domingo, 29 de dezembro de 2013

Nocturne - SIOUXSIE AND THE BANSHEES - LP01

Side A

1 Israel   6:48
2 Dear Prudence (J.Lennon/P.McCartney)   3:59
3 Paradise Place   4:19
4 Melt!   3:47
Side B
1 Cascade   4:48
2 Pulled to Bits   3:52
3 Night Shift   6:24
4 Sin in My Heart   3:34

Editado originalmente em 1983 como edição dupla em vinyl, “Nocturne” apresenta o exotismo Punk de Siouxsie and the Banshees captado ao vivo em duas noites na sumptuosidade de uma grande sala como o Royal Albert Hall em Londres. Ao vivo, a sonora singularidade de Siouxsie And The Banshees destaca-se igualmente pelo conceito estético, marcado por um estilo evidente, em que a forte presença dos seus membros é muito importante pela postura e seriedade com que se entregam aos seus papeis no palco; Siouxsie Sioux é enigmática, Steven Severin no Baixo, é o atento pilar da formação, e Budgie ia tornando-se, gradualmente, num peculiar Baterista/Percussionista com uma sonoridade, e estilo, muito próprio, havendo ainda a particularidade da banda apresentar nesta altura Robert Smith dos Cure como Guitarrista da banda, numa situação de puro desenrasque após o repentino abandono de John McGeoch. Este registo ganha ainda importância por se focar simultaneamente num alinhamento apoiado nos primeiros álbuns da banda e por conter duas versões de temas dos Beatles, o Single “Dear Prudence” e “Helter Skelter”. 
No primeiro vinyl desta dupla edição encontram-se momentos de grande importância em “Israel”, o primeiro Maxi-Single da banda, seguido do atual Single na altura, “Dear Prudence” e da densidade sonora de “Paradise Place” ou ainda a pujança de “Cascade” a abrir o Lado B e a tensão crescente de “Nightshift”.  

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Throwing Muses - THROWING MUSES

 
   Side A
1 Call Me 3:54
2 Green 3:01
3 Hate My Way 4:02
4 Vicky's Box 5:07
5 Rabbits Dying 3:45
   Side B
1 America (She Can't Say No) 2:43
2 Fear 2:40
3 Stand Up 2:52
4 Soul Soldier 5:06
5 Delicate Cutters 3:49

"Throwing Muses" é oficialmente o primeiro registo original da banda homónima assim como é inclusive o primeiro trabalho de uma banda Norte-Americana a integrar, em 1986, o catálogo da prestigiada editora Britânica 4AD, detentora de um rico catálogo de bandas vanguardistas que subsistiam para além do mainstream. A originalidade deste registo é um dos fatores de interesse deste trabalho intenso em que uma inteligente e dinâmica construção o torna intemporal que, por mais que se revisite, permanece contínuo e atual. Profundo, diferente, nada convencional e bastante provocatório, este álbum demonstra como as Throwing Muses tem um forte caráter e em como se preocupavam em criar o seu próprio estilo através de sólidas e distintas canções gritantes escritas por alguém que necessita urgentemente de mostrar a sua inconformidade com o mundo que a rodeia. Punk, Rock e Folk foram, de uma forma caraterística, os estilos encontrados para adornar todo o enquadramento deste registo em que a complexidade de "Vicky’s Box" e "Soul Soldier" se confunde com a graciosidade de "Green" que por sua vez se contrapõem à agressividade acústica de "Delicate Cutters".
Trabalho singular, num universo deveras preponderante.

sábado, 2 de novembro de 2013

Strenght - ALARM



 Side A
1 Knife Edge   5:06
2 Strength   5:34
3 Dawn Chorus   5:24
4 Spirit of '76   7:05
  Side B
1 Deeside   3:08
2 Father to Son   4:04
3 Only the Thunder   4:06
4 The Day the Ravens Left the Tower   4:45
5 Walk Forever by My Side   3:32

Os anos 80 assistiram com naturalidade à profusão de bandas repletas de força e pujança, assim como uma enorme vontade de crescer, que despontou nas ilhas Britânicas por entre a urgência de um gritante Rock emocional. O fenómeno cresceu paralelo à Pop colorida da época e floresceu independente para quem o descobriu e nele encontrou um naipe de bandas promissoras que praticavam uma sonoridade honesta plena de força e sinceridade onde não faltam elementos clássicos do Rock. É aqui bem sentida a influência de Bruce Springsteen, também ele conhecido pela forma frontal e sincera com que encara os seus temas, na entrega dos Alarm ao single “Spirit Of ‘76”. 
Oriundos do País de Gales, os Alarm transpiram jovialidade, a qual se manifesta satisfatoriamente ao longo deste registo através da destreza de uma banda com vontade de se mostrar, de passar para lá dos limites e com ambições de ser grande, mas falta aqui qualquer coisa. O vocalista Mike Peters é um líder emblemático mas sem carisma suficiente para suportar o estatuto a que a banda se propõe onde o Guitarrista David Sharp consegue desenhos de Guitarra interessantes e a secção rítmica, Eddie MacDonald no Baixo e Nigel Twist na Bateria, satisfaz. Apesar das circunstâncias encontram-se bons momentos neste registo em vynyl original de 1985 como, a celeridade de “Strength”, o bem conseguido equilíbrio de “Dawn Chorus”, o já referido classicismo de “Spirit of ‘76”, o Country/Rock de “Deeside”, a ritmada vontade de crescer de “Father To Son” e a decadência de “The Day The Ravens Left The Tower”.
Um quinto elemento surge neste trabalho na presença de Rupert Black, dos Pretenders, que assegura as teclas que aparecem ao longo deste álbum.

sábado, 12 de outubro de 2013

Flash Light - TOM VERLAINE

 
  Side A
1 Cry Mercy, Judge 4:02
2 Say a Prayer 4:02
3 A Town Called Walker 3:26
4 Song 4:15
5 The Scientist Writes a Letter 4:29
  Side B
1 Bomb 4:27
2 At 4 A.M. 3:34
3 The Funniest Thing 3:28
4 Annie's Tellin' Me 4:01
5 One Time at Sundown 4:01

É interessante perceber a familiaridade entre este trabalho e os álbuns a solo de artistas como Rick Ocasek, ex-Cars, Julian Cope, ex-Teardrop Explodes, Ian McCulloch, ex-Echo and The Bunnymen, Peter Murphy, ex-Bauhaus e até de Lloyd Cole com e pós os seus Commotions. Todos, com exceção do Lloyd Cole, foram líderes de bandas influentes pertencentes à mesma época, mais concretamente à fase bem fresquinha do pós-Punk numa altura em que a música Pop ganhava mais cor assim como mais correntes e variações de estilos tendo o Punk como ponto de partida. Partindo da mesma casta Tom Verlaine, ex-Television, editou em 1987 este Flash Light, o seu quinto trabalho a solo, manifesto num registo em que não é necessário chegar-se a meio para se perceber que estamos perante um trabalho com atitude, imerso numa sonoridade plena de maturidade Pop/Rock caraterística dos irreverentes anos 80, em que um forte Beat carregado de Reverb quase abafa o resto da instrumentação refletindo-se este registo numa produção típica da época. Realça-se o exímio trabalho de Guitarras, a cargo do próprio Verlaine e de Jimmy Ripp, através da forma como conseguem criar um ambiente regular através de simples riffs e pequenos solos plenos de sentido e de uma elegância harmoniosa. Apenas a faixa "The Scientist Writes a Letter" foge à linearidade do álbum através de um dramático tema em que predominam os sintetizadores mas que termina num lamurioso solo de Guitarra. Nesta faixa participa o Baterista Andy Newmark.
Equilibrado, dinâmico e sincero "Flash Light" é um álbum contido num estilo peculiar e intelectual que nos anos 80 distinguia este tipo de trabalhos da restante Pop convencional e colorida. Tom Verlaine apresenta-se obscuro mas verdadeiro e mais consciencioso.

sábado, 28 de setembro de 2013

Sandinista! - THE CLASH - LP03


Side A
1 Lose This Skin (T.Dogg) 5:08

2 Charlie Don't Surf 4:54
3 Mensforth Hill (Instrumental) 3:42
4 Junkie Slip 2:48
5 Kingston Advice 2:37
6 The Street Parade 3:28
Side B
1 Version City 4:23
2 Living in Fame 4:52
3 Silicone on Sapphire 4:14
4 Version Pardner 5:23
5 Career Opportunities 2:30
6 Shepherds Delight (Instrumental) 3:27

E ao terceiro Lp, desta tripla edição em vynil, os Clash entram definitivamente na sua fase mais experimentalista claramente sentados em estúdio misturando um pouco daqui e um pouco dali. É tal a ousadia experimental da banda que os Clash se tornam praticamente irreconhecíveis na grande parte dos temas que compõem este último vynil. Num disco com um total de doze faixas, apenas sete são canções e destas sete apenas "Charlie Don’t Surf" se consegue aproximar do perfil habitual da banda. Com os Clash a assumir o trabalho de produção deste registo houve liberdades para se experimentar de tudo um pouco e dessa forma percorreram diversos caminhos, experimentaram estilos, e criaram um álbum inocente na medida em que a banda se divertiu a criar e explorar músicas nos mais variados formatos.
Praticamente desfigurados pela vontade, ou intenção, de criar, os Clash começam por partilhar com Timon Dogg a honra de abertura do terceiro Lp, "Lose This Skin" é um dos melhores momentos do álbum com o músico Britânico, antigo companheiro de Joe Strummer nos 101ers, a regravar um dos seus temas originais num momento de Folk desgarrado que nos deixa pregados ao disco tal é a intensidade desta música em que um acelerado Violino dita o andamento do tema. Em "Version City" encontramos uma espécie de Blues que sugerem ser uma continuação de "Train In Vain", de London Calling. Bastamente inspirados pelo Dub os Clash entregam-se ainda a várias misturas na fase final deste último Lp explorando novamente músicas já utilizadas nesta edição; "If Music Could Talk" torna-se em "Living In Fame" com a participação de Mikey Dread, "Washigton Bullets" em "Silicone On Sapphire" e "Junco Partner" em "Version Pardner". "Mensforth Hill" é uma boa incursão instrumental através de uma banda sonora fictícia que basicamente não passa de uma versão invertida de "Something About England", outra brincadeira de estúdio dos Clash. "Career Opportunities" é satiricamente posta na voz de uma criança numa clara alusão a um negro futuro.
"Sandinista!" demonstra ser uma espécie de "White Album" dos Clash onde serenamente encontramos os seus maiores defeitos assim como as suas grandes virtudes.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Sandinista! -THE CLASH - LP02

Side A
1 Lightning Strikes (Not Once But Twice)   4:51
2 Up In Heaven (Not Only Here)   4:31
3 Corner Soul   2:42
4 Let's Go Crazy   4:24
5 If Music Could Talk   4:36
6 The Sound Of Sinners   4:01
 Side B
1 Police On My Back (E.Grant)   3:17
2 Midnight Log   2:10
3 The Equaliser   5:46
4 The Call Up   5:28
5 Washigton Bullets   3:51
6 Broadway   5:49

No segundo Lp desta tripla edição os Clash tendem a focar-se no continente Americano percorrendo caminho desde os EUA até às Caraíbas. A miscelânea de géneros, temáticas e estilos que a banda explora é abrangente e muito calculada ora optando pela via cultural através da música Caribenha em "Let’s Go Crazy" e do Dub em de "The Equaliser", ora pela via política que explora a intromissão das "Washigton Bullets" em vários regimes (ditatoriais) Sul-Americanos. "Washigton Bullets" é inclusive o único tema da tripla edição em que o movimento Sandinista é mencionado.
Agressivamente políticos e contestatários os Clash atacam a polícia com uma esplêndida versão de "Police On My Back", que Eddy Grant escreveu em 1967 para os Equals, experimentam um primário Hip-Hop em "Lightning Strikes", contestam o serviço militar com o manifesto "The Call Up" e ainda conseguem passar por Londres em "Up In Heaven" e voltar à América pela esquina Soul. Em "If Music Could Talk" um solitário Saxofonista-Tenor, não identificado tal como o resto dos convidados do álbum, é o confidente do diálogo que domina o tema de início ao fim. Ainda há tempo para penitência na pregação evangelista de "The Sound Of Sinners" e Rockabilly em "Midnight Log". O soturno "Broadway" merece estar à parte do resto pela diferença estética da sua gradual evolução que termina com Joe Strummer em modo Jim Morrisson.
De mencionar, que este Lp inicia com um pedrado radialista numa radio Nova-Iorquina e fecha com uma criança a cantar descontraidamente "Guns Of Brixton", um dos temas emblemáticos de "London Calling", acompanhada apenas por um Piano, e que ao fim de duas estrofes remata "I’m tired of singing!".

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Sandinista! - THE CLASH - LP01




Side A
1 The Magnificent Seven   5:33
2 Hitsville U.K.   4:21
3 Junco Partner   4:52
4 Ivan Meets G.I.Joe   3:05
5 The Leader   1:42
6 Something About England   3:42
   Side B
1 Rebel Waltz   3:26
2 Look Here (M.Allison)   2:45
3 The Crooked Beat   5:28
4 Somebody Got Murdered   3:34
5 One More Time   3:32
6 One More Dub   3:36

Logo aquando da edição original de “Sandinista!” em 1980 houve motivo de discórdia entre a banda e a editora. A decisão dos Clash em lançar este vynil sob formato triplo mas a preço de um Lp convencional não caiu bem nos escritórios da editora mas a banda Britânica conseguiu impor-se levando avante os seus intentos. Politicamente ativos e delatores, tendo a voz de Joe Strummer como arma, os Clash utilizaram ainda o título Sandinista como uma chamada de atenção ao movimento de guerrilha Sul-Americano que se opunha ao regime ditatorial de Luís Somoza Debayle na Nicarágua. Não estando este trabalho diretamente relacionado com o referido movimento rebelde, como é óbvio, “Sandinista!” é um registo audaz, versátil e experimental quanto baste.
Sendo contudo um álbum político, ao nível do que os Clash já faziam anteriormente, não se encontra aqui uma linha condutora que defina um rumo em particular e somos assim confrontados com os mais diversificados estilos musicais ao longo das seis faixas que preenchem cada um dos lados de cada vynil, num total de trinta e quatro temas em que apenas o Dub parece ser o filão recorrente. O primeiro Lp arranca sob o Groove do Single “Magnificent Seven”, respira-se Gospel em “Hitsville U.K.”, em “Ivan Meets G.I.Joe” a abordagem Disco, carregada de efeitos, parodia as duas super potências da época, temos Rockabilly para a depravação política de “The Leader” e a consciencialização de uma nação em “Something About England”. O lado B deste trabalho abre ao ritmo de Valsa  com ”Rebel Waltz” a que se segue a adaptação Jazz para o original de Mose Allison “Look Here”. “Somebody Got Murdered” é o tema que mais se enquadra no habitual estilo Punk Rock dos  Clash. Em “Junco Partner”, “Crooked Beat” e “One More Time” os Clash mostram a facilidade com que se adaptaram ao Reggae através do domínio do Dub, patenteado de forma perfeita em “One More Dub” a versão Dub de “One More Time”. Entusiasmante a secção rítmica, Paul Simonon no Baixo e Topper Headon na Bateria.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Lionheart - KATE BUSH

Side A
1 Symphony In Blue 3:36
2 In Search Of Peter Pan 3:46
3 Wow 4:00
4 Don’t Push Your Foot On The Heartbrake 3:15
5 Oh England My Lionheart 3:12
Side B
1 Fullhouse 3:14
2 In The Warm Room 3:35
3 Kashka From Baghdad 3:56
4 Coffee Homeground 3:39
5 Hammer Horror 4:39

Lionheart”, editado em Novembro de 1978, foi um rápido sucessor do êxito de “The Kick Inside”, o primeiro trabalho de Kate Bush lançado logo no início do mesmo ano. Povoado de referências literárias e teatrais, parte das fantásticas canções que compõem este registo serão fruto de peças que Kate Bush compôs em plena adolescência. Para além de ser uma figura sensual, expressiva e dinâmica Kate Bush demonstra ser uma autora culta, bastante criativa, com forte carácter, pelo que gosta de traçar o seu próprio caminho não deixando que lhe imponham exigências. Daqui advém o seu estilo caraterístico e único no universo musical, carregado de teatralidade e ambientes mágicos como num reino de fantasia muito particular.
A capacidade inebriante da voz de Kate Bush preenche por completo este registo, ela consegue passar de momentos etéreos a fortes timbres através da sua amplitude vocal de mais de quatro oitavas. Sempre ao Piano, Kate Bush entoa-nos ternos momentos sob a forma de melodias Pop originalíssimas tornando-se por vezes operática impondo-se altiva e grave. Os temas assemelham-se nas temáticas mas musicalmente conseguem surpreender com uma originalidade progressiva que percorre várias vertentes tendo como fio condutor a voz e a magia de Kate Bush.
Resumidamente, a primeira tríade do álbum complementa-se de forma perfeita em três temas exemplares do fantástico universo particular de Kate Bush, culminando num tema de sonho como “Wow”. Sozinha, ao Piano, Kate Bush interpreta o confortante “In The Warm Room” e em “Oh England My Lionheart” cria uma ode à nação Britânica. “Fullhouse” tem tiques de Jazz com refrão Reggae, “Coffee Homeground” sugere Kurt Weill e “Hammer Horror” é Pop Rock de ficção. No mundo Pop da fantasia e perfeição Kate Bush seria a Fada ideal.              

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Living In The Past - JETHRO TULL - LP02



Side A
1 By Kind Permission Of (J.Evans) 10:11
2 Dharma for One (I.Anderson/C.Bunker) 9:58
Side B
1 Wond'ring Again 4:12
2 Locomotive Breath 4:24
3 Life Is a Long Song 3:18
4 Up the 'Pool 3:10
5 Dr. Bogenbroom 2:59
6 For Later 2:06
7 Nursie 1:36

A especificidade do título deste álbum não podia ser melhor. Recuperando temas que só viram a luz do dia como Singles e dois momentos captados ao vivo, que preenchem totalmente o Lado A deste segundo Lp, encontram-se em “Living In The Past” motivos para grandes sorrisos dada a magnifica seleção de temas dispostos por esta dupla edição em vynil, com ares de coletânea mas mais audaz.
Continuando a disponibilidade de temas que não pertencem ao alinhamento original dos quatro primeiro álbuns da banda, exceção desta vez para “Locomotive Breath” de Aqualung, encontram-se neste segundo Lp dois grandes momentos captados ao vivo em 1970 no Carnegie Hall de Nova Iorque, num concerto de caridade, em que é possível perceber o potencial de improvisação e criatividade da banda ao vivo. A primeira peça, “By Kind Permission Of” do Teclista John Evans, é um autêntico recital de Piano em que Evans percorre caminhos que demostram instrução Clássica com passagem pelos Blues, e por vezes cruza-se com tímidas aparições de Jon Anderson na Flauta para no final terminar com toda a banda. “Dharma For One” tem a assinatura do Baterista Clive Bunker e é um hino ao Rock Progressivo que culmina num intenso solo de Bateria. Os restantes temas são maioritariamente gravações efetuadas entre os lançamentos de “Aqualung” e “Thick As A Brick”.
Living In The Past” é um belíssimo complemento à discografia oficial dos Jethro Tull.

sábado, 10 de agosto de 2013

Living In The Past - JETHRO TULL - LP01


Side A
1 Song for Jeffrey 3:20
2 Love Story 3:02
3 Christmas Song 3:05
4 Living in the Past 3:20
5 Driving Song 2:39
6 Bourée (I.Anderson/Johann S.Bach) 3:43
Side B
1 Sweet Dream 4:02
2 Singing All Day 3:03
3 Teacher 4:08
4 Witche's Promise 3:49
5 Inside 3:45
6 Just Trying to Be 1:36
 
Duplo album em vynil preenchido com raridades e algumas curiosidades da fase inicial dos Jethro Tull, a banda Britânica liderada pelo carismático Flautista e Vocalista Ian Anderson. Para todos os efeitos funciona como uma coletânea conseguindo ir mais além através da sua abrangente capacidade documental da primeira época do grupo. Editado originalmente em 1972, após a edição de “Thick As A Brick”, “Living In The Past” proporciona bons momentos que não constam dos alinhamentos originais dos quatro primeiros álbuns da banda, havendo ainda assim lugar para um tema de cada um desses álbuns, “Song For Jeffrey” de “This Was”, “Bourée” de “Stand Up” e “Inside” de “Benefit”, neste primeiro Lp. Esta edição permite inclusive perceber as várias mutações da formação da banda, sempre nas mãos de Anderson, assim como a miscelânea da sua evolução desde o Folk-Blues de “Song For Jeffrey”, passando pela abordagem Jazzistica em “Living In The Past”, o Single gravado para o mercado Norte-Americano e que maior sucesso granjeou à banda naquele terreno. Em “Bourée” Ian Anderson utiliza o célebre tema de Bach fundindo o Clássico num interessante arranjo Rock e a partir do Lado B deste registo a sonoridade torna-se mais próxima do Hard-Rock em temas como “Sweet Dream” e “Teacher” ou progressiva em “Witches Promise”, a altura em que as Teclas chegam à banda através de John Evan. O som original dos Jethro Tull encontra-se seguro na Voz, na Flauta e presença de Ian Anderson, assente em referências Célticas, Clássicas, Blues e Rock, uma primorosa combinação de estilos que conduziu a banda a um elevado estatuto dentro dos cânones da música popular Ocidental. Esta edição em vynil prima ainda pela luxuosa capa, imitação de couro, e um libreto interno com diversificado material fotográfico da banda ao vivo e em sessões de fotografia.





sábado, 27 de julho de 2013

Strikes Twice - LARRY CARLTON

Side A
1 Strikes Twice 5:18
2 Ain't Nothin' for a Heartache (K.Chater/B.Longfellow) 3:16
3 Midnight Parade 5:06
4 The Magician (L.Carlton/J.Townsend) 4:11
Side B
1 Springville 6:36
2 Mulberry Street 7:15
3 In My Blood (L.Carlton/J.Townsend) 4:09
4 For Love Alone 4:59

O vynil “Strikes Twice” foi editado em 1980 e neste álbum Larry Carlton aparece mais virado para o Rock do que para a generalidade do seu som que tende a vaguear pela fusão, de forma equilibrada, entre o Rock, os Blues e o Jazz. Gravado no seu famoso estúdio Californiano Room 335 acompanhado da sua Guitarra habitual, a inseparável GIBSON ES335, Carlton utiliza uma secção rítmica fixa com John Ferraro na Bateria, Robert “Pops”Popwell no Baixo, Paulinho da Costa nas Percussões, mas varia nos Teclados utilizando regularmente os préstimos de Greg Mathieson e Don Freeman em Fender Rhodes, Clavinet, e Orgão e contando ainda com participações pontuais, como solistas, dos Teclistas Brian Mann e Terry Trotter, em “Strikes Twice” e “Springville” respetivamente. Neste trabalho Larry Carlton canta três dos temas do alinhamento, o salutar “Ain’t Nothin’ For A Heartache ”, o ponderado “The Magician” e na abordagem Hard Rock de “In My Blood”, aventurando-se ainda na Guitarra Sintetizada em “Mulberry Street”. Destacam-se igualmente, o dinâmico e efusivo “Springville” em que Larry Carlton se solta totalmente, o ritmo e interactividade com diversidade de solos em “Mulberry Street”, e a segurança patente de “Strikes Twice”. “For Love Alone” conclui como habitualmente, em forma de balada expressiva, com Carlton a executar quase toda a instrumentação do tema tendo apenas a companhia de Brian Mann num Teclado Oberheim. Sem grandes surpresas ou evidências o álbum Strikes Twice é Larry Carlton dentro daquilo que se espera, um Guitarrista credenciado com uma sonoridade própria, sempre bem apoiado por músicos seguros e eficazes.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Larry Carlton - LARRY CARLTON

Side A
1 Room 335 5:38
2 Where Did You Come From (E.Mercury/William D.Smith) 3:27
3 Nite Crawler 5:20
4 Point It Up 4:56
Side B
1 Rio Samba 6:55
2 I Apologize (E.Mercury/William D.Smith) 4:20
3 Don't Give It Up 6:04
4 (It Was) Only Yesterday 4:33

O vigor da prestação de Larry Carlton é um dos motivos de sobra quanto à importância vital deste registo como trabalho a solo do motivado Guitarrista Californiano. Apesar de à data Larry Carlton ter já dois álbuns editados a solo seria no entanto com este trabalho, editado em 1978, que viria a chamar de forma categórica para a devida atenção da sua carreira como solista, após reconhecidas colaborações com os mais variados artistas entre as quais se contam a passagem pelos Crusaders e participações em trabalhos dos Steely Dan ou Joni Mitchell, apenas alguns dos pontos de referência para a importância de Larry Carlton como músico solicitado em imensas sessões de gravação.
Gravado no seu próprio estúdio, Room 335, daí o título do tema que abre esta edição, e secundado por uma banda de confiança, onde pontuam os nomes de Abraham Laboriel no Baixo, Jeff Porcaro na Bateria, Greg Mathieson nos Teclados e Paulinho da Costa nas Percussões, Larry Carlton conseguiu obter nesta sessão um registo que prima pela qualidade e eficácia de todos os envolvidos num álbum de fusão muito expressivo e sem momentos de tédio onde mesmo a balada final, "(It Was) Only Yesterday)", é simultaneamente dramática e intensa. Dois temas vocalizados pelo próprio Carlton, "Where Did You Come From" e "I Apologize", com a particularidade de serem os únicos temas do alinhamento que não são foram escritos por Carlton, contam-se como dois momentos preenchidos deste registo maioritariamente instrumental e linear sem momentos díspares. É pois um LP notável em que a Guitarra de Carlton se funde graciosamente por entre solos de Blues/Rock com fraseados singulares sob rápidas melodias de Jazz eléctrico. O som de Larry Carlton comprovava então ser uma referência incontornável que não se podia ignorar.
 


sábado, 15 de junho de 2013

Soul Makossa - MANU DIBANGO

Side A
1 New Bell 6:51
2 Nights In Zeralda 4:38
3 Hibiscus 6:23
Side B
1 Dangwa 6:00
2 Lily 3:02
3 Soul Makossa 4:30
4 Oboso 5:32

Editado originalmente em 1972, o Lp “Soul Makossa” ressalta como registo histórico na medida em que tem sido referenciado com alguma regularidade como um dos primeiros álbuns Disco e também por ser um dos álbuns mais importantes da Makossa, estilo de música urbana Camaronesa. É um trabalho composto e liderado pelo Saxofonista Africano, Manu Dibango, natural dos Camarões, que através da Makossa consegue-se exprimir com uma sonoridade Funk-Jazz, suspensa numa secção rítmica de linha constante sobre a qual vai desenvolvendo os seus solos de Saxofone-Tenor. Não sendo um género tão expressivo, dinâmico e marcante como os estilos análogos, consegue ainda assim prender a atenção pela forma dominante como o forte ritmo pontual se impõe. É um trabalho maioritariamente instrumental em que as vozes surgem por vezes e, do momento do álbum em que mais se utiliza a voz nasceu um Hit que granjeou fama a Manu Dibango um pouco por todo o Mundo, o Single “Soul Makossa” destacou-se nos tops, assim como popularizou o género, e o refrão vocal “Ma-mako, Ma-ma-Sa, Mako Mako ssa” até foi usado por Michael Jackson em 1982 no tema “Wanna Be Startin’ Somethin’ ” do álbum Thriller. Mesmo depois de Michael Jackson muitos outros artistas utilizaram este célebre refrão.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Anything Goes - RON CARTER

Side A
1 Anything Goes (C.Porter)   5:26
2 De Samba   5:50
3 Baretta’s Theme (Keep Your Eye On The Sparrow) (D.Grusin/M.Ames)   5:05
Side B
1 Can’t Give You Anything (But My Love) (Hugo & Luigi/G.David Weiss)   5:12
2 Quarto Azul   6:57
3 Big Fro   5:07

Ron Carter é dono de uma conceituada carreira como Contrabaixista de Jazz, sobejamente conhecido pela sólida participação no quinteto que acompanhou Miles Davis nos anos sessenta, e é também reputado por já ter participado em inúmeras gravações dos mais variados artistas. Em “Anything Goes”, Lp gravado e editado em 1975, Ron Carter engendra a solo uma rara aventura pela área do Jazz mais comercial, bastante influenciado por música Brasileira e acompanhado por um belo naipe de músicos de estúdio onde se destacam as participações de Hubert Laws na Flauta, David Sanborn no Sax-Alto, Michael Brecker no Sax-Tenor, Randy Brecker no Trompete e a omnipresença de Eric Gale na Guitarra Elétrica. Ron Carter para além do Contrabaixo utiliza ainda um Baixo Picolo para os seus diversos solos ao longo do álbum. 
Como consequência da aproximação, ou fusão, do Jazz ao Rock, desenvolveu-se paralelamente uma vertente mais ligeira do género, de tendências sonoras mais comerciais, de boa qualidade mas de pureza “duvidosa”. Estamos assim perante um trabalho de intensidade exótica que vou catalogar de Jazz tropical ou Jazz de Cocktail.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

First Time! The Count Meets The Duke - COUNT BASIE/DUKE ELLIGTON

Side A
1 Battle Royal (D.Ellington) 5:32
2 To You (T.Jones) 3:55
3 Take The “A” Train (B.Strayhorn) 3:47
4 Until I Met You (F.Green/D.Wolf) 4:57
Side B
1 Wild Man (D.Ellington) 5:42
2 Segue In C (F.Wess) 8:26
3 BDB (D.Ellington/B.Strayhorn) 4:02
4 Jumpin’ At The Woodside (C.Basie) 3:07

Duke Ellington e Count Basie, duas figuras incontornáveis na história do Jazz, juntaram as suas orquestras em estúdio num momento único da história do Jazz que ficou registado nesta edição de vynil gravada em Nova Iorque no ano de 1961. Pondo hierarquias de parte, estes dois homens nutriam uma grande admiração e respeito mútuo e a saudável rivalidade entre as duas orquestras proporcionou Swing de qualidade ao longo de alguns anos e ajudou a enriquecer qualitativamente o estatuto do género. O encontro das duas orquestras nesta sessão resultou num álbum ímpar e liberal em que a música flui naturalmente de forma organizada, liderada pelos dois simpáticos nobiliárquicos que conduzem a extraordinária entrega e gosto de tocar dos seus fiéis e maravilhosos súbditos. Por norma, nas grandes orquestras, destacavam-se os líderes e a evidência da qualidade colectiva mas para além desses valores prevalecem nesta gravação a solene sucessão de solistas disponíveis dos dois lados com nomes como: Frak Wess, Cat Anderson, Thad Jones, Johnny Hodges, Ray Nance, Harry Carney, Jimmy Hamilton, Frank Foster, Lawrence Brown, Paul Gonsalves, Quentin Jackson, Budd Johnson ou Louis Blackburn entre outros. O Pianista e Compositor Billy Strayhorn tambem aparece em alguns momentos da gravação.
Sente-se história quando se ouve este trabalho. Sente-se a sonoridade cheia, sente-se o prazer e a alegria da sessão e sente-se a alma cheia pelo privilégio de poder disfrutar este som.

sábado, 4 de maio de 2013

Color Visions - ROLAND PRINCE

Side A
1 Samba de Unity 5:11
2 Iron Band Dance 7:18
3 Red Pearl 8:17
4 Giant Steps (J.Coltrane) 4:19
Side B
1 Aldon B. (Ed Bland) 6:01
2 Eddie A. (Ed Bland) 6:49
3 Genevieve 11:26

Roland Prince é um desconhecido Guitarrista natural das Caraíbas, ilha de Antígua, que fez parte das formações de Jack McDuff, Stanley Turrentine e Elvin Jones. Influenciado pelas cores e pela música das suas origens Caribenhas, Roland Prince estreava-se a solo em 1976 com este Lp “Color Visions” onde começa por visitar a música do Brasil, com “Samba De Unity”, a música Caribenha, em “Iron Band Steel” com a presença de Art Jardine nos Steel Drums, outro Caribenho, e só ao terceiro tema começa mesmo por entrar no terreno do Jazz.
Guitarrista de destreza mas algo comedido, Roland Prince conta nesta estreia com o apoio de excelentes músicos que ajudam a colorir ainda mais o resultado final deste trabalho. As presenças de Joe Farrell em Flauta e Buster Williams no Baixo, em “Samba de Unity”, reforçam o ambiente e a estrutura do tema. Em “Iron Band Dance” recria-se algum do ambiente Caribenho através da sonoridade Calipso e dos Steel Drums, com Roland Prince a solar destacado numa fusão em que o Pianista John Hicks e o Trompetista Randy Brecker contribuem com dois solos, intenso o do Piano e curto o do Trompete. “Red Pearl” arranca tímido para um tema Jazz que demora a encontrar-se, sustentado por uma linha de Baixo repetitiva, Bob Cranshaw é o Baixista de serviço, e um ritmo evidente conduzido por Al Foster na Bateria, “Red Pearl” revela-se forte perto do final aquando dos solos de Kenny Barron no Piano Elétrico e de um enorme Frank Foster no Sax-Tenor, daqui para a frente a formação da banda não se volta a alterar, com exceção dos Bateristas. A interpretação de “Giant Steps” encontra-se ao nível do que lhe é exigido, com intensidade, destreza, segurança e ritmo. O lado B arranca com dois interessantes temas do Produtor Ed Bland, a sobriedade do ligeiro Funky “Aldon B.” e a ascensão dos Sintetizadores numa fusão de Jazz com Caribenho em “Eddie A.”, Frank Foster a aparecer a solar em Sax-Soprano desta vez. “Genevieve” é o tema que encerra este álbum, uma balada que vai ganhando contornos nos solos à medida que evolui.
Roland Prince revela-se assim como um modesto Guitarrista, com noção, que aqui sobressai pela força e qualidade dos músicos que o acompanham e que tornam este trabalho de estreia como uma mais valia, mérito lhe seja concedido pela sábia escolha.    

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A Whole New Thing - BILLY PRESTON

Side A
1 Whole New Thing 3:32
2 Disco Dancin' 3:26
3 Complicated Sayings 2:50
4 Attitudes (Instrumental) 2:28
5 I'm Really Gonna Miss You 3:48
Side B
1 Wide Stride (Instrumental) 3:12
2 You Got Me Buzzin' 2:40
3 Sweet Marie 3:38
4 Happy (Instrumental) 2:19
5 Touch Me Love 3:20
6 You Don't Have to Go 2:56

Reconhecido desde muito novo pelas suas aptidões em Orgão, pode-se dizer no entanto que Billy Preston conheceu maior prestígio na sua carreira pela participação nos últimos trabalhos dos Beatles e numa grande parte dos álbuns e concertos dos Rolling Stones durante a década de 70. Dono de uma silhueta imponente por detrás das teclas, Billy Preston editou “A Whole New Thing” no mesmo ano em que deixou de tocar com os Rolling Stones, em 1977, e este vinyl é o décimo nono na sua discografia oficial.
“A Whole New Thing” revela-se um trabalho consistente, impregnado de Soul/Funk, na altura em que o Disco Sound começava a apoderar-se dos Tops e aqui não deixa de ser curioso reparar que no alinhamento deste registo o tema “Disco Dancin’” seja aquele que mais deixa a desejar. O restante material é de boa casta e Billy Preston destaca-se evidentemente ao longo de todo o trabalho através da sua distinta sonoridade nas teclas. Uma basta variedade de músicos participa neste álbum mas uma vez que não há créditos individuais é difícil saber quem é quem nos temas, sendo de mérito a compleição geral. Sente-se Groove por todo o álbum mas destaco os três instrumentais que são os momentos onde se sente Preston brilhar, seja a solar ou simplesmente a tirar gozo do Teclado do Piano como sugere “Attitudes”, ou a explorar sons sintetizados em “Wide Stride” e “Happy”. A expressividade da balada “I’m Really Gonna Miss You” é também de destaque. No final, em “You Don’t Have To Go”, Preston atreve-se por campos mais electrónicos explorando efeitos e a marcação de uma caixa de ritmos.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

A 25th Anniversary In Show Business Salute To - RAY CHARLES - LP02


Side A
1 Georgia In My Mind (S.Gorrell/H.Carmichael)   3:37
2 Unchain My Heart (A.Jones/F.James)   2:52
3 Hit The Road Jack (P.Mayfield)   1:57
4 One Mint Julep (R.Toombs)   3:04
5 Ruby (M.Parish/H.Roemheld)   3:52
6 I Can’t Stop Lovin’ You (D.Gibson)   4:15
7 You Are My Sunshine (J.Davis/C.Mitchell)   2:52
8 Born To Lose (F.Brown)   3:15
9 Busted (H.Howard)   2:09
Side B
1 Crying Time (B.Owens)   2:54
2 Let’s Go Get Stoned (V.Simpson/N.Ashford/J.Armstead)   2:57
3 Yesterday (J.Lennon/P.McCartney)   2:42
4 Understanding (J.Holiday/R.Charles)   3:08
5 Eleanor Rigby (J.Lennon/P.McCartney)   2:56
6 If You Were Mine   3:47
7 Don’t Change On Me (J.Holiday/E.Reeves)   3:22
8 Booty Butt   4:10
9 Feel So Bad (L.Tample/J.Johnson)   3:41

O segundo Lp desta compilação começa por incidir basicamente nos anos 60, a década em que tudo aconteceu, e fecha com uma interessante visita à transição de Ray Charles para os anos 70, onde se nota que os tempos estavam de facto a mudar. Grandes êxitos como “Unchain My Heart” e “Hit The Road Jack” em 1961, davam o arranque em grande estilo para a década que viu nascer a Soul Music, viu o Rock afirmar-se como um caso sério, viu os Beatles nascer e a Pop nunca mais foi a mesma. No meio de tudo isto Ray Charles continuou a ser "grande" percorrendo variadas formas e estilos. É pois um imparável Ray Charles revelado como um dos principais impulsionadores da Soul, mas que também visitou o Country e utilizou vozes Gospel e grandes orquestrações em temas declaradamente mais Pop onde se incluem versões peculiares de temas dos Beatles, como “Yesterday” e “Eleanor Rigby”. No meio da turbulência desta década Ray Charles foi preso por posse de drogas e esteve ausente dos Tops durante um ano mas o regresso às lides com “Let’s Go Get Stoned” revelou um artista moralizado e pronto a seguir de onde tinha ficado. No final de uma década confusa e colorida, Ray, à semelhança de Elvis Presley, abraça a Pop mais ligeira e é desta forma, com a Guitarra Elétrica e o Baixo a sobressaírem sobre o resto da banda, que entra com alma nos anos 70.
Nas palavras de Ray Charles “Soul is when you can take a song, and make it part of you – a part that’s so true, so real, people think it must have happened to you. I’m not satisfied unless I can make them feel what I feel”. Assim era Ray Charles e esta compilação ajuda a compreender a importância da sua evolução como músico influente nas gerações que lhe sucederam. 

domingo, 7 de abril de 2013

A 25th Anniversary In Show Business Salute To - RAY CHARLES - LP01

Side A
1 It Should Have Been Me (M.Curtis) 2:39
2 Mess Around (A.Nugetre) 2:39
3 Don’t You Know 2:50
4 I’ve Got A Woman 2:48
5 A Fool For You 2:59
6 Hallelujah I Love Her So 2:33
7 Drown In My Own Tears (H.Glover) 3:15
8 Rockhouse 3:54
9 Lonely Avenue (D.Pomus) 2:42
Side B
1 Ain’t That Love 2:50
2 Swanee River Rock (Talkin’ Bout That River) 2:18
3 Night Time Is The Right Time (L.Herman) 3:25
4 Mary Ann 2:45
5 I Believe To My Soul 2:58
6 What’d I Say 6:25
7 Just For A Thrill (L.Armstrong/D.Raye) 3:21
8 Yes Indeed (S.Oliver) 2:14
9 Don’t Let The Sun Catch You Crying (J.Greene) 3:41

Editada originalmente em 1971, esta dupla compilação em vynil visava ser uma retrospetiva, comemorativa, da influente carreira de Ray Charles abrangendo a primeira fase de sucesso e a respetiva evolução até à atualidade, à data da edição. Temos assim a preponderância de uma carreira que cedo se começou a desenhar, fruto do infortúnio de um glaucoma que lhe provocou cegueira aos seis anos de idade, e a perda precoce dos pais na adolescência, pelo que o jovem Ray frequentou, desde cedo, uma escola especial onde desenvolveu os sentidos para execução e composição musical. Na segunda metade dos anos 40 já gravava em estúdios e em 1951 conseguia o seu primeiro Top Ten Hit com "Baby, Let Me Hold Your Hand", curiosamente ausente desta seleção. A influência de Ray Charles no desenvolvimento cultural da música popular através do Rhytm & Blues, a música negra que viria a degenerar no Rock ‘n Roll e depois na Soul, é pois preponderante num estilo que já continha os ingredientes explosivos que viriam a despoletar definitivamente a emancipação da juventude branca Norte-Americana na segunda metade dos anos cinquenta e o começo do despoletar da música comercial “negra” como vencedora de Hits e respetiva credibilidade artística.
Esta edição reúne um total de 36 temas de sucesso na carreira de Ray Charles, e o primeiro Lp centra-se nos anos 50 e dá-nos 18 temas essenciais que se repartem por diversos géneros em que alguns já eram Rock ‘n Roll antes do Rock, caso de “Mess Around”, outros preconizavam a Soul através do espiritualismo Gospel, como “Drown In My Own Tears” ou “Ain’t That Love”, a presença do Jazz em “Rockhouse” e “Just For A Thrill”, e a relevância de temas fundamentais como “I’Ve Got A Woman”, “Hallelujah I Love Her So” e “What I’d Say”.
Um dia chamaram-lhe génio mas Ray não gostou de tal epíteto ao que respondeu “Art Tatum era um génio. E Einstein também. Eu não”. É inegável no entanto, a influência que Ray Charles teve nos trabalhos e correntes posteriores às duas décadas áureas em que vingou como um importante artista, inovador e criativo.

sexta-feira, 29 de março de 2013

IV - LED ZEPPELIN

Side A
1 Black Dog 4:55
2 Rock And Roll 3:40
3 The Battle Of Evermore 5:38
4 Stairway To Heaven 7:55
Side B
1 Misty Mountain Hop 4:39
2 Four Sticks 4:49
3 Going To California 3:36
4 When The Levee Breaks (M.Minnie) 7:08

Em 1971 os Led Zeppelin editavam o quarto album de originais sem a atribuição oficial de um título, optando os quatro elementos da banda por uma indentificação individual sob a forma de quatro símbolos que se encontram na capa interior e no selo do vinyl. O álbum viria assim a ser conhecido por “Four Signs” ou pela denominação mais comum “Led Zeppelin IV”. Conhecidos pela devoção ao misticismo e ao ocultismo a banda voltava assim a rodear-se de significados e mensagens escondidas que os mais devotos lhe atribuíam. Misticismos à parte, estamos perante um álbum fundamental na discografia da banda e na história da música Popular dos anos 70 com oito esplêndidas peças num registo que prima pela diversidade, força e primor.
O famoso arranque de Robert Plant em “Black Dog” é a abertura perfeita do álbum através de um tema em que a interação Voz/Guitarra (Plant/Page) cria um momento Blues/Rock que a história imortalizou. O vigoroso “Rock And Roll” arrasa tudo e todos e demonstra na perfeição a solidez da secção rítmica John P.Jones/John Bonham. “The Battle Of Evermore” evoca um momento singular na carreira dos Led Zeppelin através da única colaboração oficial de um elemento externo à banda com a malograda Sandy Denny a acompanhar Robert Plant num solene momento Folk em que o Bandolim, tocado por Page, rege o andamento do tema. A solenidade permanece com a chegada de “Stairway To Heaven”, provavelmente o tema mais conhecido dos Led Zeppelin, a encerrar o lado A do vinyl num momento que parece resumir todo o álbum, os Led Zeppelin começam acústicos, a oferecer ternura e esperança num tema que acaba de forma eléctrica, arrasante e altiva com um memorável solo de Guitarra de Jimmy Page. Exemplar! O lado B começa com o groove de “Misty Mountain Hop” a recordar alguma da sonoridade do album Led Zeppelin II. “Four Sticks” é uma faixa fechada num “pesado” ritmo de John Bonham na Bateria e num Riff minimal de Jimmy Page com a aparição de um Sintetizador perto do final. Novo momento acústico com “Going To California” numa perfeita combinação de harmonias e arranjos e a adaptação de “When The Levee Breaks” marca o final do álbum com um destacado ritmo de John Bonham num intenso momento Blues/Rock de antologia.
Histórico lance dos Led Zeppelin em que a demonstração de virilidade e pureza musical se combinam com integralidade, solidez e coesão de grupo num registo ímpar.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Essential, Vol. 1(Are You Ready For The Country?) - JASON AND THE SCORCHERS


1 Absolutely Sweet Marie (B.Dylan) 3:15
2 Help There's a Fire 2:37
3 I Can't Help Myself (T.Krekel) 2:55
4 Hot Nights in Georgia 2:33
5 Pray for Me, Mama (I'm a Gypsy Now) 3:56
6 Harvest Moon 3:24
7 Both Sides of the Line 3:56
8 Last Time Around 3:07
9 White Lies 3:24
10 If Money Talks 2:36
11 I Really Don't Want to Know 4:33
12 Blanket of Sorrow 2:23
13 Shop It Around 3:01
14 Lost Highway 2:04
15 Still Tied 3:23
16 Broken Whiskey Glass 3:52
17 Far Behind 5:24
18 Change the Tune 2:43
19 Are You Ready for the Country (N.Young) 2:38
20 Greetings from Nashville (T.Krekel) 2:44
21 Honky Tonk Blues (H.Williams) 1:38
22 Absolutely Sweet Marie (B.Dylan) 3:09

Este Cd editado em 1992 é uma compilação de excelência que reúne parte da primeira fase dos Norte-Americanos Jason And The Scorchers, centrando-se integralmente em “Fervor”, o segundo Ep da banda, e em “Lost And Found”, o primeiro Lp. Foram ainda adicionados a esta edição quatro temas extra. Oriundos de Nashville, Jason And The Scorchers nasceram com raízes Country mas desde cedo demonstraram que o Rock ‘n Roll também fazia parte da sua dinâmica evolução como banda aguerrida e energética, é pois com uma grande dose de distinto Rock ‘n Roll que a banda nos bombardeia nesta edição. Relevante a capacidade e vigor com que a banda se entrega à fusão dos géneros Country / Rock com o reverso da medalha a revelar-se no facto de a banda não conseguir singrar no meio por ser muito Country para o público do Rock e muito Rock para o público do Country. Géneros e estilos à parte Jason And The Scorchers são uma banda única com um impressionante som, coeso e cheio, liderados pelo carismático Vocalista Jason Ringenberg e pela qualidade e calibre do Guitarrista Warren Hodges, raramente mencionado nas listas de melhores Guitarristas.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Still Standing - JASON AND THE SCORCHERS


1 Golden Ball and Chain   3:58
2 Crashin' Down   4:04
3 Shotgun Blues   2:17  
4 Good Things Come to Those Who Wait   5:03
5 My Heart Still Stands With You   3:37  
6 19th Nervous Breakdown (M.Jagger/K.Richards)   3:48            
7 Ocean of Doubt   3:18               
8 Ghost Town   3:43       
9 Take Me to Your Promised Land   4:47
Bonus Tracks
10 Greetings From Nashville (T.Krekel)   2:42
11 Route 66 (B.Troup)   3:17
12 The Last Ride   1:40

Rebeldes impetuosos e atrevidos quando se lançaram ousadamente com uma explosiva fusão Country/Rock com laivos Punk, Jason And The Scorchers amadureceram precocemente ao segundo registo oficial com uma “límpida” sonoridade mainstream. Editado em 1986 “Still Standing” é um claro indício da tentativa de abordagem a um público mais vasto através de um trabalho cuidado, boa produção de Tom Werman, em que se evidencia a Guitarra de Warner Hodges que sustenta todo o álbum com a sua expressiva envolvência e segurança, por entre alguns temas mais orelhudos e outros mais Rock’n Roll. Em consequência, Jason Ringenberg acaba por ser remetido para segundo plano neste trabalho com um registo presente mas mais contido e concentrado. A banda reconhece-se em temas como “Shotgun Blues”, “My Heart Still Stands With You” ou na calorosa versão de “19th Nervous Breakdown” mas encontra-se um pouco distante da energia inflexível com que se apresentou uns anos antes. As faixas extras deste Cd são um must a ter conta, boas adaptações de “Greetings From Nashville” e “Route 66” e ainda um clássico Western, instrumental, “Last Ride”.

domingo, 10 de março de 2013

Reckless Country Soul - JASON AND THE NASHVILLES SCORCHERS

1 Shot Down Again 3:00
2 Broken Whiskey Glass 2:24
3 I'm So Lonesome I Could Cry (H.Williams) 3:06
4 Jimmie Rodgers' Last Blue Yodel (J.Rodgers) 2:07
5 Help! There's a Fire 2:12
6 I'd Rather Die Young/Candy Kisses (B.Vaughn/H.Beasley S./R.Wood/G.Morgan/) 2:44
7 Pray for Me Momma (I'm a Gypsy Now) 3:40
8 Hello Walls (W.Nelson) 1:56
9 If You've Got the Love (I've Got the Time) 2:14
10 Gone, Gone, Gone (C.Perkins) 6:08
11 Bonus Track

Primeiro registo editado por Jason And The Scorchers, em 1982 e ainda como Nashville Scorchers, sob o formato de um Ep com cinco temas a que se juntou nesta edição em Cd outros cinco temas que terão, aparentemente, ficado de fora das sessões do Ep “Fervor”, o sucessor deste trabalho. A edição em Cd ganhou ainda o Bonus track que encerra o álbum.
Liderados por Jason Ringenberg, cuja vitalidade o aproxima mais de John Lyndon do que de Johnny Cash, os Scorchers são uma vibrante banda Country com muito Rock ‘n Roll e muita energia Punk. A pujança do Quarteto é evidente ao longo de todo o registo e impressiona pela forma arrebatadora com que consegue manter um ritmo vigoroso sem perder a noção do que é Country, e não será por acaso que o álbum arranca com Jason a avisar “Look out London, here comes the Scorchers!”. O tratamento que os Scorchers dão às cinco covers presentes neste Cd é também digno de registo pela forma como a banda lhes transmite energia e transforma “Jimmie Rodger’s Last Blue Yodel” de Jimmie Rodgers, “Gone Gone Gone” de Carl Perkins, “Hello Walls” de Willie Nelson e o medley “I’d Rather Die Young / Candy Kisses” em puro Rock’n Roll. No meio de tudo isto encontramos a pureza de “Pray For Me Momma (I’m A Gypsy Now) ou o Rodeo de “Help! There’s A Fire”.
Tendo Jason Ringenberg como a alma desta formação e a sagacidade do Guitarrista Warner Hodges a complementar substancialmente o vigor deste Quarteto pleno de energia, Jason And The Scorchers apresentam-se explosivos ao primeiro álbum e prontos a fundir dois dos géneros mais Americanos que a música tem.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Violator - DEPECHE MODE


1 World In My Eyes   4:26
2 Sweetest Perfection   4:41
3 Personal Jesus   4:54
4 Halo   4:28
5 Waiting For The Night   6:06
6 Enjoy The Silence   6:13
7 Policy Of Truth   4:52
8 Blue Dress   5:40
9 Clean   5:30

Os Depeche Mode conseguiram resistir à tendência mais comercial da Pop Eletrónica dos anos 80, valor esse reforçado ao longo dessa mesma década através da imagem independente e pelo desprezo com que a banda enfrentava o mainstream. Em Violator, álbum gravado em 1989 e editado em 1990, a banda mostrava que tinha crescido imenso, ultrapassando o pretendido, e consegue até sentir-se algum amadurecimento da formação Britânica. A presença de instrumentos analógicos, Guitarra Elétrica e Bateria, denotam mesmo alguma inovação numa formação que habitualmente só utilizava Sintetizadores.
E é apenas com Sintetizadores que entramos no álbum através do sugestivo “World In My Eyes”, um tema eletrónico ao melhor estilo do quarteto. Em “Sweet Perfection” são introduzidos a Bateria de Alan Wilder e a Guitarra Elétrica de Martin Gore num momento mais Rock imediatamente personalizado pelo poderoso Hit “Personal Jesus”. O interregno de “Waiting For The Night é dominado sequecialmente por Arpejos preparando o terreno para os poderosos Hits “Enjoy The Silence”, “Policy Of Truth” e até ao final há ainda a intensidade de “Clean”.
A Eletrónica continua a ser o elemento dominante como sempre, Andrew Fletcher não larga os Sintetizadores, mas existe uma evidente e vigorosa piscadela de olho ao Rock. Em Violator os Depeche Mode despedem-se dos anos 80 e preparam-se para abraçar os anos 90. Simultaneamente David Gahan, cada vez mais sólido como figura de proa da banda, apresentava também, cada vez mais, problemas….

domingo, 17 de fevereiro de 2013

OK Computer - RADIOHEAD

1 Airbag 4:44
2 Paranoid Android 6:23
3 Subterranean Homesick Alien 4:27
4 Exit Music (For a Film) 4:24
5 Let Down 4:59
6 Karma Police 4:21
7 Fitter Happier 1:57
8 Electioneering 3:50
9 Climbing Up the Walls 4:45
10 No Surprises 3:48
11 Lucky 4:19
12 The Tourist 5:24

Há álbuns que nos conquistam através do perfeito entrosamento das canções que o completam e Ok Computer é um desses álbuns. Editado originalmente em 1997, o terceiro álbum oficial dos britânicos Radiohead consegue fundir-se num registo íntegro e uno após um ano de pesquisa e experimentação em estúdio, que no final se revela como um trabalho inovador e frutífero face à sua notória influência nos mais variados álbuns que lhe sucederam. Os Radiohead fizeram sempre questão de marcar diferença em relação às demais bandas e conseguem-no principalmente pela atitude anti-estrela num mundo Pop em que muitos apenas pretendem sentir o sabor da fama e depois viver à sombra desse estatuto. Os Radiohead apresentam-se neste registo como uma banda que se preocupou com o processo de construção das músicas, não digo que tenham ido em busca do disco perfeito pois tal não existe e a existir não será certamente premeditado. Os doze temas estão exemplarmente trabalhados e arranjados pelo que se pode considerar Ok Computer como um álbum concetual pela riqueza harmoniosa da obra, não havendo por isso lugar a destaques e tendo por ideal o álbum como um todo. Ok Computer pode ainda ser visto como uma afirmação da aceitação definitiva da utilização do computador como modo de gravação e edição de música... “audio fixing and dubbing done at mayfair, abbey road, air Lyndhurst, courtyard and the church using the wonders of a digital and analogue age.”

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Voices - MIKE STERN

1 One World 6:25
2 The River (R.Bona/M.Stern) 6:29
3 Slow Change 7:15
4 Wishing Well 6:12
5 Still There 7:33
6 Spirit 6:38
7 What Might Have Been 5:33
8 Leni's Smile 5:33
9 Way Out East 7:05

Ao contrário do habitual, o Guitarrista-Elétrico Mike Stern aborda, neste trabalho, Vozes sob a forma de harmonia e como principal complemento das suas composições originais. Editado em 2001, “Voices” acaba assim pro aproximar-se mais do género World Music do que do Jazz elétrico em que Mike Stern normalmente se enquadra. Sem ser apontado como um trabalho menor é no entanto um álbum perfeitamente acessível ao tipo de ouvinte que não se identifica muito com a complexidade do Jazz. Encontra-se aqui um trabalho bastante harmonioso, fácil de seguir, que não se embrenha em momentos que possam parecer complicados ou inacessíveis para quem não esteja habituado ao género. Este álbum pode afirmar-se inclusive como uma boa oportunidade para se começar a entrar suavemente no universo de Mike Stern.
Como é costume nos álbuns de Mike Stern a participação de músicos é de excelência e neste registo aparecem os nomes de: Richard Bona nas Vozes e Baixo, Michael Brecker e Bob Franceschini no Saxofone, Dennis Chambers e Vinnie Colaiuta na Bateria, Chris Minh Doky em Baixo Acústico, Lincoln Gaines no Baixo Elétrico, Jon Herigton na Guitarra Ritmo, Arto Tuncboyaciyan nas Percussões e como principais Vozes do álbum aparecem Philip Hamilton e Elizabeth Kontomanou. Participação ainda de Jim Beard que acumula por aqui as funções de Teclista e Produtor do álbum, sendo para além de Mike Stern o único elemento a marcar presença em todos os temas.
Entre os nove temas originais compostos por Mike Stern destaque para aqueles que mais se aproximam da fronteira do Jazz como o dinâmico “Slow Change”, a balada “Still There” que é o único tema do Cd em que as Vozes não aparecem e o arrojado tema final “Way Out East” com a participação de Michael Brecker. Referência ainda para o contagiante “Spirit”, um tema que fica facilmente no ouvido.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Mutantes - OS MUTANTES

1 Panis et Circenses  (G.Gil/C.Veloso)  3:37
2 A Minha Menina (J.Ben)  4:41
3 O Relógio  3:29
4 Adeus Maria Fulô (Sivuca/H.Teixeira)  3:04
5 Baby (C.Veloso)  3:00
6 Senhor F   2:33
7 Bat Macumba (G.Gil/C.Veloso)  3:09
8 Premier Bonheur du Jour (F.Gérald/Jean M.Renard)  3:35
9 Trem Fantasma (Os Mutantes/C.Veloso)  3:15
10 Tempo No Tempo  1:47
11 Ave Genghis Khan   3:46

Ora aqui está um herdeiro direto da revolução cultural que se centrou fundamentalmente em Londres e São Francisco no louco final do anos 60 e que pretendia mudar o Mundo. Mudar não mudou mas ajudou a despertar muitas consciências e parece ter inspirado fortemente os Mutantes no seu primeiro álbum de originais editado em 1968. Em época do movimento Tropicalista no Brasil, os jovens Arnaldo Baptista (Baixo, Teclado e Vozes), Rita Lee (Voz) e Sérgio Dias (Guitarra, Baixo e Vozes) escolheram o Rock pela via mais louca e experimental e fizeram oficialmente a sua estreia através deste registo tão psicadélico e experimental quanto os icónicos “Sgt.Peppers Lonely Hearts Club Band” dos Beatles e “Their Satanic Majesties Request” dos Rolling Stones. Mostrando estarem atentos ao que se passava no Mundo, os Mutantes aliaram a criatividade à liberdade de experimentar contando ainda com os apoios de Gilberto Gil, Caetano Veloso e Jorge Ben num trabalho que denota uma grande influência Europeia, inclui até uma versão do clássico Francês “Premier Bonheur du Jour”. Aqui se encontra também o clássico “Panis et Circenses” oferecido pela parelha Gil/Veloso, “A Minha Menina” por Jorge Ben, “Baby” de Caetano Veloso e “Trem Fantasma” uma parceria Mutantes/Veloso.
Apesar da grande fusão de estilos e géneros os Mutantes conseguem manter a identidade Brasileira mostrando aptidão para assumir o Rock e o Psicadelismo como estandarte, tudo isto colmatado ainda pela igualmente interessante variedade de instrumentos utilizados. Todos estes valores fazem com que este trabalho valha como único testemunho de uma época, no país do Samba e da Bossa Nova. Um trabalho que deu certamente imenso gonzo a compor, tocar e gravar, sob a supervisão atenta de Rogério Duprat.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Cornerstones 1967-1970 - JIMI HENDRIX

Side A
1 Hey Joe   (W.Roberts)   3:32
2 Purple Haze   2:51
3 The The Wind Cries Mary   3:22
4 Foxy Lady   3:18
5 Crosstown Traffic   2:27
6 All Along the Watchtower   (B.Dylan)   4:01
7 Voodoo Chile (Slight Return)   5:13
8 Have You Ever Been (To Electric Ladyland)   2:09
Side B
1 Star Spangled Banner   (Traditional)   4:10
2 Stepping Stone   4:09
3 Room Full of Mirrors   3:18
4 Ezy Ryder   4:09
5 Freedom   3:27
6 Drifting   3:48
7 In From the Storm   3:43
8 Angel    4:28

O Lp Cornerstones foi editado em 1990, vinte anos depois da morte de Jimi Hendrix, e consiste em ser mais uma retrospetiva da carreira do virtuoso Guitarrista esquerdino. A passagem de Jimi Hendrix pelo universo da musica popular Anglo-Saxónica entre 1967 e 1970 foi curta, mas explosiva e muito importante pois abriu todo um novo leque de potencialidades para um instrumento como a Guitarra Elétrica e desde músicos dos mais variados estilos a artistas de diversas áreas, todos acabaram influenciados por esta personagem “negra” que abordou de um modo bastante liberal e inovador a forma de compor, tocar e representar. Experimentalista e ousado quanto baste, Hendrix explorou os limiares da Guitarra Elétrica e mostrou a toda uma geração as potencialidades ignoradas do instrumento. Conseguiu inclusive quebrar barreiras socias sendo mesmo considerado o primeiro músico negro a ser idolatrado e desejado sexualmente pela juventude branca.
Como coletânea, Cornerstones divide-se em duas partes distintas. No lado A do vinyl encontram-se oito temas gravados pela Jimi Hendrix Experience, que para além de Jimi Hendrix era composta por Noel Redding no Baixo e Mitch Mitchell na Bateria. Seis destes temas foram Singles mas a relevância vai para os três primeiros Singles deste Power Trio, “Hey Joe”, “Purple Haze” e “The Wind Cries Mary”, que antecederam e prepararam a edição explosiva do álbum de estreia “Are You Experienced?” em 1967. Do álbum “Axis Bold As Love” não aparece aqui nenhum tema. O lado B deste vinyl está preenchido com faixas que Jimi Hendrix andava a trabalhar em estúdio e nunca chegou a editar em vida. São temas gravados entre 1969 e 1970 ora com a Band Of Gypsys, Bill Cox no Baixo e Buddy Miles na Bateria, ora com a chamada Cry Of Love Band, Bill Cox no Baixo e Mitch Mitchell na Bateria. O material gravado nesta fase encontra-se espalhado pelos álbuns póstumos, “The Cry Of Love”, Rainbow Bridge” e “War Heroes”.
Para além da vulgaridade de mais uma retrospetiva da carreira de Jimi Hendrix esta edição vale por conter na capa interior detalhes muito interessantes acerca de cada um dos temas como, a data de gravação, a forma como foi gravado e inclusive pormenores, alguns curiosos outros de extrema importância, que justificam a importância deste material fazer parte desta seleção. Esta edição permite-nos também perceber a evolução de Hendrix desde a crueza inicial, tão carregada de energia e vontade de experimentar, à composição mais sóbria e elaborada no final antecipado. E tudo isto em apenas quatro anos.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Presence - LED ZEPPELIN


Side A

1 Achilles Last Stand   10:25
2 For Your Life   6:24
3 Royal Orleans   2:59
Side B                  
1 Nobody’s Fault But Mine   6:16
2 Candy Store Rock   4:11
3 Hots On For Nowhere   4:44
4 Tea For One 9:27

Em 1976, ano de edição deste vynil, a dimensão dos Led Zeppelin era enorme e a banda figurava num patamar superior dentro da hierarquia da música popular, quer seja pelo misticismo que os envolvia, as loucas histórias dos seus excessos, quer seja pelo percurso musical que fundiu de forma magistral os Blues com Rock e dessa fusão nasceu um som poderoso, fruto das caraterísticas individuais de cada um dos elementos, que contêm as raízes do Heavy Metal. A interpretação única destes “Blues Brancos” na Voz de Robert Plant, que chega a esta sessão depois de uma temporada em convalescença após um grave acidente de viação, a vigorosa e intensa sonoridade das Guitarras do virtuoso Jimmy Page, criador de alguns dos mais importantes Riffs e Solos que a história do Rock conheceu até hoje, o Baixo consistente e sempre presente de uma personagem tão enigmática como John Paul Jones e a alma e força de um Baterista como John Bonham que segura a banda de uma forma impressionante, tal é a intensidade da sua entrega, são eles os quatro elementos que fazem dos Led Zeppelin um dos coletivos de músicos mais influentes e marcantes do século XX. Épico.
E é de forma épica que se entra em “Presence” através de “Achilles Last Stand”. A fórmula de composição dos Led Zeppelin esteve sempre em constante evolução e em “Presence” sente-se essa aura. É um registo que custa a apanhar nas primeiras audições mas depois de se entrar definitivamente no álbum conclui-se que de facto toda a fórmula se encontra ainda bem presente. O álbum segue as linhas do registo anterior, o duplo Lp “Physical Graffiti”, mas sendo “Presence” apenas um álbum consegue perceber-se melhor a sua construção que assenta na robustez dos pilares “Achilles Last Stand”, “Nobody’s Faults But Mine” e “Tea For One”. A magia continua em “For Your Life” e “Candy Store Rock”, assim como nos “menores”, “Royal Orleans” e “Hots On For Nowhere”, mas um registo deste calibre é para se ouvir de uma ponta a outra sem subestimar momentos. Presence foi o sétimo álbum de estúdio dos Led Zeppelin e o segundo pela etiqueta da SwanSong, que pertencia à banda.