1 It's No Game (Nº1) (D. Bowie) 4:15
2 Up The Hill Backwards (D. Bowie) 3:14
3 Scary Monsters (And Super Creeps) (D. Bowie) 5:10
4 Ashes To Ashes (D. Bowie) 4:21
5 Fashion (D. Bowie) 4:45
Lado B
1 Teenage Wildlife (D. Bowie) 6:53
2 Scream Like A Baby (D. Bowie) 3:33
3 Kingdom Come (T. Verlaine) 3:42
4 Because You're Young (D. Bowie) 4:57
5 It's No Game (Nº2) (D. Bowie) 4:20
Na ressaca do estimulante experimentalismo de Berlim, sob a fascinante supervisão de Brian Eno, David Bowie procurou exorcizar os monstros, gerados pelos produtivos excessos de uma trilogia lendária e sombria, através de uma nova metamorfose em Nova Iorque. 'Scary Monsters' parece consumar a energia desse período como uma síntese de tendência vanguardista em que a arte se submete ao jugo de elementos artísticos que se fazem representar numa estética plástica alimentada pelos miúdos new wave a quem o próprio Bowie serviu também de modelo e inspiração. Nova Iorque era um destino inevitável na demanda em manter a atualidade da sua sonoridade, recorrendo à aplicação de ideias já testadas e agora ajustadas.
É uma espécie de conclusão de uma época, uma súmula abrangente, em que a decadência de Major Tom se afunda nas cinzas de um single sedutor e a estrutura harmónica de "Heroes" serve ainda de base à excitação adolescente que segue no encalço de Bowie. Na mesma medida, o desembaraço do efeito arrepiante dos monstros aterradores faz-se através do estilo, da moda, sob a forma de novas danças e de novas orientações estéticas, no confronto de uma cidade onde nada é um jogo e em que Tom Verlaine sintoniza a imagem real de uma nova tendência musical.
E é isto que o décimo quarto álbum de estúdio de David Bowie manifesta em sentido abstrato. Uma obra peculiar, ou um manifesto artístico, funcional e acessível, empírico e intrigante, capaz de satisfazer as exigências de velhas audiências e de atrair a curiosidade de novos ouvintes. O registo move-se em equações pop de esquadria funk, onde a guitarra de Robert Fripp sobressai na multiplicidade de desenfreadas camadas elétricas, enquanto Bowie representa as suas personagens num desfile que deambula entre resquícios do passado e a vivência do presente.
Para além de Robert Fripp, colaboraram também nesta edição os guitarristas Carlos Alomar, parceiro habitual de Bowie durante esta época, Chuck Hammer, guitarrista de Lou Reed que aparece por aqui com uma guitarra sintetizada, para criar um som que ele denominou como 'guitararchitecture', em "Ashes To Ashes", "Teenage Wildlife" e "Up The Hill Backwards", e também Pete Townshend, dos The Who, contribuiu com uma discreta participação em "Because You're Young", onde basta a revelação da sua presença para atribuir uma etiqueta rock a esta música.
O devaneio nipónico de "It's No Game" funciona como um prólogo, assombrado pelo incontrolável histerismo de Bowie, e regressa no final do registo como um epílogo, em modo mais sereno e comedido. Pelo meio há que atentar no esconso negrume da teatralidade de "Scream Like A Baby" e na adaptação de "Kingdom Come", original de Tom Verlaine, editado no ano anterior. A importância da sequência "Scary Monsters", "Ashes To Ashes" e "Fashion" acentua a complexidade pop desta obra e dispensa qualquer género de comentários. Bowie concluia assim um dos capítulos mais importantes da sua carreira.








