domingo, 29 de março de 2026

Video - GABRIELA SCHAFF


 Lado A
1 Minha Cara Amiga (António A. Pinho/N. Rodrigues)   3:35
2 Saco Cheio (F. Guerra)   3:15
3 Noite De Abat-Jour (N. Rodrigues)   4:04
4 Homem Muito Braza (António A. Pinho/N. Rodrigues)   3:10
5 Fotografia (António A. Pinho/N. Rodrigues)   3:30
6 Down In Brazil (M. Franks)   2:00
7 Caminhos Cruzados (António C. Jobim/N. Mendonça)   3:47
 Lado B
1 Bibelô (António A. Pinho/N. Rodrigues)   3:50
2 This Masquerade (L. Russell)   3:30
3 Cigarro (F. Guerra)   2:51
4 Uma Vez Mais (My Sweetest Eyes) (António A. Pinho/B. Spoerri)   2:47
5 O Amor É Mais (António A. Pinho/N. Rodrigues)   4:21
6 Olá, Como Estás? (António A. Pinho/N. Rodrigues)   5:19

Gabriela Schaaf nasceu em Genebra, Suíça, em 1960, e mudou-se para a cidade do Porto, com os pais, em 1971. Através do maestro José Calvário, chegou à Banda do Casaco em 1977 e participou nas gravações do álbum "Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos", deixando a marca da sua voz nas músicas "País: Portugal" e "Geringonça". Daqui para a frente, mantém uma breve ligação artística com António Avelar Pinho e Nuno Rodrigues, os dois principais autores da Banda do Casaco, e em 1979 participou no Festival da Canção com uma música da autoria desta dupla de compositores, alcançando o segundo lugar. 

Nesse mesmo ano de 1979 gravou, na Suíça, o seu primeiro registo a solo, denominado 'Video'. António Avelar Pinho e Nuno Rodrigues continuam a ser os autores da maior parte das músicas originais, Fernando Guerra assina também duas músicas, e há ainda espaço para três versões - "Down In Brazil", de Michael Franks, "Caminhos Cruzados", de António Carlos Jobim e Newton Mendonça, e "This Masquerade", de Leon Russell. É interessante perceber como estas três adaptações parecem definir a sonoridade geral do álbum, como uma referência a seguir.

Com exceção da música "Fotografia", gravada com uma formação totalmente composta por músicos Portugueses - Shegundo Galarza ao piano, Zé Nabo no baixo, Ramón Galarza na bateria e Rui Cardoso no saxofone - o álbum foi todo gravado com músicos de estúdio, e de jazz, Suíços e Italianos. 

É uma obra de muito bom gosto mas fica a ideia de que uma produção mais cuidada podia ter  resultado num trabalho mais primoroso. Ainda assim, é um registo consciente e bem conseguido, composto por canções ligeiras de cariz jazz e a maturidade de uma subtileza pop que se deixa envolver na doce fragrância da música brasileira. "Minha Cara Amiga" e os singles "Homem Muito Braza" e "O Amor É Mais", avivam o registo com uma côr entusiástica, sob a agilidade da sua matriz pop, que encontra ainda alguma conexão com a indefinida abordagem tango de "Bibelô" e a imprecisão latina de "Olá, Como Estás?". O acentuado perfume da moderação jazz/bossa nova de "Saco Cheio", "Noite De Abat-Jour", "Cigarro" e "Uma Vez Mais", conclui o registo com nota alta.

domingo, 15 de março de 2026

The Beatles For Trio - ISRAEL COSTA PEREIRA, RICARDO MARTINS, TIAGO MORIN


1 Get Back (Lennon/McCartney)   3:14
2 Blackbird (Lennon/McCartney)   3:39
3 Here, There And Everywhere (Lennon/McCartney)   3:45
4 Penny Lane (Lennon/McCartney)   4:10
5 In My Life (Lennon/McCartney)   4:07
6 Yesterday (Lennon/McCartney)   4:02
7 Julia (Lennon/McCartney)   5:12
8 Eleanor Rigby (Lennon/McCartney)   3:56
9 When I'm 64 (Lennon/McCartney)   3:16

Israel Costa Pereira divide a sua vida profissional entre a atividade de docente, no ensino de guitarra, e como músico de palco dos conterrâneos The Gift. No tempo que lhe sobra, dedica-se ao estudo da guitarra clássica, aprofundando a sua paixão pelo instrumento, enquanto procura também desenvolver algum trabalho próprio. Depois de um primeiro registo original, edição de autor em 2018, Israel Costa Pereira revela agora a sua profunda admiração pela obra dos The Beatles através de um registo engenhoso, para o qual contou com a colaboração de mais dois experientes guitarristas; Ricardo Martins e Tiago Morin. 

A obra dos The Beatles já foi revista pelas mais variadas e inúmeras formas, ou estilos, e ainda assim continua a servir como uma fonte de inspiração inesgotável. Apesar da formação clássica de Israel Costa Pereira, os The Beatles foram também uma parte importante do desenvolvimento do seu percurso musical, que iniciou, relativamente cedo, pelos meandros do pop/rock. Não é por isso de estranhar o interesse flagrante por uma obra que influenciou o desenvolvimento cultural de várias gerações, um pouco por todo o mundo, e que ainda hoje mantém a sua importância, tal como evidencia este registo.

Os arranjos foram escritos por Israel Costa Pereira e sustentam uma abordagem consistente, de forma livre e dedicada, exigente e purista, com a capacidade total de proporcionar nova vitalidade a estas músicas. São adaptações pouco óbvias, enriquecidas com detalhes muito bem pormenorizados, que os ouvidos mais experientes irão reparar com alguma facilidade - mas também possíveis de reconhecer por ouvintes menos conhecedores - o que torna este trabalho num registo distinto, pleno de riqueza harmónica e de algumas intervenções inventivas ou algo inesperadas. E se a admiração de Israel Costa Pereira pela obra dos The Beatles foi a principal fonte de inspiração; ao nível dos arranjos, e formato, há referências subliminares ao lendário concerto 'Friday Night in San Francisco' que reuniu o fantástico trio de guitarristas Al Di Meola, John McLaughlin e Paco de Lucia em 1981. 

Considerando a proliferação de versões que existem para o repertório dos The Beatles, a aposta de Israel Costa Pereira poderia ser arriscada em termos de originalidade mas o facto é que se trata de uma abordagem inteligente, ponderada, muito eficaz e original, primorosamente aperfeiçoada pela elegância das três guitarras clássicas. Através de uma breve resenha pode acrescentar-se que: há caráter na abordagem de "Blackbird" e regozijo na simpatia contagiante de "Here There And Everywhere" e "My Life". A diversidade dinâmica de "Get Back" e "Penny Lane" é entusiástica mas o ponto forte encontra-se na incrível "Eleanor Rigby". A beleza da 'simplicidade estrutural' de "Julia" ganha aqui uma relevância enorme, enquanto "Yesterday" aparece mais singela, e o registo encerra com a alegre e divertida interpretação de uma peça tão carinhosa como "When I'm 64".

Para uma experiência audiófila mais atenta, a cuidada distribuição panorâmica do Trio na mistura final permite acompanhar, com muita precisão, a prestação individual de cada um dos elementos, proporcionando uma definição clara e bem percetível das variadas dinâmicas. Tiago Morin está situado à esquerda, Ricardo Martins à direita e Israel Costa Pereira ao centro.