sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Adventures In Modern Recording - THE BUGGLES


1 Adventures In Modern Recording 3:44
2 Beatnik 3:38
3 Vermillion Sands 6:47
4 I Am A Camera 4:53
5 On TV 2:49
6 Inner City 3:20
7 Lenny 3:14
8 Rainbow Warrior 5:19
9 Adventures In Modern Recording (Reprise) 0:47
10 Fade Away 2:36
11 Blue Nylon 2:24
12 I Am A Camera [12" Mix] 4:14

É importante frisar que este album sucede a curta prestação de Trevor Horn e Geoff Downes como membros integrantes dos Yes em 1980, ano em que participaram na gravação e edição do registo “Drama”. A colaboração dos dois elementos dos Buggles com os Yes intrometeu-se desta forma entre o primeiro álbum, e o sucesso do single “Video Killed The Radio Star”, e a preparação da gravação do que viria a ser o segundo trabalho dos Buggles. Logo após terem abandonado os Yes, Trevor Horn e Geoff Downes voltam à preparação do segundo álbum dos Buggles mas Downes vinha com outras ideias e acaba por ter uma curta participação na gravação do mesmo partindo quase de imediato para a formação dos Asia, o Super-Grupo de Prog Rock. Como tal resta-nos Trevor Horn, e para muitos este não é o segundo álbum dos Buggles mas sim o álbum a solo de Trevor Horn, que daqui partia para uma reconhecida e influente carreira como Produtor Musical. A participação de Geoff Downes neste trabalho limita-se a três temas “Vermillion Sands”, “I Am A Camera” e “Lenny”.
“Adventures In Modern Recordings” foi editado em 1982 e é um delicioso álbum de Electro-Pop que desde cedo revela, no homónimo tema inicial, um poderoso manancial de ambição e experimentação que se vai expandindo ao longo do álbum. Impregnado de perfeitas harmonias Pop, arranjos impecáveis e Vozes muito bem dirigidas, pormenores que fazem deste album um registo modelar, “Adventures In Modern Recording” é ainda hoje um trabalho a descobrir. É bastante interessante seguir “Vermillion Sands” e perceber a sua progressão Pop que termina num Swing eletrónico ou então entender que “Rainbow Warrior” é um tema sólido enraizado no Rock Progressivo, não faltando sequer o solo de Guitarra, ou descobrir ainda a influência dos Kraftwerk em “On Tv” e deixar “Inner City” inebriar-nos com as suas harmonias étereas. No meio de tudo isto está um single de excelência que dá pelo nome de “I Am A Camera” e que já tinha sido gravado com os Yes para o álbum Drama, sob o título “Into The Lens”, alvo aqui de duas versões, a do álbum e a do Single. Nesta edição são ainda incluídos dois bónus; “Fade Away”, que parece querer parodiar “Not Fade Away” de Buddy Holly, e o interessante “Blue Nylon” que parece ter fornecido o mote para algum do som que lhe sucedeu nos anos seguintes.
Trevor Horn, o principal responsável pela elaboração deste trabalho, acumula as funções de Produção, Guitarra, Baixo e Voz não sendo por isso totalmente descabido afirmar que este é um trabalho a solo mas apesar da curta prestação de Geoff Downes é de facto um álbum dos Buggles. Horn viria de seguida a tornar-se, e com alguma rapidez, como um dos Produtores mais solicitados e respeitados nos anos 80, e não só...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Broadway Blues & Teresa - JACO PASTORIUS - CD02

Cd 02 - Teresa
1 Track I 13:46
2 Track II 15:08
3 Track III 8:56

Subtitulado como “Teresa” o segundo Cd da sessão Alemã foca-se somente na construção da estrutura da inédita composição homónima. Estamos perante uma situação que até podia ser bastante interessante mas que começa por ser monótona e aborrecida; o “Track I” são 13:46’ de Teclado a procurar tonalidades e notas de modo que se torna muito repetitivo e enfadonho. O “track II” regista uma fase mais evoluída da composição, já com Bateria, e ouve-se Jaco a comandar a sessão escolhendo sons e dando indicações até que acaba por se juntar à festa com o seu característico som de Baixo, Bireli Lagrène também aparece nesta fase. No “TrackIII” só falta o Baixo de Pastorius que provavelmente estaria atento ao resultado da prestação dos músicos.
Bastaria o “Track II”, sem dúvida o mais interessante dos três aqui apresentados, para ficarmos satisfeitos com o acesso privilegiado ao processo de elaboração em estúdio do último tema original que Jaco Pastorius escreveu. Mesmo para os mais curiosos ou os mais fanáticos penso ser demasiado penoso estar durante trinta e oito minutos a ouvir insistentemente a mesma composição com poucas variações ou bons apontamentos de interesse. Vale como Cd Bónus de um momento, para todos os efeitos, histórico.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Broadway Blues & Teresa - JACO PASTORIUS - CD01

Cd 01 - BROADWAY BLUES
1 Bluma (B.Lagrène) 3:15
2 Reza (J.Pastorius) 6:55
3 Broadway Blues (O.Coleman) 12:54
4 Teresa (J.Pastorius) 5:36
5 Jaco Reggae (J.Jankeje) 10:45
6 Chicken (A.J.Ellis) 5:47
7Medley (Pastorius/Lagrene/Jankeje)
  Donna Lee (C.Parker) 8:17
8 Berga (B.Lagrène) 4:05
9 Days of Wine and Roses (H.Mancini) 6:27

Antes de mais há que perceber que este Cd, editado em finais dos anos noventa, não é uma edição oficial e não faz portanto parte da discografia do incrível Jaco Pastorius. Não deixa, no entanto, de ser um documento bastante interessante pois é um registo de estúdio, captado em 1986 na Alemanha, numa fase em que já poucos acreditavam que Jaco Pastorius pudesse voltar a ser o ícone que tinha sido alguns anos antes, nomeadamente como membro dos Weather Report. A poucos dias de partir em digressão para Itália, com o Guitarrista Bireli Lagrène, Pastorius e Lagrène foram a estúdio, tendo o Baterista Peter Lubke como terceiro elemento desta sessão, e gravaram esta sessão com microfones abertos de forma a que tudo ficasse registado ao jeito de uma Jam Session. Este Cd dá-nos o resultado dessa sessão sem qualquer tratamento, Jaco gosta de ir falando ao longo da sessão dando dicas ou explicando a construção dos temas e alguns momentos de puro improviso do Trio vão surgindo espontaneamente, tudo muito real. Este registo tem pois um grande valor documental.
O primeiro Cd arranca com “Bluma” que é simplesmente o momento em que a sessão começa, afinações e Jaco a pedir microfone aberto para poder ir falando ao longo da sessão enquanto Lagrène pega em “Eruption” de Van Halen e um Pastorius entusiasmado diz logo “That's the shit right there - Eddie Van Halen. Turn it up!". “Reza” é assim o primeiro tema que o Trio agarra, e de forma bastante enérgica. “Broadway Blues” demonstra como Pastorius estava em perfeita sintonia com Lagrène e que nesta altura estava mesmo em boa forma, perto do final do tema Pastorius não consegue evitar um cheirinho de distorção, uma passagem pelo Riff de “River People” do Weather Report e até consegue finalizar com as notas de “The Sound Of Music”. “Teresa” pertence a outra sessão de gravação e é um inédito, escrito por Pastorius enquanto esteve internado. A primeira metade de “Jaco Reggae” regista o Trio a adaptar-se ao tema até arrancar de vez com este interessante Reggae de Jan Jankeje. O emblemático “Chicken” continua a ser um dos momentos altos, seja qual for a sessão. “Medley” é momento de groove que culmina com “Donna Lee”. “Berga” é um simpático tema de Lagrène. A fechar está a balada “The Days Of Wine And Roses” de H.Mancini, um tema que Jaco Pastorius já manifestara anteriormente vontade de gravar.
Um bom documento para os mais curiosos ou fãs acérrimos de Pastorius e com boa qualidade de som. Esta sessão também é conhecida como Stuggart Aria.

sábado, 11 de agosto de 2012

Wicked Game - CHRIS ISAAK

Side A
1 Wicked Game 4:49
2 You Owe Me Some Kind of Love 3:53
3 Blue Spanish Sky 3:58
4 Heart Shaped World 3:28
5 Heart Full of Soul (G.Gouldman) 3:20
6 Funeral in the Rain 3:22
Side B
1 Blue Hotel 3:13
2 Dancin' 3:45
3 Nothing's Changed 4:07
4 Voodoo 2:42
5 Lie to Me 4:15
6 Wicked Game (Instrumental) 4:47

Aproveitando de forma estratégica o “sucesso” da versão instrumental de “Wicked Game” como banda Sonora do filme “Wild At Heart” de David Lynch em 1990, foi editada no ano seguinte esta compilação centrada nos primeiros três trabalhos originais de Chris Isaak. Portador de uma sonoridade de época, com os anos 50/60 como referência e tendo o Country-Rock, o Surf-Rock, e o Rockabilly como os géneros adaptados, Chris Isaak consegue aparecer na segunda metade da década de oitenta com as suas Guitarras reverberadas e uma voz máscula e doce, algures entre Elvis Presley e Roy Orbison, e consegue inclusive algum reconhecimento mas o sucesso ainda estava para vir. É nesta parte da história que surge então este Lp.
Tendo o mesmo título do single “Wicked Game” e incluindo duas versões do mesmo, a versão instrumental é a do filme, resume-se nesta coletânea o início da carreira de Chris Isaak. Do primeiro álbum, “Silvertone” em 1985, recolheu-se “Dancin’”, “Voodoo” e “Funeral In The Rain”, destacando-se entre estas três escolhas o ritmo dominador de “Voodoo”. Do álbum “Chris Isaak” de 1986 vem uma colheita de luxo encabeçada por “Blue Hotel” e uma versão muito bem conseguida de “Heart Full Of Soul”, um clássico tema dos Yardbirds, a que se juntam o aguerrido “You Owe Me Some Kind Of Love” e “Lie To Me”. “Heart Shaped World” de 1989 é o responsável por “Wicked Game”, “Nothing’s Changed”, “Heart Shaped World” e “Blue Spanish Sky”, este último, tambem incluido na banda Sonora de “Wild At Heart”, contêm alguma influência Mariachi.
Este álbum é uma boa introdução à primeira fase da carreira de Chris Isaak onde um sugestivo deserto, com o seu ar quente e libertino soprado nas notas fluídas das Guitarras carregadas de efeitos Reverb e Tremolo apoiadas por um simples quarteto, sustenta as sedutoras melodias da costa Oeste Norte-Americana.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Trovante ao Vivo no Campo Pequeno - TROVANTE - LP02


Lado A
1 Fizeram os Dias Assim 3:14
2 Fiz-me à Cidade 8:41
3 Saudade 6:13
Lado B
1 Memórias de Um Beijo 5:00
2 125 Azul 5:50
3 Terra à Vista 6:44

O segundo disco desta dupla edição em vinil tem o papel da apoteose, por norma os momentos mais intensos do concerto. É a altura em que o público espera pelas músicas mais conhecidas para participar efusivamente no espetáculo, num evento em que o público se manteve participativo do princípio ao fim, e é de facto com a audiência conquistada que os Trovante chegam ao final da sua prestação no Campo Pequeno em Setembro de 1988.
Depois de mais uma visita a “Sepes”, com “Fizeram Os Dias Assim”, João Gil chega-se à frente com “Fiz-me à Cidade”, uma tentativa de Rock nada habitual para a banda, em que é aproveitado o balanço rítmico para se concluir o momento com um solo de Bateria de José Salgueiro. Segue-se de imediato a interpretação de “Saudade” que é grande e autêntica. O trio de convidados, Jorge Reis, Edgar Caramelo e Tomás Pimentel volta aqui a aparecer destacado, desta vez como solistas, e Luís Represas até comete uma pequena gaffe, imediatamente corrigida, ao apresentar Jorge Reis em Sax-Tenor em vez de Sax-Alto. Há ainda tempo para mais uma balada com “Memórias de Um Beijo” e para uma multidão entusiasmada segue-se “125 Azul”, o Hit da banda na altura, acompanhado por palmas do princípio ao fim. “Terra à Vista” fecha a noite de forma patriótica em jeito de ode à nação.
À data este era o único registo editado ao vivo da banda e acaba por servir de testemunho da fase final da banda. Apesar de se sentir a entrega dos músicos os Trovante eram por esta altura uma banda bastante diferente do conceito inicial, agora com ideias musicais e diferentes ambições a dividirem o seio do grupo. Fica, mesmo assim, registado para a posterioridade como um dos momentos altos da carreira dos Trovante.

domingo, 5 de agosto de 2012

Trovante ao Vivo no Campo Pequeno - TROVANTE - LP01


Lado A
1 O Viandante 4:05
2 Esplanada 4:00
3 Noites de Verão 4:05
4 Fim 5:10
Lado B
1 Um Caso Mais 3:24
2 Outra Margem 2:09
3 Perdidamente 4:22
4 Bye Bye Blackout 4:32

Ao Boom do rock em Portugal na aurora da década de oitenta sucedeu-se, no final dessa mesma década, a gravação de duplos álbuns ao vivo pelos que conseguiram superar uma época em que se crescia aos poucos em Portugal, havia muitas novidades, tentando alcançar os níveis de uma Europa já bastante adiantada em relação a nós. Na cultura havia grandes lacunas e a música era uma delas, os concertos ao vivo, de bandas nacionais, iam progredindo lentamente e a sua assistência ia evoluindo assim como as condições de trabalho para os músicos. Dos concertos para coletividades em cima de carrinhas de caixa aberta, aos palcos de Eucalipto nas festas, poucos terão tido oportunidade de pisar o palco de um Cine-Teatro, para não falar de uma Aula Magna ou de um Coliseu. Depois havia também a questão dos paupérrimos sistemas de som, ainda não se usava P.A., e acima de tudo ter público suficiente para assistir a um concerto de Pop/Rock. Isto tudo só para lembrar que a partir da segunda metade da dita década as coisas começaram de facto a mudar, e os Trovante por acaso até já tinham feito anteriormente uma Aula Magna e um Coliseu de Lisboa.
Em Setembro de 1988 os Trovante levaram oito mil pessoas ao Campo Pequeno, num concerto com grande aparato multimédia, gravação Audio e Video, que encerrava a digressão do bem sucedido álbum “Terra Firme”. Já um pouco distanciados do som mais popular dos inícios de carreira os Trovante eram por esta altura uma banda muito segura em palco, com sucesso comercial, agora assente numa sonoridade mais Pop/Rock com alguma influência Jazz e um pouco de sonoridade Latina. O repertório presente neste duplo Lp assenta quase integralmente em “Terra Firme” e no trabalho anterior “Sepes”, havendo neste primeiro disco a presença de um saudoso “Outra Margem” e de uma visita ao Lp “84” com “Esplanada”. Registe-se neste primeiro disco; o modesto arranque de “O Viandante”, o proporcionado momento de dança com “Noites de Verão” em que os três convidados especiais, Jorge Reis no Sax-Alto, Tomás Pimentel no Trompete e Edgar Caramelo no Sax-Tenor, se evidenciam a par do solo de Sax-Soprano de Artur Costa, “Perdidamente” é o momento alto de Luís Represas e o primeiro disco encerra com o ligeiro Swing de “Bye Bye Blackout”.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Animals - PINK FLOYD

Side A
1 Pigs on the Wing 1 1:23
2 Dogs 17:00
Side B
1 Pigs (Three Different Ones) 11:22
2 Sheep 10:18
3 Pigs on the Wing 2 1:23

Em 1977, para além da explosão do Punk, acentuava-se a tensão entre os egos Waters / Gilmour, sendo Waters quem mais se ressentia perante a descontraída passividade de Gilmour. Não admira por isso que todos os temas de Animals, com exceção de “Dogs”, sejam assinados somente por Roger Waters, que assim começava a assumir de vez a liderança da banda. É sob esta posição que Roger Waters avança de forma firme para Animals inspirando-se na obra literária de George Orwell "O Triunfo dos Porcos" para criar um álbum conceptual sob uma égide sombria e uma atmosfera pesada. Não sendo um trabalho harmonioso e envolvente como os Pink Floyd tinham criado até aqui não deixa de ser um dos seus trabalhos mais bem conseguidos e David Gilmour até consegue neste album uma das suas melhores prestações, se não mesmo a melhor, em todos os registos da banda. David Gilmour compensa de forma categórica o facto de estar de fora do trabalho de composição, a sua sonoridade nunca foi tão forte, tão suja e ao mesmo tempo tão impressionável como aqui, ouça-se a sensual utilização de uma Talk-Box em “Pigs”. E se Nick Mason nos aparece igual a ele próprio na Bateria é o Teclista Rick Wright o elemento mais deslocado do seu habitual. Sente-se a presença de Rick Wright no álbum mas é no momento de respiração em “Dogs” e na sua fundamental presença em “Sheep” que mais se ouve o seu registo habitual.
Longos temas, exceção para o minuto e pouco de “Pigs on The Wing” que abre e fecha o registo, sendo “Sheep” com os seus 10’ o tema mais curto, percebendo-se logo aqui que este não é um álbum para as massas, é inclusive no final da digressão deste álbum, num concerto em Montreal, Canadá, que Waters cospe literalmente a sua frustração, de não ser ouvido, na cara de um fã.
Problemas à parte, “Animals” é uma presença muito forte no catálogo da banda quer pela sua diferença quer pelo resultado final, um álbum muito denso e que apesar das divergências consegue ser coeso e brilhante.