2 Salt Peanuts (Gillespie/Clarke) - Charlie Parker Quintet 7:50
3 Cherokee (R. Noble) - Sarah Vaughan c/ Ernie Wilkins Orquestra 2:30
4 Ruby My Dear (T. Monk) - Thelonious Monk 3:59
5 Jordu (D. Jordan) - Dizzie Gillespie Orquestra 4:11
6 Dancing In The Dark (A. Schwartz/H. Dietz) - Art Tatum 2:56
7 It Don't Mean A Thing (D. Ellington/I. Mills) - Ella Fitzgerald c/ Paul Smith 4:12
8 Blue Lou (E. Sampson) - Ray Brown Trio 2:15
9 When It's Sleepy Time Down South (Leon & O. René/C. Muse) - Sydney Bechet Orquestra 3:00
10 Bob White (B. Hanighen/J. Mercer) - Carmen McRae c/ Ralph Burns Orquestra 2:56
11 Now's The Time (C. Parker) - John Lewis Trio 3:47
12 Nasty (H. Edison) - Harry Edison 5:20
13 Sweet Georgia Brown (M. Pinkard/K. Casey/B. Bernie) - Oscar
Peterson Trio 7:46
14 All The Things You Are (J. Kern/O. Hammerstein II) - Roy Eldridge Quartet 3:29
15 Polka Dots And Moonbeams (Jimmy Van Heusen/J. Burke) - Chet Baker Quartet 7:55
Ao terceiro CD desta tripla edição, sub-titulado 'Ouça', conclui-se que se trata inequivocamente de uma compilação de índole classicista, focada na 'velha guarda' e na divulgação do jazz através da história do seu período mais representativo. A eletrificicação da década de 1970, e tudo o que lhe sucedeu, já não faz parte das referências escolhidas por José Duarte. No entanto, é fácil de perceber que as escolhas mais 'atuais' coincidem com o início da década de 1960, o que leva a crer que José Duarte tenha considerado a data de estreia do programa (Fevereiro de 1966) como um limite; o repertório selecionado para compor esta edição seria aquele que, obviamente, estaria disponível aquando da primeira emissão do 'Cinco Minutos de Jazz'.
A abordagem mais antiga neste CD contempla dois momentos díspares, a orquestra de Sydney Bechet, em 1943, e a destreza de Art Tatum, em piano solo, no ano de 1949. Segue-se a modernidade da década de 1950 onde a singular compenetração de Stan Getz, a distinta abordagem do Ray Brown Trio, a honestidade de Harry Edison, a eficaz prestação de Roy Eldridge e a simpática intimidade de Chet Baker, providenciam momentos brilhantes. Nas vozes, Sarah Vaughan encanta, Ella Fitzgerald apresenta-se majestosa, como sempre, e Carmen McRae entretém com brio e distinção, enquanto que a magia dos pianistas passa pela incrível presença de Thelonious Monk, pelo talento de John Lewis e pela naturalidade de Oscar Peterson. A orquestra de Dizzie Gillespie expõem-se no fulgor do seu swing.
O despoletar dos guitarristas é um pormenor a ter aqui em conta, por não estar evidente, sendo perceptível nas prestações de Barney Kessel, c/ Ella Fitzgerald, Freddie Green, c/ Harry Edison, e Herb Ellis, c/ Oscar Peterson.
Relevante também a gravação de "Salt Peanuts", que aparece atribuída ao Charlie Parker Quintet. Trata-se de uma reunião histórica, registada no Massey Hall, em Toronto, no ano de 1953, que juntou Charlie Parker, Dizzie Gillespie, Bud Powell, Charles Mingus e Max Roach, os principais impulsionadores do be-bop. Para contornar questões contratuais, Charlie Parker participou nesta sessão sob o pseudónimo Charlie Chan e a gravação foi creditada como 'The Quintet'.
O registo cumpre com os intuitos didáticos que José Duarte fazia questão de propor à sua dedicação ao jazz, e trata-se de uma comemoração feita com gosto, mas há alguma falta de rigor na finalização desta edição. Como último apontamento, refiro uma gralha de edição encontrada nos créditos de autoria de "Now's The Time", interpretada pelo John Lewis Trio, que atribui a composição aos irmãos Gershwin mas trata-se, na realidade, de uma composição original de Charlie Parker. Até jazz!



