08
5 No Worries   7:13
6 Hot Trip To Heaven   7:34
7 Eclipse   2:18
8 Voodoo Baby   3:25
9 Be The Revolution   6:43
10 Set Me Free   2:44       

"Hot Trip To Heaven", o quinto registo oficial dos Love And Rockets, foi editado originalmente em 1994. O álbum reflete-se numa calorosa viagem, debaixo de um semblante carregado, em que a banda britânica aponta destemidamente a um novo estilo sob uma estrutura "pesada",  bastante minimal  e mais eletrónica do que o habitual. São reflexos evidentes da nova década, a banda não editava desde 1989. É um trabalho algo indefinido, com menos harmonias e bastante focado no movimento de dança britânico cujo groove dominou fortemente uma boa parte das bandas inglesas no arranque dessa mesma década. O registo é dominado por longos temas hipnóticos em downtempo que embalam o corpo e convidam a uma irresistível dança lenta e sensual. Depois, há o cool ambiente jazzy de "Voodoo Baby" que sugere alguma influência de Angelo Badalamenti...olá Twin Peaks...olá Audrey Horne...e a aragem oriental transmitida pela presença bem destacada de Natacha Atlas na percussão e em algumas vocalizações, um grande reforço no ambiente místico deste registo. Destaque para a pura magia de "Trip And Glide", para o magnetismo de "This Heaven" e para o distinto "Be The Revolution".  

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Earth . Sun . Moon - LOVE AND ROCKETS


1 Mirror People   4:05
The Light   4:13
3 Welcome Tomorrow   3:34
4 No New Tale To Tell   3:26
5 Here On Earth   3:05
6 Lazy   3:11
7 Waiting For The Flood   3:35
8 Rainbird   3:16
9 The Telephone Is Empty   3:56
10 Everybody Wants To Go To Heaven   5:10
11 Earth, Sun, Moon   3:30
12 Youth   4:37
13 Mirror People (Slow Version)   4:26      

Ao terceiro álbum de originais, editado em 1987, os Love And Rockets conseguem realmente atingir o céu. A descompressão acústica de "Earth, Sun, Moon" reflete a conjunção perfeita dos elementos naturais e a banda consegue aqui um registo celestial rico em distintas harmonias. A simplicidade das músicas é talhada na estética alva, quase angelical, com que a banda se apresenta. O registo inicia-se bem terreno com o arranque elétrico de "Mirror People" e a ascensão celestial começa a desenhar-se logo em "The Light", com "Welcome Tomorrow" e um notável "No New Tale To Tell" a darem igualmente um ar da sua graça no firmamento. "Here On Earth" e "Lazy" retornam discretamente à eletricidade terrestre mas daqui para a frente os temas sucedem-se numa espiral acústica com "Waiting For The Flood" e "Everybody Wants To Go To Heaven" a destacarem-se pela sua forte capacidade emocional. Uma nova mistura para "Mirror People" em slow version, ausente na edição original em vinil, fecha o registo em Cd.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Seventh Dream Of Teenage Heaven - LOVE AND ROCKETS


1 If There's A Heaven Above (Canada Mix)   4:27
2 A Private Future   5:04
3 The Dog-End Of Day Gone By   7:38
4 The Game   5:05
5 Ball Of Confusion (USA Mix) (N.Whitfield/B.Strong)   6:16
6 Seventh Dream Of Teenage Heaven   6:35
7 Haunted When The Minutes Drag   7:57
8 Saudade   4:55
9 God And Mr. Smith (Mars Mix)   4:48    

É inevitável falar dos Love And Rockets sem mencionar os Bauhaus. Após o final da mítica banda em 1983 e de uma tentativa de reunificação, recusada por Peter Murphy, os restantes elementos dos Bauhaus formam os Love And Rockets e em 1985 lançam "Seventh Dream Of Teenage Heaven", o primeiro registo oficial da nova banda. Logo à primeira audição percebe-se que o caminho dos Love And Rockets é outro. Para trás ficaram tempos mais nebulosos e sombrios que agora foram substituídos por um groove mais colorido e aberto onde a harmonia e o psicadelismo são a base de uma interessante Pop alternativa com laivo indie. Se os Bauhaus eram arte os Love And Rockets são rock'n roll. As vozes doces e melodiosas de Daniel Ash e David J. aliadas a uma poderosa secção rítmica que vive da criativa interação entre a bateria de Kevin Haskins e o baixo de David J. enquanto as guitarras de Daniel Ash conseguem manter algum do caráter habitual, e o som dos Love And Rockets está feito para encantar. Neste registo, a banda conta ainda com o apoio de John A. Rivers na produção e nos teclados. A edição em Cd contêm a excitante versão, editada originalmente em Maxi-Single, de "Ball Of Confusion", tema original dos Temptations, e uma nova mistura para "If There's A Heaven Above", agora descrita como "God And Mr.Smith" sob a forma de um instrumental com samplers. 
É caso para se dizer que os Bauhaus sem Peter Murphy soam a ... Love And Rockets.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

We Want Miles - MILES DAVIS


1 Jean-Pierre   10:39
2 Back Seat Betty   8:12
3 Fast Track   15:13
4 Jean-Pierre   3:56
5 My Man's Gone Now (Heyward /G. Gershwin)   20:05
6 Kix   18:35  

Após um hiato de cinco anos marcado pela doença e pelas drogas, Miles Davis regressa aos palcos em 1981 mais eletrizante do que nunca. É um Miles renascido que surge numa nova época, com uma nova banda e com um novo estilo. Durante toda a sua carreira, Miles Davis fez sempre questão de se mostrar inserido no contexto da época e aqui mostra estar novamente atualizado tendo a clara noção de que era preciso adaptar-se novamente a um novo período e deixar o seu estilo mais clássico para trás, a história encarregar-se-ia de lhe fazer a devida justiça. Rodeado por jovens músicos, que procuravam o seu lugar no indefinido panorama musical do Jazz do início da década de 80, Miles foi estimulado por este sangue novo que praticava um Jazz elétrico influenciado pelas correntes Funk e Rock. Apenas o baterista Al Foster mantêm aqui alguma ligação entre o passado musical mais recente e o Miles renovado. O álbum regista seis temas captados nesta primeira digressão, após o regresso de Miles, e evoca seis distintas prestações deste novo e vigoroso sexteto. Dos seis temas do álbum apenas dois não são inéditos; "Back Seat Betty" faz parte do alinhamento do álbum "The Man With The Horn" e "My Man's Gone Now" é um original de George Gershwin que Miles gravou em 1958 com a orquestra de Gil Evans. O restante material apenas foi utilizado no decorrer desta digressão.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Manifold - STEVE LEHMAN QUARTET


1 Interface D   5:37
2 Is This Rhythm?   2:35
3 Dusk (A.Hill)   11:20
4 Interace F   5:51
5 Interface C   5:01
6 Cloak & Dagger   5:41
7 Interface A   4:45
8 Berceuse (J.Finlayson)   6:08
9 For Evan Parker   3:51   

"Manifold" funciona como o registo que testemunha alguns dos momentos da passagem do Quarteto de Steve Lehman no Jazz Ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, em 2007. O cd foca-se em momentos captados durante as três noites em que o quarteto se apresentou no salão Brazil. 
É uma atuação plena onde a sonoridade contemporânea do quarteto é sustentada por modernas texturas de jazz em que os músicos se movimentam livremente mas de forma organizada. A estrutura musical aproxima-se bastante da estética avant-garde,  não dispensando a velha estrutura clássica do Jazz o que garante uma certa estabilidade. Os quatro músicos interagem de uma forma espontânea, refletindo uma forte e expressiva musicalidade inerente ao elevado nível de execução e improviso onde os diálogos entre o saxofone de Steve Lehman e o trompete de Jonathan Finlayson se sucedem numa espiral de criação e da procura espiritual dos elementos. Donos de uma destreza e domínio individual,  Nasheet Waits na bateria e John Hebert no contrabaixo formam a potente linha rítmica que tanto acompanha como espevita a outra metade do quarteto. "Manifold" é um registo aguerrido e deveras entusiasmante.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Les Uns Et Les Autres - BANDE ORIGINALE DU FILM - LP02


Side A
1 Body And Soul Incorporated (M.Legrand/B.Bergman)   1:15
2 Serenade For Sarah (Chant) (M.Legrand/A.Bergman/M.Bergman)   4:42
3 Un Parfum De Fin Du Monde (Instrumental) (M.Legrand)   2:40
 Serenade For Sarah (Instrumental) (M.Legrand)   2:25
5 Ballade Pour Ma Mémoire (F.Lai/B.Bergman)   3:14
Side B
1 Bolero de Ravel (Voix)   16:20
2 Pot-Pourri (F.Lai/M.Legrand)   4:25         

O segundo disco, da dupla edição em vinil, começa por se focar nas composições de Michel Legrand, daí o lado A transpirar jazz. O tema "Serenade For Sarah" é revisto em duas variações, uma cantada e uma outra em versão Swing, bastante acelerada e dançável, sendo também apresentada uma segunda versão, instrumental, para "Un Parfum De Fin Du Monde". O tema "Body And Soul Incorporated" é uma breve peça original em que um poema é declamado sob um louco ritmo de bateria, um momento de protesto e reflexão bastante experimental. Neste disco, Francis Lai apenas contribui com a bonita balada "Ballade Pour Ma Mémoire". 
Com o Bolero de Ravel chega o ponto forte do filme, assim como do disco. O tema serve de motivo ao encantador bailado final, em Paris, e funciona como momento catalisador de todo o filme. No ecrã a cena é extraordinariamente vivida pelo encontro das várias personagens que, tal como já foi referido no primeiro Lp, não têm conhecimento umas das outras. Sem que elas saibam, a música é realmente o único elo que as une. Na cena final todas as famílias, ou o que delas resta, estão presentes e há um elemento de cada uma delas a ter um papel preponderante na produção artística do bailado. O Bolero de Ravel funciona como elemento de unificação entre todos os que viveram a época retratada no filme e como símbolo de paz numa Europa decadente que aos poucos se procurava reencontrar como civilização unida, ordenada e culta. O registo conclui com um "Pot-Pourri", um medley, que funciona como um resumo de toda a banda sonora.

domingo, 26 de março de 2017

Les Uns Et Les Autres - BANDE ORIGINALE DU FILM - LP01


Side A
1 Folies Bergères (F.Lai)   4:08
2 Serenade For Sarah (Instrumental) (M.Legrand)   2:30
3 Les Violons De La Mort (F.Lai)   3:27
4 Les Allemands À Paris (F.Lai)   3:37
5 Les Uns Et Les Autres (F.Lai/P.Barouh)   3:05
Side B
1 Un Parfum De Fin Du Monde (M.Legrand/B.Bergman)   4:14
2 Boris Et Tatiana (F.Lai)   2:45 
3 Paris Des Autres (F.Lai)   2:14
4 Dad And Co. (M.Legrand/B.Bergman)   4:56
5 Ballet Apocalypse (F.Lai)   3:38     

Dupla edição, em vinil, da belíssima banda sonora que serve de suporte à grandiosa produção francesa "Les Uns Et Les Autres", um filme/serie realizado por Claude Lelouch em 1981. A partitura da banda sonora foi escrita por Francis Lai e Michel Legrand e percorre várias épocas e estilos, acompanhando dessa forma o evoluir da ação do filme, e da própria música, desde 1936 até 1980. Para melhor se compreender o contexto, o filme acompanha quatro famílias, três europeias e uma norte-americana. Esta famílias, que não tem qualquer ligação, ou conhecimento, entre elas, vão atravessar o século XX desde dias mais felizes até ao eclodir da Segunda Grande Guerra, vão enfrentar os seus horrores, e depois vão tentar refazer o que restou das suas vidas numa Europa que se tenta também ela reconstruir. A música é o único factor comum a todas estas famílias, todas elas tem uma ligação com música. A banda sonora começa com um número Folies Bergéres, popular sala/cabaret Parisiense de início do século XX, seguido de um número à La Glenn Miller, que acompanha a família norte-americana. Os temas "Les Violons De La Mort", "Les Allemands À Paris" e "Paris Des Autres", evocam o drama da Segunda Grande Guerra e da ocupação de Paris pela Alemanha nazi,  enquanto "Boris Et Tatiana" evoca, de forma perfeita, a destreza da grande música Russa. "Les Uns Et Les Autres" é o tema central de toda a banda sonora, sendo também o mais atual, à data do filme, e serve de base a muitos dos restantes temas, como o moderno bailado "Ballet Apocalypse". Grande diversidade musical desde números de cabaret, algum classicismo, bailados, marcha militar, big band, até à fusão final de um Pop/Rock bem temperado com orquestrações, tudo muito bem aproveitado pelos dois compositores. Enquanto Francis Lai trabalha sobre o repertório mais vasto, Michel Legrand está apenas ligado ao Swing da família norte-Americana.     



quarta-feira, 22 de março de 2017

Help! - THE BEATLES


Side A (Songs From The Film "Help!")
1 Help!   2:16
2 The Night Before   2:31   
3 You've Got To Hide Your Love Away   2:06
4 I Need You   2:27
5 Another Girl   2:03
6 You're Going To Lose That Girl   2:15
7 Ticket To Ride   3:06   
Side B
1 Act Naturally (V.Morrison/J.Russell)   2:27
2 It's Only Love   1:54   
3 You Like Me Too Much   2:33
4 Tell Me What You See   2:35   
5 I've Just Seen A Face   2:02
6 Yesterday   2:03   
7 Dizzy Miss Lizzy (L.Williams)   2:52      

Gravado e editado na primeira metade de 1965, o quinto registo oficial dos Beatles reparte-se entre a banda sonora original do filme "Help!", que preenche todo o lado A, enquanto o restante alinhamento, que não pertence ao filme, preenche todo o lado B da edição Europeia em vinil. Alguns temas de "Help!", o filme, foram gravados logo em inícios de 1965 tendo a banda apenas gravado o restante material perto do final do primeiro semestre, após a conclusão das filmagens que os levou a percorrer alguns países. Longe de o saberem na altura, o álbum testemunha a fase intermédia dos Beatles marcada ainda por alguma confusão de géneros e ideias. Percebe-se que a fase mais "inocente" da banda ainda não se tinha perdido totalmente e que ao mesmo tempo há algo de novo a querer despontar. Temas como "Help!", "You've Got To Hide Your Love Away", "Ticket To Ride", "I've Just Seen A Face" e "Yesterday" evidenciam novas estruturas e influências no estilo da banda Britânica que entretanto já tinha iniciado a conquista da América do Norte. Duas versões são ainda incluídas nesta edição, hábito que os Beatles perderam daqui para a frente; Ringo Starr interpreta o country/western "Act Naturally", tema escrito por Voni Morrison e Johnny Russell, e para o final ficou guardado o momento Rock'n Roll com John Lennon a dar voz a "Dizzy Miss Lizzy", escrita por Larry Williams.

terça-feira, 14 de março de 2017

The Information - BECK


1 Elevator Music   3:37
2 Think I'm In Love   3:18
3 Cellphone's Dead   4:44
4 Strange Apparition   3:46
5 Soldier Jane   3:58
6 Nausea   2:53
7 New Round   3:24
8 Dark Star   3:44
9 We Dance Alone   3:55
10 No Complaints   2:59
11 1000 BPM   2:28
12 Motorcade   4:14
13 The Information   3:44
14 Movie Theme   3:52
15 The Horrible Fanfare/Landslide/Exoskeleton   10:33
16 Inside Out   3:43         

Editado originalmente em 2006, esta é uma dupla edição de "The Information" que para além do Cd inclui um Dvd com todos os vídeos do alinhamento do registo. Como habitualmente, a arte de Beck revolver um imenso caldeirão onde confeciona os mais variados ingredientes volta a resultar num trabalho abundante em que os géneros se fundem noutros géneros, utilizando os mais variados instrumentos, para criar novas sonoridades. A criatividade de Beck não conhece limites sendo impressionante a forma como ele mantêm uma corrente inventiva e atualizada em que os registos conseguem não ser monótonos nem aborrecidos, para isso Beck trabalha sobre temas curtos, rápidos e eficazes, exceção apenas, neste registo, para o espacial "The Horrible Fanfare/Landslide/Exoskeleton". A evidência das referências retro, que Beck utiliza com alguma regularidade, são outra fonte valiosa de informação que aqui se volta a atualizar através de misturas cirúrgicas tornando-se novamente numa receita funcional e útil; entre outras, "Cellphone's Dead" remete-nos a "Chameleon" dos Head Hunters de Herbie Hancock, "Strange Apparition" remete-nos aos Rolling Stones de "Sympathy For The Devil" e "Motorcade" leva-nos muito próximo dos terrenos experimentalistas de Dick Hyman em "The Age Of Eletronicus". 
A edição é complementada com uma coleção de autocolantes para que cada um possa criar/personalizar a capa do álbum como bem entender.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Apontamento - MARGARIDA PINTO


1 Apontamento   3:24
2 Translúcido   4:48
3 História nº1   0:22
4 Hey! (Sempre Feliz)   3:29
5 Lembra-me De Nós   4:41
6 Na Véspera De Não Partir Nunca...   4:19
7 Eu Queria Ser Músico...   3:28
8 Aviso-te   3:47
9 Não Digas Nada   2:51
10 Hesitação (Em Ti)   4:43
11 Frio O Tempo   4:06
12 Estranhos À Mesa   3:53
13 Um Dia, Aqui   4:03
14 Ficar (Canção De Embalar)   4:00               

Editado em 2005, "Apontamento" é o registo que marca a estreia a solo de Margarida Pinto e merece ser bem mais do que um mero apontamento no panorama geral da música Portuguesa. A mestria das composições, a excelência da interpretação, alguma poesia de Fernando Pessoa e uma boa dose de boas influências musicais, justificam este registo como uma obra digna de coleção. É um trabalho inteligente e gostoso em que Margarida Pinto se exprime em bom Português através de um timbre cristalino e presente e em que por vezes se apresenta também ao piano. Margarida conta com o apoio total de Miguel Cardona, a outra metade dos Coldfinger, que aqui aparece tanto na produção como na execução de variados instrumentos. O registo viaja por diversas fases/estilos e a presença de Margarida Pinto funciona bem em todos eles. Percebe-se haver alguma ambição jazzística num registo que nunca chega a sê-lo mas há pop, trip-hop, hip-hop e até uma espécie de MPB. No seu conjunto, contêm uma exemplar riqueza de géneros que fazem deste registo um trabalho atual e entusiasmante fortemente marcado pela requintada prestação de Margarida Pinto.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Twelve Stops And Home - THE FEELING


1 I Want You Now   3:46
2 Never Be Lonely   3:30
3 Fill My Little World   4:05
4 Kettle's On   4:06
5 Sewn   5:54
6 Anyone   4:07
7 Strange   4:20
8 Love It When You Call   3:33
9 Rosé   4:15
10 Same Old Stuff   5:10
11 Helicopter   3:18
12 Blue Piccadilly   9:52 

Há um certo travo de inocência a pairar sobre "Twelve Stops And Home", o registo de estreia dos britânicos The Feeling editado em 2006. Harmoniosamente organizados, os The Feeling apresentavam-se oficialmente ao mundo com a capacidade de construir melodiosas canções Pop que nos conseguem transportar de volta ao tempo em que as canções eram realmente canções. O registo é composto por doze temas de uma expressiva riqueza musical que imediatamente incita a trautear, é contagiante. O detalhe de temas como "Never Be Lonely", "Sewn", "Strange", "Love It When You Call" ou "Blue Piccadilly", a satisfação de momentos como "I Want You Now", "Anyone" ou "Same Old Stuff", a serenidade de "Kettle's On" e "Rosé" e os enérgicos "Fill My Little World", "Helicopter", fazem deste registo uma obra completa e agradável da Pop britância do início do novo século.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Live At The Roxy, Los Angeles, CA, 1977 - PETER GABRIEL


1 Here Comes The Flood / On The Air   6:19
2 Moribund The Burgermeister   4:36
3/4 Waiting For The Big One   8:34
5 A Song Without Words   3:33
6 Excuse Me   3:41
7 Solsbury Hill   5:03
8 Ain't That Peculiar (S.Robinson/B.Rogers/P.Moore/M.Tarplin)   5:02
9 Humdrum   5:32
10 Slowburn   5:35
11 All Day And All Of The Night (R.Davies)   4:32
12 Here Comes The Flood   6:10
13 Modern Love   6:20
14 Down The Dolce Vita   8:44
15 Back In N.Y.C. (Genesis)   5:36             

Bootleg, edição não oficial, do concerto de Peter Gabriel no Roxy, Los Angeles, California, captado ao vivo em 1977 no decorrer da sua primeira digressão a solo, dois anos após ter abandonado os Genesis. O alinhamento do concerto assenta integralmente no primeiro álbum a solo de Peter Gabriel havendo ainda espaço para curiosas interpretações; "Ain't That Peculiar", escrita por Smokey Robinson e que foi um grande êxito na voz de Marvin Gaye, "All Day And All Of The Night" dos Kinks, "On The Air" e "Indigo" viriam a integrar o alinhamento do álbum seguinte, de notar que "Indigo" é aqui apresentado como "A Song Without Words" e, em tom de encore, o concerto encerra com uma referência aos Genesis através de uma interpretação de "Back In NYC", do álbum "The Lamb Lies Down On Broadway". A qualidade de som da gravação não é das melhores mas é perfeitamente aceitável, conseguem-se ouvir todos os músicos e a prestação da banda é bastante boa.  

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O Melhor dos GNR ContinuAcção vol.3 - GNR - CD02


Pop & Baladas & Alterne
1 Continuação   2:53
2 Canadádá   3:46
3 Popless   4:50
4 Mosquito (Gussie "P" Remix)   3:50
5 Nova Gente   3:38
6 Digital Gaia   3:23
7 Ananás   3:07
8 Ósculos Escuros   2:41
9 Tons Sem Tom   4:13
10 2/3 D'água   3:22
11 + Vale Nunca (Ao Vivo Na Antena 3)   4:15
12 Coro Dos Tribunais (B.Brecht/Luiz F.Rebello/J.Afonso)   4:52
13 Canil   3:20
14 Rouge   3:29
15 Quebra-Gelo   3:29
16 Desnorteado   3:15
17 Apartheid Hotel   3:50                  

Mais moderado, com andamento em modo Pop & Baladas & Alterne, é no segundo cd que aparece a maior parte dos temas gravados já no novo milénio mas os amadurecidos GNR continuam a brindar os mais exigentes com algumas preciosidades. Cabe ao inédito "Continuação" a abertura do segundo cd, onde "Popless" e "Digital Gaia" começam por se evidenciar, qualitativamente, dentro do material mais atual. "Nova Gente" volta a recordar "Psicopátria" enquanto a participação dos GNR em "Filhos da Madrugada, o álbum de tributo a José Afonso, em que criaram uma vigorosa versão para "Coro Dos Tribunais", fica também aqui bem documentada. Deliciosa é igualmente a escolha de "Canil" como parte integrante deste peculiar alinhamento. O álbum "Defeitos Especiais", que não conhecia ainda edição em cd na altura, volta a ser rebuscado através de "Quebra-Gelo" e "Desnorteado" e o cd encerra com o espalhafatoso "Apartheid Hotel", do álbum "Os Homens Não Se Querem Bonitos", que conta com a participação vocal de Anabela Duarte dos Mler Ife Dada.
É obra conseguir juntar mais 33 temas numa segunda compilação sem repetir uma única música da coletânea "Tudo O Que Você Queria Ouvir", editada em 1996. Exceção de "+ Vale Nunca" que aqui reaparece mas em versão eletro-acústica gravada ao vivo na Antena 3. É interessante a forma como os GNR conseguem, a partir de uma compilação, fazer um álbum interessante que não se justifica como sendo apenas mais uma coletânea de hits.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

O Melhor dos GNR ContinuAcção vol.3 - GNR - CD01


Rock & Alterne
1 Quero Que Vá Tudo Pró Inferno (R.Carlos/E.Carlos)   2:38
2 Sexta-Feira (um seu criado)   3:43
3 USA   3:11
4 Acorda   4:02
5 Dá Fundo   2:58
6 Quando O Telefone Pecca   3:21
7 Motor   3:35
8 Dama Ou Tigre   5:14
9 Homem Mau (P.Rodgers/A.Fraser)   4:45
10 Rádio Taciturno   6:22
11 Choque Frontal   4:27
12 I Don't Feel Funky (Anymore)   3:42
13 Pershingópolis   3:54
14 Bar Da Morgue   3:06
15 Instrumental nº1   3:34
16 General Eléctrico   3:05    

Compilação irregular, editada em 2006 em duplo cd, que reúne dois temas inéditos, lados B, músicas improváveis de integrar alguma compilação e outras que poderiam realmente integrar outras compilações, como é o caso. É um registo abrangente e esclarecedor que percorre descaradamente todas as fases e formações dos GNR apanhando um pouco mais do que aquilo que a banda criou em 25 anos, comemorados à altura, para além dos grandes hits já reunidos anteriormente numa outra coletânea dupla. "ContinuAcção" atualiza o repertório "Best Of" dos GNR em 2006 mas o ponto forte da edição assenta nas pérolas nunca antes editadas em formato digital.
O registo abre com uma versão inédita de "Quero Que Vá Tudo Pró Inferno", tema original de Roberto Carlos, e, entre outros, inclui os subestimados "Dá Fundo" e "Dama Ou Tigre" cuja agilidade e exotismo nunca tiveram o devido destaque. Para puro deleite, este cd encerra com uma mão cheia de músicas "esquecidas" que a tecnologia digital recuperou; "I Don't Feel Funky (Anymore)" e "Pershingópolis", ambas do álbum "Defeitos Especiais", "Bar Da Morgue" do mítico "Independança", e os temas "Instrumental nº1" e "General Eléctrico" lados B do single "Sê Um Gnr" e do Ep "Twistarte" respetivamente. Mais atrás encontra-se "USA", tema integrante do Ep "Video Maria". Autenticamente Rock Alterne tal como indicado no sub-título. 

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Music - MADONNA


1 Music   3:44
2 Impressive Instant   3:37
3 Runaway Lover   4:46
4 I Deserve It   4:23
5 Amazing   3:43
6 Nobody's Perfect   4:58
7 Don't Tell Me   4:40
8 What It Feels Like For A Girl   4:43
9 Paradise (Not For Me)   6:33
10 Gone   3:24
11 American Pie (D.Mc Lean)   4:33     

Editado em 2000, "Music" é uma obra de engenharia sonora, elaborada de forma maquinal através de um bom aproveitamento dos recursos proporcionados em estúdio, com o intuito de fazer dançar. Sobriamente amadurecida aos quarenta e dois anos, Madonna não se deixa antecipar e consegue manter inteligentemente o seu estatuto Pop reinventado-se aqui pelas mãos de três produtores distintos. Destaca-se o trabalho do francês Mirwais Ahamdzai que fez o tratamento de maior parte dos temas. William Orbit, que já tinha feito o trabalho de produção no registo anterior, volta a contribuir com a sua prestação e Guy Sigsworth teve direito a mexer num tema apenas. De forma sensacional e decididaMadonna entrou definitivamente no novo milénio para continuar no topo e é graças a esta "equipa" que a vigorosa e atualizada sonoridade do registo se destaca da demais concorrência.  O registo fecha com uma entusiasmante versão de "American Pie" que Madonna criou à sua medida. A versão tinha sido lançada anteriormente em single para promoção do filme "The Next Best Thing", no qual Madonna participa como atriz principal. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Possessed - BALANESCU QUARTET


1 Robots (R.Hutter/F.Schneider/K.Bartos)   8:39
2 Model (R.Hutter/K.Bartos)   3:42
3 Autobahn (R.Hutter/F.Schneider/E.Schult)   6:18
4 Computer Love (R.Hutter/K.Bartos/E.Schult)   6:16
5 Pocket Calculator (R.Hutter/K.Bartos/E.Schult)   3:45
6 Possessed   16:50
7 Want Me   7:40
8 No Time After Time   10:56
9 Hanging Upside Down (D.Byrne)   4:55

Com a edição de "Possessed" em 1992, o Balanescu Quartet evoca a contemporaneidade do quarteto de cordas justificando o acto pelo interesse em refrescar a sonoridade de um instrumento com mais de 200 anos através da harmonia de composições modernas. É desta forma que surgem neste registo cinco temas do grupo eletrónico alemão Kraftwerk, atraentemente interpretados por dois violinos, uma viola e um violoncelo. A experiência não desilude o ouvinte tornado-se ainda mais atrativa se se pensar na antítese de um "simples" quarteto acústico interpretar, eficazmente, temas que foram criados e processados de forma eletrónica. No entanto, o quarteto não se limita a interpretar versões. No alinhamento do registo encontram-se três peças originais que também evidenciam o caráter contemporâneo do Balanescu Quartet. "Possessed" é uma longa peça progressiva, com variadas dinâmicas, que conta com a participação do baterista Steve Arguelles. Em "Want Me", encontra-se uma peça de teor minimalista, dentro do bom estilo de Phillip Glass, que conta com a participação das vozes das Miranda Sex Garden e novamente, na bateria, Steve Arguelles. "No Time After Time" é uma peça de mais requinte expressa num convincente Allegro moderno. A fechar o registo, encontra-se ainda uma alegre e enérgica versão de um tema de David Byrne, o líder dos Talking Heads.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Inédito - TOM JOBIM - CD02


1 Imagina   1:49
2 Eu Sei Que Vou Te Amar   1:49
3 Canção Do Amor Demais   1:39
4 Falando De Amor   3:49
5 Inútil Paisagem   2:45
6 Derradeira Primavera   2:16
7 Canção Em Modo Menor   2:19
8 Estrada Do Sol   3:09
9 Águas De Março   3:33
10 Samba De Uma Nota Só   2:57
11 Desafinado   2:53
12 A Felicidade   3:46   


Em vez de participar simbolicamente num álbum comemorativo preenchido com interpretações triviais, Tom Jobim fez-se rodear da sua banda familiar, em todos os aspetos, e arranjou os velhos temas para soarem frescos e renovados. A carinhosa abordagem conseguiu propagar-se numa nova dinâmica que transmitiu uma nova vivacidade às velhas cores da paisagem bossa nova em que os mais recentes arranjos favorecem satisfatoriamente as fascinantes vozes que se espraiam em harmonias encantadoras. Para além de peças bem conhecidas do seu repertório, o alinhamento inclui temas menos familiares mas que foram criteriosamente escolhidos por Tom Jobim para integrarem o registo. Interpretados de forma íntima, só com piano, ou de forma grandiosa, com toda a banda, no seu conjunto formam um álbum completo e brilhante que Tom Jobim viria mesmo a revelar ser o seu trabalho preferido, tal foi a entrega e o carinho com que se lhe entregou para o criar. 

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Inédito - TOM JOBIM - CD01


1 Wave   2:45
2 Chega De Saudade   3:50
3 Sabiá   3:17
4 Samba Do Avião   3:21
5 Garota De Ipanema   4:01
6 Retrato Em Branco E Preto   2:02
7 Modinha (Seresta nº5) (H.Villa-Lobos/M.Bandeira)   2:51
8 Modinha   2:12
9 Canta, Canta Mais   3:57
10 Eu Não Existo Sem Você   2:41
11 Por Causa De Você   2:21
12 Sucedeu Assim   2:27      


Editado originalmente em 1987, em edição limitada, não comercial, financiada por uma grande empresa Brasileira, "Inédito" destinava-se a funcionar simplesmente como uma edição comemorativa dos 60 anos de idade de António Carlos Jobim. O projeto inicial previa a participação de vários convidados ao longo do álbum mas Tom Jobim acabou por preferir gravar apenas com a sua banda. Após a morte de Tom Jobim em 1994, a qualidade e importância do registo levou a que a equipa de produção envolvida na sua gravação se tenha unido à BMG Ariola para que se avançasse com uma re-edição em Cd que pudesse chegar a todo o mundo. Esta edição foi desnecessariamente re-editada em formato duplo, o que não faz sentido pois o conteúdo dos dois cd cabe perfeitamente num só...
A interpretação de Tom Jobim e da sua banda centra-se em temas clássicos do seu repertório que são aqui renovados através de novos arranjos, havendo também lugar para algumas canções gravadas pela primeira vez na voz de Tom Jobim.