2 Eggplant (M. Franks) 3:34
3 Monkey See - Monkey Do (M. Franks) 3:33
4 St. Elmo's Fire (M. Franks) 3:58
5 I Don't Know Why I'm So Happy I'm Sad (M. Franks) 4:16
6 Jive (M. Franks) 3:16
7 Popsicle Toes (M. Franks) 4:35
8 Sometimes I Just Forget To Smile (M. Franks) 3:45
9 Mr. Blue (M. Franks) 4:03
Para além de deter um dos timbres vocais mais melosos dentro do jazz vocal mais comercial, Michael Franks revela uma venerável capacidade intelectual para escrever letras interessantes, em que aborda questões de caráter íntimo, imprimindo-lhes uma dimensão musical extrovertida e particularmente inteligente, exprimindo-se de uma forma divertida, sensual e muito própria. No entanto, até que ponto se poderá considerar este registo como jazz?
Para complicar a questão, Michael Franks está aqui acompanhando por uma formação de luxo com reconhecidas bases no ... jazz. A expressiva presença de três elementos dos Crusaders - Joe Sample (piano), Wilton Felder (baixo) e Larry Carlton (guitarra) - ajuda à elevada importância deste registo, a que ainda se junta o baterista John Guerin e as prestações pontuais de David Sanborn (sax-alto) e Michael Brecker (sax-tenor). As composições são todas assinadas por Michael Franks e apresentam a envolvente fragilidade de uma textura doce, macia, serena e extremamente agradável, capaz de cativar um vasto grupo de ouvintes desde o jazz, ao rock e até à pop ou mesmo à soul music.
Apesar de uma experiência discográfica anterior, é a partir daqui que a obra de Michael Franks começa a ganhar expressão. Editado originalmente em 1975, 'The Art Of Tea' é realmente uma beleza de álbum, a que é difícil não se dar a devida importância. Registo muito detalhado e inteligente para ser rock, e muito melodioso e correto para ser jazz, caraterizado por uma sobriedade inerente a que não será alheia a postura tímida e erudita de Michael Franks. A excelência dos músicos completa o teor qualitativo do registo da melhor forma, através de uma leitura impecável das composições originais a que ainda se acrescenta o cunho pessoal que compõe a sonoridade de cada um destes músicos.
A perfurante guitarra de Larry Carlton em "Nightmoves", os dotes culinários de "Eggplant", o sax-alto de David Sanborn na delicada relação de "Monkey See - Monkey Do", o calor afetuoso que adorna a irresistível tonalidade de "St. Elmo's Fire", a contradição patente em "I Don't Know Why I'm So Happy I'm Sad", o vigoroso sax-tenor de Michael Brecker em "Jive", a cativante disposição de "Popsicle Toes", a proximidade blues de "Sometimes I Just Forget To Smile", a colorida delicadeza de "Mr. Blue" e, por fim, a presença incrível de Joe Sample em todas as frentes do registo, fazem deste álbum uma obra de referência.