1 By His Grace (V. Morrison) 2:33
2 All Saints Day (V. Morrison) 2:26
3 Hymns To The Silence (V. Morrison) 9:36
4 On Hyndford Street (V. Morrison) 5:17
5 Be Thou My Vision (Traditional/Arrang. V. Morrison) 3:47
Lado B
1 Carrying A Torch (V. Morrison) 4:25
2 Green Mansions (V. Morrison) 3:37
3 Pagan Streams (V. Morrison) 3:35
4 Quality Street (V. Morrison/M. Rebennack) 3:57
5 It Must Be You (V. Morrison) 4:04
6 I Need Your Kind Of Loving (V. Morrison) 4:29
O bom momento que Van Morrison atravessava por esta altura é comprovado pela qualidade e quantidade do admirável conteúdo musical aqui produzido, ao ponto de haver capacidade para uma edição dupla sem desníveis. O álbum detém a aura que envolve as grandes obras e o segundo disco complementa na perfeição o conteúdo do seu par.
Mais sensível, comedido e retrospetivo, as paisagens bucólicas surgem neste disco com a serenidade de uma alma desanimada mas ainda com força para se exprimir e lutar pela recuperação de valores que são agora uma saudade; "Carrying The Torch" e "Hymns To The Silence" encaixam profundamente neste campo. "On Hyndford Street" e "Pagan Streams" são peças declamatórias, como que manifestos artísticos, envoltas num ambiente denso e depois numa complexidade de jazz harmónico. Em "Be Thou My Vision" encontra-se novo momento espiritualista enquanto "Green Mansions" representa a vertente mais irlandesa deste lado da edição.
Mas nem tudo é contemplativo e reflexivo neste registo. O rock moderado de "By His Grace" tem a devida continuidade, mais perto do final, com "Quality Street", "It Must Be You" e "I Need Your Kind Of Loving", assim como uma nova dissertação jazz em "All Saints Day". Uma obra consciente e muito adulta, subtilmente dominada pelo calor de um autor experiente e independente que define a sua arte à plenitude da sua imagem.
Entre as colaborações, destaca-se o regresso de Candy Dulfer ao álbum, com a tonalidade smooth do seu saxofone, em "It Must Be You", e a integralidade de uma prestação ativa de Georgie Fame ao longo de todo o registo com a vitalidade tímbrica do seu orgão. Os The Chieftains também reaparecem no álbum para outra simpática prestação, desta vez em "Be Thou My Vision".