quarta-feira, 29 de abril de 2026

Greatest Hits - DONOVAN

 

Lado A
1 Epistle To Dippy (D. Leitch)   3:10
2 Sunshine Superman (Donovan)   4:30
3 There Is A Mountain (D. Leitch)   2:38
4 Jennifer Juniper (D. Leitch)   2:40
5 Wear Your Love Like Heaven (D. Leitch)   2:24
6 Season Of The Witch (D. Leitch)   4:46
 Lado B
1 Mellow Yellow (D. Leitch)   3:42
2 Colours (Donovan)   4:20
3 Hurdy Gurdy Man (D. Leitch)   3:18
4 Catch The Wind (Donovan)   5:04
5 Lalena (D. Leitch)   2:52

Figura proeminente do panorama musical britânico no decorrer da segunda metade da década de 1960, o escocês Donovan Leitch surge em 1965, imerso numa fase folk, com a euforia do êxito "Catch The Wind" e uma imediata conotação mediática que o apontou como "a resposta britânica a Bob Dylan". Mas cedo se percebeu que apesar de algumas semelhanças de estilo cada um dos músicos seguia o seu próprio caminho e criava o seu próprio estilo.

Esta compilação data de 1969 e revisita os primeiros anos da carreira de Donovan no decorrer daquele que se pode considerar o seu período mais criativo, entre os anos de 1965 e 1968. Época também de referência para a música britânica que engloba uma importante revolução cultural, que definiu, praticamente, o mundo social e artístico das décadas seguintes. Donovan estava no centro desse furacão em ebulição e é-lhe mesmo atribuído o despoletar da revolução psicadélica com a música "Sunshine Superman", em 1966. O notável álbum 'Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band', dos The Beatles, apenas seria editado no ano seguinte.

E a saudável relação de Donovan com os The Beatles desenvolveu-se, de forma natural, no decorrer desses anos. Donovan integrou a comitiva que acompanhou os The Beatles na sua viagem a Rishikesh, Índia, para estudar meditação transcendental. Conta a história que o famoso 'White Album' nasceu nestas paragens sob a tutela de Donovan, que ensinou a Paul, John e George, novas técnicas de tocar guitarra e que foram notoriamente aplicadas nesse duplo álbum. (Uns bons anos depois, George Harrison referiu mesmo, numa entrevista, que "Donovan está em todo o 'White Album' ').

Donovan evoluiu de forma empolgante e criativa desde o folk inicial de "Catch The Wind" e "Colours", em 1965, até à completa afirmação da sua fase psicadélica, que tem início logo em 1966 e se prolongou até ao final dessa década. Através de uma criteriosa seleção de êxitos, o registo expõe o relevante manancial que compõe a combinação de elementos folk, rock, jazz, étnicos, espirituais e psicadélicos que povoa as composições de Donovan e que acaba por definir vasta parte da sonoridade que também carateriza a música britânica da década de 1960. 

Mesmo sem conhecer um envolvimento muito extremista dentro do género, Donovan criava canções ricas em harmonia que eram depois adocicadas por inebriantes texturas exóticas como "Season Of The Witch" ou "Wear Your Love Like Heaven", encerrando depois o ciclo com o aperfeiçoamento de "Mellow Yellow" e a intrépida abordagem de "Hurdy Gurdy Man". A compilação inclui ainda três músicas que apenas foram editadas em formato de single"Epistle To Dippy" de 1967, apenas editado fora do Reino Unido, a espiritual "There Is A Mountain", também em 1967, e a bonita balada "Lalena" em 1968.

Curiosidade: é sabido que os jovens músicos de estúdio Jimmy Page e John Paulo Jones, ainda antes dos Led Zeppelin, estiveram envolvidos nas sessões de gravação de "Sunshine Superman" e "Hurdy Gurdy Man", e que Paul McCartney terá dado uma ajuda nas sessões de "Mellow Yellow", em que John Paul Jones esteve novamente envolvido. Há, portanto, imensa história por aqui.

domingo, 12 de abril de 2026

In My Solitude - DUKE ELLINGTON


 Lado A
1 The Sheik Of Araby (Snyder/Wheeler/Smith)   2:58
2 Dancing In The Dark (Dietz/Schwarz)   4:25
3 Solitude (DeLange/Ellington/Mills)   3:09
4 Poor Butterfly (Hubbel/Golden)   3:43
5 Don't Get Around Much Anymore (Russell/Ellington)   3:04
 Lado B
1 Mood Indigo (Ellington/Mills/Bigard)   3:06
2 I Got It Bad And That Ain't Good (Ellington/Webster)   3:47
3 Blue Harlem (Miley)   2:52
4 Autumn Leaves (Prevett/Kosma)   5:04
5 In A Sentimental Mood (Ellington)   3:16  

Compilação editada em vinil, em 1969, focada na importância do nome de Duke Ellington como influente músico de jazz, respeitado e admirado pelo extraordinário trabalho como compositor, orquestrador e arranjador. A edição conclui-se como um registo de teor mais comercial, naquilo que se possa considerar comercial dentro da genial obra de Duke Ellington, preparada para vender no mercado mais acessível, ao ponto de nem incluir créditos nem referências à origem das gravações. Interessante verificar que este álbum apenas foi editado em países onde predomina a língua Inglesa (USA, UK, Austrália e Canadá), com a única exceção da existência de uma edição Alemã.

O registo é composto por dez peças executadas pelas orquestras de Duke Ellington, em diversas fases. Como não há referências às gravações originais, não se consegue precisar a que época pertence cada uma delas. Apenas é possível distinguir a qualidade das gravações e estimar assim a idade da gravação. Com exceção da referência a Ozzie Bailey, como vocalista em "Autumn Leaves", e ao saxofonista Johnny Hodges, apresentado pelo Duke no início de "I God It Bad And That Ain't Good", também não há créditos relativamente aos músicos, pelo que não se sabe muito bem, nomeadamente os solistas, quem participa nas músicas.

Pormenores técnicos à parte, resta a notabilidade da música de Duke Ellington e da sua orquestra, onde predomina a classe, o estilo e a organização, de um extraordinário coletivo de músicos cuja orientação era proporcionar entretenimento e boa disposição, com caráter e disciplina, convidando ao swing e à dança com o seu jazz inteligente, efervescente e contagioso, onde cada solista sobressaía na relevância do seu momento. 

Pela qualidade das gravações, "The Sheik Of Araby", "Solitude", "Mood Indigo", "Blue Harlem" e "In A Sentimental Mood" correspondem às gravações mais antigas que integram esta compilação e exprimem nitidamente a emoção e vivacidade de outra(s) era(s). Do restante repertório, ressalta o charme e o encanto da irresistível interpretação de "Dancing In The Dark", o encanto artístico de "Poor Butterfly" e a profunda comoção que exala da peculiar adaptação de "Autumn Leaves".