2 Bissectriz (Marciano Homem de Marte) 4:06
3 Gaia (Marciano Homem de Marte) 3:14
4 Roleta Russa (Marciano Homem de Marte) 5:22
5 Missão Amar-te (Marciano Homem de Marte) 4:16
6 O Tempo Não Volta Atrás (Marciano Homem de Marte) 2:55
7 Punhado De Areia (Marciano Homem de Marte/MC Santiago) 1:32
8 Este Coração Não É O Meu (Marciano Homem de Marte) 4:45
9 Soldado (Francisco J. Resende) 5:05
10 Sem Remédio (Marciano Homem de Marte/F. Espanca) 4:05
11 Meumorial (Marciano Homem de Marte) 4:40
12 Tremor (Marciano Homem de Marte) 5:20
13 Costas Em Costas (Jorge Vaz Dias) 1:06
É difícil desassociar Marte como um símbolo bélico. Com origem na mitologia romana, como denominação divina do deus da guerra, o nome de Marte seria depois usado para batizar o quarto planeta do nosso sistema solar. Em 1898 foi publicado o fantástico livro "The War of the Worlds", em que H.G. Wells fantasia uma invasão extra-terrestre praticada por Marcianos que pretendem dominar a Terra. Nas vésperas do início da 1ª Guerra Mundial, Gustav Holst concluía a suite orquestral "The Planets" e atribuia a Marte o sub-título "The Bringer of War". Em tempos mais próximos, no ano de 1996, Tim Burton realizou "Mars Attacks!" uma obra cinematográfica centrada numa caótica invasão Marciana. Estes são apenas alguns exemplos conhecidos do simbolismo bélico de Marte, outros mais haverão.
Chegados a 2025, deparamos-nos com um mundo algo insano em que neste momento parece que a única coisa que nos falta mesmo acontecer seria uma invasão extra-terrestre. No entanto, com um subtil jogo de palavras, mARCIANO inverte todo o sentido de uma inquietante viagem científica ao planeta belicoso e torna-a numa demanda pelo amor mais puro, em busca da única força que pode realmente unir, e convida-nos a todos para participar nela.
De novo em edição de autor, "Missão Amar-te" confirma mARCIANO como um herdeiro legítimo do cançonetismo português, capaz de expressar a sua sinceridade musical em canções pop de tonalidade mais escura e adulta, intimamente emolduradas por uma dinâmica maquinal que complementa a firme aliança de uma secção rítmica bem presente e enquadrada, composta por Rui Geada, no baixo, e Nuno Francisco, na bateria. David Wolf colaborou nos arranjos, nas guitarras e nos sintetizadores, e ainda assumiu todo o trabalho de produção; exceção para as músicas "Bissectriz" e "Missão Amar-te", gravadas anteriormente e produzidas por Paulo Pereira, e "Sem Remédio", uma co-produção mARCIANO/Ricardo Simões.
Amar é a missão e tem na faixa título a força de um hino maior, pleno de esperança e entrega, com tendências evidentes do estilo que se denominou como Música Moderna Portuguesa nos anos de 1980. Neste ponto, mARCIANO explora bem a Portugalidade da sua obra numa carinhosa devoção pelo passado em busca de inspiração divina para o presente. A sentida presença da guitarra Portuguesa de Carlos Amado em "Bissectriz" e "Este Coração Não É Meu", a fiel versão para "Soldado", original dos Sitiados, e a etérea adaptação do poema "Sem Remédio" de Florbela Espanca, reforçam a afeição de mARCIANO pelas suas raízes lusitanas. A poesia tem também o seu espaço próprio no registo, com "2 Vidas" a cumprir as funções de prólogo e "Costas Em Costas" a ser o epílogo. Ambos os poemas são da autoria de Jorge Vaz Dias e são loquazmente declamados pela venerável voz de António Cova. "Punhado De Areia" é o outro poema incluído no álbum e parece cumprir a função de interlúdio, com uma declamação profundamente visceral pela sua autora MC Santiago.
O grito urgente da consciência ambiental de "Gaia", o desespero e impotência do Homem perante a força da brutalidade humana em "Roleta Russa", os laivos neo-classicistas de "O Tempo Não Volta Atrás" e as incríveis reminiscências euro-pop de "Meumorial", são momentos ímpares e conscientes, habilmente convertidos como música eficaz, sincera, direta e muito atual mas ... ainda há ... "Tremor", uma música extraordinária em que, logo numa primeira audição, temos a sensação de que fez sempre parte da nossa vida. Tem uma dimensão imensurável. É intensa, emotiva e arrepiante, extraordinariamente arrebatadora, e encontra-se envolvida pelo efeito mágico dos inebriantes violinos elétricos do britânico Matt Howden, mais conhecido pelo seu projeto solo como Sieben.
O álbum está editado nos formatos digital, vinil e CD, e pode ser adquirido em https://marcianodemarte.bandcamp.com/album/miss-o-amar-te ou escutado nas habituais plataformas digitais.