quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Love Over Gold - DIRE STRAITS


1 Telegraph Road   14:15
2 Private Investigations   6:45
3 Industrial Disease   5:49
4 Love Over Gold   6:16
5 It Never Rains   7:54   

Editado originalmente em 1982, "Love Over Gold" é um álbum claramente evolutivo com os Dire Straits a expandirem a sua emblemática sonoridade e até a própria banda. Logo de início os sintetizadores de Alan Clark, um dos novos elementos da banda, traçam a imensidão progressiva de "Telegraph Road", o tema mais longo deste registo e que atravessa diversos andamentos até à sua conclusão final num expressivo solo de Guitarra de Mark Knopfler. Segue-se o misterioso arranjo cinematográfico de "Private Investigations", uma espécie de balada introspetiva em tons acústicos com diferentes dinâmicas e a presença de Mike Mainieri na Marimba. Finalmente chega o Rock'n Roll com "Industrial Disease" e nova introdução de Alan Clark, uma presença fulcral neste registo, com uma peculiar frase de Orgão que identifica o tema. O tema homónimo é uma bonita balada novamente em tons acústicos e novamente com a presença do convidado Mike Mainieri. Por fim, volta a ser Alan Clark a dar o tom no último tema "It Never Rains" onde regressa o Rock mais conotado com a banda Britânica naquele que é, à data da sua edição, o seu registo mais informal.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Vulture Culture - THE ALAN PARSONS PROJECT


1 Let's Talk About Me   4:22
2 Separate Lives   4:42
3 Days Are Numbers (The Traveller)   4:02
4 Sooner Or Later   4:26
5 Vulture Culture   5:21
6 Hawkeye   3:48
7 Somebody Out There   4:56
8 The Same Old Sun   5:24     

O Alan Parsons Project era exatamente um projeto em que o reputado engenheiro de som Alan Parsons, na altura de  gravar, escolhia minuciosamente os vocalistas para cada tema. Secundado por Eric Woolfson com quem partilhava a escrita e produção dos temas, Alan Parsons era a figura principal por trás de tudo mas mal aparecia deixando apenas o seu nome como identificação do projeto. Eric Woolfson é também uma das habituais vozes nos registos editados. 
"Vulture Culture" foi o oitavo álbum do projeto. É um cristalino trabalho de Soft Rock carregado de perfeitas harmonias sensoriais, cantadas por vozes escolhidas ao pormenor de forma a darem a melhor performance que o tema requer, merecedoras de uma audição apreciativa, atenta e cuidada. Os oito temas foram estruturados para serem devidamente ouvidos e assentam numa fórmula definida, calma e consciente, onde se percebe a qualidade do trabalho de estúdio de Alan Parsons. 
Foi "Let's Talk About Me" que fez a apresentação do registo como Single mas é em "Days Are Numbers" que se encontra o ponto alto do álbum na voz de Chris Rainbow. "Somebody Out There" na voz de Colin Blunstone proporciona igualmente outro dos pontos fortes do álbum.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Music Inspired by The Snow Goose - CAMEL


1 The Great Marsh   2:02
2 Rhayader   3:01
3 Rhayader Goes To Town   5:20
4 Sanctuary   1:05
5 Fritha   1:19
6 The Snow Goose   3:12
7 Friendship   1:44
8 Migration   2:01
9 Rhayader Alone   1:50
10 Flight Of The Snow Goose   2:40
11 Preparation   3:58
12 Dunkirk   5:19
13 Epitaph   2:07
14 Fritha Alone   1:40
15 La Princesse Perdue   4:44
16 The Great Marsh   1:20  

Inspirados no livro "The Snow Goose" de Paul Gallico, os Camel criaram um álbum concetual focado nesta obra literária mas a negação do autor em que a banda usasse os direitos do livro levou a que este registo acabasse por se chamar "Music Inspired by The Snow Goose" e consequentemente acabou por tornar-se num álbum integralmente instrumental, editado originalmente em 1975. Este registo, o terceiro da banda Britânica, consegue refletir em modo progressivo o ambiente do livro através de dezasseis temas em que os Camel se entregam de forma inspiradora à sua interpretação do referido livro conseguindo reproduzir os vários ambientes literários por diversos movimentos que ora são calmos e introspetivos como alegres e intensos, pelo que se aplica aqui, de forma perfeita, o conceito de Rock Sinfónico. É um trabalho minucioso, musicalmente calculado, que funde inteligentemente a vertente literária com a improvisação musical através de sensações melódicas devidamente orquestradas. Elevada sensibilidade artística dos Camel num álbum que só pode ser avaliado num todo e que a edição em Cd permitiu pela primeira vez ouvir na sua integralidade sem interrupção.   

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Abracadabra - PAULO DE CARVALHO


1 Abracadabra   4:06
2 É Só Charme   3:41
3 Whisky On The Rocks   3:51
4 1, 2, 3 (Era Uma Vez)   4:33
5 Executivo   4:09
6 Longe De Ti   5:05
7 Ai!   3:10
8 São Sons (Apenas Sons)   4:35

Sempre faltou alguma confiança e afirmação na Música Portuguesa. Abracadabra, editado originalmente em 1981, é uma das provas disso mesmo. As músicas são boas, bem elaboradas com muito bom gosto, mas falta-lhes algum arrojo. Paulo de Carvalho era já um distinto cantor, seguro na sua posição através da sua voz caraterística com retoques jazzísticos, mas depois falta alguma força por trás dele e o registo acaba por sair ligeiro, sem uma grande afirmação. Ainda assim "Abracadabra" rendeu dois êxitos, o tema homónimo e "Executivo" em que participa Rui Veloso com um solo de Guitarra. Nas restantes músicas destaca-se cada uma à sua maneira; em "É Só Charme" fica demonstrada a classe de Paulo de Carvalho na forma como joga com a musicalidade das palavras através da sua cuidada colocação, a lingua Portuguesa não é fácil de cantar. Em "Whisky On The Rocks" vive-se a sensibilidade progressiva de uma história incompleta seguida da agilidade Bossa Nova explorada em "1, 2, 3 (Era Uma Vez). "Longe De Ti" vale pela sua ligeireza e pelo poema de Isabel Bahia, em "Ai!" somos confrontados com algum exotismo tropical inserido na fórmula musical e o Jazzy "São Sons" acaba precisamente com Paulo de Carvalho em modo Scat (...poder dizer assim sem frases certas/os sons que são também palavras). 
Com um pouco mais dinâmica tinha dado um belo disco, sendo mesmo assim um belo registo para a altura uma vez que falamos da época em que o "Rock Português" ganhava algum estatuto, a nível nacional, e relegava, ainda mais, este tipo de trabalho para segundo plano.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A História da - SÉTIMA LEGIÃO II (Músicas 1983-2003)


1 Ascensão (Remix)   3:59
2 Mar d'Outubro   3:10
3 Sétima Volta   4:44
4 Com Estas Mãos   3:25
5 O Factor Humano   2:37
6 Ilha Das Almas   3:42
7 Terra Do Fogo   2:50
8 Canção Da Erva   6:06
9 Anos Depois   1:19
10 Noites Brancas   2:12
11 Abril Em Batavia   3:50
12 Seara Nova   4:19
13 O Romance Do Inspector   1:21
14 Silêncio Da Terra   3:56
15 Santa Maria Do Mar   1:50
16 Caminhos De Santiago   1:24
17 A Alma Do Diabo   1:32
18 A Partida (Versão)   4:55
19 Por Tua Imensa Saudade   1:25
20 Pois Que Deus Assim O Quis   4:30   

Para esta compilação editada em 2003 foram apenas recolhidas músicas instrumentais que percorrem a história dos Sétima Legião desde o seu início em 1983 com o inédito Single "Glória", que no lado B continha o instrumental "A Partida" também ele presente nesta edição. Percebe-se neste Cd a clara evolução da banda desde os temas elementares dos primeiros álbuns até às peças mais elaboradas da última fase com maior predominância eletrónica, claros sinais da evolução dos tempos. No entanto, sendo manifestamente uma banda Pop, os Sétima Legião nunca renegaram as raízes culturais da nação usando e mantendo a tradição, fundida com a atualidade, na criação de músicas originais enriquecidas por um legítimo espólio rural que não se pode ignorar. É também notória por vezes a influência de algum tradicionalismo extra-fronteiras, literário neste caso, como no tema "Noites Brancas" em que experimentam a vincada sonoridade da estepe Russa numa clara alusão ao livro de Dostoiévski. 
Três temas novos, "Sétima Volta", "Ilha Das Almas", "Silêncio Da Terra" e  uma nova mistura de "Ascenção", com as vozes de Teresa Salgueiro e Francisco Ribeiro, dão ainda mais alento e motivo a esta edição.  Vinte anos depois da edição de "Glória", e já num novo século, era uma boa altura para entender o singular percurso instrumental de uma das bandas mais carismáticas em Portugal. Três anos antes foi editado o Cd "A História Da Sétima Legião - Canções 1983-2000" que se foca precisamente nas conhecidas canções da banda e com a qual se complementa a edição aqui apresentada. 

sábado, 29 de novembro de 2014

Second Coming - STONE ROSES


1 Breaking Into Heaven   11:18
2 Driving South   5:09
3 Ten Storey Love Song   4:29
4 Daybreak   6:46
5 Your Star Will Shine   2:56
6 Straigh To The Man   3:11
7 Begging You   4:54
8 Tightrope   4:30
9 Good Times   5:38
10 Tears   6:49
11 How Do You Sleep   4:55
12 Love Spreads   5:46

Ao segundo álbum dos Stone Roses, John Squire secou tudo com a sua endiabrada Guitarra claramente inspirado pelo legado dos Mestres Jimmy Page e Jimi Hendrix, algo que "I Am The Ressurection", a última faixa do álbum de estreia, já demonstrava em 1989, e daqui para a frente os Stone Roses nunca mais conseguiram voltar a ser uma banda. Editado em 1994, cinco anos depois do álbum de estreia que antevia a grande banda dos anos 90, Second Coming em vez de uma esperada confirmação acabou por se revelar como o final da história dos Stone Roses em apenas dois curtos capítulos. A longa espera pelo segundo álbum elevou por um lado as expetativas de um novo registo e por outro ajudou a empurrar a banda para algum esquecimento.
"Second Coming" apresenta uma sonoridade manifestamente Rock enquanto "Stone Roses" era Pop lustrosa e dançável. Em "Second Coming" também se dança mas o ritmo é diferente e no geral apenas Ian Brown acaba por ser igual a ele próprio. 
A essência da longa introdução de "Breaking Into Heaven" sugere a grandiosidade de um trabalho ambicioso que demorou a despertar, onde sujos riffs de Guitarra dominam o registo e apenas em "Ten Storey Love Song" se reconhece realmente a versão Pop dos Stone Roses. Em "Daybreak" aprecia-se o Groove conduzido por Mani no Baixo e por Reni na Bateria enquanto o delirante "Begging You" ainda soa a Rave. No final é mesmo John Squire que acaba por se destacar como virtuoso Guitarrista com momentos cintilantes em "Breaking Into Heaven", "Good Times" e "Tears". O Produtor Simon Dawson acrescenta alguns sons de Teclado em algumas faixas.
O Cd contêm uma faixa escondida mesmo no fim que não passa de um momento de paródia em estúdio.

domingo, 23 de novembro de 2014

Music From And Inspired By The Motion Picture DEAD MAN WALKING


1 Dead Man Walkin' - Bruce Springsteen   2:43
2 In Your Mind - Johnny Cash   4:14
3 Woman On The Tier (I'll See You Through) - Suzanne Vega   2:25
4 Promises - Lyle Lovett   3:03
5 The Face Of Love - Nusrat Fateh Ali Khan w/ Eddie Vedder   5:39
6 The Fall Of Troy - Tom Waits   2:59
7 Quality Of Mercy - Michelle Shocked   3:38
8 Dead Man Walking (A Dream Like This) - Mary Chapin Carpenter   3:34
9 Walk Away - Tom Waits   2:43
10 Ellis Unit One - Steve Earl   4:39
11 Walkin Blind - Patti Smith   4:39
12 The Long Road - Eddie Vedder w/ Nusrat Fateh Ali Khan   5:31

Antes de uma banda sonora para acompanhar o filme, o realizador Tim Robbins pretendia contadores de histórias. Contadores de histórias que fossem verdadeiros, que fossem autores influentes (na carreira de Tim Robbins), e que escrevessem músicas honestas, sinceras e vividas acerca da realidade da vida; as suas agruras, os dissabores mas também acerca de rendição e do amor à vida. É a partir deste ideal que surge este Cd com este fantástico naipe de músicos. 
Musicalmente são sets acústicos onde predomina o Folk Norte-Americano apenas contraposto pela presença em dois temas do músico Paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan com Eddie Vedder, de forma a expor a universalidade temática do filme. Suzanne Vega também foge um bocado à regra contornando a temática acústica apostando em Loops eletrónicos para a Bateria e Tom Waits é igual a ele próprio dentro do seu estilo habitual. De referir ainda as presenças de Ry Cooder, como Produtor e Guitarrista em alguns temas, e Tom Verlaine a acompanhar Patti Smith, na Guitarra.
Todos estes artistas foram convidados a escrever uma música mediante a apresentação de um primeiro argumento/esboço do filme sendo que no final apenas alguns dos temas aparecem realmente no filme cujo banda sonora original foi escrita por David Robbins, daí a origem do sub-título deste Cd "Music From And Inspired By The Motion Picture...". Existe ainda uma edição alternativa intitulada "Dead Man Walking: The Score" feita com os temas de David Robbins e interpretação de Nusrat Fateh Ali Khan e onde aparecem versões mais longas dos temas deste com Eddie Vedder. 

domingo, 16 de novembro de 2014

Fascinação (O Melhor De) - ELIS REGINA - LP02

Side A
1 Arrastão (E.Lobo/V. de Moraes)   2:47
2 Mucuripe (R.Fagner/António C. Belchior)   2:27
3 Me Deixas Louca (Me Vulves Loco) (A.Manzanero)   3:10
4 Preciso Aprender A Ser Só (Paulo S. Valle/M.Valle)   4:16
5 Atrás Da Porta (C.Buarque/F.Hime)   2:53
6 O Rancho Da Goiabada (J.Bosco/A.Blanc)   2:59
Side B
1 Fascinação (Fascination) (F.D.Marchetti/M. de Feraudy)   3:02
2 Canto De Ossanha (B.Powell/V. de Moraes)   3:28
3 Dois Pra Lá, Dois Pra Cá (J.Bosco/A.Blanc)   4:25
4 Reza (E.Lobo/R.Guerra)   2:50
5 Madalena (I.Lins/Ronaldo M. de Souza)   2:38
6 Lapinha (B.Powell/Paulo C. Pinheiro)   4:18

O segundo Lp desta dupla coletânea arranca com o tema "Arrastão" cuja dramática interpretação de Elis Regina no primeiro Festival de Música Popular Braileira em 1965 foi uma revelação e tornou-a na primeira estrela da canção Popular Brasileira na era da Tv. Outro tema vencedor neste Lp é "Lapinha" que valeu a Elis Regina a vitória na primeira Bienal do Samba em 1968. 
A intensidade das interpretações de Elis Regina nunca passaram despercebidas tal era a sua energia e entrega no momento, aliadas ainda a uma enorme força de vontade e a uma invejada independência que lhe permitia escolher livremente os autores que desejava interpretar, o que lhe granjeou um luxuoso repertório, e que tornaram Elis Regina numa referência. Escute-se a emotiva interpretação dos temas originais "Me Vulves Loco" e "Fascination" e deslumbre-se com momentos como "Canto de Ossanha", "Dois Pra Lá, Dois Pra Cá" e "Madalena",  outros dos momentos obrigatórios desta edição. Era uma facto que Elis respirava música e quando cantava tudo soava de forma maravilhosa.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Fascinação (O Melhor De) - ELIS REGINA - LP01

Side A
1 Menino Das Laranjas (Théo)   2:14
2 Upa Neguinho (E.Lobo/Guarnieri)   3:56
3 Romaria (R.Teixeira)   4:06
4 Corrida De Jangada (E.Lobo/Capinam)   2:15
5 Vou Deitar e Rolar (Quaquaraquaquá) (B.Powell/Paulo C.Pinheiro)   3:23
6 Pot-Pourri   6:33
Side B
1 Velha Roupa Colorida (António C.Belchior)   4:11
2 Como Nossos Pais (António C.Belchior)   4:21
3 Casa No Campo (Zé Rodrix/Tavita)   2:51
4 Cartomante (I.Lins/V.Martins)   4:10
5 Águas de Março (António C.Jobim)   2:54
6 O Mestre-Sala Dos Mares (J.Bosco/A.Blanc)   3:10

Fascinação é uma dupla coletânea em vinil, editada em 1989, preenchida com alguns dos momentos mais emblemáticos na carreira de Elis Regina, uma das maiores vozes Brasileiras, prematuramente falecida em 1982. Elis Regina era uma intérprete fascinante, plena de vida e alegria e com facilidade em se expressar por várias áreas desde o Samba, a Música Popular Brasileira, a Bossa Nova, o Jazz ou o Rock. Tinha carisma e era dona de uma espontaneidade nata que surpreendia pela capacidade de entrega no momento. Ficou também conhecida por ser a primeira pessoa a inscrever a sua voz como Instrumento na Ordem dos Músicos do Brasil. Quanto ao vasto repertório que tão bem escolhia, nele encontramos autores Brasileiros de alto gabarito e em cada um dos temas a pura satisfação de ouvir Elis cantar de forma bastante emotiva através de impressionantes interpretações. "Como Os Nossos Pais", "Casa No Campo", "Romaria", "Velha Roupa Colorida", "Vou Deitar e Rolar", "Cartomante" e "Águas de Março" são alguns dos grandes momentos no primeiro Lp desta dupla edição. Obrigatório ainda o "Menino Das Laranjas", tema com que Elis Regina se começou a dar a conhecer e uma parelha com Jair Rodrigues em "Pot-Pourri", um Medley em que os dois percorrem ininterruptamente vários temas populares Brasileiros.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

3 - PETER GABRIEL


Side A
1 Intruder   4:51
2 No Self Control   3:50
3 Start / I Don't Remember   5:55
4 Family Snapshot   4:25
5 And Through The Wire   4:56
Side B
1 Games Without Frontiers   4:00
2 Not One Of Us   5:19
3 Lead A Normal Life   4:10
4 Biko   7:24   

O terceiro álbum a solo de Peter Gabriel é habitualmente identificado por "3" (o título original é simplesmente Peter Gabriel) e nele se encontra bem patenteada a forte personalidade deste impressionante artista Britânico. Peter Gabriel apresenta aqui um trabalho Art Pop/Art Rock sombrio em que a plasticidade dos temas se evidencia de forma singular pela sua original estrutura claramente suportada por ritmos pulsantes, com alusões tribalistas, e uma evidente exploração de novas sonoridades além fronteiras. Os ritmos são mesmo uma das distinções deste registo uma vez que Gabriel solicitou aos dois Bateristas de serviço que não fizessem grande uso dos pratos e as Baterias passaram então por várias experimentações até se conseguir um som aproximado ao pretendido. É um registo muito caraterístico, de cunho próprio, com participações distintas de Robert Fripp, Paul Weller, David Rhodes e Dave Gregory nas Guitarras, Phil Collins e Jerry Marotta na Bateria, John Giblin no Baixo, Tony Levin em Bass Stick, Larry Fast nos Sintetizadores, Dick Morrissey no Saxofone e a Voz de fundo de Kate Bush em "Games Without Frontiers". Na sua globalidade todos eles ajudam a que este trabalho soe notável e diferente dentro do habitual. Entre os temas, destaque para o single "Games Without Frontiers" e para "Biko", a canção de protesto sobre a morte do ativista Sul-Africano anti-apartheid Stephen Biko que morreu torturado nas mãos da Polícia. Aqui se iniciava a entrega de Peter Gabriel à luta reivindicativa pelos direitos humanos.             

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Crime Of The Century - SUPERTRAMP


Side A
1 School   5:35
2 Bloody Well Right   4:26
3 Hide In Your Shell   6:52
4 Asylum   6:30
Side B
1 Dreamer   3:19
2 Rudy   7:07
3 If Everyone Was Listening   4:05
4 Crime Of The Century   5:20

É impressionante quando tomamos consciência da riqueza musical e artística deste registo dos Supertramp editado em 1974, o terceiro da banda e o primeiro com a sua formação mais coerente e mais conhecida. Nunca ocultando as origens progressivas deste coletivo Britânico, Roger Hodgson e Rick Davies compõem excelentes partituras que se revelam em esplêndidas melodias Pop que, aliadas ainda ao cuidado e esmero colocado na produção musical a cargo de Ken Scott e da própria banda, fazem deste álbum um daqueles trabalhos obrigatórios com lugar cativo no pódio para os melhores. 
Qualquer uma das músicas que compõem este registo é um clássico. Ouvi-las aqui no seu formato original, na dinâmica da sua pureza singular onde a limpidez e definição de cada instrumento utilizado é de uma sensibilidade perfeita, torna-se uma experiência ímpar; atente-se por exemplo na excelência com que é utilizada uma "serra musical" no refrão de "Hide In Your Shell". Os temas denotam ser elaborados com apontamentos exemplares, como minuciosas peças de orquestra, a que o quinteto corresponde da melhor forma dentro da sua estrutura onde dominam as Teclas a par da polivalência de John Helliwell nos Sopros e de uma excelente secção rítmica onde Bob Siebenberg e Doug Thomson, Bateria e Baixo respetivamente, mostram estar plenamente à altura da tarefa.      

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Soundtrack From The Film More - PINK FLOYD


Side A
1 Cirrus Minor   5:07
2 The Nile Song   3:22
3 Crying Song   3:26
4 Up The Khyber   2:07
5 Green Is The Colour   2:54
6 Cymbaline   4:43
7 Party Sequence   1:06     
Side B
1 Main Theme   5:23
2 Ibiza Bar   3:14
3 More Blues   2:10
4 Quicksilver   7:06
5 A Spanish Piece   1:00
6 Dramatic Theme   2:13

Como fã confesso dos dois primeiros álbuns dos Pink Floyd o realizador francês Barbet Schroeder contratou-os pessoalmente para criarem a banda sonora do seu filme More em 1969, que veio a tornar-se oficialmente no terceiro álbum da banda Britânica. Apesar da EMI autorizar os Pink Floyd a gravar este registo, uma vez que o projeto era externo à EMI, não foram autorizados a utilizar, como habitualmente, os estúdios Abbey Road tendo por isso de alugar os estúdios Pye onde escreveram e gravaram este trabalho nuns frenéticos nove dias. 
Schroeder apenas pediu à banda para criar música espontânea que se inserisse no filme de forma natural, por outras palavras que fossem apenas os próprios Pink Floyd a criar algo seu. Como tal a banda esteve nove dias em estúdio a escrever e a gravar o álbum sem seguir o processo habitual de gravação de uma banda sonora que seria a visualização das imagens do filme e criar a música e o ambiente para as cenas. A ideia de Schroeder era unicamente que as músicas surgissem no filme em cenas em que os atores estão simplesmente a ouvir música de uma aparelhagem, de um radio ou de uma televisão. Pode-se então afirmar que More acabou por servir como um exercício, ou teste, de ideias para futuros trabalhos da banda.
Entre os treze temas do álbum encontram-se momentos únicos da banda e há diferenças notórias entre os dois lados do vinil. O lado A, praticamente composto por Roger Waters, foca-se numa vertente de canções mais acústicas mas tem momentos como "The Nile Song" em que os Pink Floyd soam mais Rock que nunca, completamente gritantes e com Nick Mason mais solto que o habitual. Em "Up The Khyber" Nick Mason e Rick Wright praticam uma espécie de Jazz Psicadélico. O lado B é assinado pela banda na totalidade, com exceção para o apontamento "A Spanish Piece" assinado por Gilmour, e está preenchido na sua maioria com peças/exercícios experimentais em formato instrumental em que apenas "Ibiza Bar", muito semelhante a "The Nile Song", é uma exceção à regra. 
Para além de servir de banda sonora "More" é mesmo um álbum dos Pink Floyd facilmente inserido na integralidade psicadélica/experimental que a banda tão bem explorou em inícios de carreira.   

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Trans-Electronic Music Productions Inc. Presents Switched-On Bach - WALTER CARLOS


Side A
1 Sinfonia To Cantata Nº29   3:20
2 Air On a G String   2:27
3 Two-Part Invention In F Major   :40
4 Two-Part Invention In B-Flat Major   1:30
5 Two-Part Invention In D Minor   :55
6 Jesu, Joy Of Man's Desiring   2:56
7 Prelude And Fugue Nº7 In E-Flat Major   7:07
   (From Book I of "The Well-Tempered Clavier")
Side B
1 Prelude And Fugue Nº2 In C Minor   2:43
  (From Book I of "The Well-Tempered Clavier")
2 Chorale Prelude "Wachet Auf"   3:37
3 Brandenburg Concerto Nº3 In G Major
    First Movement   6:35
    Second Movement   2:50
    Third Movement   5:05

Johann Sebastian Bach exerceu desde sempre uma fascinante atração sobre os músicos e muitos foram os que tentaram recriar a sua obra ao longo das várias épocas que o precederam. Não espanta por isso que Walter Carlos, antes de se transfigurar em Wendy Carlos, o tenha feito também em 1968 com este trabalho hercúleo mas antes de mais é preciso perceber que em 1968 o Sintetizador não adquirira ainda estatuto de instrumento musical. 
Nos primórdios da música eletrónica a estética experimental dos Sintetizadores, em universidades de música e estúdios, não passava de processamento eletrónico de frequências filtradas e estava longe de poder convencer alguém da sua genuinidade como instrumento musical. Eram precisas muitas horas para criar e aperfeiçoar sons e daí conseguir aproveitar pequenos fragmentos que se resumiam muitas vezes a meros segundos de música, e muitos acabavam por depois serem rejeitados por estarem longe do resultado pretendido. Perante tal impasse Walter Carlos implorou a Bob Moog para trabalhar com ele no desenvolvimento das nuances de expressão das máquinas e dessa parceria acabou por resultar um instrumento musical. Walter Carlos possuía então uma coleção de gigante equipamento modular Moog, muito distante das versões portáteis que hoje conhecemos, e com o seu esmero e cuidado de gravar linha a linha, nota a nota, re-afinar, re-envelopar e filtrar conseguiu finalmente, com colaboração do amigo e musicólogo Benjamin Folkman, criar um trabalho totalmente eletrónico preenchido com virtuosas e extraordinárias execuções de Bach, um sacrilégio para os puristas clássicos que achavam ser apenas uma nova moda condenada ao esquecimento. O repertório de Bach aqui processado é essencialmente um "Best of" da vasta obra do Supremo Mestre e teve como base de escolha o facto de ser um repertório de respeito e ideal para demonstração de que era possível criar música a sério num Sintetizador. 
 Após a edição deste álbum em 1968 estabeleceu-se definitivamente um novo conceito e uma nova palavra entre os músicos, Sintetizador.     

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Around The World In A Day - PRINCE AND THE REVOLUTION


1 Around The World In a Day   3:25   
2 Paisley Park   4:41
3 Condition Of The Heart   6:46   
4 Raspberry Beret   3:31   
5 Tambourine 2:46
6 America   3:40
7 Pop Life   3:42
8 The Ladder   5:26
9 Temptation   8:21

A regularidade de Prince editar em média um álbum por ano conseguindo manter a qualidade dos seus trabalhos aumentava o respeito pela sua "pequena" figura e por simpatia o seu ego. A sua conhecida genialidade em escrever, tocar e produzir os seus trabalhos praticamente sozinho requeria mais independência e neste trabalho editado em 1985 ouve-se pela primeira vez uma referência a Paisley Park. "Paisley Park" é neste álbum uma das faixas e retrata um local edílico, o complexo de estúdios Paisley Park seriam uma realidade dois anos depois deste trabalho. Apesar de alguns dos temas serem aqui referenciados como tendo sido gravados em Paisley Park tal não passa de uma metáfora de Prince exprimindo assim o seu desejo de concretizar a sua independência. Mas Around The World In a Day tem muito mais para oferecer; mantendo o estilo dos dois trabalhos anteriores Prince controla tudo continuando a ter os Revolution como apoio para as suas criações onde temas Pop eficazes e provocantes com balanço Funky, suavizados em Exotismo, uma Balada de morrer e um final Hendrixiano colocam este álbum ao nível do melhor que Prince sabe fazer, canções perfeitas. 
"But Life It Ain't 2 Funky, Unless It's got That Pop. Dig It?"  
 

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Brothers In Arms - DIRE STRAITS


1 So Far Away   5:05
2 Money For Nothing   8:24
3 Walk Of Life   4:07
4 Your Latest Trick   6:28
5 Why Worry   8:23
6 Ride Across The River   6:55
7 The Man's Too Strong   4:37
8 One World   3:36
9 Brothers In Arms   6:56

Há álbuns que de tão completos pouco há que acrescentar à sua história e a história de Brothers In Arms é acima de tudo uma história de êxito. Editado em 1985, foi o primeiro álbum da história a ter  enorme sucesso no formato Cd e nele encontramos uns Dire Straits/Mark Knopfler mais liberais e mais experimentados no mercado. Vários são os caminhos aqui abordados num trabalho que abriu definitivamente as portas do mundo à banda Britânica e em que participaram nomes importantes da música como Sting, Michael Brecker, Randy Brecker, Omar Hakim ou Tony Levin. Os créditos não estão devidamente identificados no álbum mas são conhecidas as inconfundíveis presenças de Sting em "Money For Nothing" e o Saxofone e a Trompete dos irmãos Michael e Randy Brecker, respetivamente, em "Your Latest Trick". Composto por nove temas perfeitos este registo apresenta-se no formato Cd remasterizado com versões mais extensas. Ao quinto registo oficial os Dire Straits mostravam-se então como uma banda universal e com plena capacidade de criar distintos temas elaborados que se encaixam em variados estilos para além do clássico Rock como os incontornáveis "Ride Across The River" e "Your Latest Trick".    

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Real To Reel/Brief Encounter - MARILLION - CD02


1 Lady Nina   5:45
2 Freaks   4:05      
3 Kayleigh (Live)   4:10
4 Fugazi (Live)   8:31
5 Script For a Jester's Tear (Live)   8:50

O segundo Cd desta edição dupla contêm o Ep Brief Encounter editado originalmente em 1986 aquando da primeira grande digressão dos Marillion pelos EUA, iniciada em Fevereiro do mesmo como banda suporte dos Rush. Foi concebido inicialmente como um agradecimento aos fãs Norte-Americanos mas também com o intuito de dar a conhecer melhor a banda a uma nova audiência. Sem o impacto e a grandiosidade de Real To Reel este pequeno registo limita-se a apresentar dois temas anteriormente gravados em estúdio, "Lady Nina" e "Freaks" que são respetivamente os lados B dos Singles "Kayleigh" e "Lavender" editados na Europa mas sem edição Americana, e três temas gravados ao vivo em Londres no Hammersmith Odeon em Janeiro de 1986, "Kayleigh", "Fugazi" e "Script For a Jester's Tear" ou seja, uma amostra de cada album da trilogia inicial dos Marillion. Sendo meramente um registo de apresentação não deixa de cumprir o seu papel e também complementa a coleção dos fãs mais acérrimos pelas três prestações ao vivo. Abaixo encontra-se a capa original deste Ep; a única que não foi desenhada, na era de Fish, por Mark Wilkinson.      




sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Real To Reel/Brief Encounter - MARILLION - CD 01


1 Assassing   7:27
2 Incubus   8:44
3 Cinderela Search   5:45
4 Emerald Lies   5:25
5 Forgotten Sons   10:35
6 Garden Party   6:31
7 Market Square Heroes   7:30

Edição em duplo Cd com dois Eps dos Britânicos Marillion começando com Real To Reel onde se encontram temas de "Script For A Jester's Tear" e "Fugazi" os dois primeiros albuns da banda, assim como o Single "Market Square Heroes" que nunca conheceu outra edição. Dignos herdeiros do movimento Progressivo dos anos 70, e dos Genesis de Peter Gabriel, em palco os Marillion demonstravam ser eficientes e dinâmicos num espetáculo de excelência em que os temas ganham novo alento seja pela performance teatral, com o imponente e expressivo vocalista Fish a assumir personagens, seja pela solidez e concentração dos restantes elementos nos diversos andamentos da representação em palco. Captado ao vivo em Leicester - Inglaterra e Montreal - Canadá, em Março e Junho de 1984 respetivamente, Real To Reel é um autêntico registo de clássicos da banda com "Forgotten Sons" a assumir-se como o ponto alto do show seguido do apoteótico "Market Square Heroes", o Single com que a banda se apresentou ao mundo em 1982. "Assassing", "Incubus" e "Garden Party" são igualmente obrigatórios, assim como a sensibilidade de "Cinderela Search" que só foi editado como lado B do single "Assassing". "Emerald Lies" surge nesta edição como um bónus pois não fazia parte do alinhamento original do album.            

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Soul Talk - AUDIBLE ARCHITECTURE


1 11 in 8   7:39
2 The Seventh Way   4:28
3 Hyper Space   3:55
4 The Final Funkdown   10:18
5 Another Planet in The Universe   11:02
6 Psycho Train   6:51
7 Into The Rhodes   5:15
8 Hitch-hiking   8:36 

A matriz da denominação Audible Architecture sugere automaticamente a complexidade da fusão de duas estéticas que diferem quanto à finalidade a que se propõem. Sendo duas artes distintas conseguem aqui complementar-se fundindo os elementos certos numa alicerção de estilos que rapidamente se sucedem; onde o Progressivo domina, o Funk balança, o Rock chega a impor-se, o Jazz espreita e o Exotismo perfuma. Os "arquitetos" desta obra são maioritariamente Portugueses, Marco Jung encontra-se radicado no País há alguns anos, e neste album editado em 2007, o primeiro da formação, apresentam-se com alma e técnica quanto baste para nos impressionar. A versada segurança e ferocidade da secção ritmica com Marco Jung na Bateria e Eddy Slap no Baixo Elétrico abalroa qualquer um, o Trompete de Luis Guerreiro flutua pontualmente por espaços siderais, a mestria do mago Aurélien Lino nos Teclados sustenta o fascinante ambiente por trás de tudo enquanto a Guitarra de Hugo Trindade garante os diálogos através de pontuadas e eficientes frases. No seu todo os Audible Architecture garantem um opulento universo sonoro onde somos, por vezes, inevitavelmente induzidos noutras sonoridades com um passado semelhante e que são prova da boa escola e influência do movimento Progressivo no grupo; e aqui este virtuoso coletivo mostra-se um digno herdeiro de tal sucessão. 

domingo, 14 de setembro de 2014

16 Lovers Lane - THE GO-BETWEENS


1 Love Goes On   3:18
2 Quiet Heart   5:20
3 Love Is A Sign   4:13
4 You Can't Say No Forever   3:57
5 The Devil's Eye   2:04
6 Streets Of Your Town   3:36
7 Clouds   4:02
8 Was There Anything I Could Do?   3:06
9 I'm All Right   3:11
10 Dive For Your Memory   4:14       

Dez canções de inteligente Pop/Folk/Rock Australiano em formato eletro/acústico fazem deste registo uma delícia a reter para se poder revisitar por diversas vezes ao longo da vida. "16 Lovers Lane" foi editado originalmente em 1988, o sexto album da banda, e encontra-se recheado de momentos Top como, "Love Goes On", "Quiet Heart", "Love Is A Sign", "Streets Of Your Town", "Clouds" ou "I'm All Right". Em finais da década de oitenta os Go-Betweens conseguem assim convencer-nos de que ainda é possível criar canções capazes, bem estruturadas, com instrumentos mais virados para o Folk, e com o fascínio e a esperança de uma Pop alegre, desafogada e muito eficaz.       

terça-feira, 2 de setembro de 2014

House Of Love - THE HOUSE OF LOVE


1 Christine   3:25
2 Hope   2:55
3 Road   3:43
4 Sulphur   3:05
5 Man To Child   2:50
6 Salome   2:30
7 Love In A Car   3:58
8 Happy   2:52
9 Fisherman's Tale   3:44
10 Touch Me   3:01

O primeiro album dos House Of Love, editado em 1988, cativa pelo coerente alinhamento das dez músicas que o compõem começando logo pelo esplêndido cartão de visita "Christine". Harmoniosamente moldados pela Voz de Guy Chadwick e pela Guitarra de Terry Bickers, os dez temas vão desfilando ao longo deste exemplar registo em que é difícil resistir ao fascínio da já citada "Christine"; ao requinte de momentos como "Hope", "Man To Child", "Love In A Car", "Fisherman's Tale" ou de momentos mais vigorosos como "Road", "Sulphur", "Salome", "Happy" e "Touch Me". O primeiro album dos House Of Love foi também um dos últimos albuns da década a deixar bem vincada a herança de uma precoce corrente Indie Pop/Rock que despertou no movimento Pós-Punk Britânico e foi evoluindo com decoro ao longo da década, e isto no ano em que a corrente Shoegaze começava discretamente a ganhar contornos, já se sente a sua presença neste registo, uma espécie de tímido prenúncio da intensidade musical da década que se seguia, sem renunciar à essência e às harmonias mais clássicas do Pop/Rock.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

The Modern Lovers - THE MODERN LOVERS


1 Roadrunner   4:05
2 Astral Plane   3:00
3 Old World   4:03
4 Pablo Picasso   4:21
5 I'm Straight   4:18
6 Dignified And Old   2:29
7 She Cracked   2:56
8 Hospital   5:35
9 Someone I Care About   3:39
10 Girl Friend   3:54
11 Modern World   3:43
12 Government Center   2:03

Na realidade, os norte-americanos Modern Lovers nunca chegaram a editar um album. Esta edição de 1976 tem como base as músicas que a banda gravou com John Cale em 1973 tendo o grupo extinguindo-se em 1974, o que originou algum culto em redor da banda que pouco durou mas mesmo assim deixou um importante e influente registo da sua curta existência. 
Liderados pela ímpar figura de Jonathan Richman, os Modern Lovers eram uma banda de estrelas sem ainda o serem pois para além do Baixista Ernie Brooks daqui sairia o Teclista Jerry Harrison para os Talking Heads e o Baterista David Robinson para os The Cars e este album acabaria por ganhar, ao longo dos anos, o estatuto de elo perdido entre a sonoridade Indie dos Velvet Underground e o movimento Punk que estava prestes a explodir aquando da edição deste trabalho, o que lhes valeu o epíteto de Proto-Punk. Notável que em inícios dos anos setenta este album prenuncie algum do som que viria a dominar o final dessa mesma década, principalmente no que diz respeito ao underground nova-iorquino. 
Richman era realmente obcecado pela banda de Lou Reed e John Cale não sendo por isso de estranhar a presença de Cale como produtor da banda e do facto do trabalho soar algures entre os Velvet Underground e os Stooges com um pouco de orgão "à la Ray Manzarek" dos Doors. Entre os temas, "Roadrunner" viria a ser vítima de uma versão pelos Sex Pistols e John  Cale levou emprestado "Pablo Picasso", que David Bowie também se encarregaria de adoptar em 2003.  

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Shangri-La - MARK KNOPFLER


1 5:15 A.M.   5:54
2 Boom, Like That   5:49
3 Sucker Row   4:57
4 The Trawlerman's Song   5:02
5 Back To Tupelo   4:32
6 Our Shangri-La   5:41
7 Everybody Pays   5:25
8 Song For Sonny Liston   5:07
9 Whoop De Doo   3:53
10 Postcards From Paraguay   4:08
11 All That Matters   3:08
12 Stand Up Guy   4:33
13 Donegan's Gone   3:06
14 Don't Crash The Ambulance   5:07    

Bandas sonoras à parte; Shangri-La, editado em 2004, é o quarto album de originais de Mark Knopfler. Após um acidente de mota em Março de 2003 que o deixou parado durante largos meses é-nos apresentado este trabalho de excelência, em ritmo lento, experimentado e conscientemente cool em que encontramos o antigo líder dos Dire Straits amadurecido e a tocar dentro do estilo que mais o influenciou ao longo da carreira, e aqui o nome de J.J. Cale não pode deixar de ser invocado 
O albúm funciona como um todo na medida em que reflete um estado de espírito que parece simplesmente querer criar canções honestas, sem grandes malabarismos ou necessidade de exibição, recuperando boas memórias, momentos e influências. Encontra-se totalmente envolvido numa sonoridade em que predomina o Country/Blues onde as referências a Lonnie Donegan em "Donnegan's Gone" e a Elvis Presley em "Back To Tupelo", não passam despercebidas. Lonnie Donnegan faleceu em 2002 pelo que o tema de Mark Knopfler é um claro tributo ao músico Inglês de Skiffle que os Britânicos idolatravam antes de Elvis Presley. 
À semelhança do conceito original, Shangri-La, o albúm, é um panorama maravilhoso feito para acompanhar uma vida, seja a de Mark Knopfler seja a nossa, tal é o equilíbrio conseguido entre os temas onde não há destaques ou evidências só prazer de execução onde um Mark Knopfler experiente e descontraído proporciona um trabalho harmonioso, de extremo bom gosto, criado de forma honesta e prazenteira. 
"Watch and Learn, Junior. Watch and Learn"

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Sinatra At The Sands with Count Basie & The Orchestra - FRANK SINATRA - LP 02

Side B
1 Fly Me To The Moon (B.Howard)   2:50
2 One O'Clock Jump (Basie Instrumental) (C.Basie)   0:53
3 Tea Break (Monologue)   11:48
4 You Make Me Feel So Young (M.Gordon, J.Myrow)   3:21
Side C
1 All Of Me (Basie Instrumental) (G.Marks, S.Simons)   2:56
2 September Of My Years (S.Cahn, James V.Heusen)   2:57
3 Get Me To The Church On Time (Alan J.Lerner, F.Loewe)   2:21
4 It Was a Very Good Year (E.Drake)   4:01
5 Don't Worry 'Bout Me (R.Bloom, T.Koehler)   3:18
6 Makin' Whoopee (Basie Instrumental) (W.Donaldson, G.Khan)   4:24         

No segundo Lp desta edição percebe-se ainda melhor a forma como Sinatra interagia com a audiência e como simultâneamente a audiência o adorava. O monólogo aqui intitulado "Tea Break" refere-se realmente à pausa que Sinatra fazia, com uma duração de aproximadamente dez minutos para tomar um chá que o ajudava a manter o aquecimento da voz, e nesta pausa mantêm o diálogo e diverte a audiência em mais um momento de puro entretenimento para não deixar o show esmorecer. Sinatra era um profissional que levava a sua interpretação muito a sério e por isso mantinha diversos rituais antes, durante e depois da atuação.
O que aqui importa realmente é a música e a orquestra de Count Basie evidencia-se bastante neste segundo Lp através de dois lustrosos momentos instrumentais onde o Jazz se exibe ao melhor nível com "All Of Me" e "Makin' Whoopee", enquanto no restante repertório Sinatra vai naturalmente passeando a sua classe.
Este registo em edição dupla consegue transmitir o privilégio que seria estar naquela audiência e testemunhar uma noite com Sinatra no Palco, para mais aqui com uma luxuosa orquestra como a de Count Basie. That's Real Entertainment!  

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Sinatra At The Sands with Count Basie & The Orchestra - FRANK SINATRA - LP01

Side A
1 Come Fly With Me (S.Cahn, James V.Heusen)   3:45
2 I've Got a Crush On You (G.Gershwin, I.Gershwin)   2:42
3 I've Got You Under My Skin (C.Porter)   3:43
4 The Shadow Of Your Smile (J.Mandel, Paul F.Webster)   2:31
5 Street Of Dreams (Sam M.Lewis, V.Young)   2:16
6 One For My Baby (And One More For The Road) (H.Arlen, J.Mercer)   4:40
Side D
1 Where Or When (L.Hart, R.Rodgers)   2:46
2 Angel Eyes (E.Brent, M.Dennis)   3:26
3 My Kind Of Town (S.Cahn, James V.Heusen)   3:04
4 "A Few Last Words" (Monologue)   2:30
5 My Kind Of Town (Reprise) (S.Cahn, James V.Heusen)   1:00 

Duplo album em vynil contendo o registo ao vivo de uma das muitas atuações de Frank Sinatra no Sands Hotel em Las Vegas, do qual Sinatra detinha uma parte por ter sido um dos seus financiadores, e que era também a sua casa em Las Vegas. Sinatra apresentou-se regularmente ao vivo no Sands durante quatorze anos, mais concretamente entre 1953 e 1967, datando a atuação aqui registada de 1966 aquando da sua apresentação no hotel com a Orquestra de Count Basie e tendo um jovem Quincy Jones como arranjador e condutor de Orquestra. Tal conjugação de estrelas criou noites de magia pura em que uma maravilhada audiência se regalava pela "oportunidade" de presenciar tal momento. Sinatra para além de exímio cantor era também um entertainer de classe que enfrentava e divertia a audiência do Sands Hotel como se estivesse na sua própria sala de estar. Descontraidamente, Sinatra vai interpretando os temas de forma segura e com tal à vontade, que lhe é facilmente permitido brincar entre as peças mantendo-se comunicativo ora com a audiência ora com a Orquestra. O Swing flui espontaneamente e é de forma natural que o repertório vai deslizando pela noite fora como magia no ar e clássicos intemporais nos enchem distintamente a alma na voz de um homem que a sabia usar como poucos. Em "One More For My Baby" e "Angel Eyes" Count Basie cede o lugar a Bill Miller, o Pianista de Sinatra, para interpretação a dois em dois momentos altos. That's Entertainment.       

  

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Allies - CROSBY, STILLS & NASH


Side A
1 War Games (S.Stills)   2:18
2 Raise A Voice (G.Nash, S.Stills)   2:31
3 Turn Your Back On Love (S.Stills, G.Nash, M.Stergis)   5:04
4 Barrel Of Pain (G.Nash)   5:46 
5 Shadow Captain (D.Crosby, C.Doerge)   4:30
Side B
1 Dark Star (S.Stills)   4:48
2 Blackbird (J.Lennon/P.McCartney)   2:30
3 His Playing Good For Free (J.Mitchell)   3:48
4 Wasted On The Way (G.Nash, S.Stills)   2:37
5 For What It's Worth (S.Stills)   5:38 

Stephen Stills escreveu "War Games" como tema para o filme do mesmo nome em 1983, mas apesar da música chegar a aparecer nos clips de promoção do filme nunca chegou a integrar a sua banda sonora nem a aparecer no filme. Aproveitando este facto e ainda outro tema original gravado por Stephen Stills e Graham Nash na altura, "Raise a Voice", a editora aproveitou para juntar alguns temas captados ao vivo em 1977 e 1982 e preparou assim um novo registo do mítico Trio que foi editado nesse mesmo ano de 1983. Mesmo não sendo um album coerente, na medida em que são aproveitados três momentos distintos, Allies revela-se precioso por conter dois temas originais nunca antes editados, e os temas captados ao vivo entusiasmam por serem atraentes interpretações. 
"Turn Your Back On Love" e "Wasted On The Way" eram referências obrigatórias do albúm anterior, "Shadow Captain" e "His Playing Good For Free", ambos captados em 1977, foram a forma airosa de incorporar a prestação de David Crosby neste registo, que à data era o elemento mais apagado dos três devido ao seu conhecido envolvimento com drogas. Encantadora a expressiva interpretação a solo de Crosby no tema de Joni Mitchell. Expressivas as restantes interpretações; "Barrell of Pain" está cheia de alma e juntamente com "Dark Star" expressam ambas a intensidade da banda restando depois a harmoniosa interpretação de "Blackbird", que o Trio tomou emprestada ao Beatles já há muito anos, e a recuperação ao vivo do grande tema dos Buffalo Springfield de Stephen Stills e Neil Young, "For What It's Worth", para mais um vigoroso momento aqui registado.
Nota final para a banda(s) de suporte do Trio onde pontuam os nomes de Jeff Porcaro e Joe Vitale na Bateria, George "Chocolate" Perry no Baixo, Michael Finnigan, James Newton Howard e Craig Doerge nas Teclas, Danny Kortchmar e Michael Stergis em Guitarra Elétrica e Joe Lala e Efrain Toro nas Percussões.      

terça-feira, 15 de julho de 2014

New Traditionalists - DEVO


Side A
1 Through Being Cool   3:11
2 Jerkin' Back 'n' Forth   3:03
3 Pity You   2:45
4 Soft Things   3:24
5 Going Under   3:25
Side B
1 Race Of Doom   3:41
2 Love Without Anger   2:35
3 The Super Thing   4:19
4 Beautiful World   3.33
5 Enough Said   3:27  

Apresentando-se como novos tradicionalistas num mundo em constante de-evolução, tal como apregoam, os Devo mostram-se plásticos e artificiais quanto baste neste Lp editado em 1981, o quarto album da banda. Mergulhados numa Pop sintética em que os Sintetizadores são preponderantes os Devo expandem e contagiam com o seu som automatizado em pequenas canções, e foi desta forma que atravessaram a new wave através de uma atitude cool em temas como "Jerkin' Back 'n' Forth", "Going Under", "Race of Doom" ou "Love Without Anger" só para nomear algumas das peças mais importantes deste registo.    

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Leng Tch'e - NAKED CITY


1 Leng Tch'e   31:38

A obsessão de John Zorn e dos Naked City pela tortura foi sempre bem evidenciada nas capas dos seus albuns mas é em Leng Tch'e que se atinge o limite através da forte imagem real da última execução deste género executada em Beijing em 1905. O termo Leng Tch'e designa a execução com tortura de um traidor, ou criminoso, em que lhe são infligidos os mais variados cortes e golpes no corpo provocando o sangramento do executado até à sua morte, que antes da sua execução era doseado com ópio para poder resistir, extasiado, durante o máximo tempo possível a este cruel ato de punição. 
Os 31:38 Grindcore deste tema são inspirados nesta bárbara forma de execução Chinesa e os Naked City tentam transpor musicalmente esta brutalidade num tema contínuo de poderosa improvisação que vai crescendo de intensidade mas que ao mesmo tempo se mantêm constante, mesmo à medida em que Yamatsuka Eye e John Zorn, a meio do tema, se juntam ao resto da banda numa altura em que a qualquer momento se podia esperar uma espécie de êxtase geral mas tal não chega a suceder. 
Este Ep de uma só faixa foi editado juntamente com o albúm "Torture Garden" na edição dupla para colecionadores "Black Box" e também aparece na caixa de Cds, "Naked City - Complete Studio Recordings", que contêm a discografia integral da banda, onde foi inserida como a faixa numero dez no albúm "Absinthe".          

domingo, 6 de julho de 2014

Absinthe - NAKED CITY


1 Val de Travers   6:19
2 Une Correspondance   5:09   
3 La Feé Verte   5:12
4 Fleurs du Mal   4:08
5 Artemisia Absinthium   4:34
6 Notre Dame de l'Oubli (For Oliver Messiaen)   4:51
7 Verlaine, Pt1: Un MIDI Moins Dix   4:28
8 Verlaine, Pt2: La Bleue   6:03
9 ...Rend Fou   6:16      

Por mais invulgares que possam parecer os trabalhos dos Naked City, "Absinthe" destaca-se dos restantes pela sua inteligente abordagem, manifestamente artística e experimental, onde a harmonia cede totalmente o espaço perante a altivez da ambiência e do ruído. É uma autêntica alucinação sonora movida por momentos estáticos e inebriantes tendo o espirituoso Absinto como ponto central da concepção geral deste album. Os títulos dos nove temas que compõem este peculiar registo dos Naked City são todos eles referências diretas ao Absinto:
 -"Val de Travers", é o nome de uma região Suíça conhecida pela sua produção de Absinto.
 -"Une Correspondance", era um dos nomes de código utilizado para se pedir Absinto.
 -"La Feé Verte", (Green Fairy/Fada Verde) é um desígnio normalmente utilizado na literatura para o Absinto.
 -"Fleurs du Mal", título do famoso livro de Baudelaire, um conhecido consumidor de Absinto.
 -"Artemisia Absinthium", uma das plantas utilizadas como ingrediente na preparação do Absinto.
 -"Notre Dame de l'Oubli", outro desígnio utilizado para o Absinto.
 -"Verlaine, Pt1: Un MIDI Moins Dix", o Poeta Paul Verlaine foi outro conhecido consumidor de Absinto e a expressão "Un MIDI Moins Dix" outro código utilizado no consumo da bebida.
 -"Verlaine, Pt2: La Bleue, nova menção a Paul Verlaine e "La Bleue" é outro dos desígnios da bebida.
 -"...Rend Fou", o Absinto foi considerado como uma perigosa bebida que conduzia à loucura. 

"Absinthe" é pois um registo alucinante, tal como a bebida, em que divagamos estonteados pela insana ambiência criada pelo coletivo Norte-Americano.          

domingo, 29 de junho de 2014

Radio - NAKED CITY


1 Asylum   1:56
2 Sunset Surfer   3:23
3 Party Girl   2:34
4 The Outsider   2:27
5 Triggerfingers   3:31
6 Terkmani Teepee   3:59
7 Sex Fiend   3:31
8 Razorwire   5:31
9 The Bitter and The Sweet   4:52
10 Krazy Kat   2:03
11 The Vault   4:44
12 Metal Tov   2:07
13 Poisonhead   1:09
14 Bone Orchard   3:55
15 I Die Screaming   2:29
16 Pistol Whipping   0:57
17 Skatekey   1:24
18 Shock Corridor   1:08
19 American Psycho   6:10  

Retomando o conceito iniciado no primeiro album da banda, os Naked City sugerem neste Cd uma hora de audição fundida nos mais variados géneros/estilos tal como uma emissão radiofónica onde sempre se pode mudar de posto quando não nos agrada o que estamos a ouvir e partimos à procura de algo mais, passando por variados postos e diversas músicas numa desesperante amálgama musical à espera de encontrar alguma coisa que nos agrade. Este é em certa medida o conceito de "Radio" onde encontramos dezanove temas impregnados das mais vastas execuções e das mais variadas dinâmicas, de forma que podermos desfrutar um pouco de cada momento, ou não. A combinação urgente dos temas percorre várias linhagens, de extraordinários contornos e execuções, que simultaneamente nos remetem para adereços imediatamente reconhecíveis, começando pelo Jazz/Blues/Rock e que vão gradualmente crescendo de intensidade até atingirem o pico no Punk/Metal/Hardcore. Apesar da aparente confusão, Radio consegue mesmo assim ser um dos registos mais coerentes dos Naked City. 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Heretic, Jeux Des Dames Cruelles - NAKED CITY


1 Main Titles (Eye, Horvitz, Baron)   1:28
2 Sex Games (Frisell, Frith, Baron)   2:23
3 The Brood (Zorn, Horvitz, Baron)   2:49
4 Sweat, Sperm + Blood (Eye, Zorn)   2:05
5 Vliet (Frisell, Frith)   0:50
6 Heretic I (Zorn, Frith)   2:33
7 Submission (Horvitz, Frisell, Baron)   4:23
8 Heretic 2 (Zorn, Frith, Baron)   1:46
9 Catacombs (Horvitz, Frisell)   2:46
10 Heretic 3 (Zorn, Frith, Baron)   2:43
11 My Master, My Slave (Horvitz, Frith)   2:23
12 Saint Jude (Frisell, Frith, Baron)   2:13
13 The Conqueror Worm (Zorn, Horvitz)   2:32
14 Domintatrix 5b (Horvitz, Frisell, Baron)   2:16
15 Black Through The Looking Glass (Frisell, Frith)   2:39
16 Here Come The 7.000 Frogs (Eye, Zorn)   1:59
17 Slaughterhouse/Chase Sequence (Frisell, Frith, Baron)   2:19
18 Castle Keep (Horvitz, Frisell)   1:49
19 Mantra of Ressurected Shit (Eye, Zorn)   1:43
20 Trypsicore (Horvitz, Baron)   1:46
21 Fire and Ice (Naked City)   2:37
22 Crosstalk (Horvitz, Frisell, Frith)   1:41
23 Copraphagist Rituals (Eye, Horvitz, Baron)   0:53
24 Labyrinth (Frisell, Baron)   5:47   

Heretic começa por ser um Cd arriscado na medida em que se encontra bastante distante de um trabalho convencional que nem se consegue catalogar como um estilo definido, e os Naked City habituaram-nos a vários estilos de uma assentada mas aqui nem isso. As pequenas vinte e quatro faixas que compõem esta obra servem de banda sonora para um hipotético filme underground de hardcore, e nelas os Naked City, liderados pelo Saxofonista Norte-Americano John Zorn, conseguem ser vertiginosos, caóticos, infernais e tortuosos com a evidente particularidade de que em apenas uma das faixas, "Fire and Ice", o coletivo toca realmente em conjunto sendo que as restantes vinte e três faixas são executadas em duos e trios dentro do grupo. 
Decentemente maliciosos os Naked City iludem-nos através de curtas harmonias, que nunca o chegam ser, ou chamemos-lhe apenas curtos exercícios improvisados de forma eficaz e ousada.
É mesmo um trabalho herético, fora de convencionalismos, para quem gosta de descobrir novos "ruídos" e aguenta fortes emoções.  

sábado, 7 de junho de 2014

Águia Não Come Mosca - AZYMUTH


1 Vôo Sobre o Horizonte   3:47
2 Águia Não Come Mosca   3:28
3 Despertar   4:55
4 Tarde (M.Nascimento/M.Borges)   5:26
5 Circo Marimbondo (M.Nascimento/R.Bastos)   2:27
6 Tamborim, Cuíca, Ganzá, Berimbau   5:02
7 A Presa   3:44
8 A Caça   3:01
9 Falcon Love Call (Armazém Nº2)   3:52
10 Águia Negra x Dragão Negro   2:30 

Em 1977 o trio Brasileiro Azymuth editava o album "Águia Não Come Mosca", um registo predominantemente instrumental em que as vozes apenas surgem, de forma distinta, em "Circo Marimbondo" e "Tamborim Cuíca Ganza Berimbau". O album encontra-se dominado pelo som de Fusão (Jazz-Funk) caraterístico da altura, com grande relevância dos Sintetizadores, aqui integrado no ritmo e no espírito da música Brasileira, não deixando de ser curioso que o instrumento que abre este album, uma Guitarra Acústica, seja o que menos expressão tem em todo o trabalho. A peculiaridade deste trio formado por José Roberto Bertrami (Teclados), Ivan Conti "Mamão" (Bateria) e Alexandre Malheiros (Baixo e Guitarra) assenta numa sonoridade ordenada e consistente em que a alegria da música Latina enriquece de tal forma os temas de Fusão que fazem deste registo um trabalho notável. De salientar ainda a notabilidade deste Trio que não renega a sua origem usando convenientemente o Samba como fomento e estímulo de um estilo já por si valioso.  

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Dream Teams - PAT METHENY W/ SONNY ROLLINS & W/ HIS TRIO - CD02


1  Broadway Blues (O.Coleman)   15:38
2  The Good Life (O.Coleman)   10:37
3  James (P.Metheny)   6:49
4  The Calling (Pat Metheny)   16:58
5  Lonely Woman (H.Silver)   6:41

No segundo Cd deste Bootleg (edição não oficial) encontramos Pat Metheny em Trio com Charlie Haden no Contrabaixo e Billy Higgins na Bateria, uma das antigas secções rítmicas de Ornette Coleman. Esta mesma secção rítmica gravou também com Pat Metheny, em 1984, numa sessão de que resultou o album "Rejoicing" e onde estão incluídos três temas originalmente escritos por Ornette Coleman. Neste concerto captado em Ravenna, Itália, em 1986, retoma-se precisamente o espírito desse album em que a referência a Ornette Coleman é não só obrigatória mas comum aos três elementos.
Pat Metheny aparece aqui integrado num Trio em que é o elemento mais novo, ao lado de duas respeitadas figuras do Jazz, e num contexto muito diferente do seu habitual grupo. Metheny utiliza o habitual som de Guitarra Sintetizada naturalmente enquadrado no repertório e recordando mesmo, por vezes, a sonoridade do mestre Coleman. Perfeitamente entrosados, ou não tivessem gravado um album antes, os músicos desfilam descontraidamente pelo alinhamento num concerto em que o Jazz brilha nas mãos destes homens. 
Nos primeiros dois temas, originais de Ornette Coleman, a banda explora os terrenos do velho mestre e em "James", original de Metheny, descontrai para uma sonoridade mais límpida. Depois, "The Calling" é uma peça bastante experimental de Metheny gravada para "Rejoicing" e aqui a banda adapta-se ao ambiente gritante criado pela Guitarra Sintetizada e insere-se naturalmente no ambiente pretendido num momento menos convencional do concerto. "Lonely Woman" expressa-se na tradicional ternura a que este tema nos habituou.
A qualidade da gravação não é boa mas consegue ouvir-se distintamente toda a formação e dá perfeitamente para entender de forma satisfatória os dois concertos.

sábado, 24 de maio de 2014

Dream Teams - PAT METHENY W/ SONNY ROLLINS & W/ HIS TRIO - CD01


1  Coconut Bread (S.Rollins)   13:48
2  Don't Stop The Carnival (S.Rollins)   12:10
3  Mc Ghee (S.Rollins)   15:58
4 Moritat (K.Weill)   13:13

Este duplo Cd é um Bootleg (edição não oficial) que integra duas atuações ao vivo de Pat Metheny em diferentes anos e com formações distintas, as intituladas Dream Teams. Tendo o jovem Guitarrista Norte-Americano como elemento chave desta edição há aqui a oportunidade de ouvir Pat Metheny ao lado dos geniais Sonny Rollins e Charlie Haden, duas figuras incontornáveis do Jazz. A qualidade da gravação não é boa mas consegue-se ouvir distintamente toda a formação e dá perfeitamente para entender de forma satisfatoria os dois concertos.
O primeiro Cd testemunha uma atuação em Tokyo, captada em Julho de 1983, com Metheny a integrar a formação de Sonny Rollins (Sax-Tenor), juntamente com Alphonso Johnson no Baixo Elétrico e Jack de Johnette na Bateria. Sonny Rollins centra as atenções com a sua sonoridade portentosa e os seus sucessivos e longos Solos, cedendo igualmente o devido espaço para o resto da banda solar numa fórmula que se repete ao longo da atuação. Tudo isto imerso em ritmo Afro-Jazz que torna o ambiente em festa e lança o convite à dança. E se os solos de Rollins são colossais os de Pat Metheny são carateristicos, eletrizantes os de Alphonso Johnson e Jack de Johnette, que só se mostra em "Mc Ghee" e "Moritat", apresenta-se clássico e tribal.   
Todo o repertório apresentado é da autoria de Sonny Rollins com exceção para a interpretação de "Moritat" de Kurt Weill, tema que se tornou mais popularizado como "Mack The Knife".     

sábado, 17 de maio de 2014

Between The Lines - MIKE STERN


1 Sunnyside   7:27
2 The Vine   6:27
3 Wing And a Prayer   6:37
4 Lose The Suit   8:43
5 You Never Know   7:13
6 Tell Me   6:03
7 With a Twist   6:37
8 True Enough   6:43
9 Pages   6:43
10 Bait Tone Blues   7:37 

Em Between The Lines, Cd original editado em 1996, cedo se percebe a fluidez e a naturalidade das peças num trabalho de certa forma similar aos registos anteriores de Mike Stern em que a fusão Jazz/Rock permanece evolutiva dentro da formação dos dois géneros. É um trabalho deveras eletrizante em que Stern se difunde em expressivos e intensos solos mas em que por diversas vezes consegue dominar esses momentos entusiastas para alcançar uma sobriedade ordenada. A autoridade deste registo permanece no fraseado da Guitarra Elétrica de Stern assim como nos solos de Saxofone Tenor de Bob Malach, mas também se distinguem os singulares apontamentos de Jim Beard que acumula aqui as funções de Teclista e Produtor. Apesar do trabalho de composição pertencer na totalidade a Mike Stern, temas como "The Vine" e "Lose The Suit" denotam a clara intervenção, ou influência, de Jim Beard. Evidencia-se igualmente a progressão técnica dos talentosos músicos envolvidos neste album com duas secções rítmicas a marcarem forte presença; Dennis Chambers e Lincoln Goines, respetivamente Bateria e Baixo nos temas "Tell Me" e "With a Twist", Dave Weckl e Jeff Andrews, respetivamente Bateria e Baixo nos restantes temas. 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Jigsaw - MIKE STERN


1 Another Way Around   6:25
2 Loose Ends   6:05
3 To Let You Know   6:30
4 Jigsaw   7:02
5 Chief (Bonús Track)   7:42
6 Rhyme Or Reason   5:47
7 Kwirk   6:57

Jigsaw (Puzzle) está longe de ser um quebra-cabeças na medida em que é um registo equilibrado e evidente, dominado por sete faixas originais de Mike Stern que funcionam num formato claro e direto de fusão Jazz/Rock, e que se encontra compensado pelos fraseados e pelos solos de Mike Stern e Bob Berg, Guitarra Elétrica e Sax-Tenor respetivamente. Ao entusiasmo de peças como "Another Way Around", "Jigsaw", "Chief" e "Kwirk" juntam-se os sóbrios momentos dos restantes temas que no seu todo formam um trabalho ordenado, pouco ou nada complexo para o género com a exceção do bonus track "Chief" em que participa Michael Brecker, na edição em Cd.
Acompanhado por músicos de boa estirpe, experientes e habituados a tocar em conjunto em diversas formações, encontram-se nesta sessão, Peter Erskine na Bateria, Jim Beard nas Teclas, Jeff Andrews no Baixo e participações especiais de Dennis Chambers, Bateria em "Loose Ends", "Jigsaw" e "Chief", Michael Brecker com o seu Akai EWI em "Chief", e Manolo Badrena, Percussão em "Another Way Around" e "Chief".  

domingo, 27 de abril de 2014

Fat Albert Rotunda - HERBIE HANCOCK


1 Wiggle Waggle   5:48
2 Fat Mama   3:45
3 Tell Me A Bedtime Story   5:00
4 Oh!Oh! Here He Comes   4:05
5 Jessica   4:11
6 Fat Albert Rotunda   6:27
7 Lil' Brother   4:25

Editado originalmente em 1969, "Fat Albert Rotunda" testemunha a primeira incursão de Herbie Hancock por terrenos mais Funky e mais elétricos, seguindo, de forma independente, as pisadas do mestre Miles Davis. Herbie Hancock começa a explorar a vertente elétrica dos instrumentos acústicos, o Piano Fender Rhodes neste caso, e abre uma nova vertente Soul-Jazz-Funk apoiado no seu estilo caraterístico mas mais libertino, criativo e ritmado. 
"Fat Albert Rotunda" foi criado como uma espécie de banda sonora para um show televisivo de Bill Cosby e neste registo apenas duas peças, "Tell Me A Bedtime Story" e "Jessica", contêm a controlada atmosfera Jazz dos trabalhos anteriores de Herbie Hancock. Os restantes temas são mais abertos, e "atuais," e exploram novos ritmos evoluindo daqui para um novo género que viria a dominar boa parte da música na década de 1970.
Herbie Hancock é aqui oficialmente apoiado por três sopros, Joe Henderson no Sax-Tenor e Flauta, Johnny Coles no Trompete, Garnet Brown no Trombone e pela secção rítmica de Tootie Heath na Bateria e Buster Williams no Contrabaixo mas percebem-se igualmente neste trabalho os não creditados, Eric Gale na Guitarra Elétrica, Bernard Purdie na Bateria, Joe Farrell no Saxofone e Joe Newman no Trompete. 
Bastante interessante variação de percurso de Herbie Hancock.       

terça-feira, 15 de abril de 2014

The Trials Of Van Occupanther - MIDLAKE


1 Roscoe   4:49
2 Bandits   4:04
3 Head Home   5:45
4 Van Occupanther   3:15
5 Young Bride   4:56
6 Branches   5:03
7 In This Camp   5:44
8 We Gathered In Spring   3:33
9 It Covers The Hill Sides   3:14
10 Chasing After Deer   2:42
11 You Never Arrived   1:40 

Os Midlake editaram "The Trials Of Van Occupanther" em 2006, o segundo album original da banda, mas o que se encontra neste registo é um trabalho pleno de ruralidade, recalcado nos primeiros anos da década de 1970, que só "peca" por rebuscar um som com cerca de quarenta anos que marcou uma época e já tinha sido arrecadado no armário. A banda Norte-Americana consegue no entanto transpor este som para a atualidade do novo século, sem ferir suscetibilidades, através do seu bom gosto e cuidado em permanecer fiel às origens, tal é a lealdade à formula original, atente-se nas cuidadas harmonias vocais. O registo apresenta onze temas cristalinos de bom Folk/Rock, tão puros e naturais, distantes da sonoridade urbana que carateriza maioritariamente as bandas do novo século, demonstrando como a música é intemporal, resistente e influente. Apenas a "trilogia" composta pelos temas "Young Bride", "Branches" e "In This Camp" apresenta aqui alguma contemporaneidade Pop apresentando alguns resquícios de bandas mais recentes como os Radiohead ou Arcade Fire.  

domingo, 6 de abril de 2014

The Funk Anthology - JOHNNY "GUITAR" WATSON - CD02


1 Don't Be What UC   4:52
2  What The Hell Is This?   6:09
3  I Don't Want To Be President   3:42
4  Strung Out   7:26
5  Cop And Blow   5:11
6  Booty Ooty   5:23
7  Lone Ranger   6:07
8  Telephone Bill   4:43
9  Love Jones   4:45
10 Before I Let You Go   5:27
11 Voodoo What You Do   5:17
12 Come And Dance With Me   5:16
13 Ain't Nobody Business   4:52
14 Bow Wow   4:46
15 Johnny G. Is Back   5:15

O segundo Cd da antologia começa por incidir no registo de 1979 "What The Hell Is This?", com Watson a divagar pelo som que o começou a caraterizar no início desta mesma década e continua a reinventar-se começando agora a demonstrar interesse nas máquinas, facto bastante denunciado no tema homónimo. Os temas escolhidos do album "Love Jones", editado em 1980, comprovam de seguida uma das fases mais produtivas e inventivas de Watson através do Funk-Disco de "Booty Ooty", de uma excelente interpretação Soul em "Lone Ranger" com direito a Scat pelo meio, de um prematuro Rap em "Telephone Bill" e do sensual duo de "Love Jones". 

A partir de "Before I Let You Go" as máquinas ganham terreno e dos dois temas do album de 1981, "Johnny "Guitar" Watson and the Family Clone" que Watson gravou sozinho, destaca-se a utilização de (identificada como) uma Vocoder Guitar (parece mais uma Talk-Box) no dançável "Come And Dance With Me". Os sintetizadores continuam a dominar em "Ain't Nobody Business" e depois a fechar estão "Bow Wow" e "Johnny G. Is Back" que aqui representam o último registo editado em vida por Johnny "Guitar" Watson, em 1994, pouco acrescentando à coletânea.
Funk Anthology explora a excelência de uma época que representa apenas uma das partes dignas de registo na vida desta lenda que foi uma Voz, uma Guitarra e uma referência para nomes como Jimi Hendrix, Frank Zappa, Prince, Ice Cube ou Snoop Doggy Dogg.          

sábado, 29 de março de 2014

The Funk Anthology - JOHNNY "GUITAR" WATSON - CD01


1  Ain't That a Bitch   5:01
2  Superman Lover   5:43
3  I Need It   4:42
4  A Real Mother For Ya   5:03
5  I Want To Ta-Ta You Baby   5:47
6  Baby's In Love With The Radio   3:50
7  Tarzan   4:58
8  Funk Beyond The Call Of Duty   5:13
9  It's About The Dollar Bill   4:12
10 Love That Will Not Die   3:47
11 I'm Gonna Get You Baby   4:05
12 ET   4:30
13 Miss Frisco (Queen Of The Disco)   5:00
14 You Can Stay But The Noise Must Go   6:08
15 Feel The Spirit Of My Guitar   3:15
16 Gangster Of Love   3:47

Johnny "Guitar" Watson foi inicialmente um referenciado Bluesman que ao longo do tempo se foi reinventando, como forma de sobrevivência, até chegar ao Funk na década de 1970. É  precisamente no início do período Funky e até ao último albúm editado em vida, Watson faleceu em 1996, que esta dupla coletânea editada em 2005 se baseia. Credenciado como virtuoso Guitarrista e como talentoso 
multi-instrumentalista, Johnny "Guitar" Watson compunha, produzia e gravava tudo sozinho tendo apenas de recorrer a um Baterista e a naipes de sopros para concluir os seus trabalhos. Dono de um caraterístico e potente registo vocal assim como de um caraterístico fraseado de Guitarra, Johnny "Guitar" Watson criou uma obra distinta ofuscada apenas pela inovação de nomes maiores do género como George Clinton e Sly Stone. 
Este primeiro Cd da dupla edição incide basicamente em quatro albuns, "Ain't That a Bitch" de 1976, "A Real Mother For Ya" e "Funk Beyond The Call of Duty" ambos de 1977, "Giant" de 1978, e os dezasseis temas deles retirados, impregnados de um mágico Groove que nos faz vibrar o corpo e nos solta a alma inebriada pela sua magnificência, são merecedores na integra do devido destaque.     

segunda-feira, 17 de março de 2014

Acordar - RADIO MACAU


1 Sempre Mais
2 Acordar   4:45
3 Noite Sem Fim   3:43
4 Nós Também   4:39
5 O Lugar do Começo   6:01
6 Falta de Ar   2:49
7 No Deserto   4:13
8 À Distância do Meu Grito   5:16
9 Círculos de Fumo (Instrumental)   3:02   
10 Eclipse   6:35
11 Um Novo Dia   7:08

"...Se as folhas mudam, nós também..." cantam Xana e Ana Deus no verso de "Nós Também", e neste Cd editado em 2003 sente-se de facto uma nova mudança nos Radio Macau que demostram ter amadurecido da melhor forma conseguindo ao sétimo registo original um trabalho consciente, contido e preciso. "Acordar" está ordenado em onze temas que se encontram revestidos por uma elegante simplicidade em que a banda explora de forma calculada, quase sussurrada, frágeis ambientes cristalinos onde a Voz de Xana flutua inebriada pela envolvente atmosfera criada pelo trabalho de composição a par do Guitarrista Flak. Tendo "O Lugar do Começo" e "Eclipse" como momentos preponderantes pela compleição que apresentam, num registo que parece adormecido numa primeira audição, consegue-se assim perceber a dedicação e entrega dos elementos por forma a criar um album coerente que resulta num trabalho ímpar e muito bem conseguido.                 

terça-feira, 4 de março de 2014

4 Corners - ADAM LANE, KEN VANDERMARK, MAGNUS BROO, PAAL NILSSEN-LOVE


1 Alfama (for Georges Braque)   10:07
2 Spin With The EARth   9:58
3 Short Stop (for Bobby Bradford)   9:52
4 Lucia   11:01
5 Ashcan Rantings   9:39
6 Tomorrow Now (for Lester Bowie)   8:53
7 ChiChi Rides The Tiger   14:07

Para os encontros de Jazz de Coimbra, Portugal, organizados pela JACC (Jazz Ao Centro Clube) em 2006, Pedro Costa da editora Clean Feed sugeriu ao Saxofonista Norte-Americano Ken Vandermark uma parceria com o Contrabaixista Adam Lane, outro Norte-Americano. Os dois músicos nunca tinham tocado juntos e o desafio era para que os dois músicos preparassem um concerto com peças escritas pelos próprios. A estes dois músicos juntaram-se ainda os Europeus Paal Nilssen-Love na Bateria e Magnus Broo no Trompete, habituais parceiros de Ken Vandermark noutros projetos. Nestes concertos, para além do Sax-Barítono Ken Vandermark utilizou também um Clarinete e um Clarinete-Baixo . Estava assim formado o projeto 4 Corners.
O quarteto tocou três noites no salão Brazil, todas captadas pela Clean Feed, das quais foram selecionados os sete temas que compõem esta edição. Este portentoso Cd testemunha a eficácia e destreza de um quarteto que pela primeira vez tocava em conjunto e que presenteou a audiência com uma mágica noite de musica, categorizada pela consistência de músicos experientes que improvisam e se expressam numa consciente interatividade conseguindo mesmo antigir  limites de euforia. É Jazz Avant-Garde, com notáveis rasgos Free, executado por músicos contagiantes que se entregam e se transcendem arrebatando consigo a audiência.
Este Cd faz parte da coleção de Cds "JACC Series" que reúne gravações ao vivo organizadas pelo clube em associação com a editora Clean Feed.  

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Css - CANSEI DE SER SEXY


1 Css Suxxx   1:57
2 Patins   2:18
3 Alala   3:58
4 Let's Make Love and Listen To The Dead From Above   3:31
5 Art Bitch   3:09
6 Fuck Off Is Not The Only Thing You Have To Show   4:02
7 Meeting Paris Hilton   3:11
8 Off The Hook   2:40
9 Alcohol   2:49
10 Music Is My Hot Hot Sex   3:06
11 This Month, Day 10   3:57

O coletivo Brasileiro Cansei De Ser Sexy, formado por cinco elementos femininos e um masculino, apresentava-se de forma arrojada e provocatória ao resto mundo através da edição internacional do Cd CSS em 2006, com o alinhamento aqui apresentado. O que inicialmente não passava de uma brincadeira que começou em 2003, rapidamente ganhou contornos mais sérios com a propagação do projeto na internet, e daí à edição do album foi um instante. A estreia do coletivo acabou registado em duas edições distintas, uma no Brasil e outra nos EUA e Europa em que basicamente foram retirados do alinhamento os temas em Português.
Deslocada(o)s do contexto habitual em que a Música Brasileira se costuma expor as Cansei de Ser Sexy manifestam-se em Inglês, com algum Português à mistura de vez em quando, através de destemidas canções Indie-Pop impregnadas de cultura popular, atrevidas e regadas com algum Punk. Elas são Transparentes, nada ingénuas, e embalam num ritmo Eletro-Pop com mais de Europeu do que Sul-Americano instigando uma espécie de celebração Pop da vida que convida à dança numa forma de manifestação alegre e liberal, quase anárquica. Dentro do Pop o coletivo Cansei de Ser Sexy consegue ser uma das bandas mais Hardcore.