sábado, 18 de agosto de 2007

Out There - ERIC DOLPHY


1 Out There (Dolphy) 6:55
2 Serene 7:01
3 The Baron 2:57
4 Eclipse (Mingus) 2:45
5 17 West 4:50
6 Sketch of Melba (Weston) 4:40
7 Feathers (Smith) 5:00

Ainda hoje nos perguntamos o que poderia Eric Dolphy ter feito mais, caso não tivesse falecido tão cedo. A sua visão e criatividade teriam muito mais para nos oferecer e surpreender, não o duvidamos, mas não o vamos saber. A sua morte em Berlim, em Junho de 1964, deixou-nos sem um homem que procurava na Europa quem apreciasse a sua música, o seu trabalho, e novos músicos que o pudessem acompanhar na sua busca de novas sonoridades.
A sessão deste CD que aqui apresento data de 1960, e pode-se considerar o 2º trabalho de Eric Dolphy em nome individual. É um trabalho surpreendente e com uma formação invulgar, Eric Dolphy em Sax-alto, Clarinete, Clarinete-Baixo e Flauta Transversal, Ron Carter em Violoncelo, George Duvivier em Contrabaixo e Roy Haynes na Bateria. A inclusão de um Violoncelo e de um Contrabaixo soa, inicialmente, de uma forma estranha. "Como irão soar estes dois instrumentos em conjunto?", e a resposta foi obtida logo no primeiro tema. Ron Carter, não esquecer que é ele quem executa o Violoncelo com arco, tem o papel de 2º instrumento, tal como se fosse um guitarrista, ou outro instrumento mais vulgar de se ver nesta situação. A secção ritmica acompanha, em alto nível os dois executantes mas é, obviamente, Eric Dolphy a personagem principal desta sessão.
"Out There" arranca logo em grande ritmo com Roy Haynes a impôr um andamento rápido, e autoritário, como condutor deste tema. Eric Dolphy, em Sax-alto, soa a Ornette Coleman. Rápido e imparável. Muitas vezes eles foram comparados, o que não agradava a Dolphy por se estarem a comparar as pessoas em detrimento da música, segundo ele. Eram grandes amigos e admiravam-se mutuamente, mas Dolphy achava que esta comparação desviava a atenção dos pormenores musicais de cada um.
"Serene" destaca-se por vários motivos. Aqui Eric Dolphy toca Clarinete-baixo, e que bem que ele soa, e temos pequenos solos dos restantes membros com destaque para o solo de George Duvivier logo complementado por Ron Carter, desta vez sem arco, que consegue completar o que Duvivier começou como se fossem o mesmo elemento, admirável. O tema é calmo mas muito envolvente.
"The Baron" é mais uma composição de Dolphy e é sobre Charlie Mingus, que usava esta designação em tempos idos. Mais uma vez temos Dolphy em Clarinete-baixo, muito bem secundado por Ron Carter que inicia e finaliza o tema com Dolphy. Carter tem aqui outro excelente apontamento. É um tema curto e rápido.
"Eclipse" é uma composição de Charles Mingus que Dolphy interpreta em Clarinete. Soa um pouco a música de câmara, mas é uma peça muito contemporânea. Mais uma vez Duvivier e Carter complementam-se na perfeição.
Em "17 West" Dolphy arranca para um dos instrumentos que mais o identifica, a Flauta. O som que ele tira do instrumento é muito rico, muito quente e usa-o de uma forma muito melódica. Neste tema os restantes elementos voltam a ter bastante espaço para os seus solos. Este tema é o que mais me faz lembrar, curiosamente, a sonoridade que Dolphy virá a usar em "Out to Lunch", em 1964. Fiquei com a impressão do tema ter acabado a meio.
Magistral a forma como Dolhpy tira som da flauta e usa dinâmicas para expressar certos momentos em "Sketch of Melba", um tema de Randy Weston. O tema é quase todo de Dolphy cedendo espaço para um solo grave, em momento não em som, de Carter.
A terminar, uma composição de Hale Smith, "Feathers", em que Dolphy volta ao Sax-alto. A entrega de Dolphy neste tema é total, de uma expressividade, e emotividade única. O tema é todo dele numa toada de lamento, mas impressionante. Curiosamente o registo que Dolphy usa neste tema faz-me lembrar o som de saxofone dos palhaços de circo, neste caso do palhaço triste.
É uma obra obrigatória.

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