sábado, 30 de maio de 2026

Absolute Begineers - ORIGINAL SOUNDTRACK


1 Absolute Beginners (D. Bowie) - David Bowie   8:00
2 Killer Blow (Adu/Booth/Stabbins) - Sade   4:35
3 Have You Ever Had It Blue? (P. Weller) - Style Council   5:36
4 Quiet Life (R. Davies) - Ray Davies   2:55
5 Va Va Boom (G. Evans) - Gil Evans   3:25
6 That's Motivation (D. Bowie) - David Bowie   4:13
7 Having It All (P. Kensit/Godson/Beauchamp) - Eighth Wonder feat. Patsy Kensit   3:06
8 Rodrigo Bay (Booth/Stabbins) - Working Week   3:28
9 Selling Out (Taylor/Temple/Gaillard) - Slim Gaillard   3:34
10 Riot City (J. Dammers) - Jerry Dammers   8:28
11 Boogie Stop Shuffle (Rough and the Smooth) (Mingus) - Gil Evans   3:00
12 Ted Ain't Ded (Tudorpole/Temple) - Tenpole Tudor   2:35
13 Volare (Nel Blu Dipinto Di Blu) (Modungo/Migliacci) - David Bowie   3:12
14 Napoli (Langer/Temple) - Clive Langer   4:07
15 Little Cat (You've Never Had It So Good) (N. Lowe) - Jonas   2:17
16 Better Git It In Your Soul (The Hot and the Cool) (Mingus) - Gil Evans   1:48
17 So What? (Lyric Version) (M. Davis/S. Culture) - Smiley Culture   4:16
18 Absolute Beginners (Refrain) (D. Bowie) - Gil Evans   1:37

A reputação do realizador britânico Julien Temple foi conquistada pelo seu trabalho na área do videoclip, onde pontuam trabalhos para nomes como Sex Pistols, David Bowie, Rolling Stones, Neil Young, Tom Petty, entre outros mais. Em 1986 Julien Temple dirigiu uma adaptação cinematográfica  do livro 'Absolute Begineers', escrito por Colin MacInnes em 1959, utilizando o formato de uma obra musical, ao estilo de Hollywood, para transpor a época tumultuosa de uma Londres em completa ebulição para o grande ecrã. O conceito faz todo o sentido, tendo em conta que a música estava no centro de toda esta agitação. 

A época (final da década de 1950), ficou marcada por um período de forte imigração para as ilhas britânicas, o que gerou uma grande tensão racial e alguma instabilidade social. Esta foi também a época da cultura mod, dominada pela afirmação do requinte da moda e pela aceitação da cultura Italiana e as suas motas scooters. Uma explosiva fusão cultural/social, carregada com o exotismo de novos estilos musicais, que foi imediatamente assimilada pelas novas gerações que assim procuravam afirmar a sua individualidade e sofisticação perante a austeridade do pós-guerra.

O jazz, a música latina, o rock e algum esplendor soul, prevalecem acima dos tumultos e do romance e estabelecem a sua posição no filme. É o momento em que a 'música negra' entra definitivamente no panorama cultural britânico. O filme captura toda a ambiência da época e a banda sonora tem o papel evidente de ilustrar as imagens com a devida correspondência musical, havendo mesmo lugar à participação de alguns destes músicos no filme - Sade, Ray Davies, David Bowie, Patsy Kensit, Slim Gaillard e Tenpole Tudor têm todos o seu papel, na interpretação das suas músicas. 

As músicas são todas originais para o filme, exceção apenas para a versão que David Bowie gravou do clássico italiano "Volare" e uma adaptação hip-hop de Smiley Culture para "So What", que Miles Davis gravou precisamente na época em que se desenrola a ação do filme. Gil Evans, lendário maestro, compositor e pianista canadiano, teve um desempenho relevante com a sua contribuição para a música do filme, ao nível de produção e de arranjos, ajudando a condensar a sonoridade jazz clássica com a modernidade pop da época de produção do filme. O original "Va Va Boom" e a inclusão de dois apontamentos musicais centrados em peças de Charles Mingus - "Boogie Stop Shuffle" e Better Git It In Your Soul" - sobressaem como os momentos mais jazzísticos desta edição. A par da contribuição de Gil Evans, David Bowie é o nome que maior contributo deu para esta banda sonora, conseguindo mesmo alcançar um dos seus maiores êxitos da década de 1980 com o single homónimo.

Há mais, muito mais, para descobrir no restante alinhamento. O elegante caráter latino de "Rodrigo Bay", dos britânicos Working Week, é deliciosamente dançável. "Napoli", de Clive Langer, tem também algum aroma latino, mas mais expansivo. Jerry Dammers orquestrou "Riot City" com variações dinâmicas prontas a servir a intensidade da cena em questão. A adaptação de Smiley Culture para "So What?" revela um trabalho inteligente e de boa disposição, que elucida o ouvinte acerca dos acontecimentos que marcam o período que o filme representa.

É um registo dignificante, que recorre a músicos atuais, à época, para criar uma obra fiável e bem entrosada, capaz de representar eficazmente um período de tempo específico e datado. A escolha das participações foi bem conseguida, ao ponto da banda sonora ser mais popular do que o próprio filme.  

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