sábado, 30 de março de 2019
Love Tracks - GLORIA GAYNOR
Side A
1 Stoplight 3:32
2 Anybody Wanna Party? 5:09
3 Please, Be There 4:29
4 Goin' Out Of My Head (T.Randazzo/B.Weinstein) 5:26
Side B
1 I Will Survive 7:49
2 You Can Exit 5:09
3 I Said Yes 3:49
4 Substitute (W.H.Wilson) 2:56
Gloria Gaynor fica registada para a história como uma das mais proeminentes artistas da música de dança, nomeadamente da era disco. Ela foi a primeira a aceder ao primeiro lugar de um top bilboard exclusivo para música de dança, com "Never Can Say Good-Bye"em 1973, e foi ela quem deu voz a "I Will Survive" uma das músicas que o tempo se encarregou de tornar imortal e que faz parte do alinhamento de "Love Tracks", editado em 1978 em plena era disco sound. A proeza deste registo, o sexto da discografia, assenta no facto de ter proporcionado o renascimento de Gloria Gaynor conseguindo levá-la de novo ao pódio da realeza disco e aqui é inevitável a referência e a importância de "I Will Survive" como ponto fulcral de tudo isso, no entanto o registo tem mais para dar. O título "Love Tracks" pode induzir algum preconceito e sugerir um álbum de baladas mas na realidade trata-se de um categórico registo disco, pleno de ritmo e com algum pendor funky e muito groove onde na realidade apenas se encontram duas baladas. "Please, Be There" é uma música belíssima, detentora de uma sensualidade febril, enquanto "You Can Exit" se apresenta menos expressiva mas bastante contextual para o estilo. As restantes músicas encaixam perfeitamente na manifesta energia de pista de dança que o registo transmite, com "Anybody Wanna Party?" a distinguir-se pelo forte cariz funky. Os arranjos para as versões "Goin' Out Of My Head" e "Substitute" funcionam muito bem, "Stoplight" também prende logo de início e "I Said Yes" é elegantemente dinâmica mas as atenções viram-se todas para a versão integral de "I Will Survive", que inicialmente foi lançada, numa versão mais curta, como lado b do single "Substitute"...depois teve de se inverter a edição...
terça-feira, 26 de março de 2019
In The Army Now - STATUS QUO
Side A
1 Rollin' Home (J.David) 4:22
2 Calling 4:02
3 In Your Eyes 5:05
4 Save Me 4:22
5 In The Army Now (Bolland/Bolland) 4:30
Side B
1 Dreamin' 2:53
2 End Of The Line 4:53
3 Invitation 3:14
4 Red Sky (J.David) 4:11
5 Speechless (I.Hunter) 3:39
6 Overdose 5:19
É um facto que o boogie rock dos britânicos Status Quo nunca foi levado muito a sério mas a segunda metade da década de 80 proporcionou-lhes uma nova oportunidade. Após a participação no benemérito concerto Live Aid em 1985, onde foram a primeira banda a tocar, e com a edição do álbum "In The Army Now" em 1986, o décimo sétimo em estúdio, os Status Quo renasciam para o rock após três anos confusos que deixavam antever um futuro negro para a banda mas este registo veio mostrar que não era bem assim. O baixista e membro fundador Alan Lencaster abandonou a banda logo após o Live Aid pelo que a dupla de guitarristas/compositores Francis Rossi e Rick Parfitt teve de se reforçar com algum sangue novo, onde pontua o categórico teclista britânico Andy Bown, e contaram ainda com a particularidade de um bom trabalho de produção a cargo de Pip Williams e de co-produção de Dave Edmunds para as músicas "Rollin Home" e "Red Sky". O resultado final manifesta-se num trabalho de qualidade sonora exímia fundamentado numa atualização sonora, sob alguma ligeireza pop, sem fugir muito da estrutura de composição habitual. A isto tudo junta-se o enorme contributo do single homónimo, uma adaptação do original da banda holandesa Bolland & Bolland, que assegurou os tops e abriu o caminho para o lp.
Enquanto o lado A da edição em vinil soa menos dinâmica é o lado B que acaba por assegurar a estabilidade e consistência do registo. No lado A destaca-se a assiduidade sonora de "Rollin' Home", a curiosa leveza 80's pop de "In Your Eyes" e o já referido single "In The Army Now" enquanto o lado B funciona na perfeição logo desde o início com "Dreamin'", o quarto e último single retirado do registo, o vigor de "End Of The Line", o quase country de "Invitation", a imensidão de "Red Sky", a boa adaptação para "Speechless", original de Ian Hunter, e a pérola "Overdose" a encerrar o registo da melhor forma.
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sábado, 16 de março de 2019
Going For The One - YES
Side A
1 Going For The One 5:30
2 Turn Of The Century 7:58
3 Parallels 5:52
Side B
1 Wonderous Stories 3:45
2 Awaken 15:38
O oitavo trabalho de estúdio dos britânicos Yes, editado em 1977, exibe uma sonoridade mais íntegra que denota alguma intenção de mudança, músicas "curtas", sem grandes dinâmicas, mas assentes numa forte estrutura composicional dentro dos parâmetros que a banda sempre habituou. O conceito progressivo parece ter ganho aqui alguma moderação sendo "Going For The One", a vigorosa peça que abre o registo, um dos grandes exemplos através da sua energia Rock'n Roll sob a égide vocal de Jon Anderson. O registo assinala também o regresso de Rick Wakeman à banda depois de três anos de ausência. O regresso do virtuoso teclista começa por se revelar algo discreto, ao longo do registo cinge-se praticamente ao piano e a alguns apontamentos de sintetizador, mas evidencia-se finalmente em "Parallels" e mostra-se fundamental em "Awaken". O vocalista Jon Anderson demonstra estar aqui em muito boa forma e há duas músicas no registo que confirmam a sua habilidade melódica; "Turn Of The Century" é uma peça maioritariamente acústica, contêm uma passagem elétrica pelo meio, em que as fantásticas harmonias vocais de Anderson se combinam com a mestria da guitarra acústica de Steve Howe enquanto o ambiente dos teclados de Rick Wakeman ajuda no restante envolvimento e depois há o single "Wonderous Stories" que é puro Jon Anderson, uma bonita e simples melodia, curta e linear, algo acústica. No final é "Awaken" que assume o momento épico do registo seguindo a linhagem caraterística dos Yes, uma peça longa, de movimento progressivo, com variados movimentos dinâmicos e grandes solos de Steve Howe e Rick Wakeman. A impecável secção rítmica Chris Squire e Alan White, baixo e bateria respetivamente, assume religiosamente o pulsar de todo o álbum.
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sábado, 2 de março de 2019
Criminal Record - RICK WAKEMAN
Side A
1 Statue Of Justice 6:19
2 Crime Of Passion 5:46
3 Chamber Of Horrors 6:37
Side B
1 Birdman Of Alcatraz 4:12
2 The Breathalyzer 3:50
3 Judias Iscariot 12:12
A simbologia da estátua da justiça, os crimes passionais, a câmara dos horrores no museu de cera Madame Tussauds, Robert Stroud (o condenado que estudava aves na prisão), o breathalyser e a traição de judas, inspiraram o virtuoso teclista Rick Wakeman para "Criminal Record", o seu sexto trabalho a solo. Editado em 1977, na altura em que o teclista se preparava para voltar aos Yes após dois anos de ausência, o registo manifesta-se sob a forma de uma curiosa abordagem musical aos anais da história da justiça e do crime num álbum declaradamente concetual em que o teclista britânico de formação clássica interpreta seis histórias/peças usando uma parafernália de teclados onde pontuam vários moogs, orgãos, cravos, um teclado RMI e obviamente o piano. Nas três faixas do lado A Wakeman é acompanhado por Chris Squire no baixo e por Alan White na bateria, seus companheiros nos Yes, enquanto no lado B Wakeman começa a solo no piano, em Breathalyser conta com a parceria do percussionista Frank Ricotti e na última peça é acompanhado, em alguns andamentos, por um grande grupo coral dirigido por Robert Mernoud. Musicalmente, a estrutura progressiva de "Statue Of Justice" lembra o estilo de composição utilizada nos Yes, "Crimes Of Passion" começa como uma abordagem romântica que entretanto devaneia por outros caminhos até regressar ao ponto de partida e os variados andamentos/reações de "Chamber Of Horrors" recriam uma espécie de visita ao museu Madame Tussauds, uma peça de estímulo visual com recriação de sonoridades circenses e um final terrífico. No lado B, "Birdman" apresenta-se como a peça mais sensível de todo o álbum através de um solo de piano e em "The Breathlyzer" encontra-se o momento mais descontraído do registo, com a divertida participação do comediante Bill Oddie na única vocalização do álbum, coros à parte. A grandiosidade ficou mesmo guardada para o final com "Judias Escariotis". Uma entrada dramática de estilo barroco inicia a peça, que evolui drasticamente através do potente orgão até à chegada de um grande coro celestial. Trabalho ambicioso, maquinal e épico, de caráter sinfónico e fruto de algum virtuosismo.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
The Best Of (volume one) - UB40
Side A
1 Food For Thought 4:07
2 King 4:31
3 My Way Of Thinking 3:20
4 1 In 10 4:28
5 Red Red Wine (N.Diamond) 3:00
6 Please Don't Make Me Cry (W.Tucker) 3:21
7 Many Rivers To Cross (J.Cliff) 4:30
Side B
1 Cherry Oh Baby (E.Donaldson) 3:16
2 If It Happens Again 3:39
3 I Got You Babe (S.Bono) 3:05
4 Don't Break My Heart 3:46
5 Sing Our Own Song 4:03
6 Rat In Mi Kitchen 3:02
7 Maybe Tomorrow (The Corporation) 3:21
Uma década de trabalho sintetizada em quatorze singles que preenchem a edição inglesa em vinil e celebram dez anos de existência de uma banda corajosa que iniciou a sua atividade musical como alternativa ao infortúnio do desemprego que assolou a Inglaterra em finais da década de 70. Inspirando-se na sigla UB40, que identificava os documentos que davam acesso ao subsídio de desemprego, estes jovens rapazes de "variadas cores e credos" decidiram partir à aventura e juntaram-se em 1977 para fazer música e assim tentarem obter algo mais da vida, por outra via que não o deteriorado mercado laboral. Escolheram o reggae como género musical, com laivos de rock/pop, e a ascensão da banda até ao sucesso nem demorou muito. O primeiro single dos UB40 data de 1980, corresponde às duas primeiras músicas desta edição, e ao longo do registo, em sequência cronológica, os singles vão desfilando até à inclusão da inédita versão de "Maybe Tomorrow", a única música desta edição que não corresponde a nenhum dos álbuns originais da banda britânica. Para além do já referido single inicial; "1 In 10", "Red Red Wine", "Many Rivers To Cross", "I Got You Babe" (que conta com a participação vocal de Chrissie Hynde dos Pretenders), "Don't Break My Heart" ou "Sing Your Own Song" estão entre os grandes momentos da carreira dos UB40. Uma retrospetiva muito interessante e bem equilibrada que permite perceber a evolução da banda dentro do género e da época.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Virgin Hits - VÁRIOS
Side A
1 Airport - Motors 4:22
2 Generals And Majors - XTC 3:37
3 Chercher Le Garçon - Taxi Girl 3:27
4 Tenement Steps - Motors 4:35
5 Silly Thing - Sex Pistols 2:47
6 Enola Gay - Orchestral Manoeuvres In The Dark 3:29
Side B
1 (I Can't Get No) Satisfaction (M.Jagger/K.Richards) - Devo 2:38
2 Forget About You - Motors 2:48
3 Electricity - Orchestral Manoeuvres In The Dark 3:27
4 Play To Win - Heaven 17 3:30
5 Bein' Boiled - Human League 4:14
6 Echo Beach - Martha And The Muffins 3:32
Em 1982, o ano desta edição, Portugal tentava ainda acompanhar, a vários níveis, o que se passava no exterior das suas fronteiras, pelo que o tempo perdido ia sendo lentamente absorvido enquanto se procurava modernizar o estado da nação e aqui as editoras discográficas esforçavam-se em introduzir "novidades" para atualizar o mercado discográfico nacional. É provavelmente neste contexto que a Edisom, representante na altura da editora inglesa Virgin, cria este registo que acaba por servir como amostra de catálogo uma vez que o alinhamento da edição não assenta num apanhado dos singles mais vendidos desse ano. Todas as músicas presentes nesta edição foram editadas originalmente como singles entre 1978 e 1980, exceção para "Play To Win" dos Heaven 17, editado em 1981 e o mais próximo da atualização desta edição. A mostra inclui uma boa variedade de estilos começando pelo chamariz comercial dos Motors, através de uma pop limpinha à la Supertramp, passando pelo manifesto punk dos Sex Pistols, que apesar de já estarem extintos à data eram ainda o principal nome do catálogo da editora inglesa, a pop eletrónica dos Orchestral Manoeuvres In The Dark, que já se impunham livremente graças ao single "Enola Gay", a de-construção de um êxito do anos 60 como "Satisfaction" nas mãos dos "estranhos" Devo ou a new wave dos XTC. A nova estética pop dos Heaven 17, o arrojado futurismo dos Human League e a inclusão do post-punk dos franceses Taxi Girl são outros pontos bastante fortes desta edição. Casualidade ou estratégia, as músicas que abrem e fecham cada um dos lados do registo são na realidade as mais emblemáticas, respetivamente "Airport" e "Enola Gay" no lado A e "(I Can't Get No) Satisfaction" e "Echo Beach" no lado B.
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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019
Mothers Milk - RED HOT CHILI PEPPERS
1 Good Time Boys 5:00
2 Higher Ground (S.Wonder) 3:20
3 Subway To Venus 4:24
4 Magic Johnson 2:55
5 Nobody Weird Like Me 3:47
6 Knock Me Down 3:40
7 Taste The Pain 4:24
8 Stone Cold Bush 3:04
9 Fire (J.Hendrix) 2:01
10 Pretty Little Ditty 1:34
11 Punk Rock Classic 1:45
12 Sexy Mexican Maid 3:19
13 Johnny, Kick A Hole In The Sky 5:08
É possível criar aqui uma analogia e referir que Mothers Milk é a laranja mecânica dos RCHP. Um registo excitante, travesso e provocador, simultaneamente devoto a Jimi Hendrix e ao basquetebolista Magic Johnson, com tempo ainda para uma pequena achega aos Guns'n Roses, encoberto pela sensualidade e ternura de uma capa que não permite antever um registo tão endiabrado e consistente como este acaba por se revelar. Editado em 1989, um ano depois da morte do guitarrista Hillel Slovak e do consequente abandono do baterista Jack Irons, Mothers Milk é o quarto trabalho de estúdio dos RHCP e o primeiro com John Frusciante na guitarra e Chad Smith na bateria, com ambos a passar no teste com elevada distinção. A prestação de John Frusciante é fenomenal, um claro seguidor das pisadas de Hendrix que logo na sua primeira prestação se mostra fundamental para o som da banda californiana. Uma potente fusão de Rock/Funk/Hip-Hop/Metal preenche todo o registo que inclui a soberba versão de "Higher Ground" de Stevie Wonder e uma versão justa de "Fire" de Jimi Hendrix recuperada de uma prestação ainda com os quatro membros originais. Um registo firme e seguro que define de vez o som dos RHCP.
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
Cosmic Thing - B-52's
1 Cosmic Thing 3:50
2 Dry County 4:54
3 Deadbeat Club 4:45
4 Love Shack 5:21
5 Junebug 5:04
6 Roam 4:54
7 Bushfire 4:58
8 Channel Z 4:49
9 Topaz 4:20
10 Follow Your Bliss 4:08
Em júbilo permanente, é este o estado natural dos norte americanos B-52's. Dez anos depois da edição do primeiro álbum e quatro anos depois da morte de Ricky Wilson, o guitarrista original, os B-52's conseguem manter a contagiante boa disposição, energia q.b., e muito rock'n roll carregado de pop e algum funky com a habitual combinação de vozes Fred Schneider, Kate Pierson e Cindy Wilson a funcionar na sua plenitude através de uma estrutura musical alegre, dinâmica e complexa com a fantástica capacidade de induzir uma incontrolável vontade de dançar e um bem estar geral ao mais pacato dos mortais. Editado em 1989, Cosmic Thing passou pela supervisão de dois criteriosos produtores como Don Was e Nile Rodgers e revelou-se como o trabalho mais bem sucedido da banda. Sustentado por dois Top10 singles como "Love Shack" e "Roam" o registo contêm ainda um terceiro single em "Deadbeat Club", uma entrada entusiasmante com "Cosmic Thing", uma composição incontornável em "Channel Z" e a discreta participação de Nile Rodgers, na guitarra, em "Topaz". O álbum encerra sob a forma de um instrumental recatado com "Follow Your Bliss".
quarta-feira, 23 de janeiro de 2019
K - KULA SHAKER
1 Hey Dude 4:09
2 Knight On The Town 3:24
3 Temple Of Everlasting Light 2:33
4 Govinda 4:56
5 Smart Dogs 3:16
6 Magic Theatre 2:37
7 Into The Deep 3:47
8 Sleeping Jiva 2:01
9 Tattva 3:44
10 Grateful When You're Dead/Jerry Was There 5:40
11 303 3:08
12 Start All Over 2:34
13 Hollow Man (Parts 1 & 2) 6:12
Brit-Pop ao rubro em 1996, o ano em que os Kula Shaker se estreavam com K e assim adicionaram algum exotismo à sonoridade britânica que nos anos 90 caraterizou uma época que fez reviver outra época. Num registo amplamente inspirado pela filosofia e divindades hindu os Kula Shaker usam e abusam da orientalidade para criar uma sonoridade pop carregada de misticismo, produzindo um registo vigoroso com tanto de mistério como psicadelismo. A energia pop de "Hey Dude" lança o álbum de forma decidida, com "Knight On The Town" a seguir-lhe o rasto, até que as tablas surgem em "Temple Of Everlasting Light" para nos conduzir a "Govinda", a única música cantada totalmente em sânscrito a atingir um top 10 em terreno britânico. A energia das guitarras e dos refrões pop volta com "Smart Dogs" sendo depois "quebrada" pelo fascinante encanto psicadélico de "Magic Theatre" e pela simpatia pop de "Into The Deep" até ao retorno da espiritualidade oriental em "Sleeping Jiva" que serve de introdução a "Tattva", o pico deste registo. "Grateful When You're Dead/Jerry Was There" é uma referência aos norte americanos Grateful Dead de Jerry Garcia numa música dividida por duas partes distintas, o momento mais rock'n roll de todo o registo que partilha terreno com uma segunda parte divagante, imbuída por algum improviso. "303" é mais uma canção pop mergulhada em guitarras estridentes e orgão, seguida da melodiosa "Start All Over" que por sua vez leva a "Hollow Man", em que uma introdução instrumental algo floydiana evolui inevitavelmente para um psicadelismo reminiscente dos finais da década de 60 em terras de Sua Majestade.
Nos último segundos desta edição, após um bom compasso de espera, há ainda um pequeno presente...
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Wajahat Khan
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
Scissor Sisters - SCISSOR SISTERS
1 Laura 3:35
2 Take Your Mama 4:31
3 Comfortably Numb (R.Waters/D.Gilmour) 4:24
4 Mary 4:39
5 Lovers In The Back Seat 3:18
6 Tits On The Radio 3:14
7 Filthy/Gorgeous 3:46
8 Music Is The Victim 2:57
9 Better Luck 3:07
10 It Can't Come Quickly Enough 4:38
11 Return To Oz 4:37
Bonus tracks
12 no title 0:30
13 The Skins 2:51
14 Get It Get It 3:47
Eis o belíssimo cartão de visita com que os norte americanos Scissor Sisters se apresentaram ao mundo em 2004. Alegres, espampanantes e extrovertidos, focam-se em divertir os outros divertindo-se eles próprios através da música. "Scissor Sisters" é um dos registos essenciais do início deste século, que não terá sido levado muito a sério possivelmente pela conotação gay com que a banda se identifica. Preconceitos à parte, a banda pratica uma sonoridade dinâmica dominada pelo ritmo de dança onde as influências disco se fundem com rock/pop criando perfeitas texturas musicais, ricas em harmonia, uma combinação explosiva que culmina em perfeitas canções pop. No meio de tudo isto está "Comfortably Numb", a música sagrada dos Pink Floyd, que os Scissor Sisters tiveram a feliz ousadia de transformar numa música nova, completamente fora da estrutura original. O registo conclui-se como um trabalho musicalmente irrepreensível onde imperam músicas de excelência como os alegres singles "Laura" e "Take Your Mama", a notável harmonia de "Mary", a distinção pop de "Lovers In The Backseat" , a excitante provocação de "Tits On The Radio", a intensidade disco de "Filthy/Gorgeous", o rock'n roll à Elton John de "Music Is The Victim", o country escondido em "Better Luck", a sobriedade de "It Can't Come Quickly Enough" e a consciência progressiva de "Return To Oz". Esta edição em cd contêm ainda dois bonus tracks que encaixam perfeitamente no alinhamento original, o funky "The Skins" e o dançável "Get It Get It" a convocar para a pista. Uma clara nota de distinção num registo que roça a perfeição geral.
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segunda-feira, 7 de janeiro de 2019
Monster - R.E.M.
1 What's The Frequency, Kenneth? 3:59
2 Crush With Eyeliner 4:39
3 King Of Comedy 3:39
4 I Don't Sleep, I Dream 3:25
5 Star 69 3:07
6 Strange Currencies 3:51
7 Tongue 4:08
8 Bang And Blame 5:29
9 I Took Your Name 4:07
10 Let Me In 3:27
11 Circus Envy 4:14
12 You 4:52
Com a edição de Monster em 1994 os R.E.M. contrariaram a tendência acústica dos trabalhos anteriores e distorceram a sua música de forma a criar um registo áspero e suficientemente sujo. Gravado e editado no mesmo ano em que faleceu Kurt Cobain, homenageado por Michael Stipe em "Let Me In", Monster assimila muita da energia do movimento grunge, que acaba por se fundir com a inteligente e eficaz estrutura musical rock'n roll dos R.E.M. potenciando a importância deste trabalho junto da restante discografia da banda norte americana. Num álbum regulado pela eletricidade e pelo excessivo efeito tremolo/delay que Peter Buck difunde através da sua guitarra e amplificador, distinguem-se três momentos peculiares em; "Strange Currencies", a música deste álbum que mais se aproxima do registo anterior, "King Of Comedy", a faixa mais autónoma e original, enquanto "Tongue" impressiona pelo invulgar falsete de Stipe e pela aproximação à soul music. "What's The Frequency, Kenneth?" e "Bang And Blame" evidenciam-se como singles e há que ter em conta momentos como "Crushed With Eyeliner", com breve aparição vocal de Thurston Moore dos Sonic Youth, "I Don't Sleep, I Dream", a destreza de "Star 69", a habilidade de "I Took Your Name" e a saturação de "Circus Envy".
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Sally Dworski,
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domingo, 30 de dezembro de 2018
Out Of Time - R.E.M.
1 Radio Song 4:12
2 Losing My Religion 4:26
3 Low 4:55
4 Near Wild Heaven 3:17
5 Endgame 3:48
6 Shiny Happy People 3:44
7 Belong 4:03
8 Half A World Away 3:26
9 Texarkana 3:36
10 Country Feedback 4:07
11 Me In Honey 4:06
Foi em 1991 que o mundo se apaixonou, finalmente, pelos R.E.M.. Ao sétimo álbum de estúdio, e sem qualquer pretensão, a banda norte-americana alcançou o topo dos tops de música com uma sonoridade pop/folk/rock, muito graças ao enorme êxito do single "Losing My Religion", conseguindo manter simultaneamente a postura indie que sempre caraterizou o quarteto. Mais charmosos musicalmente, em "Out Of Time" os R.E.M. apresentam um set de canções diversificado, bastante preenchido com arranjos de orquestra e de sopros, e com os teclados (orgão, melódica e até um cravo) de Mike Mills para além da subtileza de alguns sopros. A presença de alguns convidados também não passa despercebida mas as presenças do rapper KRS-1 em "Radio Song" e de Kate Pierson, vocalista dos B-52, em "Shiny Happy People" e em "Me In Honey", são as mais notórias. Excluindo a acessibilidade de músicas como "Radio Song", "Losing My Religion" e "Shiny Happy People", encontra-se em "Low" e "Texarkana" a maravilhosa sequência natural dos trabalhos iniciais, "Endgame" e "Belong" apresentam estruturas praticamente instrumentais e em "Near Wild Heaven" é até possível encontrar um momento com arranjo à la Beach Boys.
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John Keane,
Kate Pierson,
Kidd Jordan,
KRS-1,
Michael Stipe,
Mike Mills,
Peter Buck,
Peter Holsapple,
R.E.M.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2018
Glam Hooves - HORSE HEAD CUTTERS
1 Twisted Twinkle 4:38
2 Love Against Love 5:11
3 26 Minutes 3:31
4 My Dance 4:23
5 Chained To Love 2:32
6 Don't Leave Me 4:57
7 Coffin Blues 4:45
8 Thousand N 3:56
9 Astonishing Madness 4:12
10 Dark Melody 3:18
Cinco anos depois de terem editado o primeiro Ep "Slaves Of Sound" os leirienses Horse Head Cutters voltam a prendar a nação com novo registo em 2018. O novo registo intitula-se "Glam Hooves" e é uma edição de autor. Intensos, enérgicos, possantes e aguerridos, os Horse Head Cutters são tudo menos aborrecidos e conseguem provar que o Rock está vivo e bem vivo através das dez músicas estonteantes que compõem "Glam Hooves", um registo em plena ebulição capaz de despertar o mais adormecido dos sentidos. A capacidade de execução técnica dos quatro elementos da banda é bem notória mas o trunfo encontra-se na peculiar e exuberante expressividade vocal de Z.Mutt, dono de um registo dinâmico com tanto de louco como de surpreendente, capaz de se metamorfosear de uma forma tão natural.
Ao abrir da cortina, logo após a marcante entrada da bateria, a grotesca voz de Z.Mutt anuncia "There's something in the air" e a primeira revelação é então feita através da misteriosa progressão de "Twisted Twinkle", um extraordinário "cartão de apresentação". Ao longo do registo as inevitáveis referências musicais da banda vão-se sucedendo e facilmente se associam com momentos que percorrem todo o caminho desde os primórdios mais dark do rock dos Black Sabbath, atente-se em "Astonishing Madness", até à estrutura estética de Marilyn Manson, em "Love Against Love", sem esquecer o Blues Rock dos, espante-se aqui a semelhança, Big Brother and The Holding Company com a mítica Janis Joplin, em "Don't Leave Me", enquanto "Dark Melody" remete aos tempos mais bravios dos Guns 'n Roses. "Chained To Love" foi o single escolhido para representar o registo e no final pode-se mesmo afirmar que os Horse Head Cutters são uma clara ameaça para todos aqueles que hoje afirmam que o rock está morto e sem expressão. É óbvio que quem o afirma ainda não se cruzou com este álbum...
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Horse Head Cutters,
Ladeiras,
Pedro Costa,
Z.Mutt
segunda-feira, 17 de dezembro de 2018
Happy Rock - O Máximo da New Wave - Vários - LP02
Lado A
1 Endless Night - Graham Parker & Rumour 3:25
2 Bird Song - Lene Lovich 4:20
3 Hearts In Her Eyes - Searchers 3:18
4 Cities - Talking Heads 3:30
5 Tonight - Rachel Sweet 3:07
6 Free Wheelin' - Madcats 3:33
7 Chinese Rock - Ramones 2:24
Lado B
1 One Step Beyond - Madness 2:16
2 Reasons To Be Cheerful Pt.3 - Ian Dury & Blockheads 4:51
3 Wednesady Week - Undertones 2:15
4 Do You Remember Rock And Roll Radio? - Ramones 3:47
5 Moscow Nights - Feelies 4:13
6 I Knew The Bride - Nick Lowe 2:43
7 (I Can't Get No) Satisfaction (M.Jagger/K.Richards) - Devo 2:51
O segundo disco desta dupla edição, agora em vinil vermelho, dá continuidade à amostra do "novo rock" no virar da década de 70 para 80 repetindo boa parte dos nomes e apresentando quatro "novidades" distintas; o classicismo acústico dos britânicos Searchers e o quase hard rock dos canadianos Madcats que contrasta com o dinâmico Country Rock de Nick Lowe e com a famosa de-construção do clássico "Satisfaction" pelo modernismo louco dos norte americanos Devo. As bandas mais representadas nesta coletânea são, os Ramones, que lideram a presença neste registo com quatro prestações, maioritariamente retiradas do álbum "End Of The Century" de 1979, e os britânicos Madness, que marcam presença com as três músicas que abrem o registo "One Step Beyond" também de 1979. Apesar da disparidade da presença dos Searchers e dos Madcats este disco apresenta as músicas com a estrutura mais sólida de toda a edição com destaque para o Funky, já quase Hip-Hop, "Reasons To Be Cheerful Pt.3" de Ian Dury & Blockheads, a modernidade dos Talking Heads em "Cities", o Post Punk de "Moscow Nights" dos Feelies e uma desassossegada Lene Lovich que através de "Bird Song" mantêm a sua postura irreverente. Criada numa altura em que Portugal ia ainda despertando, lentamente, acerca do que se passava à sua volta, a importância da edição desta coletânea ganha hoje contornos de colecionismo pelo seu caráter de descoberta e novidade. Para além dos atrativos vinis coloridos, os álbuns vinham ainda acompanhados de uma t-shirt alusiva à edição.
1 Endless Night - Graham Parker & Rumour 3:25
2 Bird Song - Lene Lovich 4:20
3 Hearts In Her Eyes - Searchers 3:18
4 Cities - Talking Heads 3:30
5 Tonight - Rachel Sweet 3:07
6 Free Wheelin' - Madcats 3:33
7 Chinese Rock - Ramones 2:24
Lado B
1 One Step Beyond - Madness 2:16
2 Reasons To Be Cheerful Pt.3 - Ian Dury & Blockheads 4:51
3 Wednesady Week - Undertones 2:15
4 Do You Remember Rock And Roll Radio? - Ramones 3:47
5 Moscow Nights - Feelies 4:13
6 I Knew The Bride - Nick Lowe 2:43
7 (I Can't Get No) Satisfaction (M.Jagger/K.Richards) - Devo 2:51
O segundo disco desta dupla edição, agora em vinil vermelho, dá continuidade à amostra do "novo rock" no virar da década de 70 para 80 repetindo boa parte dos nomes e apresentando quatro "novidades" distintas; o classicismo acústico dos britânicos Searchers e o quase hard rock dos canadianos Madcats que contrasta com o dinâmico Country Rock de Nick Lowe e com a famosa de-construção do clássico "Satisfaction" pelo modernismo louco dos norte americanos Devo. As bandas mais representadas nesta coletânea são, os Ramones, que lideram a presença neste registo com quatro prestações, maioritariamente retiradas do álbum "End Of The Century" de 1979, e os britânicos Madness, que marcam presença com as três músicas que abrem o registo "One Step Beyond" também de 1979. Apesar da disparidade da presença dos Searchers e dos Madcats este disco apresenta as músicas com a estrutura mais sólida de toda a edição com destaque para o Funky, já quase Hip-Hop, "Reasons To Be Cheerful Pt.3" de Ian Dury & Blockheads, a modernidade dos Talking Heads em "Cities", o Post Punk de "Moscow Nights" dos Feelies e uma desassossegada Lene Lovich que através de "Bird Song" mantêm a sua postura irreverente. Criada numa altura em que Portugal ia ainda despertando, lentamente, acerca do que se passava à sua volta, a importância da edição desta coletânea ganha hoje contornos de colecionismo pelo seu caráter de descoberta e novidade. Para além dos atrativos vinis coloridos, os álbuns vinham ainda acompanhados de uma t-shirt alusiva à edição.
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sábado, 8 de dezembro de 2018
Happy Rock - O Máximo da New Wave - VÁRIOS - LP01
Lado A
1 Baby I Love You (P.Spector/J.Barry/E.Greenwich) - Ramones 3:20
2 Talk Of The Town - Pretenders 3:13
3 Jumpin' In The Night - Flamin' Groovies 3:06
4 My Girl - Madness 2:45
5 Spellbound - Rachel Sweet 3:18
6 Everybody's Got Something To Hide (J.Lennon/P.McCartney) - Feelies 3:42
7 Stupefaction - Graham Parker & Rumour 3:25
Lado B
1 Nightboat To Cairo - Madness 3:31
2 Angels - Lene Lovich 3:05
3 Lullaby For Frances - Ian Dury & Blockheads 4:26
4 Heaven - Talking Heads 4:00
5 My Perfect Cousin - Undertones 2:32
6 Come On Let's Go (R.Valens) - Ramones + Paley Bros. 2:06
7 Alison - Elvis Costello 3:19
Edição portuguesa de 1981, a cargo da editora Nova-Companhia de Música Lda, sob a forma de dupla coletânea, de vinil colorido, que serve como uma amostra subtil do novo rock que se fazia no Reino Unido e nos EUA ao virar da década de 70 para a década de 80. Era a altura do movimento New Wave se assumir através de uma fusão de estilos em cuja base o calor da Pop se envolvia com a força e a irreverência do Punk aliando-se ainda o fascínio pelos sintetizadores. A força do revivalismo Ska nesta altura também se encontra bem presente na edição. Cabe aos norte-americanos Ramones a abertura da edição com a interpretação melosa de "Baby I Love You", um single das Ronettes nos anos 60, que aqui funciona como o exemplar perfeito da fusão Punk/Pop/Rock que também é notória em "Come On Let's Go" com os Ramones a interpretarem novamente um clássico, desta vez dos anos 50. Interessante como o Rock dos Flammin' Groovies, oriundos dos anos 60, se enquadra de forma perfeita nesta época com "Jumpin' In The Night" e como os Feelies recuperam "Everybody's Got Something To Hide" dos Beatles sem necessitar de alguma atualização, uma música que já em 1968 antevia algo mais e a prova disso mesmo é que os Feelies apenas se limitaram a interpretá-la tal como na versão original. A vividez Ska dos Madness marca aqui posição com duas faixas e nomes incontornáveis como Pretenders, Lene Lovich, Talking Heads, Undertones e um discreto Elvis Costello marcam também este registo. Nesta edição, o primeiro disco apresenta-se como uma rodela de vinil verde que noutras edições similares pode apresentar-se noutras cores.
quinta-feira, 29 de novembro de 2018
La Bamba - ORIGINAL SOUNDTRACK
Side A
1 La Bamba (Trad./R.Valens) - Los Lobos 2:55
2 Come on, Let's Go (R.Valens) - Los Lobos 1:59
3 Ooh! My Head (R.Valens) - Los Lobos 1:43
4 We Belong Together (H.Weiss/R.Carr/J.Mitchell) - Los Lobos 1:59
5 Framed (J.Leiber/M.Stoller) - Los Lobos 2:34
6 Donna (R.Valens) - Los Lobos 2:19
Side B
1 Lonely Teardrops (B.Gordy, Jr./T.Carlo/G.Gordy) - Howard Huntsberry 3:28
2 Crying, Waiting, Hoping (B.Holly) - Marshall Crenshaw 2:20
3 Summertime Blues (E.Cochran/J.Capehart) - Brian Setzer 2:40
4 Who Do You Love (E.McDaniel/) - Bo Diddley 3:00
5 Charlena (Herman B.Chaney/Manuel G.Chanez) - Los Lobos 2:45
6 Goodnight My Love (G.Motola/J.Marascalco) - Los Lobos 3:11
Banda sonora do filme baseado na vida e na curta carreira musical do malogrado rocker norte americano (de descendência mexicana) Ritchie Valens que perdeu a vida aos dezassete anos ao seguir a bordo do mesmo avião que vitimou Buddy Holly e J.P.Richardson. Editada em 1987, a banda sonora de La Bamba está recheada de rock'n roll clássico centrando-se todo o lado A da edição em vinil nas músicas de Valens, interpretadas pela banda mexicana Los Lobos. De forma a criar interação no filme com outros músicos da época foram incluídas na banda sonora quatro músicas interpretadas por; Howard Huntsberry, Marsahll Crenshaw, Brian Setzer e Bo Diddley, que representam respetivamente, Jackie Wilson, Buddy Holly, Eddie Cochran e o próprio Bo Diddley que regravou a sua própria música para esta edição. A força motriz da banda sonora e do filme é o single "La Bamba", uma música rebuscada ao folclore mexicano e que Valens converteu em rock'n roll, que obteve grande êxito em variados tops mundiais. O registo encerra com "Charlena" e "Goodnight My Love", duas músicas originais dos Los Lobos criadas especificamente para esta banda sonora. De relembrar que Ritchie Vallens , então uma jovem promessa rock'n roll, ficou imortalizado para a história como a primeira estrela latina de rock.
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domingo, 18 de novembro de 2018
Relayer - YES
Side A
1 The Gates Of Delirium 21:55
Side B
1 Sound Chaser 9:25
2 To Be Over 9:08
Ao sétimo trabalho de estúdio os britânicos Yes não puderam contar com a participação do carismático teclista Rick Wakeman que deixou a banda neste ano, algo fatigado dos Yes e pronto a dedicar-se à sua carreira a solo. A vaga foi preenchida pelo teclista suíço Patrick Moraz. Editado em 1974, Relayer distingue-se pela sua singularidade. Sem perder a qualidade progressiva típica da banda, a pesada atmosfera que envolve o registo em camadas dinâmicas explora linhagens próximas do improviso e revela um trabalho de excelência, bastante denso e difícil de penetrar às primeiras audições. Composto por apenas três músicas, o registo incide na complexidade épica da essência bélica de "The Gates Of Delirium", aparentemente inspirada pelo livro "Guerra e Paz" de Tolstói, que domina todo o lado A. Uma execução brutal, plena de emotividade, em que a severidade da secção rítmica impulsiona o resto da formação, com destaque absoluto para um Steve Howe notável na guitarra através de um desempenho ativo em que percorre várias texturas sonoras. Esta peça é composta por três andamentos distintos; uma introdução cantada, um intenso instrumental de vasto teor de improvisação, correspondente ao momento da batalha, finalizando em toada de esperança com "Soon", este andamento viria a ser editado posteriormente como o single do álbum. O lado B inicia com a quase fusão do tempestuoso e célere "Sound Chaser", novamente uma forte impulsão da secção rítmica, que se intercala com um contrastante interregno classicista por parte de Steve Howe e termina em autêntica desbunda instrumental. O registo encerra de forma melodiosa e tranquila com a magia linear de "To Be Over", uma peça mais simples em que Steve Howe explora a pedal steel e uma sítara.
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segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Bridge Over Troubled Water - SIMON AND GARFUNKEL
Side A
1 Bridge Over Troubled Water 4:52
2 El Condor Pasa 3:06
3 Cecilia 2:55
4 Keep The Costumer Satisfied 2:33
5 So Long, Frank Lloyd Wright 3:41
Side B
1 The Boxer 5:08
2 Baby Driver 3:15
3 The Only Living Boy In New York 3:57
4 Why Don't You Write Me 2:45
5 Bye Bye Love (F.Bryant/B.Bryant) 2:55
6 Song For The Asking 1:39
Editado em 1970, Bridge Over Troubled Water foi o sexto álbum oficial da dupla Simon & Garfunkel e um ponto final, não anunciado, na sua carreira. Depois deste trabalho apenas se voltaram a juntar para algumas aparições ao vivo. É um registo ambicioso, unido, como sempre, pela linha acústica e pelo carisma das duas vozes, começando logo por surpreender com um dos inícios mais bonitos que se pode encontrar num álbum em toda a história da música popular. Denotando uma curiosa versatilidade em que praticamente cada música tem um cunho particular que a distingue das restantes, o alinhamento percorre vários ambientes, explorando efeitos e arranjos peculiares, que enriquecem grandemente o registo. Depois do belíssimo arranque de "Bridge Over Troubled Water", Paul Simon interpreta a sua versão para "El Condor Pasa", uma música peruana do século XVIII cujo instrumental foi gravado pelo grupo sul americano Los Incas. O álbum ganha outro ritmo a partir de "Cecilia" através de um andamento animado por uma percussão inventiva, continua balanceado em rock'n roll com "Keep The Customer Satisfied" e acalma com um sugestivo ambiente Bossa Nova para o intimismo de "So Long, Frank Lloyd Wright", que fecha o lado A da edição em vinil. O lado B arranca com The Boxer, de caráter ainda mais acústico mas igualmente inventiva através de um arranjo peculiar que por vezes é interrompido por uma curiosa harmónica baixo e culmina envolto em sintetizadores. A dinâmica rock'n roll retorna ao alinhamento com "Baby Driver", desta vez estimulada por uma vocalização criativa, e depois da belíssima abertura com "Bridge Over Troubled Water" cabe a "The Only Living Boy In New York" o momento mais divino do registo. "Why Don't You Write Me" podia ter integrado, facilmente, o alinhamento do álbum branco dos Beatles, a que se segue "Bye Bye Love" com direito a recriação do caloroso acompanhamento de palmas da audiência tal como acontecia quando o duo tocava este clássico dos Everly Brothers ao vivo. Apesar da tamanha distinção do registo, é de forma singela que Paul Simon encerra este trabalho com "Song For The Asking", uma pequena peça a solo em que apenas utiliza a guitarra acompanhado por um arranjo de cordas.
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sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Tom - TOM JONES
Side A
1 I Can't Turn You Loose (O.Redding) 2:09
2 Polk Salad Annie (Tony J.White) 3:47
3 Proud Mary (J.Fogerty) 2:44
4 Sugar, Sugar (J.Barry/A.Kim) 2:36
5 Venus (R. Van Leeuwen) 2:42
6 I Thank You (D.Porter/I.Hayes) 2:27
Side B
1 Without Love (D.Small) 3:43
2 You've Lost That Lovin' Feelin' (P.Spector/B.Mann/C.Weil) 4:11
3 If I Ruled The World (C.Ornadel/L.Bricusse) 2:49
4 Can't Stop Loving You (W.Bickerton/T.Waddington) 4:06
5 The Impossible Dream (M.Leigh/J.Darion) 3:15
6 Let There Be Love (B.Gibb/R.Gibb/M.Gibb) 3:34
Detentor de um registo vocal poderoso, associado a uma forte imagem sexual que o tornava um favorito entre o público feminino, o britânico Tom Jones sempre brilhou como uma estrela através da interpretação de adocicadas versões de músicas dos mais variados estilos cujos novos arranjos assentavam em orquestrações intensas que combinavam de forma impecável com a sua voz possante. Editado em 1970, o registo "Tom" apresenta um repertório maioritariamente americano dividido pelos dois lados da edição em vinil; no lado A Tom Jones interpreta músicas R&B e Pop, com os arranjos centrados nos instrumentos de sopro, em que sobressaem os momentos "Polk Salad Annie" e "I Thank You", enquanto o lado B se manifesta por uma vertente mais romântica com Tom Jones a ser estimulado pela já referida orquestração intensa que aumenta o vigor das emocionantes interpretações de "Without Love", "If I Ruled The World", "Can't Stop Loving You" e "Let There Be Love".
Adepto confesso do cancioneiro norte americano e uma grande admiração, igualmente retribuída, por Elvis Presley, neste ano de 1970 Tom Jones já tinha trocado as ilhas britânicas pela costa oeste do EUA, onde detinha um programa de televisão de sucesso, e a seguir, com o aval do agora amigo Elvis, conquistou Las Vegas.
segunda-feira, 15 de outubro de 2018
20/20 - GEORGE BENSON
1 No One Emotion (C.Magness/T.Keane/M.Mueller) 3:55
2 Please Don't Walk Away (S.Lukather/James N.Howard) 3:51
3 I Just Wanna Hang Around You (M.Sembello/D.Sembello/J.Sembello/C.Sembello) 4:41
4 Nothing's Gonna Change My Love For You (M.Masser/G.Goffin) 4:04
5 Beyond The Sea (La Mer) (C.Trenet/J.Lawrence) 4:10
6 20/20 (R.Goodrum/S.Kipner) 4:07
7 New Day (Cecil & L.Womack) 4:27
8 Hold Me (M.Sembello/D.Sembello) 4:02
9 Stand Up (N.Larsen) 5:07
10 You Are The Love Of My Life (M.Masser/L.Creed) 2:50
Em 20/20, editado em 1985, George Benson vagueia entre o R&B, a Soul e a Pop, totalmente empenhado no seu desempenho vocal, com a guitarra completamente relegada para segundo plano, num registo de época categorizado por sessões com muito trabalho de programação e sequenciação. George Benson dá voz a nove músicas, "Stand Up" é um instrumental sendo a exceção e o único momento em que Benson agarra realmente na guitarra, num alinhamento que contêm a versão original de "Nothing's Gonna Change My Love For You", que dois anos depois viria a ser um grande sucesso na voz de Glenn Medeiros, e uma notável interpretação jazz para "Beyond The Sea (La Mer)" com arranjo para big band. O registo complementa-se com a participação de uma grande variedade de experientes músicos de sessão e por um set composto por canções bastante polidas em estúdio, comercialmente eficazes para funcionar num mercado mainstream. "No One Emotion", "Please Don't Walk Away" e "20/20" são alguns dos momentos mais estimulantes do registo enquanto "I Just Wanna Hang Around You", "Nothing's Gonna Change My Love For You" e "You Are The Love Of My Life", em dueto com Roberta Flack, se apresentam como os momentos mais melosos. Um pequeno aparte para a bonita balada "New Day" pela plenitude das harmonias vocais.
domingo, 7 de outubro de 2018
Golden Heart - MARK KNOPFLER
1 Darling Pretty 4:27
2 Imelda 5:22
3 Golden Heart 4:56
4 No Can Do 4:48
5 Vic And Ray 4:33
6 Don't You Get It 5:11
7 A Night In Summer Long Ago 4:39
8 Cannibals 3:37
9 I'm The Fool 4:22
10 Je Suis Désolé 5:09
11 Rudiger 5:59
12 Nobody's Got The Gun 5:21
13 Done With Bonaparte 5:00
14 Are We In Trouble Now 5:54
Considerando que todos os álbuns a solo editados por Mark Knopfler antes de Golden Heart são bandas sonoras, este é na realidade o seu primeiro trabalho original em nome próprio. Dezoito anos depois de ter começado a editar com os Dire Straits, chegava a altura de Mark Knopfler trabalhar as suas ideias a solo sem a preocupação de dar continuidade ao trabalho iniciado com a sua antiga banda. Editado em 1996, "Golden Heart" é um álbum de histórias singulares que Knopfler preparou calmamente, inspirado pela influência de música Irlandesa e Hillbilly, embebendo ordenadamente o registo de músicas cuidadas, preenchidas com a naturalidade e excelência dos seus solos de guitarra, serenos e bem medidos. Em suma, um trabalho de requinte. A música Irlandesa faz parte das influências culturais de Mark Knopfler, frequentemente utilizada nas já referidas bandas sonoras, sendo logo introduzida como uma pequena intro para "Darling Pretty" reaparecendo depois em "A Night In Summer Long Ago" e "Done With Bonaparte". No geral, o registo apresenta-se sob a forma de rock maduro, inspirado nas suas raízes mais tradicionais, sentido-se reminiscências dos Dire Straits em "Imelda" e "Cannibals", que lembra a fórmula usada em "Walk Of Life", e até mesmo a cadência acelerada de "Don't You Get It" pode ser incluída neste grupo de referência. "No Can Do" é a composição que mais se aproxima do contexto musical atual à data de edição e em "Rudiger", inspirado em factos reais, encontra-se um dos momentos chave deste trabalho, não sendo possível contornar a vividez cinematográfica de "Vic And Ray" e o vigor acústico de "Je Suis Désolé" ou algo de Roy Orbison em "Nobody's Got The Gun".
sábado, 29 de setembro de 2018
The Heart Of Rock & Roll: The Best Of - HUEY LEWIS AND THE NEWS
1 Power Of Love 3:53
2 Hip To Be Square 4:01
3 Do You Believe In Love (R.J."Mutt" Lange) 3:26
4 This Is It 3:50
5 Some Of My Lies Are True 3:20
6 Workin' For A Livin' (Live) 4:00
7 Bad Is Bad 3:46
8 I Want A New Drug 3:30
9 The Heart Of Rock & Roll 4:03
10 Heart And Soul (M.Chapman/N.Chinn) 4:10
11 Jacob's Ladder (B.Hornsby) 3:29
12 Stuck With You 4:25
13 Trouble In Paradise 3:09
14 Walking On A Thin Line (A.Pessis/K.Wells) 4:01
15 Perfect World (A.Call) 4:05
16 Small World (Part One) 3:52
17 Back In Time 4:17
De coração e alma rock & roll, o coletivo norte americano Huey Lewis and The News atravessou a década de 80 aplicando a regra mainstream do rock limpo e muito bem medido, munido de boa disposição e atestado de harmonias vocais, o que lhes permitiu algumas visitas aos tops atingindo o pico da fama com a participação na banda sonora do filme "Back To The Future" através do single "Power Of Love" em 1985. É precisamente nesta década que se foca esta coletânea, edição europeia de 1992, reunindo dezassete músicas onde se incluem dez singles que chegaram ao top ten norte americano, entre outras mais. Canções orelhudas como "Do You Believe In Love", "This Is It", "Stuck With You" e "Perfect World" contracenam com "Some Of My Lies Are True", retirado do primeiro álbum da banda ainda com notáveis influências new wave, "Workin' For A Livin'", captado ao vivo, nunca editado, e uma forma de demonstrar o forte poderio da banda em palco, "Trouble In Paradise", retirado também do primeiro álbum e usado depois como a contribuição da banda para o trabalho humanitário USA For Africa, até "Back In Time", que juntamente com "Power Of Love" fez parte do alinhamento da já mencionada banda sonora "Back To The Future". Espaço ainda para músicas dignas de relevo como "Hip To Be Square", "Bad Is Bad" e "Jacob's Ladder".
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segunda-feira, 24 de setembro de 2018
John Patitucci - JOHN PATITUCCI
1 Growing 4:35
2 Wind Sprint 6:10
3 Searching, Finding 5:05
4 Baja Bajo (J.Patitucci/C.Corea) 5:46
5 Change Of Season 3:53
6 Our Family 3:01
7 Peace & Quiet Time 4:59
8 Crestline 5:13
9 Zaragoza (C.Corea) 3:57
10 Then & Now 5:38
11 Killeen 5:15
12 The View 5:39
O virtuoso baixista norte-americano John Patitucci editou o seu primeiro registo a solo em 1988, acompanhado por algumas das "bestas" do jazz de fusão onde para além dos sintetizadores de Dave Witham e John Beasley, a dupla de base, pontuam os nomes de Michael Brecker no sax tenor, Chick Corea em piano acústico e os três bateristas, Dave Weckl, Peter Erskine e Vinnie Colaiutta. As formações vão variando ao longo do registo criando intensos momentos de fusão ou arejados momentos de jazz, dinâmica que é percetível logo de início através das três músicas que abrem o álbum. "Growing" transpira bossanova com a participação vocal de Rick Riso, "Wind Sprint" arranca em velocidade fusão e "Searching, Finding" apresenta jazz de classe numa peça mais acústica com as participações de Michael Brecker, Chick Corea e Peter Erskine. Num álbum maioritariamente elétrico, que se mantêm rigorosamente fiel ao registo de fusão, são as presenças de Michael Brecker e Chick Corea que criam o equilíbrio com a vertente acústica. Como líder de sessão, é notável a habilidade técnica de Patitucci na utilização de um baixo de 6 cordas ao longo de todo o álbum, potenciando a extensão dinâmica do instrumento, com exceção de "Zaragoza" em que utiliza o contrabaixo com arco.
Em "Zaragoza" e "Baja Bajo" percebe-se o inconfundível toque de Chick Corea, duas peças com a assinatura do pianista sendo "Baja Bajo" uma co-autoria com Patitucci. Apontamentos interessantes ainda para "Peace & Quiet Time", uma balada sustentada por sintetizadores, com solos de Brecker e Patitucci, a lembrar Weather Report, e para o exotismo de "The View" que encerra o registo .
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segunda-feira, 17 de setembro de 2018
Curtas - ISRAEL
1 O Meu Pai, A Minha Irmã E Eu 4:24
2 Amor «Tremolo» 3:33
3 40th My Dear 3:16
4 Janeiro Em Forma De Trio 3:15
5 Dezasseis E A Lua 4:13
6 Valsa De Um Bêbedo 2:55
7 Prelúdio Nº1 Para Violoncelo E Guitarra 5:56
8 Três Esculturas Sonoras 13:28
I. Maestoso Em Lá Bemol
II. Allegretto Em Sol Menor
III. Largo Em Sol Maior
Israel Costa Pereira é um músico de formação clássica que também gosta de passear pelos campos do Pop/Rock e do Jazz mas é no estudo da guitarra clássica que se foca essencialmente e foi a partir da guitarra clássica que Israel compôs as oito peças que dão origem a "Curtas", uma edição de autor, em 2018, apoiada pela Fundação GDA. Composto para formato de quarteto, Israel é acompanhado pelo pianista Bernardo Santos, pela violinista Ianina Khmelik e pelo violoncelista Nikolay Gimaletdinov. Como primeiro registo discográfico de Israel Costa Pereira, em nome próprio, "Curtas" manifesta-se sob a égide de um trabalho artístico de profunda paixão musical em que Israel expõe a sua arte e sensibilidade como compositor e executante num álbum acessível que para além da sua musicalidade resulta visual e modelar.
O registo abre sob uma aura de saudade e recordação através do bonito quadro "O Meu Pai, A Minha Irmã E Eu" tendo continuidade na belíssima peça «Amor Tremolo» que contêm algum caráter cinematográfico, reminiscências do cinema italiano. Curiosamente, "40th My Dear" não se inibe de uma harmonia com alguma ligeireza pop enquanto "Janeiro Em Forma De Trio" é outra peça de caráter visual, bastante sensorial, cujo início nos sugere a queda airosa de flocos de neve evoluindo depois para um contexto confortável e acolhedor. A progressão de "Dezasseis E A Lua" cria um momento musical impaciente cuja vivacidade vai evoluindo. Em "Valsa De Um Bêbedo" voltamos a encontrar nova impressão visual numa peça sustentada por uma imaginativa componente musical humorística com inclusão de algumas passagens divertidas.
"Prelúdio Nº1 Para Violoncelo E Guitarra" é uma peça exemplar, dominada pela nobreza do melodioso diálogo a dois instrumentos que após um breve momento de atrito se voltam a encontrar na plenitude da sua harmonia. O registo encerra de forma grave e ponderada com a intensidade da peça "Três Esculturas Sonoras", dividida por três movimentos.
No geral, "Curtas" é um trabalho criado com exímio gosto musical e uma grande paixão artística, que consegue transmitir sensações e emoções e, independentemente do estilo, música é isto.
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domingo, 9 de setembro de 2018
...Continuation - LARS DANIELSSON
1 Hit Man (N. Lan Doky) 5:20
2 Continuation 2:07
3 Long Ago And Far Away (J.Kern/I.Gershwin) 5:23
4 Flykt 9:29
5 Fallin' Down 6:41
6 Hymn 3:20
7 It Never Entered My Mind (L.Hart/R.Rodgers) 6:48
8 Namtih (N.Lan Doky) 5:46
9 Fatima 7:09
10 Solar (M.Davis) 4:26
11 Postludium 1:44
Lars Danielsson é um contrabaixista sueco de formação clássica mas foi no jazz que se fez notar e onde se carateriza pelo seu toque melodioso. Neste registo, gravado em Nova Iorque em 1994, surge em formato de trio acompanhado pelo guitarrista John Abercrombie e pelo baterista Adam Nussbaum, duas referências do jazz norte americano. Ao longo deste trabalho, Lars Danielsson combina estéticas conferindo uma sonoridade moderna e criativa a um registo maioritariamente singelo que por vezes se aventura por algum experimentalismo. Na sua generalidade, o jazz flui naturalmente ao longo do álbum com o contrabaixista sueco a liderar as nuances do trio dialogando airosamente com as linhas de guitarra do experiente John Abercrombie, sob a pontual atenção rítmica de Nussbaum. Interessante a abordagem dos sintetizadores e a utilização do arco para "It Never Entered My Mind" revelando uma nova leitura para uma peça standard através de um arranjo peculiar e classicista enquanto em "Flykt", uma das peças originais de Danielsson, a misteriosa aparição dos sintetizadores acompanha de forma subtil uma peça de execução rápida e liberal. Em "Continuation" e "Postludium", Lars Danielsson executa a solo duas peças curtas de sua autoria.
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1994,
Adam Nussbaum,
John Abercrombie,
Lars Danielsson
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