1 Black (N. Gonçalves) 4:10
2 La Terraza (N. Gonçalves/S. Tavares) 4:44
3 Open Window (N. Gonçalves/S. Tavares) 5:34
4 Variação Sobre Primavera I (N. Gonçalves) 1:11
5 Sehnsucht (N. Gonçalves) 4:54
Lado B
1 Variação Sobre Primavera II (N. Gonçalves) 1:35
2 Blindness (N. Gonçalves/S. Tavares) 4:11
3 Meaning Of Life (N. Gonçalves/S. Tavares) 3:53
4 Variação Sobre Primavera III (N. Gonçalves) 0:54
5 Les Tulipes De Mon Jardin (The Perfect You) (N. Gonçalves) 4:09
6 Primavera (N. Gonçalves) 4:48
7 Long Time (N. Gonçalves) 3:21
...
(... eu vou voltar aqui por ti ... ) 1:57
Em 2012 os The Gift voltam a surpreender, com uma obra ímpar e bastante sóbria. Em certa medida, 'Primavera' é o black álbum dos The Gift, aquele registo tão especial que se destaca do restante trabalho de uma banda. Uma autêntica surpresa, semelhante a uma obra concetual, que progride pacientemente na meditação de uma Primavera que, um dia, há-de chegar. As peças estão envoltas em momentos solenes, com a beleza de uma tristeza meditativa, e a "Primavera" anuncia-se vagarosamente em engenhosas variações até à sua aparição final, na plenitude de uma composição mais orgânica relativamente à versão apresentada anteriormente em 'Explode'.
É um álbum sereno, muito sensível e íntimo, reminiscente de algum romantismo, como um Chopin inconsequente, sem os respetivos detalhes técnicos, em que as peças são dominadas num plano interior que se expõe, na maior parte, pelo aconchego de uma evidente cumplicidade entre a determinação do piano de Nuno Gonçalves e a grave profundidade da voz de Sónia Tavares, contando ainda com a envolvência casual de alguns elementos eletrónicos, vozes em segundo plano ou esporádicas intervenções menos óbvias.
É difícil não lembrar dos The Cure logo à primeira música, "Black". Uma introdução instrumental bem ao jeito da banda Britânica, que os The Gift têm como uma das suas referências. De seguida, o registo entra na afável beleza contemplativa de "La Terraza" e transporta-nos, depois, para o encanto artístico de "Open Window", com direito à inclusão de uma inesperada passagem por um curto trecho cantando em Português. O peso de "Sehnsucht", cantada em Português, acentua o tom monocromático do registo.
A rendição espiritual de "Blindness" destaca-se pela ousadia e singularidade da sua abordagem, relativamente ao andamento das restantes composições do álbum, "Meaning Of Life" recupera a estética que carateriza a natureza do registo e "Les Tulipes De Mon Jardin" agracia a alma com harmonia e uma interpretação emocionante de Sónia Tavares. O registo conclui com "Long Time", em jeito de adágio, onde o ouvinte é ainda surpreendido, após uma pequena pausa, por um curioso apontamento que anuncia um breve regresso.


















