domingo, 22 de setembro de 2024

Hymns To The Silence - VAN MORRISON - LP02


 Lado A
1 By His Grace (V. Morrison)   2:33
2 All Saints Day (V. Morrison)   2:26
3 Hymns To The Silence (V. Morrison)   9:36
4 On Hyndford Street (V. Morrison)   5:17
5 Be Thou My Vision (Traditional/Arrang. V. Morrison)   3:47
Lado B
1 Carrying A Torch (V. Morrison)   4:25
2 Green Mansions (V. Morrison)   3:37
3 Pagan Streams (V. Morrison)   3:35
4 Quality Street (V. Morrison/M. Rebennack)   3:57
5 It Must Be You (V. Morrison)   4:04
6 I Need Your Kind Of Loving (V. Morrison)   4:29

O bom momento que Van Morrison atravessava por esta altura é comprovado pela qualidade e quantidade do admirável conteúdo musical aqui produzido, ao ponto de haver capacidade para uma edição dupla sem desníveis. O álbum detém a aura que envolve as grandes obras e o segundo disco complementa na perfeição o conteúdo do seu par. 

Mais sensível, comedido e retrospetivo, as paisagens bucólicas surgem neste disco com a serenidade de uma alma desanimada mas ainda com força para se exprimir e lutar pela recuperação de valores que são agora uma saudade; "Carrying The Torch" e "Hymns To The Silence" encaixam profundamente neste campo. "On Hyndford Street" e "Pagan Streams" são peças declamatórias, como que manifestos artísticos, envoltas num ambiente denso e depois numa complexidade de jazz harmónico. Em "Be Thou My Vision" encontra-se novo momento espiritualista enquanto "Green Mansions" representa a vertente mais irlandesa deste lado da edição.  

Mas nem tudo é contemplativo e reflexivo neste registo. O rock moderado de "By His Grace" tem a devida continuidade, mais perto do final, com "Quality Street", "It Must Be You" e "I Need Your Kind Of Loving", assim como uma nova dissertação jazz em "All Saints Day". Uma obra consciente e muito adulta, subtilmente dominada pelo calor de um autor experiente e independente que define a sua arte à plenitude da sua imagem.

Entre as colaborações, destaca-se o regresso de Candy Dulfer ao álbum, com a tonalidade smooth do seu saxofone, em "It Must Be You", e a integralidade de uma prestação ativa de Georgie Fame ao longo de todo o registo com a vitalidade tímbrica do seu orgão. Os The Chieftains também reaparecem no álbum para outra simpática prestação, desta vez em "Be Thou My Vision".

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Hymns To The Silence - VAN MORRISON - LP01

 

  Lado A
1 Professional Jealousy (V. Morrison)   3:42
2 I'm Not Feeling It Anymore (V. Morrison)   6:27
3 Ordinary Life (V. Morrison)   3:28
4 Some Peace Of Mind (V. Morrison)   6:20
5 So Complicated (V. Morrison)   3:15
  Lado B
1 I Can't Stop Loving You (D. Gibson)   3:52
2 Why Must I Always Explain? (V. Morrison)   3:47
3 Village Idiot (V. Morrison)   3:10
4 See Me Through Part II (Just A Closer Walk With Thee) (Traditional/Arrang. V. Morrison)   3:05
5 Take Me Back (V. Morrison)   9:03

'Hymns To The Silence' representa o vigésimo-primeiro trabalho de estúdio para o irlandês Van Morrison e marca ainda a singularidade de ser o seu primeiro álbum duplo de estúdio em vinte e quatro anos de carreira. Editado em 1991, o registo revela a desilusão e o cansaço de Morrison perante uma humanidade sem rumo, distante dos valores do passado, que perdeu a naturalidade da sua essência para a novidade de uma rotina acelerada, ansiosa e cercada pelo incómodo do ruído.

O álbum suporta os contornos de uma obra conceptual em que Van Morrison reclama a urgência de recuperar os valores perdidos para um retorno saudável a tempos serenos e menos complicados, e fá-lo conscientemente através de um nobre contexto estruturado em canções sóbrias, que percorrem o rock 'n roll adulto, o primor dos blues, a categoria do jazz, a revelação do espiritual e a dignidade tradicionalista das suas origens Irlandesas, que se concluem como autênticos hinos líricos ao silêncio.

É uma obra maior, definida pela categoria de Van Morrison, que aqui recupera muito do melhor nível da sua sobriedade musical. Confortável, explícito e credível, o primeiro disco desta dupla edição evidencia-se pela notória qualidade de todas as músicas que o compõem. Desde o aprazível rock moderado de "Professional Jealousy", "I'm Not Feeling It Anymore" e "Peace Of Mind", o poder dos blues em "Ordinary Life" e o jazz efusivo de "So Complicated", a natureza inebriante do tradicionalismo irlandês em "I Can't Stop Loving You", "Why Must I Always Explain?" e "Village Idiot", a alma espiritual de "See Me Through Part II (Just A Closer Walk With Thee)" até ao emotivo culminar com "Take Me Back", dava já um belíssimo trabalho ... mas ainda há mais no segundo disco ...

Por fim, realce para as participações da saxofonista neerlandesa Candy Dulfer, com uma leveza smooth jazz para "Peace Of Mind" e habilmente enérgica  para o desvario jazz de "So Complicated", enquanto que os The Chieftains passeiam a sua graciosidade pela simpática versão de "I Can't Stop Loving You".