1 Saturday Night Special (L. Clayton) 3:11
2 I Ride Alone (L. Clayton) 5:14
3 10.000 Years/Sexual Moon (L. Clayton) 6:23
4 Wind And Rain (L. Clayton) 2:40
Lado B
1 I Love You (L. Clayton) 5:06
2 Jaded Virgin (L. Clayton) 4:14
3 A Little Cocaine (L. Clayton) 5:26
4 If I Can Do It (So Can You) 4:44
Lee Clayton foi, provavelmente, o mais solitário e inconformado dos cowboys renegados da música country. Um homem simples, sem grandes pretensões musicais que não fosse contar as suas histórias através de canções honestas e sinceras, que um dia decidiu abandonar a monotonia do seu cotidiano para percorrer livremente o seu próprio caminho. Em 1978 Lee Clayton 'cedeu' perante o interesse da Capitol e gravou uma trilogia, não premeditada, composta pelos álbuns 'Border Affair' (1978), 'Naked Child' (1979) e 'The Dream Goes On' (1981). Esta foi a fase mais produtiva da carreira de Lee Clayton. Pouco mais se passou depois de 1981, havendo apenas registo de um discreto regresso a estúdio em 1994.
'Naked Child' é uma obra digna de atenção. Está envolta por uma aura especial, uma espécie de conjunção mística, que prende imediatamente através da categórica firmeza e estilo de um country-rock coerente e sem artifícios, manifestamente elétrico no Lado A da edição em vinil. O registo está igualmente imbuído de um espírito intimista, perceptível pela manifesta carga auto-biográfica, que se revela naturalmente na simplicidade de canções racionais e persuasivas, composto por uma vertente mais acústica e afetiva no Lado B.
Duas músicas destacam-se, prontamente, como os dois pilares que sustentam o alinhamento do registo; "I Ride Alone" e "10,000 Years/Sexual Moon". São ambas compostas por uma estrutura musical semelhante, que varia entre o servil apoio da guitarra acústica e o manifesto efervescer da guitarra elétrica de ... Philip Donnely, que preenche estas músicas com uma intensidade incrível, melodiosa e tão expressiva. Como a edição não apresenta nenhuma descrição com a atribuição dos créditos aos músicos que participaram nas sessões de gravação, o nome de Philip Donnely é uma suposição sustentada na sua habitual colaboração com Lee Clayton nos restantes álbuns.
A associação dos músicos a este álbum tem sido delineada a partir da listagem de agradecimentos, onde surgem os nomes dos seguintes músicos: Byron Bach e Lawrence Lasson, violinistas, J.J. Cale, Chip Young e Philip Donnely, guitarristas, Andy McMahon, teclista, Tony Newman, baterista e Klaus Voorman, baixista. Para além de tocar guitarra e harmónica, Lee Clayton não é um cantor exímio e a "falta" desta faculdade não o impede de se exprimir na sua própria voz, tornando-se esta, ao invés, numa das suas principais características. A pontual utilização de um coro de vozes femininas ajuda a preencher as harmonias vocais revelando-se fundamental na estabilidade da bonita balada "I Love You" e uma presença agradável nas restantes músicas.
O esclarecedor e destemido country-rock de "Saturday Night Special" arranca decidido para a notável sucessão das já referidas "I Ride Alone" e "10,000 Years/Sexual Moon", concluindo-se o Lado A com a ligeira contenção do ritmo linear de "Wind And Rain". O conteúdo lírico de lado B revela-se ainda mais explicito e intimista através de pequenas histórias conjugais onde se percebe a bonita relevância de "I Love You", a inspiração espanhola para "Jaded Virgin" e a doce afeição acústica do drama do vício exposto em "Little Cocaíne", concluindo-se o registo com o estímulo liberalismo de "If I Can Do It (So You Can)".











